terça-feira, 11 de agosto de 2015

De saco cheio de tanta burrice!



Finalmente as sombras que estavam ocultas pelo medo da intolerância estão ressurgindo e cobrindo o nosso país, revelando o quão podre a carniça guardada debaixo do tapete imundo se apresenta, empesteando todo o ar e revirando os estômagos dos menos fortes ou menos hipócritas. A "burrice" se revela, mas, ao contrário do que o senso comum pensa, a "burrice" não é privilégio apenas das classes menos favorecidas, pertence também, ironicamente, aos que estão em melhor situação, e de uma maneira muito mais agressiva e devastadora.

A internet e a televisão são o espelho de nossa sociedade atual, e elas revelam um povo doente, mal desenvolvido e sem referências claras. O Brasil parecia estar traçando um caminho que nos levaria ao progresso social, investindo na educação (embora os investimentos tenham se concentrado no ensino superior e técnico, o que, ao meu ver, é um erro), no combate à fome, nas campanhas ambientais, anti-racistas, e muitas outras ações que valorizam a humanidade e a igualdade, porém, sem que nos déssemos conta, algo tenebroso aconteceu e estamos nos deparando com situações similares às que vivenciávamos no século passado ou até antes disso. Eu realmente não sei se algo aconteceu, ou se as pessoas apenas não tinham a voz necessária para demonstrar o seu descontentamento com a promoção da igualdade social, da liberdade de expressão e de escolhas, ou com o desenvolvimento social. 


Primeiramente, o povo brasileiro, de maioria cristã, critica, por exemplo, o islamismo, seus dogmas e a total aglutinação de Estado e religião, possuindo o alcorão como a lei universal para todas as situações, com cada particular interpretação, porém, o Brasil que se denomina Estado laico, está cada vez mais subordinado à religiosos que impunham a bíblia como verdade universal diante de todas as reivindicações de um universo de cidadãos. Utilizam-se de versículos, exemplos, ditos, esquecendo-se de que o nosso Estado não deve obedecer, privilegiar ou se submeter a nenhum credo religioso, mas promover a igualdade e o bem estar de todos, indiscriminadamente. As leis de livros religiosos não servem para legitimar nenhuma teoria.

A suposta tolerância brasileira caiu por terra. Agora, mais do que nunca, assistimos de camarote as barbaridades racistas e preconceituosas de pessoas pertencentes a todas as camadas sociais que se expressam agressivamente com palavras em comentários na internet, ou com facas e pedras pelas ruas. O brasileiro odeia negro, e a ideia de negro ser algo ruim é tão difundida que até mesmo alguns negros odeiam negros; muitos são como capitães do mato que subiram um degrau e não se consideram mais dignos das chicotadas, mas dignos de açoitarem os escravos. Felizmente, há um grande movimento de pessoas que decidiram assumir suas origens, sua beleza, sua dignidade e lutam contra este ódio, não tão mascarado mais, que ainda reina em nosso país, embora a maioria da populaçao seja negra ou de origem negra.


Atiraram em haitianos, acusando-os de estarem roubando o emprego dos brasileiros, e muitos ainda apoiaram o ato pela rede. Esfaquearam a transexual que se vestiu de Jesus crucificado, foi esfaqueada por alguém que se disse indignado com o ato de uma pessoa que quis passar uma mensagem de tolerância. O cristão esfaqueou alguém que sofre com a intolerância, negando toda a ideologia de paz e amor daquele que defendeu uma prostituta e a quem, o esfaqueador, dizia defender; supostos bandidos são amarrados em postes e espancados até a morte, sem nenhuma chance de defesa e julgamento justo. Programas de TV ainda ridicularizam a raça, a nacionalidade de um ser humano e muitos riem e aplaudem, como se isso fosse apenas mais uma cena de humor. Que mundo é esse?

Enquanto isso, no congresso e no senado, políticos fanáticos religiosos criam projetos de leis que nos fazem voltar à idade média. Leis que visam a diminuição da maioridade penal, sem analisar todo o contexto social, sem nenhuma medida que visa diminuir a criminalidade e amparar as crianças, no sentido de promover-lhes oportunidades de se tornarem seres humanos dignos e que não sejam capazes ou precisem lesar a sociedade; outros inventam leis contra professores que venham fazer uma pregação ideológica nas escolas, "doutrinando" os alunos, ou seja, controlando e punindo qualquer professor que ensine mais do que aquilo que o mercado de trabalho peça, qualquer um que venha ousar a ensinar o aluno a criticar. O que é isso, senão censura? Sem falar no financiamento privado de campanhas políticas... Por que será que uma empresa teria interesse em financiar um político? Ideologia política, num país em que partidos são fracos e não defendem nenhuma ideologia clara? Não! Continuar no controle, por que quem governa o Brasil não são os políticos, mas as grandes instituições financeiras e seus interesses. Estas sim, detém todo o poder de decisão em suas mãos, controlam o capital e aqueles que são movidos por este capital e pelo poder, os governantes.


Em uma sessão de cinema promovida pelo SINASEFE de Ouro Preto, onde assistimos ao filme sobre Getúlio Vargas, alguém levantou a questão sobre como é possível mudar este cenário. Essa questão não é de simples resposta,  muito menos de simples resolução. O Brasil é uma democracia nova e corre sérios riscos, sua credibilidade está ameaçada. Assim como na época de Getúlio aconteceu, não podemos nos cegar diante da manipulação que toda a mídia e detentores de poder exercem sobre os fatos e a opinião publica. Não é teoria da conspiração, basta assistir a história e os fatos recentes.

Tudo começou com protestos inconsistentes causados supostamente pelo descontentamento com o aumento da tarifa do transporte, que se transformaram em uma avalanche de protestos por todo país, recebendo destaque de toda a imprensa internacional. Aqui em Ouro Preto, viam-se cartazes sobre o aumento da passagem (que apareciam com o valor errado), contra a corrupção, contra preço do bandeco, por  mais putaria, e tudo o que se poderia imaginar. O movimento deu um novo ar aos brasileiros, com a ilusão de que alguma coisa estava acontecendo, mas, não. A campanha política começaria, assim como o escândalo da Petrobras. Imprensa destacando a suposta participação de Dilma e de Lula, na época, sem nenhuma prova. Desde o início do governo, sem provas consistentes, foi articulado um bombardeamento sem fim com ataques ao governo e à própria pessoa da presidente, que até agora, não teve paz para tentar governar. Sem falar no congresso que aí está, um presidente não faz nada sozinho, seja lá o que queira fazer. Depois de tudo isso, ainda podemos ouvir brasileiros dizendo que é melhor que se privatize a Petrobras do que deixá-la nas mãos de corruptos, providencial.

Para mudar "toda essa droga que já vem malhada antes de eu nascer" seria preciso se criar uma nova cultura e uma nova ética em nossa sociedade. Nossa alma está corrupta e corrompida. Seria preciso criar uma nova educação, focada no ensino critico desde os primeiros anos, dando ênfase ao respeito dos direitos e à igualdade de todos os seres humanos, valorizando a coletividade e não o individualismo, como acontece. Porém, isso seria chamado de comunismo, socialismo, vá pra Cuba. A ninguém que está no poder, políticos e empresários (quando estes não são também a mesma pessoa), interessa o desenvolvimento social. A estes interessa a burrice perpetua, para que a população seja facilmente manipulada e se contente com medidas autoritárias que falsamente a proteja de algo que nem ela saiba do que realmente se trata. E como são estes, os capitalistas, oportunistas, golpistas, charlatões, que conseguem se perpetuar no poder, ainda estamos longe de ver uma sociedade menos burra e mais igualitária.

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