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quinta-feira, 29 de novembro de 2018

As taturanas, lesmas e cobras do mundo


A maioria das pessoas é de gente ruim. Ou a ruindade da porção ruim é tão nefasta que contamina o ambiente inteiro, destrói tudo ao seu redor. Na verdade, conheci muitas pessoas boas em todos os lugares em que fui. Gente que cantou comigo "We are the champion" pensando que não havia ninguém por perto, que chorou comigo contando os detalhes sobre a mãe em suas últimas experiências; gente que trazia canjiquinha e fazia chá no trabalho, gente que lutava pela igualdade e não aceitava cafajestagem, gente que se emocionou com as tristes histórias das minhas perdas... Gente que cantou comigo música do Legião Urbana e chorou comigo ao ouvir sobre a história de um filme,  que planejou viagens internacionais, contou-me segredos... Gente que escreve livros, faz arte, sonha e se indigna com as injustiças.Gente que gostava da arte e das pessoas. Gente que acredita ainda na humanidade. Obrigado por existirem, pessoas. Mas, também, a todo o momento, as cobras rastejam pelos meus pés. Essas veem-me como a elas mesmas, pensam que estou sempre a mentir ou a querer levar alguma vantagem. Essas peçonhas armam, inventam, mentem e fingem de amigas aqui e lá, para se sobressaírem com seus venenos que vão destruindo a tudo e a todos. Indivíduos que estão sempre vigiando, espionando, julgando e condenando. São lesmas nojentas com olhos de tigre que contaminam tudo com sua nuvem tóxica, sua inveja, sua gosma. São seres que só possuem olhos para elas mesmas e suas necessidades mesquinhas. Eu vomito em vocês. Eu desejo que apenas mordam suas línguas e morram com seus próprios venenos! Gente burra, gente incompetente, gente ruim como o diabo das profundezas do inferno, foi em vocês que ele fora inspirado! Cambada de Lúcifer!

Eu não quero levar vantagem as custas de ninguém, eu não penso que minhas necessidades são mais importantes que a dos outros, e nem quero ficar acima. Não pensem que olham para um espelho quando olharem para mim, na verdade, olham para as pequenas coisas que vocês gostariam de possuir e pensam que eu não deveria, como cérebro e coração. Eu e mais esse bando de gente boa que encontrei e que ainda me permitem existir nesse mar de taturanas venenosas e chupins sanguinolentos. A vocês, e de vocês, desejo apenas duas coisas: que provem do próprio veneno e distância.

 

terça-feira, 27 de novembro de 2018

TPM


Gente que não paga,
Dissertação que não se acaba,
TV, geladeira, cama, celular,
Computador, guarda-roupa,
E tudo o mais se estraga,
Dente estrupiado 
Que precisa de peça,
Gordura que cresce 
Sem comida,
Sono que nunca vem,
Relógio que decepciona,
Papéis e mais papéis
Sempre, 
E por todos os lados,
Pingos de achocolatado no chão,
Lixo fazendo aniversário,
Mesa cheia de farelo de pão,
"Preciso de dinheiro pra escola!",
"Não tenho meias"!,
"Quantas linguiça pra cada?",
"O que vai ter de janta?",
"Tem que privatizar tudo mesmo!",
"Você faz tudo isso porque quer!",
"Você é chata!",
"Deve estar de TPM!".


quarta-feira, 21 de novembro de 2018

O que é História Pública? Para o meu amor


Sou casada com um historiador e tenho um filho músico e estudante de jornalismo, em minha casa há muitas discussões sobre diversos temas, e como minha irmã bem disse, "até imagino vocês dois discutindo, deve ser uma chatice!" Ela se referia exatamente aos possíveis temas, assim como a maneira de interação, e acho que ela não estava errada. Mas, apesar dos acalourados debates nas tardes, noites, e almoços de domingos regados a cervejas e vinhos, essas discussões são elementos que me ajudam a crescer como ser humano e me levam a procurar por informações que antes deixava a "Deus dará". O meu jargão se tornou "o que significa ética?", por causa de uma das maiores querelas que vivemos. 

