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Mostrando postagens de Julho, 2010

Doce engodo

Esperei pela palavra certa Até o fim, Até o raiar do dia, Mas a palavra calou-se.
Pensei achar a porta aberta, Mas só em mim Quase sempre existia O olhar ainda tão doce.
O desejo inventou sentidos Ao que nada dizia e isso bastou-me.
Pobres olhos adormecidos, Disfarçaram a sangria Que quase matou-me.

Dê aos porcos, as migalhas! Esmolas, jogue aos mendigos! Muito ajuda quem não atrapalha. Meu peito só quer abrigo.

Silvester e os macacos

Para corroborar com o meu texto "Vergonhas a mostra", o ator Silvester Stalone, que filmava mais um de seus filmes de ação aqui no Brasil, proferiu a seguinte frase:
“você pode explodir o país e eles ainda dizem ‘obrigado, e aqui está um macaco para você levar para casa”.
Olha o macaco lá! Agora faltaram as bananas!
Não sei nem o que dizer sobre isso...Não sei se me irrita mais o ator ou o povo, que continua a idolatrar seres como este, deixando que explodam tudo.




Nada mais a declarar.

Príncipe encantado

Já escrevi em outra ocasião sobre o fascínio que os vampiros despertam nas mulheres, principalmente um vampiro tão charmoso e apaixonado como o Edward Cullen. As pessoas sonham com o amor eterno, com o parceiro ideal, cada um com a sua concepção de parceiro ideal, e saem caminhando pela vida afora em busca desse príncipe ou dessa princesa, ou embutindo nos pares que encontram as características desejadas, mas, na maioria das vezes, o despertar é doloroso! Então culpam-se mutuamente por um não ser o que o outro esperava, mesmo não o sendo desde o início.
O vampiro! Que mulher não desejaria um amor imortal, um amante que daria a sua "não-vida" por ela, que se sacrificasse sublimemente, que cuidasse, que fosse charmoso, que  fizesse  dela a sua vida, eternamente? Além de todas essas características, ainda há o fascínio pelo místico, pelo sobrenatural, pela metáfora de sugar o outro, viver do outro. Quem diria que um monstro das trevas, condenado à danação, daria um genro perfeit…

Muitas chances dentro de uma chance*

Qualquer coisa que estraga em sua casa, minha mãe chama o Leonel.

Telhados, ar condicionado, piso, rachaduras, ventiladores de teto. Ele mora na mesma quadra e nunca demora a vir. Enquanto cimentava a escada do pátio, Leonel levantava altivamente o rosto quando provocava a figura materna. Atento, gargalhava a cada disparo de afeto.

Ao guardar a pá e o carrinho de mão, confessou:

- Minha mãe morreu quando nasci. Vejo vocês e tenho saudade da saudade.

Partilho semelhante inveja. Quando vou sozinho a um restaurante, não canso de espiar as conversas de casais. Eu me interesso pelos assuntos mais frívolos. Ponho a mão no queixo, o guardanapo nos joelhos e admiro o espetáculo da intimidade. O amor que pode ser amor ali, acontecendo em minha frente entre descrições de trabalho e confissões de meio-dia. O amor ali, camuflado e prosaico, mas devidamente forte para atravessar a morte e prometer vida eterna mesmo que não tenha eternidade depois. Mesmo que um dos dois sequer acredite…

Não mais

Não mais crer, Não mais esperar, Não ver além do que está pra se ver; Não mais sofrer, Não mais se estrepar, Não mais tentar ir além do viver! Não mais sonhar, Não se antecipar, Pés no chão para não se perder. Não mais provar, Não mais prever Ser justamente o que se deve ser.

Vergonhas à mostra

A reportagem na televisão mostrava um grupo de estudantes japoneses aprendendo as diversas maneiras de se cumprimentar no mundo, dentre elas estavam os três beijinhos no rosto, hábito bem brasileiro. Naturalmente era algo complicado para eles, já que em sua cultura as pessoas sempre permanecem a uma certa distância, sem  nunca se tocarem. Mesmo sendo jovens, muitos ficaram constrangidos.
Os hábitos culturais que os seres humanos possuem sobre a maneira de se relacionarem dizem muito sobre a região e o povo de onde vêm, dizem também sobre a forma de  enxergar os outros e a própria relação humana. O Brasil é um país jovem, composto de povos de todas as partes do mundo, gente alegre, colorida e de hábitos extremamente variados e de uma expansividade enorme, o que para muitos pode parecer exageradamente passional e permissivo. Em países onde há uma cultura milenar como no Japão, os hábitos de convivência estão profundamente enraízados, há uma concordância social sobre a maneira de ser e de…

