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segunda-feira, 12 de agosto de 2019

Houve um tempo...


Houve um tempo em que meu sonho era ter uma calça jeans e uma caixa de lápis de cor de 36 cores;

Houve um tempo em que comia fubá suado, café com farinha e sentava na horta para pensar.

Naqueles tempos, lia as estrelas, um livro infinito que me colocava no lugar.

Havia um tempo em que eu sonhava com príncipes, castelos e paz mundial,

Nesse tempo, sonhava em ser uma atriz de Hollywood e emocionar as pessoas,

Esse tempo passou.

Tive um tempo em que não entrava em lugares chiques e não conhecia cappuccino,

E pensava que nunca entraria naqueles lugares e que nunca provaria camarão,

Mas em todos os tempos, nunca naturalizei minha mãe como empregada doméstica,

Dizendo "sim senhora" com boca de culpada, servindo no chão.

Tivemos tempos em que pensávamos estar andando rumo ao progresso da humanidade,

Cultivando valores fraternos de tolerância, respeito, amor e paz,

Mas ao crescer, me vi rumando com rodas de fogo para trás.

Nos outros tempos a minha avó beijava santo de longe, benzia tudo, temia tudo,

E eu perguntava e negava tudo, sentindo-me muito sábia;

Hoje sei de nada, mas já vi tudo, ouvi tudo, e nada me satisfaz.

Houve um tempo em que era uma menina pobre, medrosa e sonhadora,

Agora sou uma mulher repreendida, destemida e repressora.


segunda-feira, 5 de agosto de 2019

Amor monogâmico é mito?


Eu não sei se sei o que é amar.

A cada década um tipo de relacionamento emerge como modelo ideal e os antigos passam a ser vistos como armadilhas sociais. Hoje li uma reportagem que falava que o ser humano não é naturalmente monogâmico, que somos monogâmicos porque somos pobres, ou seja, ter vários parceiros seria dispendioso e problemático. O caboclo disse que pesquisou diversas civilizações (penso que foram algum tipo de tribo, pelo que descreveu), e concluiu que em comunidades em que há menos tabus relacionados a sexo, há mais paz. Deram um exemplo de uma sociedade matriarcal, em que as mulheres decidiam com quem e quando iriam ter relações sexuais, escolhendo um dos objetos que eram inseridos debaixo de sua cabana (pauzinho, caquinho, sei lá o que mais).

Alguns disseram que a monogamia foi o que permitiu que o homem evoluísse e chegasse onde está. Muitos concordaram com a teoria da poligamia.

Inventaram o amor romântico, mas depois descobriram que lá na Grécia antiga uma homossexual já escrevia sobre o amor com características românticas, poesias cheias de idealizações e sofrimento. Ciúmes existem onde existe o ser humano. Paixão também, e foi a paixão a responsável pela maioria dos atos e construções faraônicas que ainda estão de pé na humanidade. Mas, alguns argumentam que paixão não quer dizer exclusividade sexual. Outros dizem que amam, mas não desejam sexo, outros que apenas desejam sexo se existir uma conexão intelectual, e ainda, alguns, desejam sexo com crianças, idosos, objetos e até cadáveres. Nada é simples para a raça animal humana, porque criamos símbolos, significâncias.

Não vale utilizar comportamento de outros animais, cada animal possui seu comportamento, tanto que uns são monogâmicos e outros não. De acordo com o tal cientista, os que são, é devido às dificuldades de sobrevivência, que os obrigam a terem apenas um parceiro por toda a vida. Já os bonobos fazem sexo o dia todo, todos com todos, de todos os gêneros e idades. O que isso nos diz? Jesus sabe.

Será que se todos vivêssemos no mundo comunista de Marx, seríamos todos poligâmicos, já que existiria a igualdade e não precisaríamos lutar contra a exploração? Será que se eu ganhar na megasena me tornarei uma devoradora de homens?

O moço estudou as comunidades e tirou uma conclusão. Não conheço seus métodos científicos e suas bases, mas como afirmar que apenas a variante sexual seja responsável pela paz dos indivíduos dentro de um universo social? Gostaria de compreender.

