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Mostrando postagens de Março, 2017

A teia de aranha

Eram amigas desde a infância, a grandona e a baixinha, como as chamavam. Mas a baixinha não se sentia tão amiga assim, sempre subjugada, analisada, recriminada, por que era fresca e tinha inclinações artísticas. A altona era, por sua vez, imperiosa e objetiva, as coisas eram sempre pretas ou brancas, não havia bolinha no yin e no yang. Parecia que a estatura era a materialidade de sua personalidade autoritária e assertiva.
A alta era a Renata, a baixinha era a Clara. Durante a adolescência, vivenciaram muitas aventuras, mas nem tão venturosas, por que Renata não era dessas de pagar mico. Quando bebia além da conta, queria obrigar a amiga Clara a ceder a qualquer um que julgasse digno. Uma vez, quase forçou a amiga a ficar com um caboclo 20 anos mais velho cuja aparência causava em Clara repugnância, além de estar bêbado como Renata. Acusaram-na de infantil e disseram que ela nunca seria adulta se não fizesse aquilo o que queriam, que era ficar de beijos, abraços e esfrega com um homem …

É normal ser dependente da internet

Quando inventaram a câmara de bronzeamento artificial, todos queriam usar, estava na moda e parecia seguro. Hoje, muitas pessoas desenvolveram câncer de pele e até perderam a visão por causa do abuso de tal artifício. Lembro-me disso quando questiono meus filhos sobre o abuso do uso da internet e eles me dizem que todo o mundo só fica na internet. Argumentam que não têm nada para fazer e que não tem ninguém com quem fazer algo, todos estão lá. Chego em casa, sinto desespero. Vejo todos com as colunas arqueadas e olhos fixos no celular, digitando freneticamente ou soltando gargalhadas. Quando assistem a televisão, não assistem, ficam se inteirando sobre o programa com outras pessoas na internet. Quando está acontecendo algo importante, precisam se expressar através das redes sociais, terem a voz ouvida e comentada. Não estão nem lá, nem cá. Ninguém nunca está onde está, e se está com alguém aqui, o deixa para estar com outro lá, e se esse outro vem para cá, também é abandonado, porque …

Sobre a dependência das tecnologias - Padre Fábio de Melo

Eu não sou religiosa, mas algumas mensagens são válidas, não importando de onde venham.


Cultive a intimidade - Pe. Fábio de Melo - Programa Direção Espiritual 22/03/2017

Desapego

Gostaria de me desapegar, ser livre e deixar livre, não pensar, não sofrer pela ausência, não necessitar da exclusividade; Gostaria de, simplesmente, viver os momentos, sem me preocupar se amanhã terei mais, ou se o que tenho será de outro. Gostaria de ficar relaxada e dar a todas as coisas o mesmo peso e valor, aceitar que os outros tem o direito de não estarem apegados a mim. Gostaria de me sentar e meditar, ver, ou não ver o tempo passar, transcender... Gostaria de dizer aos que amo, vá! Volte se quiser, e não precisa olhar para trás. Caso assim fosse, não haveria amargura em meu peito a cada ausência, não haveria rugas entre os olhos ou dores pelo que poderá ser; seria totalmente livre e sem sofrimento, bebendo da vida e de seus momentos transitórios. Mas não sou.
Eu sou esse fogo que arde de desejo e de falta, essa vontade do infinito, essa ânsia por exclusividade. Eu sou essa ordem que desenha o futuro, sou essa desordem que anseia o imprevisível. Eu sou aquela que se perde nos m…

