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sexta-feira, 22 de fevereiro de 2019

A mulher tem data


A mulher tem prazos e fases bem definidas. A mulher tem data. Qual mulher não se lembra da data em que se tornou uma mulher? Da noite para o dia, pronto, é capaz de procriar, não é mais uma menina. Todos os meses, em uma data aproximada, vai sofrer, sentir dores, mudar o humor e ter que lidar com o sangramento, até que vença o prazo de validade e se torne seca e improdutiva. Essa é a data da velhice. A data em que a mulher não serve mais para a reprodução. 

Qual mulher não se lembra de seu primeiro e traumatizante fio de cabelo branco? A data dao início da decadência? E quando o cabelo branco é de outras partes que não do couro cabeludo, mais depressão.

A evolução da mulher é marcada pelas datas. O homem não tem datas, a não ser as convencionadas para a juventude, maturidade e velhice, mas ele não tem a assinatura do seu corpo afirmando que aquilo é aquilo mesmo e pronto. O homem é uma linha contínua de progressão (ou regressão) suave, a mulher é uma linha decadente e tortuosa, como uma montanha russa e seus pontos de quedas.

O homem caminha pela vida, talvez, como se não se desse conta de sua progressão. Just walk. A  mulher é lembrada a todo momento de que não manda em nada, não controla nada, seu corpo é quem manda (pesar de todas as pílulas mágicas que nos auxiliam). Quando o corpo diz que a hora chegou, não tem disfarce ou escapatória, é hora de pular para o próximo nível. A mulher muda de nível, vira um outro avatar. O homem é o mesmo avatar com alguns acessórios dos quais às vezes nem se dá conta. Ou sem outros acessórios que vão caindo pelos caminhos.

A mulher é assim. Fatos da vida real. O homem é assado. Fatos Freudianos.




quinta-feira, 21 de fevereiro de 2019

O climatério do mundo


Quando as propagandas que aparecem no seu navegador são de algum produto relacionado à incontinência urinária, é sinal de que a coisa anda feia. E a coisa anda feia mesmo.

Para todos os lados que olho, vejo apenas destruição e ignorância. Estamos em um cenário de guerra, o caos está em todos os lugares, as pessoas estão soterradas pelo barro da ganância do capitalismo, e o urubus não deixam os restos mortais e os entes lastimosos descansarem em paz, não! Há de se ganhar com a indenização que os sofredores receberão dos assassinos de seus pais e mães. 

O incrível é que as pessoas tem tanta fé em suas ideologias que chegam a se tornar ingênuas quanto a validade prática delas, sejam ideologias da esquerda ou da direita, dentro da imensidão de gama de cores. Alguns acreditam realmente que o livre mercado trará a igualdade, e outras, que o Estado fará esse papel, como se a humanidade não fosse criada por indivíduos grupais, com características biológicas que tentamos negar a todo momento, uma humanidade que tenta há séculos entender alguma coisa sobre si mesma. O ser humano continua cheio de fé.

Então, olho para um lado, vejo o caos de um mundo sem lei, de ódio, de intolerância, de egoísmo, olho para outro e vejo as estruturas em ruínas, pessoas mortas e pessoas querendo matar. Não podemos confiar na polícia, nos governantes, nos engenheiros, nos médicos, nos padres, nos pastores, nas bancas de examinação, em nada. Não sabemos se na velhice teremos amparo, se teremos emprego, se teremos educação e saúde. Não sabemos se nossos filhos terão escola gratuita para estudar e se teremos dinheiro para comer e pagar o aluguel. Não sabemos se poderemos não crer mais em Deus. Não sabemos o que é o hoje e o que é o século XVI. Não sabemos se amanhã entraremos em uma guerra que não nos diz respeito. Estamos em meio a um caos, e no caos, nada brota.

E no meio desse caos, o desespero, talvez gerado por ele, stress sem fim. Trabalho, família, marido lutando pelo doutorado e eu lutando com o mestrado, e nessa "fúria maratônica", pego me perguntando, "de que vale tudo isso", como diria o "Robertinho"? De que vale toda essa correria frenética? De que valem essas minhas atormentações de palavras? 

Jamais imaginei viver dias tão horríveis. Talvez seja a idade em que as pessoas acordam da utopia sobre a humanidade, talvez realmente estejamos num inferno anunciado, talvez eu esteja com crise de climatério, e talvez seja tudo junto, que potencializa o sofrimento. Mas, hoje li sobre o epicurismo, e penso que realmente precisamos aprender a lidar com nossos sentimentos que são baseados em nossos preceitos morais, porque apenas isso podemos mudar, nada mais. Não temos poder sobre nossa reputação (ao menos controle pleno), não temos controle dos acontecimentos passados, das instituições, do nosso corpo ou do pensamento dos outros. O que tiver de ser, será, e isso preciso aprender. Urgente!

terça-feira, 12 de fevereiro de 2019

Morrer rolando o mouse - reféns de um psicopata


O negócio é o seguinte, só de existirem instituições sérias fazendo pesquisas sobre a influência da rede social Facebook na vida das pessoas, já é indício de uma situação incontestável.

