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quarta-feira, 20 de novembro de 2019

O Brasil tem o preconceito de cor, não o de origem


Eu não sabia, mas por ter nascido com a pele um pouco mais clara, eu não pensava profundamente sobre o racismo. Na infância, eu considerava ser o cúmulo quando ouvia a vizinha dizer frases como "negro quando sobe em tijolo, acha que é palanque", ou  "preto quando não caga na entrada, caga na saída". Ninguém que ouvia demonstrava pensar que aquilo fosse algo fora da normalidade, ou que pudesse se referir a algum deles. Já adulta, fiz curso de informática em uma sala em que se encontravam pessoas de diversas origens, e lá ouvi um menino negro falar mal de negros. Ninguém o repreendeu. Uma vez, aqui em Ouro preto, estava em um bar frequentado majoritariamente pela população local. Era show de Skank na cidade e vieram forasteiros de todos os cantos; um desses forasteiros desceu as escadas e quando se deparou com a população "baronil" exclamou em alto som (mas nem tanto) ao seu colega: _"Credo, vamos embora daqui, aqui só tem preto!" Pois é. 

Eu comecei a perceber mais claramente as diferenças entre ser branco e preto depois que me casei com um homem branco  e de olhos claros. Tenho dois filhos negros e ele tem três filhos brancos. Ele pode entrar em qualquer lugar que todos sorriem para ele, ele é sempre bem tratado, todos tem paciência para falar com ele. 

Uma vez, fomos a um evento, eu, meu marido, meu filho e a namorada dele. Havia revista no portão de entrada. Eu e meu marido paramos esperando para sermos revistados, o homem e a mulher, que por sinal eram negros, nos olharam com sorrisos sem graça e ficaram esperando que passássemos. Quando olhei para trás, lá estavam eles revistando meu filho black power e a namorada dele. Meu marido disse que nós somos velhos, mas não acho que esse seja o motivo pela não suspeitabilidade.




O meu filho mais novo diz que quer ser médico, desde pequeno. Ele estuda como louco, tira as melhores notas. Ele não gosta de sair de chinelos e de bermuda.

Os filhos do meu marido não se importam em sair de chinelos, seja para viajar, entrar em bancos ou lojas; ninguém nunca olhou para eles como se eles fossem marginais. Eles não sabem porque precisariam calçar sapatos para sair de casa. Hoje eu sei porque eu sei disso.

Um dia estávamos falando sobre alguém que se dizia médico, eu disse que o tal indivíduo não tinha cara de médico, meu filho: _ Por quê? Você acha que eu vou ter cara de médico? _ Eu pensei sobre aquilo. As pessoas pretas não tem cara de médico, de gerentes, de agropecuários, de juízes, porque é raro que existam negros nesses ambientes. Quando entramos em algum local, julgamos imediatamente qual papel essa ou aquela pessoa ocupa naquela estrutura, e nosso julgamento é baseado em nossas experiências, e nossas experiências nos dizem que não há negros em níveis hierárquicos superiores. Eu disse ao meu filho: _ Forme-se médico e mude o que é ter cara de médico.

Eu não era totalmente a favor da cota para negros, por vários motivos. Eu não sabia se a cota era para  justiçar descendentes de pessoas que foram escravizadas e depois deixadas à própria sorte, transmitindo seu legado de miséria e dor aos seus. Se fosse esse o caso, bastaria a cota para os pobres, porque a maioria estaria contemplada, mas não é só isso. No Brasil existe, não o preconceito de origem, mas o de cor. Não importa se toda a sua família tem pele escura, se você tiver a pele um pouco mais clara, você não sentirá o peso do preconceito. Quanto mais escura for sua pele, mais marginal você será. Você é suspeito apenas por existir com sua pele escura, e não há nada que você possa fazer para reverter isso, ainda não. É uma dor sem fim e sem remédio.

Nessa gama de cores, poucos querem cruzar a linha tênue da negritude, a ponto de negros não aceitarem ser negros e de até mesmo odiarem negros. Quem sabe dizer a partir de qual tonalidade passa-se a ser negro,  qual nível de encaracolamento é de cabelo de preto, ou que largura das narinas são de origem negra? Quais os parâmetros de negritude? 