Esse é pra casar

Alguém pra casar, antes de tudo, tem que ter muito amor no coração, mas não é desse amor mixuruquinho aí, que a qualquer problema, joga o ameaço de abandono do barco. O amor pra casar é aquele que tem a certeza da união até que a certeza da separação possa chegar.
Sendo assim, temos o segundo ponto, o do comprometimento. Aquele pra casar vai estar comprometido, munido de força e de fé. Aquele que é pra casar sabe que o primeiro item, o amor, não vai pular pela janela quando as dificuldades entrarem pela porta. O amor vai permanecer porque quem ama terá a certeza de que valerá a pena.
Aquele que é pra casar, é aquele que tem a certeza de que quer casar. casar significa assumir uma posição, um lugar, uma vida. casar é querer estar mais próximo, junto, planejando, seguindo. Aquele que é pra casar sabe e gosta disso.
Aquele que é pra casar, vai estar pronto para abrir mão de si algumas vezes pelo outro, mas não vai abrir mão de ser quem é, por causa de si mesmo e por causa do outro. Os que e…

Conversas de domingo

Resumo 1:
O socialismo seria a única salvação para a humanidade, o único caminho, pois ele se basearia na ética, ou seja, em valores humanos que seriam considerados universais, dentre eles, ou, representando todos eles, a aceitação de que todos os seres humanos são iguais e que nunca deveríamos tratar o outro de maneira que não gostaríamos que fôssemos tratados. A questão que me pego fazendo é, como a ética pode se diferenciar da moral se certos principios, que deveriam ser considerados universais, não os são, como esse princípio básico de igualdade entre os seres humanos? Como a ética poderia ser considerada como argumento lógico, se não haveria o determinismo, ou seja, o homem não seria naturalmente bom ou mal, tudo isso de acordo com os autores citados? Sendo assim, como a ética, que tomo como o sentimento ou noção de certo ou errado que seriam universais, poderia ser a fonte da razão, se o homem não nasceria com seus princípios de bondade ou de maldade, de certo ou de errado, já qu…

TEMPUS FUGIT: O IMPACTO DAS REDES SOCIAIS NOS RELACIONAMENTOS.

Essa postagem é uma gentileza da minha amiga Talita Dias, que escreveu sobre as relações em tempos de Facebook, a meu pedido. Vale a pena ler:
 Por Talita Cristina Dias "Dra., minha esposa me trocou pelo Facebook!" Essa e outras do mesmo estilo, são frases recorrentes para advogados atuantes no direito de família, inúmeros são os casos de ruptura de laços familiares onde o grand mèchant é o Facebook e outras redes sociais. Não pretendemos esgotar o assunto que é de grande complexidade, todavia, pretendemos introduzir algumas reflexões sobre Facebook. A exposição da intimidade, o abandono familiar, a "venda" de uma realidade inexistente, tem sido frequentemente lançada nos tribunais como causa para a ruptura de diversos relacionamentos, sendo comum vermos famílias arruinadas pela falta de bom senso e uso excessivo das redes sociais, sobretudo o Facebook. O Direito é a mais social das ciências, e por excelência, é impactado pelas alterações sociais, a ponto de reconhecer…

Um dia de carnaval em Ouro Preto

No meio dos foliões, um casal estranho tentava sincronizar os passos de dança. Ele, ligeiramente mais baixo, ela, aparentemente, não era de baladas. Ele também não tinha lá o samba no pé, os dois tentavam estar íntimos sem intimidade. Ele a abraçou pelas costas e suas mãos deslizaram lentamente para os seios dela. De repente, ela saiu apressada e ele saiu atrás, desengonçado, como se a não quisesse perder. Depois de alguns minutos, lá estava ele, sozinho, dançando em seu desengonçar. O povo cantarolava as marchinhas, o frevo, pulava, se embriagava, se esquecia. Uns brincavam com os apetrechos dos outros, tiravam selfies da alegria, tiravam fotos com os mais engraçados. Mais adiante, um menino franzino correu atrás de uma adolescente e a segurou pelo braço, lascou-lhe um beijo. Ela correspondeu, e nenhum viu sequer o rosto do outro. Findo o curto êxtase, a menina correu e o menino saiu saltitante e risonho. Comi dois sanduíches de pernil, com pão velho, mas recheio bom, o mais em conta…