As regras do modo de se viver e de se relacionar mudam de acordo com a evolução das tecnologias, é verdade. É verdade também que não sabemos ainda como a nossa sociedade será afetada pela dependência que criamos da internet, especialmente das redes sociais; mas, será que podemos parar um pouquinho para pensar sobre o que nossas vidas eram, o que são agora, como chegamos a isso, e como as novas gerações estão vivendo? Podemos parar e refletir sobre como nós todos nos tornamos mais ou menos livres? Mais ou menos presentes? Mais ou menos reflexivos? Pacientes? Tolerantes? 

Façamos um exercício imaginativo agora: 
Vivemos em uma era totalmente dependente da internet, especificamente da rede Facebook.  O que é o Facebook? Uma armadilha criada por um nerd psicopata que odiava todos os colegas da faculdade, a ex namorada, o mundo todo, e, ao mesmo tempo, conhecia muito bem os desejos ocultos dos seres humanos, as necessidades imaculadas e as pérfidas. Ele criou um lugar onde as pessoas poderiam ir e ficar acompanhando todas as vidas que quisessem, as dos amados, as dos odiados, as dos ridículos. Poderíamos entrar em contato com  qualquer um, até mesmo com os antes inalcançáveis artistas. Poderíamos dizer e nossas vozes poderiam ser ouvidas por dezenas, quiçá, milhares? Poderíamos conhecer pessoas de outros lugares, manter contato diariamente com elas, saber de suas peculiaridades. Não era como o Orkut, podíamos stalkear livremente, sem que ninguém soubesse. Ver tudo o que os ex faziam, se estavam bem, bonitos, ricos, pobres, felizes, infelizes, e localizá-los na vida real. Podíamos nos tornar famosos e ganhar elogios de outras pessoas. Podíamos ser notados, fazer parte de um grupo e sermos importantes. Podíamos infernizar a vida das pessoas, humilhando-as, destruindo-as publicamente. Podíamos arruinar relacionamentos; tudo era possível!

Outros benefícios foram oferecidos, como a possibilidade de se fazer negócios através da plataforma, de se publicizar trabalhos, eventos e opiniões, o que foi muito bem utilizado  pelos que podiam "pagar". Parecia o paraíso.

O tempo foi passando e as pessoas se tornaram cada vez mais dependentes do Facebook. Quem não tinha o perfil no Facebook, não existia. Prontamente, todas as informações pessoais foram entregues, como número de telefone,  opiniões, gostos, localização, tudo. O Facebook fez ligações com diversos tipos de empresas, e essas também tinham acesso às informações de usuários. Tudo o que comprávamos, o que pesquisávamos, o que desejávamos mais intimamente, onde estudávamos, trabalhávamos,  pra onde viajávamos, os livros que líamos, as opiniões políticas que tínhamos, nosso filhos, relações de parentescos, nossas conversas mais íntimas, segredos mais escabrosos, tudo estava à disposição, nós oferecemos nossas vidas de bandeja. Tudo está na internet, para sempre, até quando os computadores existirem. Tudo de bom grado.

Mas... A ilusão de que poderíamos alcançar o mundo acabou. Não somos nós quem controla onde  e como nossas publicações vão aparecer, mas o Facebook. Não adianta montar um discurso se a plataforma não o faz aparecer nas páginas de seus "amigos", não mais que de uns dez indivíduos. A não ser que seu conteúdo seja realmente bom (ridículo, engraçado, polêmico, escandaloso, revelador e curto) e os amigos passem a compartilhá-lo, pode até ser que a plataforma tenha menos autonomia sobre o paradeiro, mas, geralmente, e, especialmente se você gerencia uma página, você terá que pagar para que seu conteúdo apareça para um determinado número de uma audiência. Fato. Então, amigos, a verdade é que é o próprio Facebook quem decide se nossas publicações serão vistas ou não, e fim.

O usuário não controla nada, somos todos joguetes do capitalismo. E da política. Deram-nos uma droga e não podemos mais viver sem ela, e sempre encontramos justificativas válidas para permanecermos em nossos vícios.

Então o Facebook incorporou o Instagram, o Whatsapp, as outras duas maiores redes do mundo. Agora mais informações são coletadas, além de amigos e contatos online, há os telefônicos. Não há mais nada desconhecido para o Facebook. As pessoas começaram a realizar tudo através dessas redes, absolutamente tudo. Relações sociais e profissionais, relações de amor e de ódio. Relações políticas. Tudo.

Então o mundo se torna refém de um psicopata. "Nhem nhem nhem, teoria da conspiração", dirão uns. Mas é fato. O mundo está nas mãos de um psicopata. Ele ainda não conquistou a China, apesar da esposa chinesa. Ainda.

