quinta-feira, 23 de novembro de 2017

Fica

De tudo o que a vida traz e leva,
Ouso a dizer que nem tudo fica.
Beleza se degenera,
Olho, sentido, crítica.

Amor fica.

Poema de Shakespeare



Soneto 116

"De almas sinceras a união sincera
Nada há que impeça: amor não é amor
Se quando encontra obstáculos se altera,
Ou se vacila ao mínimo temor.
Amor é um marco eterno, dominante,
Que encara a tempestade com bravura;
É astro que norteia a vela errante,
Cujo valor se ignora, lá na altura.
Amor não teme o tempo, muito embora
Seu alfange não poupe a mocidade;
Amor não se transforma de hora em hora,
Antes se afirma para a eternidade.
Se isso é falso, e que é falso alguém provou,
Eu não sou poeta, e ninguém nunca amou."  




Love Sonnet 116

Let me not to the marriage of true minds Admit impediments; love is not love Which alters when it alteration finds, Or bends with the remover to remove: O, no, it is an ever-fixèd mark, That looks on tempests and is never shaken; It is the star to every wand'ring bark, Whose worth's unknown, although his heighth be taken. Love's not Time's fool, though rosy lips and cheeks Within his bending sickle's compass come; Love alters not with his brief hours and weeks, But bears it out even to the edge of doom. If this be error and upon me proved, I never writ, nor no man ever loved.

William Shakespeare

quarta-feira, 1 de novembro de 2017

Afeto de quentura

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Todos os dias desejo o mesmo despertar:
Observando seu olhar se abrindo
E sorrindo ao me mirar.

Os verdes sedutores, com cada significar:
Se feliz, sempre vibrantes,
Se triste, vão desbotar.

Reconheço e preciso da sua temperatura
Quando se enrosca em mim 
E me agarra a cintura.

Seus lábios encantam-me a sorrir,
E quando me beijam sorrindo,
Não posso resistir!

Sua barba, cheiro e toco a atrapalhar,
Deixando-o sempre elegante
Diante do meu olhar.

Segure minhas mãos e me leve, criatura!
Agarre-me para sempre assim
Nesse afeto de quentura!