terça-feira, 24 de julho de 2018

Telefone celular: a porta do inferno


Estava eu em uma lanchonete, quando involuntariamente tomei consciência de um assunto discutido atrás de mim. A moça perguntava à sua amiga sobre o andamento de uma tal desconfiança que ela estaria vivenciando com o seu parceiro, era algo relacionado a mensagens no Whatsapp. Segundo a desconfiada, parecia que o camarada era inocente, por que, "apesar de ela não gostar", ela possuía a senha dele, pois ele mesmo a havia dado, e lera algumas mensagens. Relatou ainda que a moça danada era uma menina muito jovem, e que havia mandado mensagem agradecendo por algo, não entendi bem o que era, e que diversas vezes, mandava-lhe mensagens a fim de introduzir assunto, elogiando, flertando. Fiquei pensando sobre isso.

Há certos códigos no mundo e em nossa cultura que são bem claros,  e nenhum papo em relação à defesa da privacidade, da educação, ou seja lá do que for, vai mudar. A pessoa quando está interessada em algo a mais com outra, arranja desculpa para entrar em contato, pega no pé, mesmo quando não tem intimidade nenhuma com o tal que receberá toda a atenção e tentação. Se alguém manda mensagens todos os dias ao perceber que o outro está online, de manhã cedo, tarde da noite, se a todo o momento manda coisas que fizeram lembrar de algo que comentaram, se manda mensagem do tipo: Só passei para deixar um oi (não existe mensagem mais inútil e reveladora nesse mundo), se manda mensagens implicando de alguma forma em tom de brincadeira, não há dúvidas de que há segundas intenções. Nós só nos comunicamos de forma parecida com amigos muito íntimos, e não cobramos atenção (a pessoa pode responder só no outro dia que será normal), e nunca passamos "apenas para deixar um oi", já entramos com a fofoca. Mesmo assim, quando o amigo é do sexo oposto e não há nenhum interesse, falamos com ele de vez em quando, quando há algo importante, não ficamos horas teclando e falando abobrinhas, diariamente, tarde da noite.

Eu sou mulher e já passei por diversas fases na vida, conheço as fases e conheço as mulheres. Eu sei que, se dermos asas para ver onde a cobra pode chegar por vaidade em relação a nossos poderes sedutores, ela vai longe e vai parar onde não queremos. Sei também que, quando um não quer, dois não brigam. Dessa forma, considero que as pessoas deveriam pensar mais sobre essa questão dos assédios facilitados pelas tecnologias. Existem no mundo artifícios como deletar e bloquear. Se alguém permite que o outro o assedie, mesmo depois de deixar claro que não quer nada, e, principalmente, depois de ter assumido um compromisso de fidelidade com outra pessoa, essa pessoa, na verdade, gosta e deseja ter esse tipo de assédio e manter as possibilidades abertas. Educação tem limites, e o limite é quando alguém, que não possui relevância na vida de outro, está diretamente interferindo na vida deste. Não há nada que nos obrigue a dar acesso direto a nós mesmos, à nossa intimidade, a outras pessoas que não fazem parte dela, a não ser que desejemos esse tipo de assédio.

Sendo assim, dane-se essa menina que mandava mensagem para o camarada, ele é quem deveria ter tomado atitude de impedir que esse fato inoportuno continuasse acontecendo, seja bloqueando, ou falando francamente sobre a atuação inadequada dela. As pessoas só se aproximam de quem deixa espaço para isso. Não é só por que todos possuem contas nas redes sociais que são obrigados a se abrirem e deixarem que pessoas inoportunas adentrem em suas intimidades, chamando-as a todo o momento, mesmo quando estão com os que amam. Esse, sim, é o limite da privacidade. Não é só por que todos podem agir de certa forma é que essa forma estará certa, e não é por que alguém quer me incomodar que eu permitirei.

Concordo que a idade altera esse tipo de comunicação e interferência, pois quando mais jovens e livres, tendemos a passar mais tempo em interações desse tipo, como uma maneira de compartilhar, conhecer, experimentar e entreter, mas depois de uma certa idade, tal maneira de passar tempo torna-se enfadonha e sem sentido. Se você é um homem ou uma mulher formada, que tem ocupações e preocupações reais, que possui uma família, que já conhece o suficiente sobre um bando de coisas, e se mesmo assim sendo, ainda fica passando horas papeando com jovens adolescentes, ou com pessoas que claramente desejam interferir em sua vida forçando intimidade e desrespeitando os limites,  repense sobre suas prioridades. Fim.




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