quinta-feira, 19 de agosto de 2010

Saudade

Outro alguém tocarar-te,
Alguém olharar-te,
Mas nunca serão toques tão quentes
E olhares tão doces
Como os que agora tens...
Nunca ninguém terá essa voz que canta,
Nem a risada na hora mansa,
Nunca ninguém vai chorar
A lágrima que vai e vem.
Nunca mais ouvirás os mesmos sons,
Nunca mais a mesma ternura
Incansável, dia após dia...
E quando se levantar
e os olhos abrir pesarosos, entre rugas,
Um dia, talvez,
Sentirás que o que perdido havias
Estará ainda tão próximo,
Escondido entre as ferrugens
Do dia que se encardia...
Pode ser que naquele instante,
Algo mude em seu semblante
Esquivando-se da verdade.
A dor de toda uma existência
Perdida entre caminhos 
Que levaram a lugar nenhum,
Crescerá desmedidamente
Quando os teus olhinhos velhos
Implorarem por clemência.
A lembrança de uma vida vazia
E da ferida provocada
Só não serão maiores no peito velho,
Que a dor da 
saudade.
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