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Mostrando postagens de Março, 2018

Reflexão dos 40 e poucos.

Meus contornos já não são tão retilíneos e quando me vejo, me assusto com a pessoa que é retratada, não sou eu! Eu ainda me sinto com dezoito anos, embora exausta, sonolenta e insone, se possível, e com os fios que insistem em branquear. A barriga, há muito se desfigurou, assim pensava, hoje, não. A barriga é a barriga de um ser humano que já teve filhos, linda. Se é uma bola, como dizem algumas crianças sinceras, ou caída, isso quer dizer que ainda vivo e ela está lá. Em breve, muitos mais fios brancos aparecerão e terei que tomar a escolha de assumi-los ou passar por torturas periódicas (pois é assim que vejo o salão de beleza). Oh, meu Jesus, que mal eu fiz para ficar decadente?
Serei ainda amada e desejada, enquanto que esqueletos esbeltos e serelepes continuam a nascer e a se proliferar sobre a terra? Quantas madeixas volumosas, quantas peles de pêssego ainda virão enquanto murcho e definho. Os olhos já não vêem e a mente, capenga. A postura se desconfigura e a frescura se esvai.
P…

O pêndulo e a maçã

Como já disseram muitos, a sociedade vive sobre um pendulo que é movido pelas necessidades humanas e sociais  que vão, lentamente, modificando as relações, em tese. Na história, podemos comprovar como a moral humana vai sendo transformada e sendo conduzida por esse pendulo, até que esse chegue ao seu extremo e retroceda. Estávamos vindo de uma onda progressista, quando as minorias estavam tomando novas posições e recebendo mais direitos, até que essa onda se radicalizou, quebrou a hegemonia do discurso dominante,  e esses donos do discurso se rebelaram. Hoje, podemos ouvir claramente, não apenas no Brasil,  os berros dos descontentes reivindicando o direito de ter uma sociedade conservadora, como havia sido até então; e o pêndulo está avançando, de novo, para outra direção, lentamente.
Por esse pêndulo, e pela "dialetice" da história, como diz meu marido, podemos perceber que até hoje a sociedade não se acertou em relação às suas regras de existência, ou seja, ainda não sabem…

Coisas sem sentido

Há muitas coisas que não entendo nesse mundo, como:
- Todo dia acontece um eclipse, uma super lua, uma lua azul, uma lua vermelha, que são os últimos em 80 anos;
- Há dez anos, pais colocavam limites de tempo para que os filhos usassem a internet, além de bloquear sites impróprios, hoje, os filhos ficam 24 horas conectados, vendo todos os sites existentes do universo;
- Não posso dizer em trabalhos acadêmicos que "eu" fiz isso, "eu" penso aquilo, sempre devo usar um nós ou um índice de indeterminação do sujeito, mesmo que esteja óbvio em todos os estudos da área de humanas que o trabalho é resultado de um olhar individualizado de um enunciador;
- A maioria dos mamíferos não menstruam, só a mulher;
- Não existe um cadastro único do cidadão, por esse motivo temos que provar a todo tempo quem somos, o que temos, onde trabalhamos, etc.
- A educação básica é a mais importante para a sociedade, mas é a mais desvalorizada;
- Poucas pessoas ganham bilhões de "dinheiros"…

Bobagens sobre Ouro Preto

Apenas mais um besteirol criado por mim e meu filho, Luan Carlos: Dentifrícia Ouropretana.












Agradecimentos na dissertação de mestrado

Em primeiro lugar, gostaria de quebrar o protocolo e agradecer a mim mesma; agradecer por ter insistido em estudar, mesmo que meus familiares não considerassem que isso fosse importante. Felizmente, voltei à escola depois de tê-la abandonado na quinta série por não ter dinheiro para pagar o livro didático de português que os professores indicaram. Casada e com um filho pequeno, deixava-o na escola e saía para terminar o ensino médio; foi lá que comecei a sonhar com o curso superior. Fiz vestibular e passei, na época em que era quase impossível que um "nativo" de Ouro Preto entrasse na universidade da própria cidade. Vivi dificuldades pessoais, me separei, e por falta de renovação de matrícula, fui desligada do curso de Letras no último período, recurso negado. Fiz novo vestibular e passei novamente, recomecei. Trabalho, dois filhos, depressão, segui, demorei, me formei. Fui selecionada pelo mestrado e aqui estou, feliz por não ter desistido quando cansada o filho dizia que e…

Xulispa!

Eu e meus colegas criamos um novo verbo, "hipocrisar". Eu não hipocriso com ninguém e nem hipocrisarei. Eu não gosto de todo mundo e nem gostarei. Ninguém gosta de tudo, por que eu gostaria? Eu gosto de viver em paz, cada macaco no seu quadrado. Não gostar de alguém não significa odiar alguém, lamento. Não gostar é não ter coisas em comum, não concordar com métodos, atitudes, caráter e modos. Não gostar de alguém é reconhecer também que a presença do outro me fez, faz, ou poderá fazer mal, e não sou obrigada. Eu não desejo aos não gostados a morte ou o sofrimento. O que desejo para, e deles, é que fiquem muito bem distantes de mim, apenas isso. Vão contaminar outras esferas dos seus iguais, não a mim. Deixem que eu seja contaminada pelos iguais a mim, seja lá o que formos.
Eu não sou obrigada, e espero nunca ser. Tenho idade para escolher do que gostar ou de quem gostar, e querer ficar a léguas do que me incomoda. Xulispa.


Gandhi, madre Tereza, Jesus, são pontos no infinito. E…