Dizem que amor romântico escraviza as mulheres. As letras das músicas atuais exaltam a traição, a farra, os prazeres imediatos, esses são os valores atuais. Os de ontem eram o do sacrifício, da sublimação, da submissão (para as mulheres, geralmente).

O que é amar?

Embora haja todos esses papos sobre o amor desde que o ser humano criou a palavra, amar para mim tem a prerrogativa da verdade. Só é possível amar verdadeiramente alguém a quem você conhece, a quem você olha e enxerga, nu e cru. Viver fingindo de ser outro é cansativo e destruidor. 

Amar não é só sossego, porque quando amamos estamos vivos e nos importamos com o que o outro é, faz, significa. Quando nada naquele ser nos move, não existe amor.

Amar é decisão. é decidir ficar juntos, de mãos dadas, cobrindo um ao outro, mesmo que não queira olhar para o outro em algum momento irritante. É contrato, porque vale a pena;

Amor é crescimento. É saber que todos são irritantes, loucos, entediantes, chatos, tudo isso em assuntos diferentes. Crescemos quando paramos de procurar a perfeição e aprendemos a lidar com as diferenças que não nos são ofensivas, opressivas e prejudiciais;

Amar é sentido. É gostar de sentir o calor, o cheiro, a voz, a pele, o olhar do outro. É não deixar que a vontade de devorar se acabe;

Amar é estímulo. É quando o outro sempre traz algo de novo e nos permite refletir até mesmo sobre as nossas certezas mais enraizadas. É provocar discordâncias tolerantes que nos levam a outro lugar.

Amar é diversão. É se permitir largar-se no mundo, vendo as coisas simples e bobas, admirando a arte, rindo, dançando, voando juntos na imaginação;

Amar é cuidar. cuidar para que o outro esteja bem, e que a relação seja sempre proveitosa, com a ciência de que tudo acaba, e que amanhã o outro pode não estar mais aqui;

Amar é tudo isso e muito, muito mais. Sexo está no meio disso e é estimulado por tudo isso. Não conseguiria ter isso tudo com vários amores, eu acho, e não gostaria. Por hoje, sou monogâmica poque sim, porque não preciso não ser. Fui doutrinada, dominada pela sociedade? Não sei. Mas esse amor verdadeiramente me basta em tudo.

terça-feira, 30 de julho de 2019

Não me chame de amor!


Um antropólogo americano criou a expressão "comunicação proxêmica" para descrever o espaço entre os indivíduos no meio social. Esse espaço que tomamos em relação às pessoas tem relação com o nível de intimidade, assim como as regras que existem em nossa sociedade, ou seja, se diferenciam de lugar para lugar, em relação a gênero e outros fatores. No geral, de acordo com suas pesquisas, essa distancia corporal seria de:

  • distância íntima: para abraçar, tocar ou sussurrar (15-45 cm);
  • distância pessoal: para interação com amigos próximos (45–120 cm);
  • distância social: para interação entre conhecidos (1,2-3,5 m); e
  • distância pública: para falar em público (acima de 3,5 m)
O distanciamento físico não é o único fator que fala sobre a intimidade entre os indivíduos, a linguagem utilizada também nos revela em que pé são as relações entre essas pessoas. Ninguém chega a um desconhecido e diz "vem cá meu amor, você está lindo hoje, querido." Ninguém diz ao chefe "vai se foder, veado!" Apenas os amigos íntimos, masculinos se tratam normalmente de veados (embora tenha visto muitas meninas utilizarem o mesmo termo). Certos usos de expressões onde essas não cabem tornam-se invasores e desrespeitosos; o difícil é entrar na sintonia certa.

Feito esse preâmbulo, concentrarei em minha queixa atual:

Eu não suporto essa nova moda nos comércios ouropretanos de nos chamar de florzinha, amor e querida!

Sim, sabemos que os serviços em Ouro Preto recebiam reclamações, as atendentes não estavam preparadas para nos receber adequadamente com simpatia e respeito, por que também sabemos que muitos patrões não ofereciam nenhum treinamento,  alguns tratavam muito mal seus empregados, mas não vamos exagerar. Bem tratar o cliente não é forçar um falso apreço ou intimidade, não é banalizar termos e destituí-los de seus sentidos, transformando-os em outros. O cliente não é seu querido, seu amor, sua florzinha, florzinha é o caramba! O cliente é, senhor, senhora, você, não é seu amante.

