terça-feira, 13 de junho de 2017

Tolerância - II


Acreditar, segundo o dicionário do Aurélio, significa:

Dar crédito a.

2 - Fazer criar crédito a.
3 - Abonar alguém.
4 - Autorizar junto de alguém.
5 - Crer, ter fé.

, segundo o mesmo dicionário:

Adesão absoluta do espírito àquilo que se considera verdadeiro.

2 - Sentimento de quem acredita em determinadas ideias ou princípios religiosos.
3 - Religião, culto.
4 - Uma das virtudes teologais.
5 - Estado ou atitude de quem acredita ou tem esperança em algo.
6 - Fidelidade.

Razão, dentre outros significados:

O conjunto das faculdades intelectuais.

2 - Fonte do raciocínio.
3 - Capacidade para decidir, para formar juízo ou para agir de acordo com um pensamento.
4 - Comportamento ou pensamento que se considera justo, legítimo ou correto.
5 - Justiça, dever, equidade.
6 - Raciocínio que conduz a outro ou a uma conclusão.
7 - Aquilo que explica alguma coisa ou que faz com que algo exista ou aconteça.
8 - Prova, fundamento.

Quando eu era criança, ouvi dizer que fé é crer sem precisar de provas, e que não deveríamos ser como Tomé. Ainda na infância, via a minha avó se cercar com objetos religiosos, como oratórios repletos de imagens, presépios, quadros de santos e Santa ceia, ouvia suas superstições, seus "causos", suas rezas infinitas pela manhã e pela noite, suas ladainhas com as amigas. Moro em uma das cidades fisicamente mais católicas do Brasil, e todos que conheço, ou a maioria absoluta deles, tem certezas religiosas. 

Um dia, em Bambuí, entrei em uma igreja para experimentar a hóstia, já que ainda não havia tido o prazer. Se os conhecidos me vissem, iriam dar "sete-credo" e me excomungar para todo o sempre, uma mulher que nunca se confessou ou fez catecismo. Como pode, nem quando se casou? reclamar de quê, se o padre da época, além de ter se atrasado para a cerimônia, não seguiu os protocolos, além de beber, fumar, e ter se afastado para outra paróquia após supostamente ter engravidado uma fiel?

O que é sagrado? Sagrado seria tudo o que nos é intocável, como a casa, a mãe, deus, e até mesmo o time de futebol. Alguns dizem que o capitalismo é o novo sagrado da modernidade, ou a nova religião, que começamos a seguir cegamente,  a servir, a cultuar. Sagradas podem ser as ideologias fixas, que não se movem e não estão abertas para contestação. Cada um possui o seu sagrado e suas convicções que dirigem a sua conduta. Precisamos de coisas intocáveis, sagradas, de paixões, para que nossa existência adquira sentido. precisamos de certezas para que possamos caminhar sem sentir que estamos em direção ao nada. Precisamos de magia, para sentir que o impossível não existe e que, de repente, algo possa nos salvar. Precisamos de demônios e de macumbas para atribuir nossas desgraças. Nessas horas nos esquecemos de Sartre e de nossa responsabilidade sobre nossas próprias escolhas.

No planeta Terra, há uma infinidade de conceitos e de costumes, todos derivados de outros e de outros, que representam de forma mística os nossos desejos e medos; são como tábua de salvação para a banalidade existencial. Bruxas, anjos, demônios, duendes, fadas, orixás, deuses  hindus, pedras da sorte, imagens, velas, sacrifícios, rituais de todos os tipos, orações, Allah, regras, regras, e mais regras, e muito, muito mais que nem imaginamos, tudo isso coexiste e todos que em cada coisa crêem, possuem suas certezas sobre do que fazem parte.

O que existe e o que não existe? Posso confiar plenamente em meus sentidos e supor que não existam sentidos que não possuo? Existe magia? Experimentarei uma epifania, seja isso magia ou sensação gerada por alguma alteração cerebral? Não sei. Mas não me contento com explicações infantis como com o conto totalmente sem pé nem cabeça de Adão e Eva, o qual ninguém que conheço ousa questionar.

A dificuldade é não confundir as pessoas com suas paixões, porque suas paixões as definem, definem a maneira como elas vão encarar a vida, os problemas, e a toda a humanidade. Aprender a deixar ser, já que ninguém tem certeza de nada, embora achem que tenham, por que certezas, como disse em "Tolerância-I", não podem ser contestadas. Deixar ser o que quiserem, se isso não atingir o meu sagrado. O sagrado de um termina onde começa o sagrado do outro. Amém.

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