sexta-feira, 23 de agosto de 2013

Crise identidária



A mulher moderna está sofrendo de uma doença que a abate, sufoca e fragiliza, essa doença é a carência identidária. O que seria essa carência identidária?

Depois das obras "O complexo de Cinderela" e "O segundo sexo", a mulher passou a olhar para si mesma por um novo ângulo, e passou também a cobrar de si mesma uma maior autonomia e independência que supunha ter direito, assim como os homens tem; porém, essa suposta autonomia que a mulher de algumas culturas vêm conquistando, e não vamos nos esquecer que estamos falando da mulher da cultura ocidental, pois a mulher oriental ainda vive em um outro patamar na sociedade, não parece ser o que se esperava. 

Disseram que a mulher tinha que ser independente, que não deveria ficar dentro de casa comodamente esperando que alguém a sustentasse, que ela deveria ir para o mercado de trabalho e lutar de igual pra igual com os homens; disseram que as mulheres deveriam ter a mesma liberdade sexual que os homens, e que não deveriam ser obrigadas a viver apenas para a família, mas deveriam explorar o seu potencial. Concordo plenamente, obviamente. Mas, todas essas cobranças da sociedade e delas mesmas criaram uma pressão quase que insuportável, e, ao contrário de dar mais confiança, a fragilizaram ainda mais, criando uma insegurança em diversas áreas e tirando destas mulheres todas as poucas certezas que tinha.

A mulher ocidental não sabe mais qual é o seu lugar no mundo. não abandonou o seu dever de mãe, organizadora do lar e da família, mas ainda acumulou os papeis de mantenedora, símbolo sexual, leoa em busca de tudo, sempre super capacitada. Muitas não sabem mais nem se deveriam se casar, não sabem se deveriam ter filhos, não sabem o que fazer com uma família. São tantas as funções e as cobranças que elas não tem tempo de pensar o que é ser mulher ou sobre o que é ser ela mesma, ela só sabe que precisa ser como o mundo diz que deve ser, sexualmente independente, ativa, estudiosa, trabalhadora e linda.

A mulher do século XXI é extremamente carente. Dentro dela ainda há alguém que aguarda o príncipe que irá transformar todas as lágrimas e o cansaço em alegria, porém, ela não sabe mais como realizar esse sonho, ela não sabe mais como se relacionar, ela não sabe nem diferenciar a realidade da fantasia em meio a tanta superficialidade e descartabilidade; isso tem consequências, como o aumento de mulheres que são enganadas, trapaceadas, exploradas por amantes virtuais ou reais que preenchem esse vazio que ainda permanece em suas almas.

A mulher não sabe quem é ou quem deveria ser, mas a carência que experimenta no mundo de hoje é real e está transformando as relações. Apesar de todos os papéis que ela se vê obrigada a assumir, ainda continua a desejar ser amada como nenhuma outra mulher já foi, deseja ser salva por um homem. A mulher do século XXI é uma carente extremada.

Como solucionar este problema? Gostaria de saber... Mas ainda é cedo para dizer o que todas essas transformações sociais, e principalmente se o contato crescente entre realidades tão diferentes propiciado pela internet, podem mudar o mundo como conhecemos. O que sabemos é que precisamos ter muito cuidado quando estamos fragilizadas dessa forma, por que o nosso mundo, o que pensamos ser correto, ou até mesmo a nossa liberdade, serão vistos de forma totalmente diferente em lugares onde a mulher ainda é obrigada a obedecer e calar, onde a virgindade continua tabu, onde as mulheres cobrem o rosto e se fazem casamentos arranjados. Não podemos supor que temos o mesmo valor nestes lugares e que o universo seja um conto de fadas colorido, onde o amor vence todas as barreiras, por que não vence e por que, muitas vezes, não se trata de amor, mas de business!

Penso que a mulher deve se conscientizar da carência que ela está enfrentando e se fortalecer, buscando definir parâmetros para futuras relações, não se deixando levar por palavras românticas do século passado ou abrindo mão de bens ou conquistas por supostos amores eternos.

Muitas coisas precisam ser debatidas sobre este assunto, precisamos abrir nossas mentes e nossas bocas, utilizando das ferramentas disponíveis hoje em dia para tentarmos superar essa fase e amadurecermos neste difícil papel que é ser mulher.


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