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A revolução começa em casa

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Morrer rolando o mouse - reféns de um psicopata

O negócio é o seguinte, só de existirem instituições sérias fazendo pesquisas sobre a influência da rede social Facebook na vida das pessoas, já é indício de uma situação incontestável.
As regras do modo de se viver e de se relacionar mudam de acordo com a evolução das tecnologias, é verdade. É verdade também que não sabemos ainda como a nossa sociedade será afetada pela dependência que criamos da internet, especialmente das redes sociais; mas, será que podemos parar um pouquinho para pensar sobre o que nossas vidas eram, o que são agora, como chegamos a isso, e como as novas gerações estão vivendo? Podemos parar e refletir sobre como nós todos nos tornamos mais ou menos livres? Mais ou menos presentes? Mais ou menos reflexivos? Pacientes? Tolerantes? 
Façamos um exercício imaginativo agora:  Vivemos em uma era totalmente dependente da internet, especificamente da rede Facebook.  O que é o Facebook? Uma armadilha criada por um nerd psicopata que odiava todos os colegas da faculdade, a ex…

As mulheres não são amigas

O título é uma generalização, mas o que percebo, sendo mulher, é que existe uma eterna rivalidade entre as mulheres, uma disputa infinita e infindável. Simone de Beauvoir disse que não se nasce mulher, que se torna mulher, mas eu não consigo precisar até onde as influências e o universo em que nascemos nos tornam o que somos, ou se existe algo biológico que nos impele a ser como somos. Eu precisaria de vidas de estudos antropológicos, sociológicos e biológicos para precisar algo, e, como não disponho de tantas vidas e muito menos de tantos estudos, posso apenas relatar algumas experiências dessa vidinha medíocre que venho levando.
Quando era criança tinha poucas amigas. Gostava mais dos meninos, porque eles eram sempre mais claros, sinceros e falavam de coisas mais interessantes, como sobre o sentido da vida ou os cantos das cigarras. Eu tinha uma amiguinha, um dia ela recebeu outras amiguinhas de visita, juntou-se a elas e juntas se riram ironicamente por eu não saber dançar. Eu tinha…

A culpa é da mãe

A culpa é da mãe.
Foi ela quem não amamentou o filho de maneira e por tempo adequados para que ele se sentisse amado e desenvolvesse as aptidões afetivas sem deixar consequências traumáticas. Foi ela quem não teve tempo o bastante para suprir as carências do rebento, fornecer-lhe respostas e instruções apropriadas para ser bem sucedido e seguro. Aquela mãe que trabalhou demais e deixou os filhos na casa dos outros, a culpa é dela! Ela que teve filhos tão cedo na vida e, de certa forma, teve que estar preparada para abrir mão de si mesma, de sua individualidade, de sua intimidade, de seus sonhos, mas de vez em quando, quis sair a noite com os amigos e se esquecer de que não era só uma mãe, a culpa é dela. A culpa é dela que não deu um pai ao filho, ou que expulsou o cafajeste de casa, a culpa é dela por não ter paciência depois de um dia enorme de chateações e trabalho tentando levar comida para casa. Se ela não abandona, é culpada, se desiste, é culpada, e se não deseja ter filhos, é p…

Odeio calor!

Eu odeio calor e duvido que alguém goste. Vejam bem, por que o inferno é descrito quente, cheio de chamas, lavas, caldeirões e água fervente? Porque é literalmente um inferno sentir calor! Tudo é ruim e sacrificante, tudo é cansativo, suado e fedorento. Vamos aos exemplos dos terrores vividos no verão intenso:
Dormir: 
É necessário todo um aparato de coisas refrescantes como ventiladores, ar-condicionado, ou poucos aparatos, como dormir peladão. Mas então vem os mosquitos ajudantes do Lúcifer para atazanar a noite. O dia é longo, tem horário de verão (agora, por exemplo, são 18:47 e o sol ainda está rachando lá fora), se a janela é de vidro e não se tem cortinas escuras, o sol invade a casa lá pelas cinco da madrugada e é difícil continuar na cama. Resumo, impossível dormir!
Acordar:
Acordamos suados e cansados, tomamos banho e já saímos suando do chuveiro. 
Comer:
A fome diminui (o que para alguns pode ser bom), e depois que comemos, nos sentimos exaustos, indispostos e sonolentos.
Andar:
É …

Você me ama de verdade?

Eu sei que você vai me amar nas noites de samba,
Quando nos embebedarmos e dançarmos,
Quando cantarolarmos, rirmos alto e experimentarmos comidas ruins;
Eu sei que que você vai me amar quando apertar suas carnes
E encher-lhe de beijos cheios de saudades,
Mesmo quando juntos o dia todo passarmos.
Eu sei que vai me amar quando eu o surpreender
Com mimos, palavras e poemas,
Elogiando seus olhos e embolando sua barba;
Eu sei que me amará quando nos perdermos à noite,
Ou de manhã, ou a tarde, a todo momento,
Esquecendo-nos de nós e do mundo.
Eu sei que você vai me amar quando me vir cozinhando,
Cuidando de nossos pequenos,
Desenhando e falando bobagens. 
Eu sei.
Mas, você vai me amar quando eu for o avesso de mim mesma,
Quando me perder na escuridão,
Quando o sorriso sumir?
Ainda me amará quando ofender seus afetos,
Descompreender suas certezas,
Discordar de seus ideais?
Você me amará quando o belo mudar,
Quando a dor aparecer,
Quando eu enlouquecer?
Você me amará quando eu for humana?
Você me amará verdadeiramente…

A casa dos meus tios

Os meus tios moram no centro de Ouro Preto; lembro-me bem dos primeiros dias que passei naquela casa, quando vinha a passeio de Ipatinga, dos momentos em que minha tia nos dava papeis e tintas e ficávamos no chão a criar desenhos que eram sempre lindos para ela. A casa antiga tinha um segundo andar com pisos de tábuas velhas, e podíamos ver pelos buracos o andar de baixo, morria de medo de vazar para lá. Lembro-me dos biscoitinhos quebra-queixo, derretiam na boa, nunca mais comi biscoitinho tão gostoso! Era sempre aconchegante, gostoso, e mágico, a cidade me encantava. 
Com onze anos eu me mudei definitivamente para Ouro Preto e as lembranças são das visitas frequentes de todos os familiares na casa dos meus tios. Já que eles moravam no centro, ou na Rua, como gostamos de dizer, sempre que alguém ia resolver uma pendencia, fazer compras ou passear, inevitavelmente passava na casa dos meus tios, sem aviso prévio. Eu não sei bem se eram as vacas magras, mas todo o mundo adorava ir até lá…