quinta-feira, 26 de março de 2009

Em cena

Já tentei de tudo na vida! Já ignorei com a esperança de vencer pelo orgulho e pelo cansaço, buscando forças para lutar contra a minha vontade; já avancei como o touro sobre o toureiro, com a fúria de quem enxerga o pano irritante que não para de se balançar adiante, chamando o bicho pra luta; Já usei das maiores sutilezas, dizendo por meias palavras, atiçando a imaginação; Já desempenhei vários papéis, o de irmã, amiga, sedutora fatal, madura, carente, desprotegida, insegura, tímida, moderna, triste, descolada e de mãe;Já me fingi de morta, esperando a hora final; Já fui a vilã, a má, a errada. Em nenhuma dessas vezes fui outra além de mim, fui sempre eu comigo, buscando me reencontrar diversas vezes em meio ao meu emaranhado de fios sem ponta, sempre buscando a sinceridade da alma, das ambições e dos desejos. Quem eu nunca consegui ser foi a mentirosa.
Gostaria de olhar sem ver, de falar sem ser, de agir sem sentir! Gostaria de tomar o papel da fortaleza, que nunca tomba aos ataques, e o da gaivota, que sempre sabe para onde voar quando as coisas se esfriam. Gostaria de poder ler o que pensam, de reconhecer as pedrinhas do caminho! Gostaria de que a minha pele fosse forrada por chumbo, que os meus olhos fossem cercados por breu, que o meu ventre fosse feito de gelo...Gostaria de não subir as montanhas, quando não tenho cordas para descer.
Todos os papeis que desempenhei até hoje foram tentativas de acertos! Nenhum fora premeditado, todos sinceros.As minhas personagens fazem parte de um ser apenas, um ser que acredita na luz de cada pedaço! Mas esse ser não consegue ser menos do que é, não consegue se metamorfosear, não consegue ser menos sensível. Essa grande personagem que eu vivo, talvez não represente muito para o grande palco da vida, mas é a mais verdadeira de muitas. Ela sorri, chora, grita, esbraveja, se decepciona, corre, cansa, deseja, sofre e chora muito e sempre! As lágrimas não trazem apenas dor, trazem tudo o que a vida carrega. Os meus olhos e o meu coração já derramaram muitas lágrimas, externas ou internas, mas sempre verdadeiras.

Um comentário:

  1. Lu, que texto incrível. Me deixou fascinada com a forma como vai desnudando cada parte de si e cada parte do querer ser...Ainda bem que você é exatamente como é, minha amiga, isso que te torna tão encantadora. Abraços.

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