Onde ser preto significa ser marginal, naturalmente, ninguém quer ser marginal, e preto. Ninguém quer ter que andar sempre preocupado com suas roupas, seus chinelos, em não parecer suspeito tocando nas mercadorias da loja, cochichando, fazendo uma corrida na rua. Ninguém quer ser a escória da sociedade.

Dito isso, os que lutam pela consciência negra e que já se aceitaram, precisam lutar pela auto-aceitação de tantos outros; precisam lutar, como vem lutando, para que os negros tenham cara de tudo, para que possam usar o que quiser e estar em todos os lugares, para que não sejam toleradas piadas que depreciem as pessoas por sua cor, que citem a cor como argumento para qualquer característica negativa. Isso não pode ser naturalizado. Ser negro não é ruim, e é isso o que todos temos que internalizar, todos os brancos e negros que não sabem que são negros, mesmo sofrendo com o que sua cor traz.

Não há dor maior que pensar que seu filho poderá sofrer por toda a sua vida porque sua cor é mais escura, e nada pode mudar sua cor, não que sua cor deva ser mudada; o fato é que não há o que se fazer para tirar o ódio que as pessoas poderão sentir por ele ser do jeito que é, ao menos em tão pouco tempo. Mas podemos não aceitar mais piadas, não tolerar injustiças, não repetir expressões racistas, exigir políticas sociais que promovam a igualdade e aceitar de uma vez por todas que todos nós temos o mesmo direito de estarmos aqui e de aproveitarmos tudo o de melhor que essa existência possa oferecer, seja lá de onde venhamos e seja lá o que nos torna o que somos. Devemos ser anti-racistas, como teria dito Ângela Davis, não podemos tolerar que seres humanos sejam tratados de maneira humilhante, degradante, violenta, que sejam subjugados e animalizados por  causa da cor de sua pele.

sexta-feira, 18 de outubro de 2019

Os Coringas


Há algum tempo não me atrevo a discorrer neste blog, pois o cansaço generalizado gerado pela condição atual (a condição de descrença, desesperança, e até mesmo de ódio), me paralisa ao escancarar minha inutilidade e impotência. Mas, ontem fomos ao cinema na capital, dentro de um shopping. Pois bem, fomos assistir ao Coringa. Antes, duas observações:

_ Eu odeio shoppings. 
_ Eu não vi, ou li nenhuma crítica, ou crítica da crítica do filme que pipocavam por todos os lados. Fui nua e crua, sem gerar nenhuma pré-visão.

O ator é maravilhoso, como  já sabia. O enredo, triste, triste, triste. Ainda estou digerindo a realidade que nos arregaça, porque fingimos acreditar naqueles contos dos tempos de criança e nas pessoas que pensamos que eram boas, mas que no fim, derramavam em nós suas inseguranças e fraquezas. Arthur, o Coringa, é um ser humano sensível, mas que carrega graves problemas psicológicos e neurológicos causados também pelo seu passado. Ele tentou de todas as formas realizar seus sonhos, ser alguém bem-sucedido e que conseguia fazer com que as pessoas sorrissem, mas as pessoas, o mundo, o jogaram na lata do lixo, o espancaram, o ridicularizaram; enquanto isso, os poderosos, donos do dinheiro e dos discursos, tiravam da grande massa popular todos os direitos, toda a assistência, inclusive o fornecimento dos remédios que o Coringa recebia gratuitamente para tratar de seus distúrbios. A sua risada frenética e incontrolável que surgia nos momentos de tensão parecia ter a ver com a imposição que existia de ser sempre feliz e de sorrir e fazer sorrir, colocada por uma mãe, que também sofria de problemas psicológicos, e por uma sociedade hipócrita. Mas, ele nunca fora feliz em sua vida. Quando perdeu absolutamente tudo, tornou-se alguém feliz dentro da própria lógica que criou, fazendo "justiça", afastando os importunadores e recebendo os aplausos de uma sociedade caótica que precisava de um representante extremo para a resolução dos tormentos em que estavam vivendo, ou seja, o filme é um retrato de uma sociedade doente, caótica e sem nenhuma esperança.

