quarta-feira, 6 de junho de 2018

Crise de pós-graduação


Qual o sentido?

Perguntinha cretina que existe desde que o homem é homem e a mulher é mulher. Contemporaneamente, qual o sentido da rotina angustiante que todos seguimos, correndo o tempo todo em busca de mais e mais, seja lá do que for? Por que estamos tão preocupados em saber todas as notícias, tudo o que alguém disse ou fez a cada milésimo de segundo, todas as novas piadas, desastres, memes, tudo, tudo, tudo? Por que temos que estar o tempo todo fazendo alguma coisa, por que o movimento é tão necessário, mesmo que ele não produza absolutamente nada?

Por que preciso provar o tempo todo para os meus pares que eu sou importante e sei fazer coisas importantes? Por que preciso agradar a todos e dizer sim para todas as requisições que me chegam? Por que preciso esquecer de mim, de quem eu sou, do que desejo?

Por que é importante escrever uma dissertação sobre os relatos das mulheres que moraram na FEBEM, se isso deverá ficar enfiado naquela parte empoeirada de dissertações do ICHS onde ninguém põe os pés, ou no máximo, em uma página da UFOP que pouquíssimos acessarão? Provavelmente, ninguém se importa com esse assunto, ou com muitos outros das ciências humanas, assunto que talvez possa vir a causar pequeno interesse em poucos escolhidos da área, mas não em pessoas "normais", a maioria com quem compartilhamos todos os momentos. Qual a relevância disso para os meus dias, ou seja, para a melhor vivência, se existe tal expressão?

Se eu morrer agora, terei aproveitado o meu tempo e dado atenção suficiente a quem me importava? Terei sorrido o bastante, falado bastante besteiras, dormido, sonhado, namorado, brincado, passeado, visto o bastante? Ou me arrependerei de ter perdido o único presente que O universo, Deus, ou seja lá o que for, me deu, que são os segundos de vida, diante de uma tela ridícula que me traria emoções de papel?

Crises existenciais em tempos pós modernos.

Amém. Não.



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