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Mostrando postagens de Março, 2009

O presente

O celular tocou pontualmente às 5:00, os meus ouvidos perceberam mas não queriam acreditar que a hora já havia chegado. Dei à mim mesma mais alguns minutinhos, levantei-me, custosamente, às 5:40. Corri para a minha rotina diária, fui ao banheiro, fiz o café, me vesti, me penteei e percebi que a chuva, felizmente, havia parado. Desci a escadaria quebrando as pernas, pois já estava um pouco atrasada. Não chovia mas mesmo assim uma enxurrada descia pelos degraus, não havia nem um pedacinho seco! O resultado disso foi que eu molhei os meus pés e fiquei com eles molhados até às 18:30, quando cheguei em casa... Tudo bem, coisas da vida. Fui correndo para pegar a Van, e em uma dessas pedras me escorreguei e caí com a "poupança" no chão! O pior é que estava passando outra Van na hora, se me viram caindo eu não sei dizer, pois a ninguém vi.Continuei a correr, já convencida de que hoje eu não estava mesmo sendo uma pessoa de sorte, cheguei lá e a nossa Van estava parando. Fui desanima…

FIAT LUX!

Nada importa, a dor é maior que todos os constrangimentos, maior que todas as frustrações, maior que o próprio ser que sofre! A porta que estava entreaberta não quer mais deixar que a luz passe, e caso uma brisa venha mudá-la um pouco de lugar e apareça um pouquinho de claridade, fere tanto os olhos que é insuportável! A luz significa um sábado ensolarado e quente, quando todos saem de casa para passear com os amigos e familiares, sorrindo, gargalhando, brincando, vivendo, e aqui dentro das trevas, se morre! Como é odioso o sábado radiante para quem sofre!Como é atrevida a alegria dos outros, que não se compadecem dos pobres infelizes!
Os noturnos se acostumaram às trevas. A escuridão lhes é agradável, dentro dela não se enxerga com a nitidez do dia, à noite, os gatos são pardos. Nas trevas podemos sair e ficar olhando sorrateiramente para os passantes, ou podemos dormir e aguardar o próximo pôr do sol.
Quem vive da noite não suporta a vivacidade diurna, a alegria do sol lhe cansa, lhe…

Em cena

Já tentei de tudo na vida! Já ignorei com a esperança de vencer pelo orgulho e pelo cansaço, buscando forças para lutar contra a minha vontade; já avancei como o touro sobre o toureiro, com a fúria de quem enxerga o pano irritante que não para de se balançar adiante, chamando o bicho pra luta; Já usei das maiores sutilezas, dizendo por meias palavras, atiçando a imaginação; Já desempenhei vários papéis, o de irmã, amiga, sedutora fatal, madura, carente, desprotegida, insegura, tímida, moderna, triste, descolada e de mãe;Já me fingi de morta, esperando a hora final; Já fui a vilã, a má, a errada. Em nenhuma dessas vezes fui outra além de mim, fui sempre eu comigo, buscando me reencontrar diversas vezes em meio ao meu emaranhado de fios sem ponta, sempre buscando a sinceridade da alma, das ambições e dos desejos. Quem eu nunca consegui ser foi a mentirosa. Gostaria de olhar sem ver, de falar sem ser, de agir sem sentir! Gostaria de tomar o papel da fortaleza, que nu…

Saudades

Ao folhear um livro na escola onde trabalho, fui surpreendida por um singelo bilhetinho de amor adolescente:


"Ontem foi um sonho,
Hoje, realidade
Quero te fazer feliz
Por que te amo de verdade.
Amo e amarei,
Sonho e sonharei,
Vivo e viverei,
Mesmo que seja ilusão,
Nunca te esquecerei."

Lembrei-me de quando escrevia em meu caderno de recordações aquelas milhares de frases, retiradas de várias fontes, umas inventadas por mim e a maioria sem nenhuma referência. Todas falavam sobre o amor, a amizade, a esperança, mas no fundo eram sobre a inocência...Naquele tempo tudo era mais simples, eu tinha as minhas "certezas", eu idealizava. O amor era muito mais possível e palpável.

Que saudades!