Quando pergunto "o que é ética" ou, o que é "comunismo, fascismo", é por causa da necessidade  de entender exatamente sobre os conceitos que estão embasando as posições dos meus interlocutores e, aproximadamente, o que eles querem dizer quando dizem o que dizem. Eu já disse que sou mestranda em Letras? Pois é. 

Os dizeres falam sobre o seu tempo, sua historia, sua narratividade e sobre eles mesmos. De acordo com a teoria da Análise do Discurso, quando dizemos, proferimos um discurso, há dois esquecimentos: o de que aquilo já foi dito por alguém e o de que aquilo poderia ter sido dito de outras formas. Os sentidos e significados do que dizemos estão na materialidade do discurso, em como ele é proferido e nos elementos que o compõem, mas para compreendê-lo, ou seja, para que as pessoas se entendam minimamente, é preciso que compartilhem informações, conceitos, pré-conceitos, pré-discursos.

Dito isso, digo ainda que introduzi-me na querela sobre História Pública e História Oral através do meu amado. Participei de alguns eventos, aproveitando o ensejo de que o meu trabalho, que é sobre narrativas de ex-internas da FEBEM de Ouro Preto, pode se encaixar nessas áreas. Não preciso dizer que, inúmeras vezes, fiz as perguntas: o que é história oral e o que é história pública?

Bem, segundo os estudos e palestras que presenciei, História oral seria uma metodologia para conseguir fontes, ou seja, narrativas históricas coletadas através da memória de pessoas que vivenciaram algum acontecimento ou até mesmo que sabem sobre tal acontecimento; seria uma nova perspectiva historiográfica, a voz seria dada ao outro lado, aos excluídos, aos que não tinham voz até então. Seria através do trabalho do historiador ao colher e analisar essas fontes, com todo o seu conhecimento e metodologia de análise que uma nova perspectiva histórica poderia surgir.

Sobre História Pública, de meu humilde lugar de estudiosa de Letras, penso que hoje trata-se mais de uma discussão do que de uma definição clara e objetiva. Para a academia americana, parece que a questão de História Pública está mais ligada ao mercado de trabalho, ou seja, o interesse em criar cursos de História Pública na academia significaria gerar possibilidades mercadológicas para os historiadores, quer dizer, permitir que os estudiosos da história se tornem habilitados para trabalharem para os cinemas, museus e outras áreas que precisem lidar com a história de alguma maneira, e não apenas tenham que ficar atados às salas de aula e pesquisas acadêmicas. No Brasil, a História Pública parece abraçar dois sentidos,  e clamar por duas tarefas, as de fazer uma história para o público e através deste; isso significaria não limitar a história àss salas de aulas e academias e torná-la acessível para o público, através da adequação da linguagem e de seus meios de transmissão, e, por outro lado, aceitar ou até mesmo promover a participação do público leigo na construção da história. Então, senta que lá vem discussão sobre as formas e a legitimidade desse público na construção da história.

A história oral seria uma dessas formas de construção conjunta da história, mas o que dizer sobre cinema, programas, eventos, que escrevem a história e a transmitem a seu modo, sem nenhuma metodologia analítica de um historiador que é formado para isso? As manifestações folclóricas, os mitos, os rituais, seriam as fontes da História Pública? mas de que maneira elas nos contariam a história?