Saí com um nó na garganta e lágrimas presas. Não porque o filme seja deprimente, mas porque nos esfrega a nossa realidade que é deprimente. Saí com medo, porque vislumbrei um bando de "caras de palhaço" correndo pelas ruas, botando fogo, destruindo, matando, porque também não tem mais nada a perder nesse mundo totalmente desigual. Saí pensando nas relações sociais, sobre o que elegemos como certo e errado, como verdades, e como contribuímos para continuarmos nas estruturas em que vivemos. Talvez não queiramos mudar as estruturas, mas ascender dentro delas e ocupar o lugar dos dominadores. Mas, essa também é uma forma de escravidão gerada por certezas que foram criadas, e a única maneira de mudar isso, é constituindo novas certezas.

Deixei o caos da sala de cinema e caminhei por entre a "diversidade" de pessoas, mulheres usando maquiagens pesadas, roupas caras, carregando sacolas finas, crianças rosadas comendo seus sanduíches, homens de ternos, ternos nas vitrines de 1700 reais, bossa nova e perfumes chiques; na livraria, sessões intermináveis de livros evangélicos, espíritas, auto-ajuda, não vi sessão de literatura. Em uma bancada, estavam lado a lado um livro intitulado "O segundo sexo" e "Tudo o que você precisa saber para não ser um idiota". Os palhaços já estão aqui.

segunda-feira, 26 de agosto de 2019

Ciclo


Todo mês eu morro
E todo mês ressurjo.

Um dia estou linda,
Amo a vida e os planos,
Noutro, quero morrer
Na solidão dos danos.

Sei por que fomos bruxas,
Por que os homens nos temiam,
Sei por que procuram amantes,
Por que nos acham misteriosas
Nos chamam de loucas;

Por causa das mentes sujas,
Que não viam, nem ouviam,
Por causa das dores gestantes,
que davam crias gloriosas
de intensidade barroca.

E nesse morrer mensal, 
E nesse matar gradual,
Vão-se a alegria e a esperança
Nos passos da estranha dança.

Se choro e grito desesperada,
É por que preciso ser amada, 
Mesmo quando sou, sem saber,
Mesmo quando vivo a me perder.




segunda-feira, 12 de agosto de 2019

Houve um tempo...


Houve um tempo em que meu sonho era ter uma calça jeans e uma caixa de lápis de cor de 36 cores;

Houve um tempo em que comia fubá suado, café com farinha e sentava na horta para pensar.

Naqueles tempos, lia as estrelas, um livro infinito que me colocava no lugar.

Havia um tempo em que eu sonhava com príncipes, castelos e paz mundial,

Nesse tempo, sonhava em ser uma atriz de Hollywood e emocionar as pessoas,

Esse tempo passou.

Tive um tempo em que não entrava em lugares chiques e não conhecia cappuccino,

E pensava que nunca entraria naqueles lugares e que nunca provaria camarão,

Mas em todos os tempos, nunca naturalizei minha mãe como empregada doméstica,

Dizendo "sim senhora" com boca de culpada, servindo no chão.

Tivemos tempos em que pensávamos estar andando rumo ao progresso da humanidade,

Cultivando valores fraternos de tolerância, respeito, amor e paz,

Mas ao crescer, me vi rumando com rodas de fogo para trás.

Nos outros tempos a minha avó beijava santo de longe, benzia tudo, temia tudo,

E eu perguntava e negava tudo, sentindo-me muito sábia;

Hoje sei de nada, mas já vi tudo, ouvi tudo, e nada me satisfaz.

Houve um tempo em que era uma menina pobre, medrosa e sonhadora,

Agora sou uma mulher repreendida, destemida e repressora.


segunda-feira, 5 de agosto de 2019

Amor monogâmico é mito?


Eu não sei se sei o que é amar.