As pessoas confundem ser legal com intimidade. Ser legal é você não ignorar a presença do outro, ser simpático sem ser invasivo, oferecer ajuda quando necessário, não agir com arrogância ou ignorância, ouvir verdadeiramente o outro, e não tratá-lo como se ele fosse um dos mais íntimos contatos.

Detesto modismos. Não sou sua querida, baby! Amor o escambau! Florzinha é sua mãe.

Talvez eu que esteja fora da realidade com minha rabugentice, mas como analista do discurso que estou me tornando, sei que as palavras tem sentidos diversos, dizeres que estão além de nós mesmos, mas ainda não estou pronta para aceitar a banalização das palavras fundamentais e vê-las transformadas em adjetivos vazios e capitalistas.

quarta-feira, 10 de julho de 2019

Como viver neste mundo?


Vim vociferar contra este mundo,
Mas sem forças, exausta, voltei.
Parece que tudo já foi dito, feito,
Mas que nada funciona direito.

Vozes gritam e esmagam sem nada dizer, 
Bocas movem-se num frenético digitar, 
Falando coisas para quem não sabe ler.

Tudo é negado, mas tudo é possível,
Tudo é mentira, mas tudo é crível,
Depende do conforto de quem crê.

O que era ruim, ficou bom,
E o que era bom, a se perder.

Em meio ao caos, e da certeza histórica
De que nada muda além das moscas,
Fujo da minha vestimenta mórbida
E de traficanças mais toscas.

Lanço o olhar a quem me deu a mão,
Aos que me olham com gratidão,
Aos que amo, e que me amam,
E atravesso a podridão.

quinta-feira, 27 de junho de 2019

Ser ouropretano é...




Ser ouropretano raiz é morar nas periferias, nas quebradas, é ter aquela vista maravilhosa do Pico do Itacolomi da janela e ver aquelas nuvens que começam a escurecer para jogarem seus trovões nos morros. Nasci aqui, fui embora e voltei aos 11 anos de idade, e aprendi cedo que ser ouropretana é falar "cadê mãe", "isso é de mãe, isso é de pai", e não "isso é da mãe, isso é do pai", como eu falava. Quem vive nessas terrinhas descobre logo que mofo é um troço que faz parte da atmosfera, nada resolve. Tudo cheira a mofo e tem cor de mofo. 

Quem é dos tempos das vacas magras vai se lembrar muito bem do fubá suado, café com farinha, dos fogões a lenha, dos galinheiros e chiqueiros que faziam parte das casas. Vai se lembrar da diversidade de toques de sinos, dos quebra-queixos, das amêndoas da Semana Santa. Não há de fugir da memória também os escorregões por essas ladeiras, que faziam as calças se rasgarem. 


A minha família é mais que raiz, veio do mais longínquo solo. A minha mãe e tias, dizem que iam até o Pico do Itacolomi buscar lenha para cozinharem. Comiam o tal do fato de boi, a casa era um barraco se despedaçando. O meu avô, dizem, era um senhor ruim que nem capeta (fique em paz, vovôzinho). Do outro, por parte de pai, não sei quase nada. Na verdade, não conheci nenhum avô, os dois se suicidaram quando meus pais ainda eram bebês.

Aliás, ser ouropretano é saber ou conhecer alguém que já chegou ao desespero de tentar a própria morte. Esse é um fato terrível, ao qual não devemos fazer apologias, mas também não podemos ignorar ou esconder, como querem fazer com a mal assombrada Volta ou Curva do Vento. Não há um ano em que ao menos um pobre indivíduo atormentado não pule de lá. Ouropretanos, não vão para lá quando estiverem tristes! A vida é bela e Ouro Preto não é só mofo e neblina, há muita luz e eferverscência nessa cidade! Dêem-se a chance de conhecer uma nova vida, que sempre nos surpreende, se permitirmos.


