terça-feira, 22 de novembro de 2016

Que seja infinito enquanto dure


Vinícius de Moraes, esse nosso admirado poeta, escreveu sabiamente sobre o amor e o desejo de eternidade que vem com ele. Em minha última postagem, disse que já estava cansada de escrever sobre o amor, e que tudo já havia sido dito, penso agora que sim, e que não.

Quando Vinícius disse " (...) Que não seja imortal, posto que é chama/Mas que seja infinito enquanto dure", entendo que enquanto amarmos deveríamos estar certos de que este amor seja infinito, isso é amar de verdade. Quando o amor capenga, duvida, receia ou vê caminhos diferentes e separados, o amor deixa de ser amor. Quando amamos, o amor é infinito, quando deixa de ser infinito, deixa de ser amor.

Quem se diz amar, não duvida. Quem se diz amar, não compara, não há comparações. Quem se diz amar, não começa vislumbrando o fim. Quem se diz amar, espera o infinito e a eternidade.

Quem quer amar, entra de corpo e alma. Quando começa a duvidar, é porque algo está fora do lugar, em descontento. Quando um começa a duvidar, não há outro que segure sozinho, porque amar de verdade, é de dois, não de um só.

Amar é jogar o tudo ou o nada. Amar é decisão. Amar é projeto. Amar é opinião. É luta, festa, perrengue e certeza. Amar não é incerteza.

Amar é querer amar. Amar é ter a eternidade dentro do coração. Enquanto durar.




Soneto de Fidelidade
Vinicius de Moraes


De tudo ao meu amor serei atento
Antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto
Que mesmo em face do maior encanto
Dele se encante mais meu pensamento.

Quero vivê-lo em cada vão momento
E em seu louvor hei de espalhar meu canto
E rir meu riso e derramar meu pranto
Ao seu pesar ou seu contentamento

E assim, quando mais tarde me procure
Quem sabe a morte, angústia de quem vive
Quem sabe a solidão, fim de quem ama

Eu possa me dizer do amor (que tive):
Que não seja imortal, posto que é chama
Mas que seja infinito enquanto dure.

quarta-feira, 16 de novembro de 2016

Preguiça de falar de amor

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Eu já me cansei de falar sobre o amor, sobre o que ele significa, sobre como amamos, sobre a sua existência e sobre tudo que possa estar relacionado a ele, porque tudo o que eu possa pensar já deve ter sido dito e os blogs estão entupidos desses falatórios irritantes, de listinhas a seguir e de conselhos melodramáticos, sem profundidade, pautados em pequenas experiências pessoais. Sinto que estou me tornando uma daquelas pessoas que mostram uma pequena amargura ao se deparar com a mediocridade, e de pouca paciência com a enxurrada de superficialidades, mas não me importo. Muito do que digo também não passa de uma enxurrada de superficialidade apresentado em forma de clichês, mas quem pode fugir de banalidade e da mediocridade totalmente? Eu não.

Eu só sei que amar é um troço difícil pra cacete, porque é algo que nos faz abrir mão de nós mesmos, por muitas vezes, em benefício do outro, o que também gera uma satisfação, sem a qual, nada disso teria sentido. 

Tô com preguiça de escrever sobre isso, Paro aqui.


sexta-feira, 11 de novembro de 2016

Louca

Louca!
Vez sou suave em pelo, doçura que se derrama e escorre por todos os poros,
Outra, sou lixa quente que raspa e a tudo corrói;
Vez sou amor ideal que prende e quase sufoca com esses meus modos,
Outra, sou uma estranha quase ferida que dói.

Maluca!
Amo tanto e odeio do mesmo modo,
Tanto me incomodo como incomodo,
Tanto sorrio quanto choro.

Pirada!
Duas pessoas em dois mundos distintos,
Cada um com seus escuros e seus coloridos,
Num dia menos, noutro, infinitos.

Doida!
Num dia morro e noutro revivo
um ser neutro e outro ativo...
Num dia útil, noutro, não sirvo.

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