segunda-feira, 30 de janeiro de 2017

Livre-se das tralhas!

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Eu guardei xerox da faculdade por uns 15 anos, pois pareciam importantes e valiosos. Guardei cartas, fotos, fios e mais fios, CDs, livros, diários, roupas, folders, informativos, programas de qualquer coisa, sobre a Semana Santa, sobre o carnaval, revistas, tudo o que parecia interessante. Os xerox, nunca mais li, e se precisei deles, não me lembrei que existiam e que os tinha. Algumas poucas cartas, eram importantes, o resto, só me traziam lembranças das quais não queria me lembrar, assim como algumas fotos; diários continham apenas momentos amargurados, aqueles que precisamos jogar no papel para exorcizar nossas almas. Nada daquilo era necessário em meus dias e em meu futuro. Quando rasguei todos os meus diários, todas aquelas palavras tristes, desesperadas, deprimentes, senti uma libertação! Quando rasguei fotos, as que tanto me apeguei em algum momento, quando quebrei os CDs, limpei os arquivos do computador, da internet (embora seja quase impossível), quando desocupei as gavetas tirando delas o que nunca mais iria usar, senti-me livre para colocar e viver coisas novas.

Quando olhei toda aquela tralha que teria que carregar nas costas, nas mudanças e em todos os dias da minha vida, quis me livrar delas! Preciso de um lugar para dormir, comida, e poucas coisas para me distrair. Não preciso carregar resquícios do passado a todo tempo, como se não mais tivesse um presente e um futuro. Quero estar com as mãos livres e sem peso para viver o hoje como eu vivi o ontem. Xô, encosto!

Desapego, essa é a palavra mágica. Troço difícil e que precisa ser trabalhado. Não é fácil ser livre, se desfazer de objetos, de lembranças ruins, de tudo o que demos tanto valor algum dia. Não é fácil ser novo de novo. Não é fácil querer segurar apenas o que realmente precisamos. Desapegar é algo que precisa ser exercitado, todos os dias, gradualmente.

Hoje quero apenas um mochilão e carregar muito amor. Bastam.

sexta-feira, 27 de janeiro de 2017

Canção para a canção

Ficou horas debruçado sobre o papel
Lembrando-se de nossas peripécias,
Do terror do amargo, do bom do mel,
Do brega dessa rima, da inércia.

Quis fazer funk, arrocha, sertanejo,
Arrumou rimas para palavras como pipoca;
Quis ser brega, vulgar, pulga e percevejo,
Quis colocar coisas onde nunca coloca.

Alma nobre, desistiu da mesquinhez
E foi em busca da beleza mais pura.
Quis perfeito, tanto que não fez
E a canção perdeu-se na ditadura.

Os resquícios das palavras dizem
Sobre sentimentos doces e verozes,
Que vivem e sobrevivem
E não calam suas vozes.

A canção está dentro da alma
Mas tem medo de não ser perfeita.
A fluidez só precisa de calma
E a vida, não precisa de treta.



quinta-feira, 26 de janeiro de 2017

Pequenas lições

Um dia, eu não comemorei a compra de um fusquinha, porque não queria parecer tola aos que me cercavam, quando na verdade, a vontade era a de sair correndo com os meus irmãos, gritando e rindo com o meu pai. 

Outro dia, continuei deitada na cama, acordada, enquanto a família comia a gelatina preparada na véspera, revoltada por ninguém ter me chamado. 

Uma vez, depois de inúmeros ensaios para a festa junina, minha mãe queria sair com o meu pai para algum lugar, mas eu queria muito participar da festa. A minha mãe brigou comigo, mas acabou ficando, eu fui para a festa junina, não aproveitei nada, não comi nada, nem me lembro do que aconteceu, voltei correndo para ver se dava tempo, mas minha mãe já estava deitada.

Uma vez, uma das únicas, minha mãe bebeu e eu não gostei. Alterada pela pouca bebida, me chamou para ver um dos filmes de Bud Spencer e Terence Hill. Lu, está passando os olhos azuis, mas fui malcriada e disse, não quero ver nada, não. Meu coração doeu.

Aposto que ninguém mais se lembra desses momentos, mas eu me lembro. Isso me faz pensar sobre todos os pequenos  momentos em que magoamos a quem amamos, mesmo sem a intenção de magoar, especialmente os pequenos... Momentos como esses podem dizer como a pessoa irá se comportar no futuro, sobre as escolhas que tomará. Eu aprendi que não vou mais esconder minha alegria, embora tenha me tornado mais dura. Decidi também que não vou ficar deitada enquanto todo o mundo come a gelatina. Decidi que as ocasiões, mesmo que não desejadas, podem se tornar boas ocasiões, se formos com esse espírito. Decidi que vou sempre tentar dosar meu desapontamento e entender as fraquezas alheias, esforçando não ser rude quando as pessoas mais precisarem de mim. essa é uma das decisões mais difíceis de serem cumpridas. A lição mais importante é olhar o outro como gostaríamos de ser olhados. Essa eu tento aprender todos os dias.

quarta-feira, 25 de janeiro de 2017

Escolho viver

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Todos os dias tomamos decisões, decisão entre ir e ficar, decisão entre sair e deitar, decisão entre sorrir e gritar. Todos os dias decidimos se queremos continuar lutando, ou sucumbir às ameaças que nos vão aparecendo em forma de pesadelos, reais ou irreais. Todo o dia é dia de recomeçar, viver uma vida nova, cheia de expectativas, ou de começar a morrer aos poucos.

Acordar e se espreguiçar lentamente, tomar um delicioso café com leite para espantar os restos da preguiça, sair para a vida. Imaginar o que comer, se vai ser preparado ou comprado, beijar a quem ama e gastar tempo com ele. Rir até a barriga doer, planejar uma viagem muito futura, sonhar com a vida depois da Mega-Sena. Ficar com raiva, brigar, e mesmo assim, guardar um pedacinho de bolo. Fazer as pazes e saber que nada é melhor que estar de bem. Beber e falar de coisas boas, coisas ruins, coisas emocionantes, coisas. Ficar entediado até o tédio acabar.Todo dia é dia.

Todo o dia é dia de viver. Viver não é simples, mas também não é difícil. É preciso coragem para gostar das coisas normais da vida. Coragem para ser feliz de bobeira. Escolho viver.

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