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terça-feira, 30 de abril de 2019

Tudo pelo poder! O poder de ser deus




O motivo de tudo é o poder. Sempre foi e sempre será.

Em outros tempos, quem mandava mesmo eram os que possuíam o poder sobre as almas, os destinados por deus a cuidarem das vidas alheias, dos que já nasciam condenados. Deus já teve muitas caras, foi uma força natural que agia castigando ou beneficiando com suas mudanças climáticas, já foi muitos seres de formas humanoides, que influenciavam nos destinos dos peões de xadrez aqui embaixo, cujo ódio mortal  aos seus fantoches deveria ser aplacado com a morte de alguns inocentes. Deus se unificou, se tornou o pai autoritário e vaidoso que continuava a exigir sofrimento para provar a servidão de seus devotos, que pelos séculos se mutilaram, sacrificaram e se condenaram em vida para salvar a morte. Vieram muitos para falar em nome de deus e aproveitar, logicamente, raios de seus poderes incontestáveis. Criaram os templos, locais onde se cultuavam deus e deuses, assim como os homens que os representavam. Esses homens eram os deuses na terra.

Os reis, a nobraiada, e principalmente o clero, eram sustentados por servos que trabalhavam em troca de terras e proteção. Castas bem definidas divinamente, como na Índia, há milhares de anos, todos estavam bem em seus lugares que deus lhes distribuiu. De certa forma, eram donos de seus tempos, dividiam os "lucros" das colheitas, pagavam pesados impostos, mas não tinham direito a mais nada, muito menos à movimentação de status dentro da sociedade e da vida; até que veio a burguesia, o capitalismo, destruiu essas estruturas, e mostrou que todos (teoricamente) podem ser deuses também, que todos tinham direitos e que poderiam reivindicá-los. E o capitalismo se desenvolveu como tal, e muitas armas de dominação e de manutenção desse poder divino trazido pelo capital foram criadas, graças também ao desenvolvimento das tecnologias e dos estudos das áreas humanas, biológicas, psicológicas e sociais (que de maneira nenhuma foram criadas para esse fim), mas que geraram munição necessária para uma nova abordagem de dominação de desejos. Então, tá.

As massas passaram a ser moldadas e seus desejos construídos. Todo o tipo de desejo era ditado pelo mercado. A diferença é o alcance e a velocidade de se produzir novas identidades sociais e novos desejos consumistas, tudo tornou-se consumível, até mesmo os valores. E tudo tornou-se questionável e relativo, até mesmo o conceito de verdade. 

Está na história, através de documentos, que os Estados Unidos interferiram diretamente na maioria das situações políticas brasileiras, financiando movimentos como o da tal "Marcha da família com Deus pela liberdade" a fim de manter o seu poder no mundo na forma do capitalismo do qual são os grandes ditadores. 


É muito engraçado quando as pessoas dizem que o mercado deve ser totalmente livre, que a livre concorrência trará a justiça social e toda essa pataquada. A concorrência capitalista é simplesmente uma guerra, onde os grandes capitalistas (não aqueles donos de botequim), traçam estratégias o tempo todo para permanecerem no poder econômico (e principalmente político), como todos que costumam fazer parte do topo. O objetivo desse sistema não é o de promover bem estar social, é o de apenas se manter e manter quem faz parte dele em seus respectivos lugares. E, para manter todos em seus respectivos lugares, centenas de estratégias de guerra são construídas todos os dias, especialmente as estrategias de controle das ideologias, do pensamento crítico das massas que, por incrível que pareça, aceitam os novos deuses da pós-modernidade e contentam-se com seus Smartfones. 

Assim, estamos em crise. Vivemos em um momento de avalanche desinformativa, e pedimos por mais e mais informações para nutrir nossas almas de fatos para os quais nunca teremos tempo (never, jamais), de checar toda a historiografia, as fontes, os perfis, os documentos, para entender os tramites, os imbróglios, a lógica e a suposta veracidade de tudo o que é divulgado por qualquer um nas redes sociais. É impossível hoje ter certezas, ou, hoje, todos tem suas certezas de acordo com convicções plantadas. Estamos perdidos.