Então vem uma outra querela lá de casa, sobre as narrativas. O problema é que na história, o conceito de narrativa é diferente do que é para Letras. Diz-se narrativa o modo de se fazer história em que eram apenas narrados os grandes feitos dos heróis, resumindo toscamente. Depois dessa forma de se trabalhar a história, surgiram outras, uma que tirava totalmente a ação do sujeito, ao que me parece, seria escrever história de conceitos, como "História da literatura", corrijam-me, historiadores. Mas, como diz meu debatente favorito, essa questão já foi resolvida e não há como tirar o sujeito da história, assim como também não dá para ficar contando historia de heróis. Mas a querela é sobre como a história é reconstruída, obviamente, através das narrativas; Não há uma história sem um início, um meio e um fim, seja esse fim dizendo que ainda não está no fim. Bom, e como o historiador ligará suas fontes, fazendo conexões críticas com os diversos conhecimentos de que tem em mãos, essa é a questão. Então, sim, penso que quem irá institucionalizar e transmitir a história precisa de um mínimo de preparo. A responsabilidade dos símbolos e dos discursos que farão parte da formação social não deveria estar a cargo do público leigo; o público seria fonte, não fazedor de história, seria participante, agente, não historiador.

A história oral, ou narrativa de vida, são fontes. A maneira como serão analisadas é o que importa. Eu sei, porque estou no purgatório do fim da dissertação e ainda estou perdida na análise dessas narrativas riquíssimas, porque no meu caso, da análise das narrativas e do discurso, o que importa não é apenas o que dizem (até porque não podemos tomar como verdade absoluta as questões da memória), mas também como dizem e por que dizem. Para fazer essas análises, é preciso de um preparo horroroso do qual ainda me vejo faltosa.

Bem, para finalizar, pensemos na questão das Fake News e imaginemos então um novo conceito, o de Fake History, se já não existe; temos muitos exemplos de novas versões da história, que colocam os africanos como  cúmplices e responsáveis pela escravidão no Brasil, que dizem que os índios foram exterminados por eles mesmos e por aí vai longe. Seria isso parte da história pública? Tornar público de maneira simplória versões históricas criadas por leigos, ou por militantes desejosos de criarem uma nova história mais agradável aos seus ideias? Quem tem a legitimidade para o redigir da história?

Apenas discussões caseiras e uma visão de uma estudante que pensa muito nesse mundo maluco de hoje.

Beijos.

quarta-feira, 14 de novembro de 2018

Quase cheia


Eu sou livre. Livremente complexa  em minha liberdade.

A minha mente está sempre cheia demais e atada a assuntos demais, futuros, presentes e passados, que não é possível que me ate a muitas coisas e pessoas que passaram. Não que elas não me sejam importantes, sei bem quem é cada um e de seus valores; mas é que infelizmente, ou felizmente,  não mais espero de ninguém (apenas espero que também não esperem de mim), que eu seja ponto fulcral de suas vidas e que por mim estejam sempre a espera, consternados, ansiosos e saudosos. Espero apenas que todos estejam muito bem, pacificamente, em bem aventurança, como disse Ieshua. Espero que TODOS vivam felizes. Se eu puder contribuir para a felicidade de alguns, bom também. 

Mas... sou cheia de minhas próprias desolações. Não é culpa minha. Sempre assim o fui. Mas nunca me consumi de mim mesma, nunca abandonei as causas que me pertencem. Jamais deixei aos outros os fardos que a meus ombros pertencem. Embora não seja simbiótica, não nego o apoio de quem me oferece, assim como apoio a quem me solicita. Mas eu sou quase inteira. Faltam pedacinhos de onde ficaram extremas emoções.Talvez esse seja o problema, todo o meu apego foi concentrado em alguns itens. Talvez essa seja a minha paixão, a religião que nunca tive, o futebol que nunca apreciei. 

Não temo mais, como outrora, ser quem sou. Ambígua, as vezes feia, maluca, libertária e ás vezes moralista, como quiserem. Mas não me nego e nunca farei tipo para agradar ao aceitável ou ao que fora imposto como belo. Não ligo aos rótulos. Só os temo pelos que me importam. Mas, nunca mais serei algo que não venha de dentro de minhas entranhas. Se me incomoda, incomoda, se gosto, gosto, se não, não. Não apoio ou exalto o que não quero para mim ou tenha medo de ensinar aos meus filhos. Isso não quer dizer que pense que todos os outros tenham que ser como eu. Que gostem e façam o que quiserem. Cada um em seu corpo, seu ser, sua existência.


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