terça-feira, 2 de julho de 2013

A descoberta da podridão


Chega o ponto em que todas as histórias já foram ouvidas, todos os filmes vistos e todas as frases escutadas. Em algum momento, ficaremos cansados de assistir sempre aos mesmos diálogos proferidos pelos mesmos tipos de pessoas, na mesma ordem, prosódia e teor. Todos os discursos já foram ouvidos, todas as reações, conhecidas.  Virá, para alguns, aquele momento em que o encanto se quebrará e a verdade virá tão forte e desagradável, que muitos, não suportarão. Para estes, é difícil constatar  que a verdade, a honra, a lealdade, são palavras vazias e apenas idealizadas pelos seres humanos, mas que nenhum deles é capaz de segui-las. De repente, nada faz sentido e o sistema se revela como realmente é: podre, fétido, grudento e real. É este mundo que temos, não aquele colorido e cheio de virtudes que imaginamos existir em nossos sonhos infantis e na alienação da ignorância.

O mundo é podre e as pessoas não querem  nada além de levar vantagem. Poucos tem o poder e manipulam descaradamente as mentes, a massa repetidora de slogans, que destrói o que ela não conhece, mas precisa odiar. Estes poucos nos dizem o que devemos pensar, consumir, desejar. Estes poderosos escrevem livros, fazem leis, elaboram propagandas de seus produtos e nos convencem sem que precisemos refletir sobre a veracidade das fontes. Estes nos fazem correr até as guerras e matar crianças dos inimigos, apenas para que continuem no poder. Por que o mundo é podre.

E quando percebemos que tudo, a religião, os heróis, a história, as virtudes, os sonhos, tudo isso não passa de uma grande e deslavada mentira, o que nos resta? O que fazer com uma existência que se resumiu ao nada, como viver em uma sociedade onde os valores são inexistentes ou distorcidos, onde as pessoas valorizam todas as coisas antes da vida? O que é valorizar a vida?

Valorizar a vida é ter a ciência de que você está vivo naquele momento, e não sabe de nada mais além daquilo, embora as religiões e a ciência possam lhe fornecer alternativas improváveis. Ter conhecimento de que estamos aqui, de pé, embora existam teorias de que estaríamos vivendo em um mundo virtual; deveríamos valorizar tudo o que temos neste momento, tudo o que nos faz bem, tudo o que nos permite esboçar um sorriso, principalmente os laços que conseguimos construir ao longo da vida. Por quê destruir o outro, magoar, humilhar? Ninguém tem mais que o dia de hoje e os que estão conosco.

Como ter esperanças? Como ter prazer? Como ser feliz quando nada mais lhe deslumbra ou surpreende? Quando os seus ideais se desmoronaram e sobraram apenas poeira e dor?

Ainda não sei.



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