Perguntas como: será possível que alguém acredite que o aumento de agrotóxicos seja benéfico para a sociedade e tem outro propósito que não seja o de gerar mais lucros para as empresas? Será que é possível pensar que a educação não mereça investimento e não deva ser gratuita para todos, ou ainda, que deve servir apenas para formar trabalhadores consumidores? Será que alguém acredita que países como os Estados Unidos estão interessados na democracia e no bem estar de países como o Brasil (ou Venezuela, uma das grandes produtoras de petróleo do mundo), mesmo depois de tudo o que já aconteceu na história e do que acontece hoje, com um presidente americano que planeja construir um muro para evitar que imigrantes entrem? Será que alguém acredita que a reforma da previdência trará algum benefício ao trabalhador? E as perdas dos direitos, do ministério do trabalho, as novas regras para a contratação terceirizada, as custas de processos para trabalhador demitido terem que correr por eles mesmos caso percam, será que alguém acredita que isso é benéfico para a população pobre, ou que com "todo esse pensamento crítico" seriam capazes de enfrentar grandes empresas? Será que alguém acredita que o ser humano deva viver só de comer, trabalhar e consumir, sem a capacidade de pensar, analisar e tomar decisões conscientes ou viver algo diferente do que lhe é imposto, tentando mudar as estruturas? Somos o quê, companheiro? São perguntas que não param de me abismar por suas respostas.



E voltamos exatamente ao passado, com deuses, os antigos e os novos, a luta pelo poder, (que é transcrita pela busca de se ter sempre lucros exorbitantes), sem nenhuma certeza, e nenhuma capacidade de nos levantarmos. As leis não funcionam, absurdos são cometidos todos os dias por representantes do povo, saúde e educação não interessam, as armas são idolatradas, os livros são queimados, as vítimas são esculachadas, as notícias são maquiavelicamente montadas, os valores sociais estão um caos e não possuem nenhuma coerência, a ciência está sendo banida como as bruxas, e o senso comum está governando através de medidas que ganham visibilidade pela popularidade de queixas anteriores sem fundamento ou prioridade. É a lama. São as trevas. 

E nessa lama, nesse caos, nos vemos sem energias, absorvidos por tudo e por todos. estamos exaustos pelas indignações diárias, pela violência e pela intolerância. Estamos petrificados, sem saber como agir e como estaremos amanhã com as novas pedradas. 

Os pequenos que estão na base das estruturas encontram dificuldades incomensuráveis para interferir nessa formação estrutural, pois o poder está nas mãos dos capitalistas, isso é fato. O poder de interferir nas leis, de defini-las, criar diretrizes, controlar o tal mercado, formatar a cultura e criar uma realidade.  O poder está nas mãos destes grandes capitalistas, todo o poder. O povo só terá a chance de mudar as estruturas, se a maioria dos indivíduos for capaz de criar consciência de sua condição e abandonar seus deuses em busca de uma nova realidade, quebrando essas estruturas nas quais se assentam confortavelmente com suas migalhas. E é essa a grande arma que estão nos tirando, mais uma vez, na fogueira dos livros.


As formas de capitalismo que imperam em sociedades que se dizem socialistas possuem maior interferência do Estado, que, geralmente, implementam políticas públicas com a intenção de criar um sistema considerado ideal; algumas conseguem um bom resultado de desenvolvimento econômico e social, e, em muitos exemplos, o que aconteceu é que o poder do capital se concentrou nas mãos de governantes, que se tornaram ditadores ao tentar impor uma estrutura para a sociedade. Na teoria, a economia não existiria para gerar lucro, mas bem estar social e tudo o mais. Bem, complexo para o momento e carece de dados.

Talvez esse período fique conhecido como o período Matrix, pois todos estão vivendo suas vidas virtuais enquanto as máquinas, que criaram esse modelo supostamente digerível de vida, continuam sugando todas as energias de seus hospedeiros a fim de sustentar um sistema. É. O que faremos amanhã, cérebro?

segunda-feira, 29 de abril de 2019

Quis ser tudo


Eu queria ter sido uma atriz competente,
Já quis cantar,
Talvez participar de um musical...
Eu quis fazer bonecas de pano personalizadas,
Ser youtuber,
Escrever poemas,
Livros inteiros.
Eu quis ser professora,
Ser viajante,
Filósofa,
Quis ser desviante.
Eu quis ser cineasta,
Desenhista,
Pintora de quadros.
Queria terminar o mestrado
E a especialização.
Queria viajar pelo mundo,
E voltar a acreditar no futuro.
Talvez fosse mais feliz se quisesse menos
E fizesse mais.
Fizesse mais no menos.
Talvez.
Talvez fosse eu mesma
Se me contentasse comigo mesma.
Fim.

segunda-feira, 8 de abril de 2019

O vício da internet deve ser encarado como natural?




