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quinta-feira, 31 de janeiro de 2019

A revolução começa em casa


A revolução começa quando todo o mundo de uma família, pais e filhos, tiverem a certeza de que são responsáveis por suas próprias vidas, e assumirem os benefícios e as merdas; isso que dizer:

Os pais não existem para servir aos filhos, satisfazer-lhes suas necessidades e vontades, nem tampouco evitar de mostrar-lhes as verdades da vida. Lavar banheiro não é "nojento", arrumar a própria bagunça não é sacrifício, lavar o que suja não é trabalho escravo, é o mínimo que um ser humano perfeito e com coordenação motora normal deve fazer;

Cada um que lave sua cueca e sua calcinha, mesmo existindo máquina de lavar, ninguém é obrigado a ficar lidando com secreções de outras pessoas;

Derramou-pegou, sujou-limpou, abriu-fechou, se alguém dorme é porque precisa, espaços comunitários devem ser respeitados e necessidades individuais também;

Ninguém precisa de nada que não tenha se lembrado ou utilizado por mais de um ano, as coisas existem para um determinado fim, não para se ostentar e jogar fora no fim do ano;

As tarefas não são responsabilidades de um ou outro, mas de todos que desfrutam da casa e do que ela oferece, desde a organização até a comida;

Não é empregada quem tem que resolver as coisas chatas e cuidar de nossos filhos, nossos filhos é que devem aprender a fazer o mínimo, e nós que temos que exigir do governo que tenhamos escolas e creches quando não pudermos cuidar deles para irmos trabalhar, nós e as que seriam empregadas, cuidando dos nossos filhos e deixando os delas sozinhos;

Sim, tarefas são chatas e cansam, por isso mesmo não é justo que uns se responsabilizem por tudo enquanto os outros descansem em paz;

Compartilhar, os momentos de trabalho e os momentos bons, compartilhar! De vez em quando, gastar com o que dá prazer, porque a revolução não pode ser só trabalho.

Resumindo, não adianta ficarmos discutindo teorias sobre a sociedade, capitalismo, socialismo, o diabo a quatro, se não praticamos os valores que idealizamos. De ideias o inferno está cheio.

Então é isso, se queremos uma verdadeira revolução, onde todos se respeitem, respeitem as necessidades individuais e coletivas, se responsabilizem por seus atos e deveres, não cultivem valores consumistas e saibam se divertir, é em casa que devemos começar. Não sejamos hipócritas e irresponsáveis quando o assunto é uma sociedade justa!

quarta-feira, 23 de janeiro de 2019

A culpa é da mãe


A culpa é da mãe.

Foi ela quem não amamentou o filho de maneira e por tempo adequados para que ele se sentisse amado e desenvolvesse as aptidões afetivas sem deixar consequências traumáticas. Foi ela quem não teve tempo o bastante para suprir as carências do rebento, fornecer-lhe respostas e instruções apropriadas para ser bem sucedido e seguro. Aquela mãe que trabalhou demais e deixou os filhos na casa dos outros, a culpa é dela! Ela que teve filhos tão cedo na vida e, de certa forma, teve que estar preparada para abrir mão de si mesma, de sua individualidade, de sua intimidade, de seus sonhos, mas de vez em quando, quis sair a noite com os amigos e se esquecer de que não era só uma mãe, a culpa é dela. A culpa é dela que não deu um pai ao filho, ou que expulsou o cafajeste de casa, a culpa é dela por não ter paciência depois de um dia enorme de chateações e trabalho tentando levar comida para casa. Se ela não abandona, é culpada, se desiste, é culpada, e se não deseja ter filhos, é pior que todas as outras.

A culpa é da mãe. É dela a culpa pela disputa feminina e rivalidade com a filha e de todos os problemas psicológicos e sexuais dos Édipos. A culpa é dela se protege demais, se cobra, ou se não o faz. A culpa é da mãe por formar assassinos, psicopatas, fracos, frouxos, safados, hipocondríacos, antissociais, alienados e toda a escória social e moral. A culpa é da mãe.

Se está presente, mas não vive no mundo da Doriana ou do Barney, é culpada. Se vive cheia de palavrinhas vazias de amor eterno mas é uma pervertida e irresponsável, é culpada. Até mesmo as que andam na regra são culpadas, pois não há uma regra para uma mãe perfeita, embora digam que todas as mães sejam perfeitas e que haja uma ligação biológica ou cósmica entre mães e filhos. A mãe é o centro do universo e é a culpada da danação humana. Tudo é a mãe. Filhos da mãe.