A cada década um tipo de relacionamento emerge como modelo ideal e os antigos passam a ser vistos como armadilhas sociais. Hoje li uma reportagem que falava que o ser humano não é naturalmente monogâmico, que somos monogâmicos porque somos pobres, ou seja, ter vários parceiros seria dispendioso e problemático. O caboclo disse que pesquisou diversas civilizações (penso que foram algum tipo de tribo, pelo que descreveu), e concluiu que em comunidades em que há menos tabus relacionados a sexo, há mais paz. Deram um exemplo de uma sociedade matriarcal, em que as mulheres decidiam com quem e quando iriam ter relações sexuais, escolhendo um dos objetos que eram inseridos debaixo de sua cabana (pauzinho, caquinho, sei lá o que mais).

Alguns disseram que a monogamia foi o que permitiu que o homem evoluísse e chegasse onde está. Muitos concordaram com a teoria da poligamia.

Inventaram o amor romântico, mas depois descobriram que lá na Grécia antiga uma homossexual já escrevia sobre o amor com características românticas, poesias cheias de idealizações e sofrimento. Ciúmes existem onde existe o ser humano. Paixão também, e foi a paixão a responsável pela maioria dos atos e construções faraônicas que ainda estão de pé na humanidade. Mas, alguns argumentam que paixão não quer dizer exclusividade sexual. Outros dizem que amam, mas não desejam sexo, outros que apenas desejam sexo se existir uma conexão intelectual, e ainda, alguns, desejam sexo com crianças, idosos, objetos e até cadáveres. Nada é simples para a raça animal humana, porque criamos símbolos, significâncias.

Não vale utilizar comportamento de outros animais, cada animal possui seu comportamento, tanto que uns são monogâmicos e outros não. De acordo com o tal cientista, os que são, é devido às dificuldades de sobrevivência, que os obrigam a terem apenas um parceiro por toda a vida. Já os bonobos fazem sexo o dia todo, todos com todos, de todos os gêneros e idades. O que isso nos diz? Jesus sabe.

Será que se todos vivêssemos no mundo comunista de Marx, seríamos todos poligâmicos, já que existiria a igualdade e não precisaríamos lutar contra a exploração? Será que se eu ganhar na megasena me tornarei uma devoradora de homens?

O moço estudou as comunidades e tirou uma conclusão. Não conheço seus métodos científicos e suas bases, mas como afirmar que apenas a variante sexual seja responsável pela paz dos indivíduos dentro de um universo social? Gostaria de compreender.

Dizem que amor romântico escraviza as mulheres. As letras das músicas atuais exaltam a traição, a farra, os prazeres imediatos, esses são os valores atuais. Os de ontem eram o do sacrifício, da sublimação, da submissão (para as mulheres, geralmente).

O que é amar?

Embora haja todos esses papos sobre o amor desde que o ser humano criou a palavra, amar para mim tem a prerrogativa da verdade. Só é possível amar verdadeiramente alguém a quem você conhece, a quem você olha e enxerga, nu e cru. Viver fingindo de ser outro é cansativo e destruidor. 

Amar não é só sossego, porque quando amamos estamos vivos e nos importamos com o que o outro é, faz, significa. Quando nada naquele ser nos move, não existe amor.

Amar é decisão. é decidir ficar juntos, de mãos dadas, cobrindo um ao outro, mesmo que não queira olhar para o outro em algum momento irritante. É contrato, porque vale a pena;

Amor é crescimento. É saber que todos são irritantes, loucos, entediantes, chatos, tudo isso em assuntos diferentes. Crescemos quando paramos de procurar a perfeição e aprendemos a lidar com as diferenças que não nos são ofensivas, opressivas e prejudiciais;

Amar é sentido. É gostar de sentir o calor, o cheiro, a voz, a pele, o olhar do outro. É não deixar que a vontade de devorar se acabe;

Amar é estímulo. É quando o outro sempre traz algo de novo e nos permite refletir até mesmo sobre as nossas certezas mais enraizadas. É provocar discordâncias tolerantes que nos levam a outro lugar.