Estou a ponto de me render. Eu já nem sei se tenho coerência, ou se sou velha demais, uma velha como todas as velhas de todos os tempos que reclamam da mudança de seus tempos e da maneira como os jovens levam suas vidas. Seria a mesma reclamação que os velhos fizeram com a chegada do rádio, com a velocidade dos telegramas e das notícias de jornais que os atormentavam com a enxurrada de notícias a cada semana? Os velhos que reclamavam da fissura dos jovens pela televisão ou pelos videogames. Talvez eu seja essa velha. Talvez. Mas...

As cartas levavam meses para chegar, os telegramas  chegavam no mesmo dia, dependendo da eficiência dos integrantes da emissão, o rádio e a televisão eram imediatos. As cartas traziam notícias de alguém querido que estava distante, era a personificação de uma saudade, um capítulo de uma vida, um carinho na alma; o telegrama servia apenas para urgências, caríssimo, abreviado e breve. O rádio, servia para muita coisa, nos trazia notícias do mundo todo, curiosidades, prestava serviços, interagia com seus ouvintes. Quando ligávamos um rádio, introduzíamos um companheiro que ficava conosco enquanto íamos cuidar da vida, um companheiro que nos surpreendia com músicas e fatos novos. A televisão servia para reunir a família e até mesmo os que não tinham TV, e ficavam pela janela dos outros espiando. A televisão não nos tira do mundo, ela nos traz o mundo aberto e nos traz entretenimento grupal. Os videos games são coisas viciantes, mas são experiências fechadas, possuem começo, meio e fim, e podem ser compartilhados com o seu amigo real ou virtual. A internet nos dá tudo, nos tira do mundo e nos vicia. 

Sinto que estou no mundo errado quando vejo todos dormindo com seus celulares nas mãos, quando deles não podem se afastar por um segundo sequer, e mesmo não se afastando, gostam de que eles fiquem emitindo sons para sentir a adrenalina de notificações; sinto que estou no mundo errado quando todos sentam-se na mesa com seus celulares, comem olhando qualquer coisa e não o largam nem para lavar os talheres! Penso que nada mais faz sentido quando saio de casa para trabalhar, e ao voltar, as pessoas continuam na mesma posição, olhando seus celulares e computadores. Enlouqueço quando tudo é motivo para consultar o Google, não podemos mais ficar apenas nas memórias e convicções, sem tirar a prova a todo segundo e atrapalhando o fluxo de uma conversa que poderia ser muito mais profunda e produtiva.



"Apequenamo-nos". Tornamos o centro do universo limitado por uma tela. Não temos contato com o resto do universo (real), não olhamos mais para a natureza, para o céu estrelado, para os animais, como se tudo isso fosse só uma paisagem do Instagram. Deixamos de enxergar como somos minúsculos no universo, e nesse apequenar, agigantamos nosso ego e criamos a ilusão de que somos o centro do mundo. A nossa percepção de mundo mudou radicalmente.

Mas, todos acham esse comportamento normal e louvável, e ainda admitem serem viciados, como se fosse grande mérito. A internet usa a todos, chupa tudo e deixa só o bagaço, aproveita-se da vaidade e necessidade das pessoas por atenção e transforma tudo em matéria de consumo, todos sabem, mas não se importam. São os craqueiros que imploram por mais uma dose e exaltam a vida miserável que levam, se prostituindo por mais uma viagem.



Não, isso não é a mesma coisa que aquilo foi. Isso é muito grande, muito poderoso, muito sério e muito alienante. Talvez não haja como mudar a maneira como estamos vivendo agora, talvez nosso futuro esteja condenado. Ou talvez haja uma revolução e as coisas mudem. Mas eu não gosto de viver como estou vivendo e não consigo aceitar essa dependência da qual eu também faço parte. Estamos perdidos.

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