domingo, 1 de março de 2009


Muitas vezes, quando o dia se esconde ressaqueado e se despede por detrás das montanhas de Ouro Preto, contemplo os últimos raios que dividem o céu em várias faixas de diferentes intensidades de cores e me esqueço de mim nesse momento aconchegante.Para mim, as noites de verão são as mais belas! Lindas colorações alaranjadas esbarram-se nas montanhas e levam consigo o calor escaldante, deixando o mormaço característico da estação.

Apesar de todo o calor, de toda a beleza, reina no ar uma melancolia de fim de festa, uma tristeza fina e leve que nos obriga a pensar... Nesse momento, eu, sozinha com o fim do dia, com o laranja e o preto, me sinto melancólica como a tarde, mas me sinto também morna e amparada em uma nuvem de verão. Fecho os meus olhos e navego por outros mundos, mundos familiares que me ampararam outrora, mundos imaginários que me amparam na solidão.Esses mundos são diversificados, parecem-se com os raios da tarde, suaves e laranjas. Então me dá vontade de abraçar a tarde e me livrar da solidão, me aquecer nos raios quentes que se despedem.

As tardes de verão me fazem refletir sobre mim e sobre o outro, me fazem sentir, me lembrar, me esquecer e me fazem desejar.

Um comentário:

Adélia Carvalho disse...

Também contemplem milhões de vezes esse cair da tarde que em Ouro Preto parece mais lindo que em qualquer outro lugar. É a melancolia mais doce que aconchega minha alma. Nossa, quanta coisa eu tinha perdido aqui, estava com saudades de te ler. Abraços, querida! Adélia Carvalho