sexta-feira, 16 de julho de 2010

Vergonhas à mostra

A reportagem na televisão mostrava um grupo de estudantes japoneses aprendendo as diversas maneiras de se cumprimentar no mundo, dentre elas estavam os três beijinhos no rosto, hábito bem brasileiro. Naturalmente era algo complicado para eles, já que em sua cultura as pessoas sempre permanecem a uma certa distância, sem  nunca se tocarem. Mesmo sendo jovens, muitos ficaram constrangidos.

Os hábitos culturais que os seres humanos possuem sobre a maneira de se relacionarem dizem muito sobre a região e o povo de onde vêm, dizem também sobre a forma de  enxergar os outros e a própria relação humana. O Brasil é um país jovem, composto de povos de todas as partes do mundo, gente alegre, colorida e de hábitos extremamente variados e de uma expansividade enorme, o que para muitos pode parecer exageradamente passional e permissivo. Em países onde há uma cultura milenar como no Japão, os hábitos de convivência estão profundamente enraízados, há uma concordância social sobre a maneira de ser e de agir, de acordo com ideais pré-estabelecidos, o que não ocorre no Brasil; aqui nos descobrimos a cada dia, nos emendamos, inventamos, criamos e nos libertamos, às vezes até demais.

O povo brasileiro parece ainda ingênuo sobre as concepções que o mundo tem dele! Gritam aos quatro cantos que o Brasil é o país do futebol e do carnaval, só faltam as bananas e os macacos! As mulheres expoem os seus corpos em busca de reconhecimento, fama, glamour, mostram o que "a baiana tem", abrem precedentes para a exportação das "mulatas". A imagem do Brasil ainda é suja lá fora, e é suja por que quem governava e exportava essa imagem não se importava com ela, e o pior, fez com que todos acreditassem que era bonito esse reconhecimento. Quando um estrangeiro diz: "Oh, carnaval, futebol!" Na verdade está dizendo:"Oh, bacanal, sexo, drogas e rock'n roll, selva livre!"

Que miserável espírito ainda reina em nossa pátria, que só é patriota na Copa do Mundo. Eu não me importo com o patriotismo, isso foi inventado por manipuladores do poder, mas me importo com a minha imagem como brasileira! Eu não suporto que pensem que sou uma espécie de prostituta apenas por morar no Brasil, não quero que me avaliem pelas minhas nádegas, não quero que suponham que sou sexy, quente, selvagem por que venho de onde vim! Não quero que venham para o meu país pensando que é o paraíso do "Oba, oba", que menosprezem minha gente, que subjulguem nossa inteligência!

Quem é o culpado dessa imagem? Muitos. As pessoas que governam e teimam em manter um sistema educacional onde a filosofia, o ato de reflexão não é estimulado desde o início; a mídia, que continua alimentando o erotismo e a exportação dessa imagem negativa que adquirimos; todos os que estão no poder, desde a Igreja ao Judiciário, por camuflarem as reais coonsequências dessa imagem cultivada até hoje, assim como a omissão de fatos negativos sobre supostos grandes ídolos nacionais e principalmente nós, o povo, e, particularmente as mulheres! Cambada de antas! Desde a mais tenra idade vestem em suas filhas as mini-saias e as incentivam a dançar a "Dança da bicicletinha"; os bebês rebolam, dançam fazendo movimentos sensuais, crescem pensando que a mulher tem que ser desejada e admirada por seus atributos físicos, cultuam a imagem das belas mulheres que se tornam milionárias apenas por exporem seus corpos, como as "melancias", as "feiticeiras", e tantas outras que se foram. Você gostaria de se tornar famoso apenas por que mostrou a sua bunda para todo o mundo e fez com que as pessoas se masturbassem com a sua imagem? Muitos dirão que sim, talvez, quem não gostaria de ser rico e desejado? Alguns até seriam muito felizes, é verdade, mas acho que a maioria não deseja isso.

Nós brasileiras precisamos aprender a nos valorizar! Valorizar o nosso corpo e a nossa mente.Não podemos continuar sendo vistas como prostitutas, desvalorizadas pelos cantos do mundo. O Brasil é sim um país maravilhoso, livre, onde as pessoas podem expressar suas emoções livremente, onde pessoas de todos os credos, raças e cores conseguem conviver com uma certa tolerância e aceitação, onde podemos brincar, dar três beijinhos e abraçar os amigos, mas precisa se valorizar mais e não agir como puta, abrido as pernas para que os outros venham e...

É isso aí, falei.


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