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Mostrando postagens de Agosto, 2010

Rosa vermelha

Gostaria de ter asas  Para bem longe ir parar, E sem medos ou receios, Admirando o novo ar, Em terra nova iria pousar. . A rosa vermelha, Tão longe nascida, Bela, floreceu. O seu doce perfume, Sinto-o ainda Como se já fosse o meu.
Nunca toquei suas pétalas Nem a vi respirar, Mas sinto-a presente E a ouço falar.
O vermelho não deixa meus olhos Mesmo que queira me libertar! Viajo voando nos sonhos E deixo  a vida me levar.

Calar, jamais!

Morrer guardando as palavras, Não quero Jamais! Melhor que me estapeiem o rosto Ou cortem-me a língua Que não ter paz. Pobre é o que o ônibus perdeu E sem guarda-chuvas,  Andou para o lar! Pobre daquele mendigo Morto de fome Por não querer falar! Amassar no peito Coisas mal-dormidas Só nos faz sufocar! Mil vezes ter a cara cuspida, A honra ruída, Que a dor de não me expressar!

Saudade

Outro alguém tocarar-te, Alguém olharar-te, Mas nunca serão toques tão quentes E olhares tão doces Como os que agora tens... Nunca ninguém terá essa voz que canta, Nem a risada na hora mansa, Nunca ninguém vai chorar A lágrima que vai e vem. Nunca mais ouvirás os mesmos sons, Nunca mais a mesma ternura Incansável, dia após dia... E quando se levantar e os olhos abrir pesarosos, entre rugas, Um dia, talvez, Sentirás que o que perdido havias Estará ainda tão próximo, Escondido entre as ferrugens Do dia que se encardia... Pode ser que naquele instante, Algo mude em seu semblante Esquivando-se da verdade. A dor de toda uma existência Perdida entre caminhos  Que levaram a lugar nenhum, Crescerá desmedidamente Quando os teus olhinhos velhos Implorarem por clemência. A lembrança de uma vida vazia E da ferida provocada Só não serão maiores no peito velho, Que a dor da  saudade.

Devaneios noturnos

O sono rouba-me o senso e a realidade, aqui vão alguns devaneios noturnos de uma vampira incorrigível:
 Por que a voz doce não traz credibilidade? Será por que se aproxima à voz infantil? Será que, por esse motivo, sempre foi mais difícil ver mulheres em cargos de chefia?
Quem inventou que homem e mulher tem que viver juntos?
 Por que paramos de olhar para o céu quando crescemos, e nos esquecemos que algumas palavras marcam como ferro quente quando pequenos?
Por que sempre que acontece algo, vemos sempre por uma perspectiva egocêntrica, como se o mundo girasse em torno de nós e tudo se resumisse a um complô para nos tornar mais felizes, mais tristes, ou  nos surpreender dali há algum tempo?
Por que os pais amam os filhos mais do que os filhos amam os pais?
Por que adolescente é tão chato?
Por que, mesmo não tendo nada pra dizer, eu estou aqui, me esforçando pra encontrar algumas bobagens pra falar?
Parei por aqui.

Dust in the wind

O Tempo...
O menino parou pra olhar o Tempo e o tempo parou pra olhar o menino. O menino deu um passo, e o Tempo voou! Voou tão longe que o menino se cansou de andar. As pernas do menino se entortaram, suas costas se curvaram os sonhos morreram todos, e o pior, o menino não conseguiu alcançá-lo, o inefável Tempo.
Quando o Tempo estava próximo, íntimo, ele gostava de andar ao lado do menino, mas o menino  que pensou saber demais sobre o Tempo e que sempre teria a sua companhia,  se iludiu. O Tempo não espera que os meninos se abaixem para escolher as melhores pedras, o Tempo simplesmente segue o seu caminho, e caso o menino escolha o cascalho aos diamantes, o Tempo não lhes dará outra chance de encontrar tesouros. Talvez, adiante, econtre uma ametista, uma água-marinha, dificilmente o Tempo voltará e dará novas oportunidades.
Os meninos sempre pensam que sabem onde o Tempo leva, o que ele quer e até quando ficará ao lado deles; os meninos pensam que conhecem tudo, mas só conhecerão o Temp…

E lá vem os macacos!

Mais uma idéia sobre o Brasil é derramada pela mídia, através dos lábios de um lutador americano:
"Antes do combate, entre muitas ofensas a Silva, Sonnen criticou também o Brasil: ““Ele vem sempre com aquela m... de se curvar para cumprimentar (à moda oriental). Mas isso não é parte da cultura do Brasil. Se você abaixar a cabeça lá, sua carteira é roubada, e o ladrão ainda foge rindo da sua cara”.  
(Ver completo aqui.)

Também não estou com vontade de comentar sobre isso.

Segredos

Segredos não tão segredáveis, abro mais uma página do meu livro. Dialogando com outras leituras recentes, lá vou eu.
1- Odeio dormir cedo e odeio mais ainda acordar cedo, por isso durmo poucas horas e sempre estou com sono;
2- Descobri recentemente que possivelmente eu tenho DDA- Distúrbio de Déficit de Atenção;
3- Esse tal de DDA explica muita coisa, tal como fazer milhares de planos e quase nunca terminá-los;
4- Grande criatividade e pouca organização;
5- Grande impaciência com tarefas rotineiras;
6- Muitos devaneios em salas de aulas, mas sempre obtendo bons resultados;
7- Não tenho memória geográfico-espacial, sempre me esqueço onde ficam as coisas e mesmo depois de voltar ao mesmo lugar três vezes ainda fico insegura quanto ao caminho;
8- Para mim, é impossível a leitura de qualquer mapa;
9- Sempre faço caricaturas dos colegas de aula e do trabalho, a maioria adora;
10- Já sonhei em ser atriz, pintora, fotógrafa, desenhista, cantora, e escritora;
11- A falta de focalização e mult…

Poema

Estava com vontade de escrever, mas a inspiração não me veio. Folheando um antigo livro de poesias de Castro Alves, me deparei com este poema e resolvi postá-lo.
FATALIDADE
DAMA NEGRA

Que fatalidade, meu pai!
ÁLVARES DE AZEVEDO.


ADEUS! ADEUS! ó meu extremo abrigo!
Adeus! eu digo-te a chorar de dor!
É o derradeiro suspirar das crenças,
Que se despedem das visões do amor...

Pálido e triste atravessei a vida
Sempre orgulhoso, concentrado e só...
É que eu sentia que um fadário estranho
Meus sonhos todos reduzia a pó.

Mas tu vieste... E acreditei na vida...
Abri os braços... caminhei p'ra luz...
E a borboleta da fatal crisálida
Soltou as asas pelos céus azuis.

O tronco morto - refloriu de novo
Ergue-se vivo, perfumado, em flor,
Abençoando a primavera amiga...
Ai! primavera de meu santo amor!

Porém que importa, se há fadários negros...
Frontes - voltadas do sepulcro ao chão...
Pedras coladas de um abismo à beira...
Astros sem norte, de um cruel clarão!

Quem mostra o trilho ao viajor das …