segunda-feira, 22 de dezembro de 2014

Três dias em Buenos Aires com dois filhos



Viajar sempre foi a minha maior ambição desde a infância, um sonho que parecia distante até que eu resolvi que seria possível. Buenos Aires foi escolhida por ser um destino popular entre os brasileiros, pela língua, o espanhol, que embora eu saiba muito pouco, seja capaz de entender e pelo preço, que muitas vezes acaba saindo bem mais barato que viajar dentro do próprio país. Em setembro comecei as pesquisas de preços e comprei um pacote pela Decolar, o que é mais prático para quem não tem muita informação e experiência, como eu. Já de início enfrentei um problema, pois na ansiedade coloquei o nome do meio do meu filho ao invés de colocar o ultimo nome, e mesmo que fosse também o nome dele, poderia ser impedido de embarcar. Liguei, solicitei, me enrolaram, reclamei no Reclame aqui, eles me responderam e disseram que a companhia cobrava uma taxa de 100 dólares para a mudança do nome nas passagens. Preferi pagar do que arriscar.

Preparativos para a viagem

Os meus filhos tem 11 e 18 anos, como sou separada e iria viajar sozinha, o menos precisava da autorização do pai. Tive que providenciar a declaração, que pode ser encontrada na Policia Federal, e pedir que o pai reconhecesse sua assinatura em cartório. Eu tinha passaporte, mas os meninos viajaram com a própria carteira de identidade, que é aceita na Argentina. Brasileiros não precisam de visto para entrar na Argentina, essa é outra coisa que facilita muito a  viagem para o país de los hermanos. Se você for separada e tiver nome diferente em seus documentos e no documento do seu filho, é bom levar a certidão averbada de separação, especialmente se não tiver passaporte e não ter declarado as mudanças de nome na policia federal.

Eu não sabia nada da Argentina, a não ser sobre Messi, Maradona, Evita Perón e Ilhas Malvinas/Falklands, por isso precisei pesquisar bastante antes da viagem para ao menos ter uma noção do que fazer e de onde ir quando chegasse lá.

Eu sou uma pessoa bastante prática e detesto carregar malas, levamos apenas uma mala média e uma bolsa para os três dias, que embora as pessoas considerem pouco, foi perfeitamente suficiente.

O dia da viagem

No Jardim Japonês

É uma viagem cansativa, nós nos levantamos às 5:30 da manhã, fomos para a rodoviária, pegamos o ônibus de 7:00 horas para Belo Horizonte, chegamos aproximadamente às 9:00 da manhã. Pegamos outro ônibus para o aeroporto, demorou mais ou menos uma hora. Fizemos o Check-in, e fomos comer no McDonald's, não tínhamos outra opção. Como todos sabem, comer no aeroporto é algo que esvazia o seu bolso em 5 segundos: uma coxinha que custa R$ 2,50 em qualquer lugar do país, custa R$ 7,00 no aeroporto. Gastei muito mais que R$ 100,00 só lá, prepare seu bolso e seu estômago!

Pegamos o avião da Gol e em uma hora estávamos em São Paulo. Quando eu comprei as passagens, não tinha notado que teria que mudar de aeroporto, e chegando lá, cada um dava uma informação sobre o transporte e as bagagens. No desespero, comprei passagem para ir ao outro aeroporto, isso custou mais de R$ 100,00 e a moça disse que, como ela estava fazendo os bilhetes manualmente, não teria direito ao reembolso. Chegando lá no ponto, descobrimos que havia o ônibus da Gol que levava os passageiros para o outro aeroporto, ódio mortal! dinheiro desperdiçado. Fomos para o outro aeroporto, durou quase duas horas. O voo atrasou mais de uma hora, chegamos em Buenos Aires depois de meia noite.

Primeiro dia em Buenos Aires

Vista do Hotel Chile
Vista do Hotel Chile

Chegando no aeroporto de Buenos Aires, fui procurar o tal posto de troca de dinheiro, mas embora informações diziam que ficava aberto 24 horas, estava fechado. Fiquei aflita, pois precisava pegar um taxi para chegar ao hotel e não sabia como fazer para pagar. Fui ao posto de informações, misturando portunhol e inglês e a menina nos indicou as empresas de taxi, lá tambem aceitavam real. Acho que custou uns R$ 58,00 para chegarmos ao Hotel Chile, mas naquela horas, estava pagando qualquer coisa. 


