segunda-feira, 12 de junho de 2017

Tolerância


Tolerância é a condição mais difícil de se assumir, mesmo quando um dos pilares da educação seja construído com os moldes da aceitação das diferenças. Até mesmo a certeza de que nada é certo, algo contraditório, mas plenamente usual, nos leva a assumir posturas intolerantes diante dos crédulos de terem encontrado a verdade. Todos os livros que possamos citar dentro de nossas afirmações, todas as pesquisas que possamos utilizar nas argumentações, são representantes dos avanços que a humanidade adquiriu, mas ainda estão longe, muito longe de serem a verdade absoluta, podem ser, no máximo, um apontamento para alguma direção, que ainda não tem destino certo .Se houvesse alguma verdade absoluta, ela não seria passível de contestação, nem tampouco, sofreria pela falta de provas.

Os seres humanos, mesmo quando não pensam serem os únicos pensantes no universo, sempre superestimam a própria humanidade e esse sistema de prazeres e de dores que criamos e no qual vivemos. Os extraterrestres e os anjos caídos sempre se apaixonam pela humanidade e sua suposta complexidade, chegando a abrir mão de uma imaginada vida sem exaltações ou sensações para se tornarem humanos, ou quase humanos, na maioria das ficções. A humanidade, segundo ela própria, é a melhor coisa já criada por Deus, ou por algum acidente físico-químico. Até mesmo Deus tem a imagem e semelhança do homem, e não o contrário. Começa desse modo a supervalorização de si mesmo, levando tudo o que está fora a ser encarado como inferior, como errado. O errado é sempre o outro.

Acreditar em Deus é uma escolha inconsciente, ou não. Sentir Deus, também pode ser inconsciente, assim como ver fantasmas, ETs, anjos, demônios, ou ser possuído por entidades "candombléticas" e crer em macumba. Para qualquer uma dessas possibilidades, há de haver previamente a crença, o conhecimento da possibilidade de acontecimento.

Não tenho ânimo aqui para falar sobre as alterações cerebrais diante de estímulos visuais, sonoros e outros, até porque nem tenho a competência. Assim como eu não tenho a certeza de que todas as coisas fantásticas existam, como as fadas, eu também não posso provar que elas não existam. Mas a constatação de que algumas pessoas confiam plenamente na existência de Adão e Eva em nossa ancestralidade, me irrita profundamente, e o motivo da irritação é o mesmo que atinge aos que possuem suas certezas produzidas pelas crenças contra a minha negação. Estarei, eu, sendo superior, agindo da mesma forma intolerante que os crédulos agem com relação ao meu ceticismo? O que quero colher plantando o mesmo que todos os que possuem certezas inabaláveis, usando a minha incerteza inabalável?


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