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Mostrando postagens de Junho, 2018

O que somos e o que poderíamos ser - seres biológicos ou sociais?

Quando menina, eu não chorava, não. Não me lembro exatamente quando parei de chorar ou o porquê, mas tenho vagas lembranças de ter sido taxada como pirracenta, se não estiver enganada. Também tenho vagas sensações de ter sofrido humilhações por demonstrar meus sentimentos, minhas fraquezas. Tentava ser sempre justa com os amiguinhos, e quando os argumentos pareciam-me relevantes, mudava a minha defesa, diziam-me para que escolhesse meu lado. Sempre fui muito silenciosa e observadora. Não era uma pessoa de amplas relações, mas a situação da humanidade deixava-me deprimida. Não conseguia me expressar.
Cresci e forcei-me a ser diferente. Compreendi que as pessoas gostavam de falar de si mesmas e que déssemos atenção genuína, demonstrando interesse por suas façanhas, conquistas e desastres. As pessoas também sentem-se confortáveis se dividimos algum tipo de aparente intimidade, e se evitamos a falar mal dos ausentes, isso gera maior confiança e cria um clima propício para compartilhamento …

CONSIDERAÇÕES SUPREMAS

- As fofocas de porta em porta e as visitas da tarde foram substituídas por compartilhamentos no Whatsapp;
- Os segundos gastos rolando a bolinha do mouse na página do Facebook é geometricalmente proporcional às palavras que você deixa de escrever em sua monografia/dissertação/tese;
- Conte as horas, dias, meses e até anos que você passou em frente a uma tela na internet e tente recordar dos momentos vividos. Trate se sair e criar lembranças;
- Pesquisas dizem que opiniões mudadas através de discussões em redes sociais chegam próximo de 0,00000001%, mas o desgaste emocional, físico e social não são calculáveis;
- Evidências mostram que a geração seguinte será descendente do Quasímodo, terá forte grau de miopia e não saberá como segurar na mão dos namorados;
- 70% dos adolescentes erram a boca na hora de comer, o que causa sujeira na mesa, sala, cozinha, e, especialmente na cama;
- Já estamos em Matrix de 1984, num apocalipse zumbi.

Como ser uma feminista de araque

Manu foi criada por uma mãe super protetora que resolvia todos os seus problemas, participava de todas as reuniões, convocações, celebrações e vivia em função da pequena princesa. Quando algum amiguinho fazia algo que a contrariasse, a mãe era a primeira a colocar os pés na escola para tirar satisfações e deixar bem claro que "com a filha dela dela, não"! Sempre que tinha um arranhão, a mãe a levava para o hospital, tinha sempre um xarope na manga. Mas, apesar de todos os "zelos", sua alimentação era totalmente recheada por alimentos calóricos que a menina exigia sem encontrar resistência. Não tinha hora para comer, nem dormir, era livre.
Na adolescência, a mãe continuou limpando suas sujeiras e resolvendo seus problemas; nunca lavou um copo, passava os dias de pernas para o ar, se alimentando de teorias sobre liberdade, ativismo, e tudo o que consumia, teorias, nunca prática. Exigia dinheiro para a faculdade, para as baladas, para as viagens, fazia dívidas e dava o…

Crise de pós-graduação

Qual o sentido?
Perguntinha cretina que existe desde que o homem é homem e a mulher é mulher. Contemporaneamente, qual o sentido da rotina angustiante que todos seguimos, correndo o tempo todo em busca de mais e mais, seja lá do que for? Por que estamos tão preocupados em saber todas as notícias, tudo o que alguém disse ou fez a cada milésimo de segundo, todas as novas piadas, desastres, memes, tudo, tudo, tudo? Por que temos que estar o tempo todo fazendo alguma coisa, por que o movimento é tão necessário, mesmo que ele não produza absolutamente nada?
Por que preciso provar o tempo todo para os meus pares que eu sou importante e sei fazer coisas importantes? Por que preciso agradar a todos e dizer sim para todas as requisições que me chegam? Por que preciso esquecer de mim, de quem eu sou, do que desejo?
Por que é importante escrever uma dissertação sobre os relatos das mulheres que moraram na FEBEM, se isso deverá ficar enfiado naquela parte empoeirada de dissertações do ICHS onde ning…

Se queres seguir conselhos de amor

Se queres seguir conselhos,
Não sigas os dos poetas,
Só os tomes como modelos,
Se forem para patetas.

Palavras lindas, trágicas, fortes e cruas,
Servem-nos em momentos de lua,
Ou relembrando das carnes nuas.

Quem geralmente as profere
Nunca foi ou será perfeito;
Apenas servem ao que querem,
Esvaziar-lhes o peito.

Não sigas também os filósofos
Infelizes e agonizantes,
Quase sempre desejosos
De serem ignorantes;

De vidas quase sempre desastrosas,
Levam-na a questionar
E a negar certezas postas
Sem deixarem-se libertar.

Não sigas os romancistas, tampouco,
Esses burocráticos sonhadores
Que colocam-se pouco a pouco
Nas histórias de seus locutores.

Dos pintores, admires as artes
E seus dizeres gritantes,
Que falam de todas as suas partes,
Felizes, quentes, angustiantes.

Se queres seguir conselhos,
Esqueças do que eu digo,
Cuides de seus pentelhos
E eu cuido do meu umbigo.