Pular para o conteúdo principal

Postagens

Mostrando postagens de Fevereiro, 2017

O ser tem que ter brio!

De acordo com o dicionário online Aulete, brio quer dizer: "Sentimento da própria dignidade e valor; AMOR-PRÓPRIO". 
O ser tem que ter brio! Ter brio significa ter consciência de seu próprio valor, é não aceitar ou fingir aceitar pessoas ou situações que digam o contrário. Ter brio quer dizer ter o poder de dizer que não aceita determinadas coisas  que fazem mal, ter a dignidade de se valorizar. Para ter brio, não é necessário ser mal-educado, mas é necessário ter coragem para exigir a dignidade que lhe pertence.
Quem tem brio, não finge que nada aconteceu, como se o seu ser não tivesse sido usurpado, estuprado, roubado, arrastado pela lama; quem tem brio não permanece em uma situação que lhe causa negatividade. Quem tem brio, não mantém relações com quem o prejudicou ou traz más lembranças e sentimentos. Quem tem brio, não se deixa passar por quem não tem.
Quem tem brio é dono de sua vida, de seu destino, de sua dignidade. Quem tem brio, não precisa se submeter por educação. Q…

Prosa íntima

Não é fácil a transição que alguns sofrem quando perdem o seu mundo real, (que na verdade era imaginário ou ilusório) e caem em um novo mundo, o mundo de Alvares de Azevedo. A beleza de tudo o que vivemos, através dos programas de televisão, se revela arma de manipulação, alienação, descobrimos que fomos enganados o tempo todo. Descobrimos que a maioria das pessoas está disposta a levar vantagem acima de tudo e de todos; descobrimos que não existe espírito de natal, que não há renovação e, que, embora sempre soubéssemos, morreremos e a vida continuará igual. Começamos a ler os olhares, as palavras, os gestos, começamos a ver melhor o mundo, e isso não é nada bom. Percebemos como tudo sempre é encarado com maldade e malícia, e como a maioria realmente age com maldade e malícia. Tornamo-nos incrédulos e amargos.
O poema de Álvares de Azevedo ilustra perfeitamente o meu desgosto com a humanidade e a minha descrença na salvação humana  e na paz mundial. Podemos dizer que o tempo propicia a…

O nativo

O relógio despertou, como sempre, às 6:00 da matina.  Abriu os olhos com um esforço incrível, olhou através dos vidros trincados da janela e percebeu que o tempo parecia escuro. Levantou-se, escovou os dentes, cuspiu no lavatório e jogou água no cuspe para limpar enquanto fervia a água do cafezinho que levaria para a obra. A mãe dormia ainda, pegaria serviço mais tarde. Colocou a roupa do trabalho pesado na mochila, que estava arrancando a alça, passou o café e comeu um pão dormido com margarina, que era mais barato. Calçou as botinas e desceu as ladeiras de Ouro Preto, correndo, estava atrasado para o trabalho. O pior era que teria que ir até o centro, ou à Rua, como dizem, na hora do almoço, para resolver um problema no banco. Não sabia muito bem como usar os caixas eletrônicos. Quando passava pelo centro da cidade, deparou-se com uma blitz de policiais, que ao vê-lo, rapaz de baixa estatura, negro, com roupas surradas, não tiveram dúvida em revistá-lo. Ele já estava acostumado... S…

Depressão

Olhar para o mundo e ficar de saco cheio,
Odiar as esperanças dos esperançosos,
A alegria dos inocentes,
O entusiasmo dos fogosos.

Não ter forças para respirar,
Não querer, e ver o tempo passar,
Andar trincando os dentes,
Deitar sem acordar.

Não desejar mais  o cappuccino,
a viagem tão sonhada,
a presença dos ausentes,
Não desejar nada.

Morrer de olhos abertos,
Não sonhar, mesmo que certo
De que nada mais se sente 
E o fim está perto.



A ciranda do Facebook

Eu passei uns cinco anos da minha vida conectada, a maior parte do tempo. Inventava de fazer vídeos, ficava discutindo sobre política e religião com as pessoas, me indignava com opiniões radicais, conversava com dez pessoas ao mesmo tempo, via vídeos de todos os tipos, ria dos memes, criava memes, criava grupos, e assim, os meus dias se escorriam pelos meus dedos enquanto eu vivia uma vida sentada em frente a uma tela de computador. Quais são as minhas lembranças desses dias? Não as tenho. Parece que esses anos foram apagados de minha existência, nada fiz, nada vivi e não me lembro sequer do que aconteceu na internet. Fiquei um tempo deprimida, reclusa, afastada de tudo e de todos. Mesmo quando estava com as pessoas, queria estar ali, conectada, e muitas vezes, ficava.
É impossível viver sem a internet, lá estão quase todas as informações das quais precisamos, mesmo quepossua 100 vezes mais informações falsas e informações das quais não precisamos. A internet nos serve, ou nós servimos…