terça-feira, 29 de março de 2016

O amor da tua vida... por enquanto.


O amor da tua vida, por enquanto...
Até que a  paciência se esgote,
Até que gostes, mas nem tanto.

O amor da tua vida, por enquanto...
Até que o tédio  nos sabote,
E cada um se divirta em seu canto.

O amor da tua vida, por enquanto...
Até que a cor do arco íris se desbote 
E o sol se cubra com seu manto.

O amor da tua vida, por enquanto...
Até que a jararaca dê seu bote
E não mais corra algum pranto.

O amor da tua vida, por enquanto...
Até que a palavra só tenha corte
E o olhar se torne bem distante.

O amor da tua vida, por enquanto...
Até que, talvez, venha a morte
E o sempre não seja delirante.








domingo, 27 de março de 2016

Querer

Eu queria ter tudo, mas ninguém pode ter tudo.
Porém, o que eu não quero, eu não quero.
O que eu quero, quero.
Pronto.

terça-feira, 15 de março de 2016

A vida é um circo



O mundo é um grande circo e cada um precisa representar bem o seu papel, antes que a lona caia. Na maioria das vezes, os palhaços, as malabaristas, os mágicos e os engolidores de fogo precisam também vender as pipocas, as maçãs do amor e os ingressos, tudo a 20 reais, no mínimo. Montam e desmontam a tenda, de tempos em tempos, e correm pelas estradas do mundo, procurando representar os mesmos papeis para plateias diferentes, esperando pelos aplausos e por uma grande audiência, afinal, é disso que vivemos todos. Quando as luzes se apagam, porém, há todo o lixo para juntar, a bagunça para arrumar e trabalho para o dia seguinte. Os que aplaudem vão embora para os seus circos e se esquecem do espetáculo apreciado, afinal, amanhã é outro dia. Geralmente, os palhaços são os mais tristes, porque na incansável tarefa de provocar o riso, sentem-se vazios dentro de sua própria graça, e a conhecendo bem, não mais vêm sentido em usufruírem-se dela. O trapezista se desfaz de sua infalibilidade e veste a sua roupa de catador de fezes do leão, a sua verdade oculta.

Um dia a lona cai. Sufoca os espectadores e destrói o circo de seus artistas comuns. Os artistas, na verdade, artesãos, agora são obrigados a costurar toda a lona ou a sair do circo. Muitas vezes o circo deixa de representar a magia e a alegria, e os artesãos se voltam apenas para o cocô dos animais e dos humanos. Alguns poucos artistas conseguem ser sublimes na cotidianidade e criam um novo mundo dentro deste circo, ignorando os limites sociais, ignorando os limites da vida, ignorando até mesmo o próprio público. Sem pedir publico, vive a sua divindade, e através dela voa alto, adiante e além da eternidade.

sexta-feira, 11 de março de 2016

Arrastão das feridas

Tarde, com a dor acordei,
Deitando lágrimas secas e contidas
No ralo do banheiro.

Covarde, agora sei,
Nessa e em todas as vidas,
Hoje, o ano inteiro...

Cega pela juventude,
Inspirei a eternidade,
Esperançosa e ardente.

Desejando a magnitude,
Negando a pura verdade
Que nos deixa dormentes.

O amanhã vem depressa 
Faz um arrastão nas feridas
E destrói as sementes,

Parando quem vai nessas
Ilusões tão distorcidas
De que sempre há o presente.




 

sexta-feira, 4 de março de 2016

Sobre o sentido da vida

 
Eu nunca acreditei em santos, nunca beijei imagens, ou gostei dos sermões dominicais. Ia à igreja porque não me era permitido ir a outros lugares, e lá, eu e minha irmã ríamos sem controle de quando a vó depositava cédulas do século passado no cestinho de oferendas, ou quando ela queimava cabelo de pobres penitentes nas procissões. Porém, eu já tive medo do diabo, embora nunca tivesse acreditado em sua existência (vai que existisse). Adão, Eva, paraíso, céu, inferno, nunca fizeram parte de minhas convicções. Até hoje não entendo como historinhas infantis podem ser verdades absolutas, mas aceito que pessoas precisem, queiram ou não reflitam sobre tais histórias. Sem crenças e totalmente contraditória, fui crescendo, em meio ao misticismo incrédulo, crendo em sentimentos e realidades inacreditáveis. 