Coração aberto

Já tinha se recuperado, estava com os esparadrapos em forma de cruz na testa e com a pele um pouco endurecida e cascuda pelo tempo, mas estava quase novo!Os últimos tombos não foram tão grandes e nem causaram tantas consequências, mas deixaram mais algumas cicatrizes em seu ser. Apesar de tanto apanhar, o "aloprado" sempre perseguia o ideal que havia criado em momentos distantes, quando era grande e vulnerável...Ao invés de se abrir cada vez mais, foi se fechando, teve medo ao conhecer os outros diferentes. Ele se expandiu, mas do escancaramento que tinha, restou-lhe apenas uma brecha. Muitas vezes tentou trancar-se, mas o que podia fazer se a sua natureza era a de estar sempre pronto para acolher?

Depois de sofrer e tombar, incrivelmente ainda se dispunha a confiar, a crer, e a lutar. Pobre, ainda não aprendeu com os inúmeros erros, ainda não consegue ver!Por que nos atormenta com essa estranha capacidade de sempre cair em armadilhas parecidas? Por que não nos deixa em paz!

Confesso 10 coisas...

Muitas vezes fiquei muda diante das questões mais simples, muitas vezes enrubesci, muitas vezes hesitei...Várias também foram as vezes em que desejei gritar, esbravejar, criticar, demonstrar, e não o fiz. Apanhei, me arrependi, hoje tenho outros olhos, fiz uma pequena cirurgia de catarata em meu ego, me vejo e vejo tudo com um pouco mais de nitidez. O horizonte, aos poucos, vai se clareando para mim, consigo enxergar as ruelas e os vales que se despontam adiante, assim como os rios e as matas que se fecham à minha frente. Não me importo tanto mais com o que vão pensar sobre mim desde que seja baseado na verdade, por este motivo as páginas do meu livro estão abertas para quem tiver a disposição de lê-las. E assim pensando e tentando viver, não me acanho em confessar que: 1- Adoro comer comida com banana e carne com café; 2- Odeio acordar cedo e tenho maior disposição à partir da tarde; 3- O meu primeiro beijo foi dado aos 15 anos e tive um pouco de nojo; 4- Quando estou de TPM, como a maio…

Eteviana

Ela nunca pensou na possibilidade de presenciar tais comportamentos, comportamentos que desafiam a lógica imposta pela sociedade durante o resto do ano. Eteviana já tinha se recuperado de sua última aventura, a sua pesquisa de campo obteve resultados cedo demais! Aquele rapaz na danceteria havia lhe deixado marcas inegáveis dentro da sua imatura alma! Por que ela não teve coragem de ir lá falar com ele, por que não continuou a compartilhar daquele entusiasmo natural que surge quando dois seres se encontram em um olhar, e se unem em um mesmo pensamento e sentimento? Ela não sabia responder, ou melhor, sabia sim: Teve medo.
O tal "Carnaval" estava chegando e ela não sabia bem o que era, tinha informações extraídas de relatos entusiásticos, cheios de excitação e também de fotos e arquivos encontrados nas mais variadas fontes.Ela não compreendia o que havia nesta festa que fazia com que a maioria das pessoas de um imenso país criassem tanta expectativa. O que havia de tão maravil…
Muitas vezes, quando o dia se esconde ressaqueado e se despede por detrás das montanhas de Ouro Preto, contemplo os últimos raios que dividem o céu em várias faixas de diferentes intensidades de cores e me esqueço de mim nesse momento aconchegante.Para mim, as noites de verão são as mais belas! Lindas colorações alaranjadas esbarram-se nas montanhas e levam consigo o calor escaldante, deixando o mormaço característico da estação.

Apesar de todo o calor, de toda a beleza, reina no ar uma melancolia de fim de festa, uma tristeza fina e leve que nos obriga a pensar... Nesse momento, eu, sozinha com o fim do dia, com o laranja e o preto, me sinto melancólica como a tarde, mas me sinto também morna e amparada em uma nuvem de verão. Fecho os meus olhos e navego por outros mundos, mundos familiares que me ampararam outrora, mundos imaginários que me amparam na solidão.Esses mundos são diversificados, parecem-se com os raios da tarde, suaves e laranjas. Então me dá vontade de abraçar a tarde e…