Amar é diversão. É se permitir largar-se no mundo, vendo as coisas simples e bobas, admirando a arte, rindo, dançando, voando juntos na imaginação;

Amar é cuidar. cuidar para que o outro esteja bem, e que a relação seja sempre proveitosa, com a ciência de que tudo acaba, e que amanhã o outro pode não estar mais aqui;

Amar é tudo isso e muito, muito mais. Sexo está no meio disso e é estimulado por tudo isso. Não conseguiria ter isso tudo com vários amores, eu acho, e não gostaria. Por hoje, sou monogâmica poque sim, porque não preciso não ser. Fui doutrinada, dominada pela sociedade? Não sei. Mas esse amor verdadeiramente me basta em tudo.

terça-feira, 30 de julho de 2019

Não me chame de amor!


Um antropólogo americano criou a expressão "comunicação proxêmica" para descrever o espaço entre os indivíduos no meio social. Esse espaço que tomamos em relação às pessoas tem relação com o nível de intimidade, assim como as regras que existem em nossa sociedade, ou seja, se diferenciam de lugar para lugar, em relação a gênero e outros fatores. No geral, de acordo com suas pesquisas, essa distancia corporal seria de:

  • distância íntima: para abraçar, tocar ou sussurrar (15-45 cm);
  • distância pessoal: para interação com amigos próximos (45–120 cm);
  • distância social: para interação entre conhecidos (1,2-3,5 m); e
  • distância pública: para falar em público (acima de 3,5 m)
O distanciamento físico não é o único fator que fala sobre a intimidade entre os indivíduos, a linguagem utilizada também nos revela em que pé são as relações entre essas pessoas. Ninguém chega a um desconhecido e diz "vem cá meu amor, você está lindo hoje, querido." Ninguém diz ao chefe "vai se foder, veado!" Apenas os amigos íntimos, masculinos se tratam normalmente de veados (embora tenha visto muitas meninas utilizarem o mesmo termo). Certos usos de expressões onde essas não cabem tornam-se invasores e desrespeitosos; o difícil é entrar na sintonia certa.

Feito esse preâmbulo, concentrarei em minha queixa atual:

Eu não suporto essa nova moda nos comércios ouropretanos de nos chamar de florzinha, amor e querida!

Sim, sabemos que os serviços em Ouro Preto recebiam reclamações, as atendentes não estavam preparadas para nos receber adequadamente com simpatia e respeito, por que também sabemos que muitos patrões não ofereciam nenhum treinamento,  alguns tratavam muito mal seus empregados, mas não vamos exagerar. Bem tratar o cliente não é forçar um falso apreço ou intimidade, não é banalizar termos e destituí-los de seus sentidos, transformando-os em outros. O cliente não é seu querido, seu amor, sua florzinha, florzinha é o caramba! O cliente é, senhor, senhora, você, não é seu amante.

As pessoas confundem ser legal com intimidade. Ser legal é você não ignorar a presença do outro, ser simpático sem ser invasivo, oferecer ajuda quando necessário, não agir com arrogância ou ignorância, ouvir verdadeiramente o outro, e não tratá-lo como se ele fosse um dos mais íntimos contatos.

Detesto modismos. Não sou sua querida, baby! Amor o escambau! Florzinha é sua mãe.

Talvez eu que esteja fora da realidade com minha rabugentice, mas como analista do discurso que estou me tornando, sei que as palavras tem sentidos diversos, dizeres que estão além de nós mesmos, mas ainda não estou pronta para aceitar a banalização das palavras fundamentais e vê-las transformadas em adjetivos vazios e capitalistas.

quarta-feira, 10 de julho de 2019

Como viver neste mundo?


Vim vociferar contra este mundo,
Mas sem forças, exausta, voltei.
Parece que tudo já foi dito, feito,
Mas que nada funciona direito.

Vozes gritam e esmagam sem nada dizer, 
Bocas movem-se num frenético digitar, 
Falando coisas para quem não sabe ler.

Tudo é negado, mas tudo é possível,
Tudo é mentira, mas tudo é crível,
Depende do conforto de quem crê.

O que era ruim, ficou bom,
E o que era bom, a se perder.

Em meio ao caos, e da certeza histórica
De que nada muda além das moscas,
Fujo da minha vestimenta mórbida
E de traficanças mais toscas.

Lanço o olhar a quem me deu a mão,
Aos que me olham com gratidão,
Aos que amo, e que me amam,
E atravesso a podridão.

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Tudo pelo poder! O poder de ser deus