quarta-feira, 12 de abril de 2017

Estupefata


Aquele sentimento que exige de mim que o observe a cada instante,
Que admire seus olhos, por vezes cansados, outras, incendiados,
Que me pega sorrindo no admirar, no pensar, no amar dolorido,
Que me arrebata.

Aquele sentimento que me força a não resistência do querer,
Do desejar espremer entre os dedos e os lábios, a essência,
Da ânsia de sugar aquela vida que dá sentido à minha existência e
Que também me mata.

Aquele sentimento de urgência de possuir e de ser possuída,
De engolir, mastigar, saborear, entrar, unir, de ser fundida,
De sentir todos os cheiros e gostos, até sentir mais nada,
Que me põe estupefata.

Arrebata-me, mata-me, estupefica-me,
Até que exausta, lance-me na paz, 
Sem dor, sem ânsia, sem exigência,
Serena, desejando sempre mais.
 
 

terça-feira, 4 de abril de 2017

Certas Marias Molambos


Certas coisas cabeludas 
Quebram almas a crer,
Rogue rito com arruda,
Ou grite o riso a morrer.

Certas Marias Molambos,
de olhos vesposos e sonsos,
Deveriam deixar de meandros
E fugir aos seus escombros.

Certas mariposas cadavéricas
E sanguessugas poliglotas,
Que se julgam psicodélicas,
Não se veem como marmotas.

Certos anjos de candura
São ratazanas na gordura, 
São a escória da escória,
Da escória, da escória.

Certos lixos da humanidade
deveriam pingar a bondade,
Nos deixando infinitamente
Sem sua presença doente.



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