Até que criei ou absorvi uma crença, a de que Deus seja um ser incognoscível, nunca dentro das representações simplórias que conhecemos. Tudo o que conhecemos, e o que não conhecemos, o que não entendemos e que os nossos sentidos não são capazes de perceber, para mim, são Deus. Eu sou parte desse Deus e parte de tudo, que seria uma espécie de organismo. Um corpo, simploriamente imaginando o segredo de tudo. Eu e todo o resto fazemos parte de uma coisa só, somos Deus também. 

Qual o sentido de uma vida? Apenas o de ser, estar e reproduzir? Qual o sentido da reprodução? Apenas existir? Qual o sentido de existir? Paradoxo infindável. Quando nos igualamos a todas as outras espécies vivas, e quando nos julgamos superiores, nenhuma resposta é satisfatória. Qual é o sentido de toda essa organização que nós, seres humanos, fizemos neste planeta? O sentido de termos horários, tarefas, coisas, relações? Qual o sentido de se ser feliz, ou triste?

Quase tudo o que nos faz felizes, assim o faz através de nossos sentidos, através de nossos corpos, de nossa materialidade. O prazer de um toque, um beijo, um abraço, o prazer do sexo, do gosto, da beleza, o prazer de um perfume, de um sol batendo numa manhã gelada, o prazer de um cobertor no sofá, de um aconchego, de todas as percepções de um lugar novo, tudo é possível porque temos nossos corpos. Quando morrermos, esse corpo se acabará e se transformará. Qual o sentido? Se nos transformarmos em espíritos, sem nossos corpos e sem os prazeres mundanos, o que restará? Qual seria o sentido da pós vida? Se tudo o que temos, somos e sabemos se acaba, é ceifado de nós, até nós mesmos somos retirados de nós. Se deixarmos de existir, qual será o sentido de todo o sentimento que tivemos, temos e queremos ter?

Qual o sentido de sofrer por coisas que não temos, relacionamentos que não dão certo, por situações que nos atormentam, por coisas que nós mesmos escolhemos? Qual o sentido de continuar vivendo como máquinas, qual o sentido de absorvermos conhecimento, o sentido de guardarmos memórias, o sentido de fazermos coisas boas? Qual o sentido de não querer e não permitir o sofrimento alheio, se ele pertence a todos? Qual o sentido de se lutar tanto por algo que se acaba?

Se existe a reencarnação, baseada em evolução pessoal, qual o sentido dos laços, das relações? Tudo o que somos, o que queremos e o que sentimos, é construido através das pessoas que conhecemos desde nosso nascimento. Qual o sentido de sempre renovarmos tudo isso e nunca mais termos as mesmas relações? Qual o sentido da evolução espiritual, por que o cosmos precisa de seres evoluídos, quais suas funções? 

Nada faz sentido.  

Se alguém conhece o sentido, indique-me o caminho para esse conhecimento.

terça-feira, 1 de março de 2016

365 de inspirações filosóficas

 

Hoje está completando um ano em que fui até a Praça do Papa, e,  observando o cinza da grande cidade, debaixo de uma fina chuva, ganhei o primeiro beijo de muitos. Parece que foi ontem, mas parece também que foi há muitos anos, tantos, e tantas coisas aconteceram, apesar de toda a distância. Distância e dificuldades que pareciam gigantes, foram sendo vencidas, abrandadas. Tantas decisões e tantas mudanças, tantos furacões, tornados, mas nenhum tão grande que nos jogasse para longe um do outro. 

Construir uma nova vida depois de uma certa idade é algo que devemos aprender, porque cada vez mais, há mais elementos, mais bagagem, mais desafios. Há também maior riqueza, menos tempo e mais vontade de viver, e de viver bem.

A minha vida virou de ponta-cabeça. A minha irmã se foi, novas pessoas vieram, nova casa, nova rotina, nova vida, novo rumo. Aprender a ser paciente, aprender a ter e a impor limites; aprender a amar, a ser amada, a dar e receber amor. Aprender a viver, agora, já na metade da vida. Aprender a viver junto, todo mundo junto, e a viver só, com todo mundo junto. Aprender a ser livre e a permitir a liberdade. Aprender a valorizar o que tenho e o que posso vir a ter.

Hoje faz um ano que a minha vida mudou e quase nem me dei conta. Um ano em que encontrei um companheiro, que caminha ao meu  lado desde então. Um maluco que encontrou uma maluca. Duas pessoas de verdade, desejando viver uma vida de verdade, e a aprender a ser melhor a cada dia. 

Um ano. Tão pouco e tão muito, tão intenso e verdadeiro. Um ano para nos lembrarmos. E que seja apenas o primeiro do resto de nossas vidas.

Amo-te.




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