Resumindo é isso. As pessoas se tornarão viciadas, medrosas, apáticas, tímidas, robôs buscando felicidade em imagens na tela, presas dentro de um apartamento no subúrbio de uma São Paulo qualquer, olhando para o mundo colorido enquanto lá fora é escuro, fedorento, os pneus queimam e os craqueiros morrem de outra droga. 

Rolando a porra do mouse.

terça-feira, 5 de fevereiro de 2019

As mulheres não são amigas


O título é uma generalização, mas o que percebo, sendo mulher, é que existe uma eterna rivalidade entre as mulheres, uma disputa infinita e infindável. Simone de Beauvoir disse que não se nasce mulher, que se torna mulher, mas eu não consigo precisar até onde as influências e o universo em que nascemos nos tornam o que somos, ou se existe algo biológico que nos impele a ser como somos. Eu precisaria de vidas de estudos antropológicos, sociológicos e biológicos para precisar algo, e, como não disponho de tantas vidas e muito menos de tantos estudos, posso apenas relatar algumas experiências dessa vidinha medíocre que venho levando.

Quando era criança tinha poucas amigas. Gostava mais dos meninos, porque eles eram sempre mais claros, sinceros e falavam de coisas mais interessantes, como sobre o sentido da vida ou os cantos das cigarras. Eu tinha uma amiguinha, um dia ela recebeu outras amiguinhas de visita, juntou-se a elas e juntas se riram ironicamente por eu não saber dançar. Eu tinha outra amiga, até nos dávamos bem. Depois de longos anos sem nos falarmos, a encontrei na internet, mas ela sequer respondeu as minhas mensagens. Éramos melhores amigas.

Eu tive boas amigas, fiéis, inteligentes e engraçadas.Essas são como gotas no oceano. Na adolescência, minhas amigas disseram para não andar com elas porque iria estragar o esquema delas, elas pensavam que eu fosse mais bonita que elas e os pretendentes iriam ignorá-las. Outra amiga ficava se insinuando e competindo comigo.

No trabalho, tive algumas chefes. Aliás, penso que todas eram mulheres. Pegavam no meu pé, chamavam a atenção na frente dos outros, enquanto que os funcionários machos dormiam na banheira do banheiro. Uma colega de trabalho vivia me julgando com aquele olhar de cobra pecaminosa, e quando eu dizia que não gostava de cozinhar, a fala dela era: nunca vi mulher, mãe, e não gostar de cozinhar. Só tenho uma coisa a dizer para ela: PNC.

Vejamos as meninas nas escolas. Quando uma aluna nova chega, ela é hostilizada por quase todas, especialmente se for bonita ou tiver algo que chame a atenção. A maioria das brigas entre mulheres se dá pelos mesmos motivos: inveja ou ciúmes. Por quê?

Talvez o mundo nos tenha ensinado que precisamos estar sempre acima das demais para atrair um macho, sem o qual supostamente não poderíamos viver. A mulher tem que ser linda, prendada, carinhosa, amável, esforçada, trabalhadora, se quiser conquistar o melhor homem. Talvez seja isso. Ou talvez conheçamos as nossas capacidades de observação, reconhecimento e manipulação a ponto de ficarmos sempre alertas.

As mulheres precisam ser mais inteiras, inclusive eu. Inteiras e unidas. A primeira coisa que deveríamos aprender é respeitar umas as outras. Talvez haja uma eterna baixa auto-estima entre nós, talvez damos valor demais aos olhares dos outros. Talvez devêssemos começar a pensar sobre como nos relacionamos com as outras, e com os homens. Quais são nossos valores? 

Algumas reflexões:

Mulheres, não subjuguem umas as outras. Estejam de peito aberto para ouvir e se interessar verdadeiramente pelo que as outras possam oferecer, suas experiências, seus conhecimentos, vamos compartilhar;

Mulheres, solidarizem-se! Nós sabemos como ainda é difícil e pesada a carga para as mulheres, por que não podemos nos ajudar para que todas possam ter um apoio e um caminhar mais suave?

Mulheres, não sejam hipócritas! Não sejam escravas dos padrões e das opiniões. Não faz sentido algum ser feminista, lutar por direitos iguais, por respeito, e ao mesmo tempo implorar por atenção através dos atributos sexuais nas redes sociais.

Mulheres, não se submetam! Se não gostam de algo ou situação, não se submeta a ela, e apoie a quem faz o mesmo!

Mulheres, sejam sinceras! Não façam elogios falsos, não fofoquem, não conspirem contra as outras mulheres apenas por elas representarem uma ameaça imaginária.

Mulheres, respeitem os limites! Respeitem os relacionamentos das outras, não estamos em uma competição por machos, além do mais, o que mais tem é homem nesse mundo. Acolhamos um código de ética e acabemos com essa eterna disputa. Não façam com as outras o que não gostariam que fizessem com vocês, ok?

Biologia ou cultura, não sei dizer, mas o nosso comportamento explica muito sobre os motivos de nossa longa submissão.



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