Não sei quanto a casais homossexuais, onde a mãe entra, como e quando; de quem será a culpa? Quem será a mãe? E quanto aos filhos que jamais foram alimentados no seio da mãe? E quanto aos que tiveram ama de leite? Os que foram viver longe dos pais na era vitoriana? E quanto às crianças criadas em instituições? Quem foram as suas mães? Há de se culpar uma mãe.

Mulher, a culpa será sempre sua. Sua frígida, invejosa do pênis, histérica, Lillith banida por querer ser igual a Adão, Eva castigada por ser perversa! Sua bruxa, intelectualmente inferior, de cheiros fortes e desagradáveis, suja, que menstrua, louca, dissimulada, bipolar! Sua mãe, filha de uma mãe, a culpa é sua! A culpa é sua!

sexta-feira, 18 de janeiro de 2019

Odeio calor!


Eu odeio calor e duvido que alguém goste. Vejam bem, por que o inferno é descrito quente, cheio de chamas, lavas, caldeirões e água fervente? Porque é literalmente um inferno sentir calor! Tudo é ruim e sacrificante, tudo é cansativo, suado e fedorento. Vamos aos exemplos dos terrores vividos no verão intenso:

Dormir: 

É necessário todo um aparato de coisas refrescantes como ventiladores, ar-condicionado, ou poucos aparatos, como dormir peladão. Mas então vem os mosquitos ajudantes do Lúcifer para atazanar a noite. O dia é longo, tem horário de verão (agora, por exemplo, são 18:47 e o sol ainda está rachando lá fora), se a janela é de vidro e não se tem cortinas escuras, o sol invade a casa lá pelas cinco da madrugada e é difícil continuar na cama. Resumo, impossível dormir!

Acordar:

Acordamos suados e cansados, tomamos banho e já saímos suando do chuveiro. 

Comer:

A fome diminui (o que para alguns pode ser bom), e depois que comemos, nos sentimos exaustos, indispostos e sonolentos.

Andar:

É como escalar o monte Everest do Saara, se fosse possível e existente. Qualquer morrinho gera um sofrimento inenarrável e um esforço árduo, sem falar que ficamos todos molhados, grudentos, fedorentos e queimados de sol. 

Trabalhar:

Sem comentários, não deveria existir trabalho no verão. Ponto.

Andar de ônibus:

É como subir na barca do inferno, a pior experiência de todas. Junte todos os elementos anteriores, acrescente o desconforto de ter 60 pessoas na mesma situação, todas encostadas umas nas outras, reclamando, gritando e chorando. Foi isso o que Dante viu quando desenhou o inferno.

Verão é bom só para quem está na praia, a passeio, ou ganhando dinheiro com turistas, ao contrário, é só dor e sofrimento.


terça-feira, 8 de janeiro de 2019

Você me ama de verdade?


Eu sei que você vai me amar nas noites de samba,
Quando nos embebedarmos e dançarmos,
Quando cantarolarmos, rirmos alto e experimentarmos comidas ruins;
Eu sei que você vai me amar quando apertar suas carnes
E encher-lhe de beijos cheios de saudades,
Mesmo quando juntos o dia todo passarmos.
Eu sei que vai me amar quando eu o surpreender
Com mimos, palavras e poemas,
Elogiando seus olhos e embolando sua barba;
Eu sei que me amará quando nos perdermos à noite,
Ou de manhã, ou a tarde, a todo momento,
Esquecendo-nos de nós e do mundo.
Eu sei que você vai me amar quando me vir cozinhando,
Cuidando de nossos pequenos,
Desenhando e falando bobagens. 
Eu sei.
Mas, você vai me amar quando eu for o avesso de mim mesma,
Quando me perder na escuridão,
Quando o sorriso sumir?
Ainda me amará quando ofender seus afetos,
Descompreender suas certezas,
Discordar de seus ideais?
Você me amará quando o belo mudar,
Quando a dor aparecer,
Quando eu enlouquecer?
Você me amará quando eu for humana?
Você me amará verdadeiramente?
Você me ama?

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