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Mostrando postagens de Maio, 2018

Pequena análise discursiva de um suposto texto do padre Fábio de Melo

Hoje eu recebi uma mensagem atribuída ao Padre Fábio de Melo, que me fez refletir sobre como as mensagens são disseminadas e são interpretadas por seus receptores. A mensagem era essa:
Eu cresci comendo a comida que minha mãe podia colocar na mesa, sempre respeitei minha mãe e as pessoas mais velhas... Tive TV com 3 canais e não mexia para não quebrar, e antes de sair para escola arrumava a minha cama... 
Fazia o juramento à bandeira na escola, bebia água de torneira, andava descalço, tênis barato e roupas sem marca, não tive celular, nem tablet e muitos menos computador...  Ajudava minha mãe nas tarefas de casa, e não achava que era exploração infantil, tinha horário para dormir.
Quando tirava boas notas não ganhava presentes, porque não tinha feito mais que minha obrigação. Notas baixas era castigo, apanhava quando aprontava e isso era apenas um corretivo e não caso de polícia!!
E não sou revoltado, não faço analise em médico, e não falta nenhum pedaço em mim. Menos frescura e mais discip…

Como vou me virar com a questão dos gêneros?

Está só um pouquinho complicado viver nesse mundo de hoje, mas eu penso que isso não é de agora. Essas invencionices humanas, desde que a linguagem se criou, se formatou ou se liberou,  essas invencionices de nomear e significar, de fazer sentido, discursar, são o que fazem de nós o que somos, seres humanos. Uma palavra não se descola de seu tempo, mas, saindo de seu tempo, pode ser reinventada, resignificada, por diversos motivos e circunstancias, e é por isso que é tão difícil decifrar, traduzir textos que não são contemporâneos. A memória discursiva despertada por uma palavra, o que ela invoca em nosso cérebro e o que ela liga em nossa memória semântica, as conexões e as operações cognitivas que ela permite operar, são, às vezes, indescritíveis. 
Para não discriminar, inventaram a moda de trocar por "x" a letra que designa gênero no português, que são o "o" e o "a". Até mesmo em palavras comuns de dois gêneros, como estudantes, tacaram um x e ficou estu…

Confissão

Nego-me a confessar os desejos mais íntimos,
Aqueles a quem todos pertencem, Mas que negam-se a expressar, Ao menos os loucamente apaixonados... Pudera, eu, guardar-te em uma redoma Como fizera o principezinho com sua rosa, Regando-te diariamente com o meu amor! Gostarias, mas com o tempo, Sufocarias, perderias o ar e o viço; Com o passar, passaria tua beleza, Despetalarias, murcharias enegrecido. Lutarias pelo ar, mas acabarias por acostumar-te Com a visão de dentro da redoma. Talvez, assim, depois de perderes o brilho, Eu abriria a redoma e deixaria que fosses, Ou talvez, com o sentir de superioridade, Deitaria em tuas raízes algumas gotas de água, Para que de mim dependesses. Assim, toda a beleza e a alegria Que me encantaram um dia, Morreriam... E com elas, eu iria, atrás delas, ou de ti. Ciente da escuridão desse egoísmo, escondo de mim mesma, De ti, do mundo, E convenço-me de que a beleza é melhor que a morte! A morte da beleza, do amor, da alegria. E ensino-me, Todos os dias, Sobre o que é amar, E sobre co…

Sobre o direito à preguiça e a sociedade do cansaço

"A moral capitalista, lamentavelmente paródia da moral cristã, fulmina com o anátema o corpo do trabalhador; toma como ideal reduzir o produtor ao mínimo mais restrito de necessidades, suprimir as suas alegrias e as suas paixões e condená-lo ao papel de máquina entregando trabalho sem trégua nem piedade." Já dizia Paul Lafargue, genro do tal do Marx em O direito à preguiça
Não me considero Marxista, socialista, ou comunista, na verdade ainda não compreendi totalmente e profundamente essas teorias que falam sobre a maneira que o capital deveria ser gerido e o papel do Estado em tudo isso. O que eu sei é que hoje, e desde há muito, nós estamos nos tornando escravos de nós mesmos, de nosso medo da imperfeição e da nossa vontade de ser sempre estimado e super-estimado. Temos medo de não sermos bons o bastante, de que a nossa reputação se destrua rapidamente, com a mesma velocidade que recebemos informações inúteis de todos os lados. 
Mesmo que, teoricamente, a igreja não interfi…

Ouro Preto aos leões - O caso do Parque do Itacolomi

Eu já relatei aqui um acontecimento do ano passado, quando fomos comemorar o aniversário da minha enteada fazendo um piquenique no Parque Estadual do Itacolomi que, em pleno fim de semana, encontrava-se fechado. Voltamos totalmente frustrados em perceber que em Ouro Preto há poucas opções para que a família ouropretana possa aproveitar os momentos de descanso, e as que existiam, não funcionavam direito. Depois de alguns meses, o parque voltou a funcionar, mas nos entristecemos ao perceber as condições. O museu estava às moscas, museu que conta historia importantíssima da presença do chá na cidade. As luzes estavam todas apagadas e as atividades interativas não funcionavam. A Casa Bandeirista estava às traças. Mas, aproveitamos.
No dia 1° de maio, ontem, feriado nacional, voltamos ao parque para comemorar o aniversário do outro enteado, mas, quando chegamos lá, ficamos sabendo que agora está sendo cobrada uma taxa de 20 reais, inclusive para moradores! Quase tivemos um ataque. 
É um absu…