Comprometimento

Pequeno Príncipe (trecho)
E foi então que apareceu a raposa:
- Bom dia, disse a raposa.
- Bom dia, respondeu polidamente o principezinho que se voltou mas não viu nada.
- Eu estou aqui, disse a voz, debaixo da macieira...
- Quem és tu? perguntou o principezinho.
Tu és bem bonita.
- Sou uma raposa, disse a raposa.
- Vem brincar comigo, propôs o princípe, estou tão triste...
- Eu não posso brincar contigo, disse a raposa.
Não me cativaram ainda.
- Ah! Desculpa, disse o principezinho.
Após uma reflexão, acrescentou:
- O que quer dizer cativar ?
- Tu não és daqui, disse a raposa. Que procuras?
- Procuro amigos, disse. Que quer dizer cativar?
- É uma coisa muito esquecida, disse a raposa.���������…

A magia das fadas

Em 1917, duas garotinhas inglesas tiraram fotos para provar que realmente haviam fadas no vale de Cottingley, e o mais incrível é que todos acreditaram! Elsie Wright e Frances Griffiths enganaram todo o mundo com as suas incríveis fadas de papel. No início tudo era uma brincadeira, mas a história tomou proporções tão grandes, que as meninas só puderam desmentir  tudo já na velhice.

Qual o motivo que nos leva a acreditar em algo tão extraordinário? Por que nos cegamos diante das falsas evidências ? Por que preferimos a fantasia à já conhecida realidade?
Por que precisamos! Precisamos crer que há algo extraordinário e inexplicável em nossas vidas, precisamos crer em milagres! Precisamos imaginar que neste mundo há poderes desconhecidos, algo que possa influenciar magicamente nossos destinos!

Não será esse o papel do amor? Nos dar alento, sonhos, devaneios? Nos fazer sentir importantes, felizes, especiais, místicos? Sim! Esse também é um dos papéis do amor, da paixão, nos fazer crer que…

Cantinho Sagrado

Para alguns pode parecer blasfêmia misturar símbolos de crenças diferentes, mas blasfemar é não aceitar as coisas boas de cada uma delas. Nunca fui religiosa e tenho milhões de motivos históricos para não abraçar dogmas, mas admiro muito, respeito e sei da importância que as religiões tem para o ser humano.
Religião existe para nos dar respostas, para abrandar o maremoto, para nos trazer esperança e conforto; a religião é a mãe dos que choram, o remédio para os que padecem, a força para os fracos.
Blasfêmia é o desrespeito às escolhas! Se eu não respeitar o próximo apenas por ele ter escolhido caminhos diferentes, eu também não mereço respeito!
Blasfêmia é o egoísmo! Quem só pensa em seu próprio bem, não merece viver com outras pessoas, e tampouco merecerá a sua ajuda!
Blasfêmia é a rudeza! Quem só sabe jogar sal nas feridas alheias e nunca derrama nos corações uma palavra de conforto, não tem direito ao amparo.
Por isso que entre Nossa Senhora Aparecida (ganhada), crucifixo (ganhado), anj…

Diálogo na cama

Maria Gaivota: _Estou tão feliz!
Zé Ruela:_Que bom, fico feliz também. Seja livre!
Maria Gaivota:_O que você quer dizer com essa, seja livre?
Zé Ruela:_Uai, nada, que você seja livre, como uma gaivota, he, he, he! Só quero que você seja feliz.
Maria Gaiovota:_Mas eu já sou feliz.
Zé Ruela:_Então, seja livre!
Maria Gaivota:_Eu também já sou livre. O que você está querendo dizer com isso, pode falar, eu não sou mais criança, eu aguento muito mais do que você possa imaginar.
Zé Ruela:_Está bem, depois não diga que eu fui rude!
Maria Gaivota:_Claro que não, você pode dizer o que quiser, livre como uma gaivota!
Zé Ruela:_Sabe o que é, é que estou vendo que você está querendo demais de mim! Eu não estou preparado pra isso, me desculpe!
Maria Gaivota:_Pra isso o qué, Ruela?
Zé Ruela:_Pra isso, relacionamento com você... Entendeu?
Maria Gaivota:_Uhum...Entendi.Você não está preparado pra ter um relacionamento "comigo"?
Zé Ruela:_É.Não quero que você fique triste, a gente se divertiu aqui, mas pr…