Ser ouropretano é conhecer as histórias de fantasmas, como a da mulher de branco e a da Mãe do Ouro; é se esbaldar com os forasteiros no carnaval e depois fazer penitencia, participando de todas as procissões. Ah, é chamar turista, estudante e gente que comprou os casarões antigos e milionários de forasteiros, e os nascidos aqui de nativos. 

Antigamente, a guerra entre nativos e estudantes era grande, mas, parece que estão aprendendo a conviver de uma melhor maneira. Talvez, pelos acontecimentos antigos que os nativos presenciavam, como os trotes humilhantes, as festas que desrespeitavam as tradições religiosas, e o apartheid que existia entre essas duas categorias, o clima fosse tão ruim no passado. Hoje, felizmente, estamos convivendo melhor, até porque muitos nativos agora se tornaram universitários também.


Ser ouropretano é ter ido ao menos uma vez no Manso, no Tripuí, ou nadado nessas cachoeiras por aí. É falar "vai lá em casa", "depois vou lá", sendo que todos os envolvidos sabem que ninguém vai em lugar algum. Ser ouropretano raiz é fazer um churrasquinho com cerveja e chamar os amigos, seja na laje, na garagem, ou na varandinha. 

Infância em Ouro Preto, tem que ter uma escorregada na graminha do parque do Centro de Convenções, uns chup-chups nas vizinhas, uns papagaios no outono. Antes tinha queimada na rua, birosca, pega-bandeira, cobrinha de pano pra assustar os passantes. Hoje, tem nada não, só uns "menino mexeno no celular".


Ser ouropretano é ter ao menos um artista na família. Conta a lenda que Sônia Braga, quando gravava aqui "Luar sobre Parador",  disse: _Que cidade esquisita, aqui a gente anda na rua e ninguém vem pedir autógrafo. _ um guia turístico teria dito: _ Ah, minha filha, aqui em Ouro Preto, todo o mundo é artista. _ E é vero. Todos tocam violão, cantam, fazem teatro, e se equilibram nessa vida.

Ser ouropretano é ficar P da vida quando viaja e, ao encontrar um desconhecido, que fica sabendo que você é de Ouro Preto, ouvir dele (imagine isso com voz irritante): _ Nossa, Ouro Preto, Loucura aquela cidade, sexo, drogas e rock and roll. Seu Toba, é o que fico com vontade de dizer.

Uma chatice de ser ouropretano, é que para você viajar e gastar pouco, torna-se muito difícil, porque as únicas opções que temos são cidades com atrações barrocas e montanhas, do que estamos mais que servidos todos os dias e com magnificência. Então, quando sem grana, a gente fica aqui mesmo.


Outra chatice, são as poucas opções para as famílias de Ouro Preto, que desacostumadas a serem contempladas, ficam em casa e muitos não aproveitam as atrações destinadas especialmente a turistas, como festivais de cerveja a 15 reais o copo. As autoridades não priorizam as gentes de Ouro Preto, é como se o povo não precisasse das mesmas coisas que precisam os que vivem em cidades comuns, não turísticas.

Ser ouropretano é estar tão acostumado com tantas atrações acontecendo ao mesmo tempo e sempre, ao ponto de se perder as que mais deseja, como shows de artistas queridos. É morar em uma cidade muito pequena, movimentada, cosmopolita, em que podemos ver tudo, todo o tipo de gente, todo o tipo de atividade, e voltar para as nossas casas tranquilas de interior. Doideira. Por isso é difícil viver em outro lugar depois de Ouro Preto, nunca há o equilíbrio como há aqui, nesse sentido, de certo modo.



Ser ouropretano é falar taruíra, camofa, ganhão, arreda, falazada. Ser ouropretano é sonhar com as casas do centro que jamais poderemos comprar. Ser ouropretano é sentar na roda dos aposentados na Barra nos fins de semana, tomar umas ali nos bares que não existiam, é xingar turista parado no meio do caminho, é correr daquele povo  que fica na Rua São José e que fica querendo pegar dados do cartão de crédito, dizendo que é da Anistia, ou vendendo doces e canetas pelos lares de drogados. É ouvir os músicos que ficam alí de vez em quando, comprar um sorvetinho de máquina, ver a exposição na Casa dos Contos, fazer uma leitura das mãos com a cigana, ou saber do futuro com o cartomante; é cumprimentar o Tio Vicente Gomes pelas ruas, é fazer tapete de Semana Santa, cheio de polêmica. É sonhar em passar no IF, antiga Escola Técnica. 



