sexta-feira, 17 de janeiro de 2014

Para que servem o financiamento da CAIXA e o programa Minha Casa Minha Vida, afinal?

Carta à presidenta
Colega, excelentíssima Dilma Rousseff,

Eu não sou ninguém importante, sou apenas mais uma brasileira como milhares de outras. Sou uma mãe de dois filhos, separada e que luta para ter dignidade na vida, luta por proporcionar uma boa educação e um bom futuro para os filhos. Uma mulher que luta.

Eu vim de família humilde e passei por diversas situações difíceis, moramos em casa de parentes, passamos necessidades, faltou luz, faltou comida; eu me casei muito cedo, apenas com 19 anos, mas o casamento não deu certo e fiquei com meus dois filhos.Voltei a estudar e com muito sacrifício ingressei na universidade, a qual tive que abandonar por que não tinha condições de estudar e cuidar dos filhos pequenos sozinha. Depois de alguns anos, prestei novo vestibular e ainda estou cursando Letras, com muita dificuldade. Foi com muita insistência também que estudei e passei em primeiro lugar no concurso federal para auxiliar de biblioteca. Hoje acordo às 5:30, vou para a universidade, saio às 11:00 e vou para o trabalho, onde fico até lá pelas 20:30. Chego em casa e ainda tenho os filhos, a casa e a comida para dar conta.
Para um imóvel no valor de R$ 100.000, quase impossível de se encontrar em Ouro Preto, teria que pagar parcelas de no mínimo R$1063,00, com um salário de R$1560,00

Senhora presidenta, eu não sou especial. Sou uma brasileira. Vivo em uma casa que quase desmoronou-se sobre nossas cabeças e onde há denúncias de crimes todos os dias. O meu grande sonho, desde sempre, foi ter uma moradia digna, mas apesar de todos os meus esforços, não consegui.

Depois de passar no concurso publico, alimentei esperanças de conseguir um financiamento para um imóvel pela CAIXA, ou até mesma fazer parte do programa Minha Casa Minha Vida, mas, para a minha surpresa, eu não tenho renda suficiente nem requisitos para qualquer tipo de financiamento. É engraçado que, quem mais precisa, nunca receberá o que merece. 

Para financiamento do mesmo valor (praticamente impossível) teria que dar uma entrada de
Reconheço o trabalho das autoridades em relação aos programas sociais e a luta pelas minorias oprimidas, mas pela história, ninguém foi mais oprimido e sofreu mais que a mulher; ninguém tem a maior carga de responsabilidades e a  condição mais desfavorável. Como disse, eu sou apenas mais uma delas, mais uma no meio de tantas que lutam incansavelmente e em condições extremamente desfavoráveis, sem tempo para se dedicar melhor a todas as coisas necessárias; sou mãe, sou estudante, sou trabalhadora, mas sou também uma grande sonhadora. Gostaria de viajar pelo Ciências sem Fronteiras, mas nunca conseguirei média suficiente; gostaria de comprar uma casa, mas meu salário não é suficiente. Parece que quanto mais eu faça, nada será suficiente.

Preço médio de imóveis em Ouro Preto


Senhora presidenta,

A senhora já passou por situações terríveis e sabe o fardo que carregamos. Olhe mais para nós mulheres, mães, trabalhadores, estudantes, nós que ainda somos as principais formadoras da sociedade; nós que carregamos a responsabilidade de educar os brasileiros. Queremos dignidade, queremos igualdade de condições, queremos que nossa condição desfavorável seja levada em consideração.

Sinto-me extremamente desmotivada, às vezes até desesperada, mas ainda não desisti de ter minha casa. Espero que algum dia, tudo o que fiz e faço seja suficiente.

Luciana Ferreira


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