Ser ouropretano é assistir a todos os dias, sem cansar, o pôr do sol entre as igrejas, que a cada dia, cada dia, é uma paisagem mais maravilhosa e única, e ainda se emocionar e amar essa cidade. É conversar com uma senhorinha no meio da rua, comprar umas jabuticabas, falar "e aí, beleza?". É ser meio acabrunhado, cismado, mas adorar um cafezinho e um papo. É ver o congado, as bandas, as fanfarras, as escolas de samba, o Zé Pereira, e sentir que isso é nosso. Ser ouropretano é ser mineiro raíz, de corpo e alma, sem escapatória e sem arrependimentos. 


Para ver imagens da Ouro Preto, cidade viva, acesse o link: Mulher Alienigena
Para ouvir um Podcast (meu marido não gosta de chamá-lo assim) sobre os sons dos sinos, acesse: Paisagens Históricas: Os sinos de Ouro Preto

segunda-feira, 17 de junho de 2019

Hoje eu vi um zumbi


Hoje eu vi um zumbi.

Eu corri para pegar o ônibus, estava quase atrasada. Fiquei em pé no ponto, juntamente com outras pessoas, quando ele se aproximou mendigando. Era um rapaz moreno, camisa preta desbotada, calças de moletom, furadas nos fundilhos, chinelos, cabelos sem corte, sujos, ele estava sujo inteiro. Pedia dinheiro, qualquer coisa, 50 centavos para comprar comida, segundo ele. Olhei seus dedos, todos com pontas queimadas, negros e feridos. Cacei 50 centavos e dei-lhe. Uma senhora que lá também estava disse, "Você vai é pra Vila daqui a pouco comprar craque, eu sei". Ele não ouviu, não ligou, não deu a mínima e continuou pedindo. Foi até o outro lado da rua e voltou para pedir para os novos esperantes de ônibus. Desta vez, ele pedia dez reais, insistia, dizia que a comida custava isso. Quando ele havia ido para o outro lado, pude observar uma lata de refrigerante em seu bolso e o isqueiro em suas mãos. Agora seu corpo tremia. Ele não via nada, nem tampouco se importava. Ele não tinha alma. Ele não era gente.

Senti um vazio na alma, se a tenho. Tenho algo que aquele zumbi não tinha, porque a ele nada importava neste mundo, a não ser a urgência que sentia de saciar a todo custo seu vício. Ele pedia, mas seria capaz de qualquer coisa. Qualquer coisa. 

Para aquele individuo, futuro não é algo que exista em sua mente ou projeto. Laços, talvez não saiba mais o sentido. Aquele individuo estava no fundo do poço da inexistência. É a coisa mais triste que já vi.

Pensar que isso está em Ouro Preto, pensar que todos sabem o que acontece, e nada é feito. Todos sabem. Todos.

Pensar que um indivíduo pode perder-se, perder a alma, assim, sem que nem se dê conta. De repente, está com amigos, ou inimigos, ou rodeado por fantasmas, e, de repente, de brincadeira, começa a trilhar o caminho da escuridão e nunca mais volta. Coisas como se limpar, comer, namoro, família, deixam de existir.

Aquele zumbi roubou um pedaço de mim. Que deus nos proteja.

sexta-feira, 24 de maio de 2019

Todo o mundo quer ouvir sinos


Todo o mundo quer alguém no mundo,
Alguém que seja seu mundo,
E que lhe dê o mundo.

Toda a gente quer um beijo quente,
Um bom dia sorridente,
E suspirar o que sente.

Todo homem ou mulher quer
Agarrar da cabeça aos pés
A quem lhe deu toda a fé.

Todos nós queremos ser meninos,
Dando e ganhando mimos,
mamando, ouvindo sinos.



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Tudo pelo poder! O poder de ser deus