No caminho, apesar do adiantado da horas, o transito estava congestionado. Os argentinos estavam loucos, surfavam em cima dos onibus, soltavam foguetes de dentro deles e balançavam as bandeiras do time, havia sido a final do campeonato e o River Plate havia sido campeão. Depois de alguns minutos, chegamos ao hotel e fomos para o nosso quarto.

O Hotel Chile fica bem no centro de Buenos Aires, na Avenida de Maio, ótima localização, porém é um edifício bem antigo. Os quartos são cobertos por carpetes, o banheiro não é lá essas coisas, tinha uma banheira velha e tudo muito desgastado. O café da manhã era só o café com leite, um suco de kisuco, umas torradas e umas medialunas, como dizem por lá. Comparando com a fartura do café nos hoteis de Porto Seguro, isso nem poderia ser chamado de café da manhã. Apesar de tudo, para mim estava ótimo. Se o lugar for limpo e tiver uma cama, chuveiro e internet, não precisa de mais nada. 


Acordamos bem cedo, tomamos apenas o café com leite e perguntamos ao recepcionista como cambiar. Ele explicou em espanhol e eu entendi bem pouco, saímos pela rua sem rumo. Andamos e resolvemos parar numa banca de revistas, o que incrivelmente ainda sobrevive lá nessa era da informática, são muitas. Comprei um mapa de Buenos Aires e perguntei ao senhor onde poderíamos trocar dinheiro, ele disse que ele trocava! Troquei R$ 500,00 reais. Ele me aconselhou a tomar cuidado com as pessoas que ficavam oferecendo cambio pelas ruas, que poderiam me levar para algum lugar escondido e me roubar. No cambio oficial, um real estava valendo aproximadamente 3 pesos, no não oficial pagaram 4,30. Infelizmente vale mais a pena ser ilegal.
Cemitério da Recoleta

Com dinheiro e com mapa estava mais fácil de se chegar a algum lugar. Os táxis passam o tempo todo. O senhor da banca também me aconselhou a não pegar taxi que fica parado, pois geralmente querem pegar turistas, falam que o dinheiro é falso e tentam enrolar e roubar.


Cemitério da Recoleta

Eu já tinha alguns lugares em mente, decidi irmos ao cemitério da Recoleta. O cemitério é famoso por que é ricamente ornamentado e as famílias mais importantes estão lá, inclusive Evita Perón. Os jazigos são profundos e dá pra ver vários caixões empilhados uns sobre os outros, deu um certo arrepio. O jazigo de Evita Perón não era nem um dos mais bonitos, foi difícil de ser encontrado.
Jazigo de Eva Peron

Depois disso, demos uma volta pelas redondezas esperando o Museu de Ciências abrir. O cartaz dizia 1:00 da tarde, mas depois de esperar mais de uma hora, a recepcionista antipática disse que o museu interativo só abria depois de 3:30. Fomos andando e encontramos um café, que é tudo ao mesmo tempo. Uma pena, não registrei o nome, mas o garçom foi bastante atencioso. Eu pedi uma macarrão a bolonhesa, e meus filhos pediram nhoque e sanduíche.


Uma coisa interessante é que sempre que chegamos a algum local para comer, eles trazem uma cestinha com pães para comermos até a comida chegar, e não são desses pães sem graça e sem gosto, são bem gostosinhos. A comida chega rápido e vem bastante, não conseguimos comer tudo. Depois da comida, fomos para o hotel. Os pratos custam de 50,00 a 70,00 pesos, em média.

Café Tortoni




Café Tortoni é bem famoso pela sua antiguidade e história. Os garçons também são bem simpáticos e o local agradável. Comi um Cheese cake com capuccino, o que não combinou muito, mas estava com vontade. Depois tiramos várias fotos no local, que também é aberto apenas para a visitação.




Segundo dia em Buenos Aires



Desta vez marcamos os locais no mapa e estudamos melhor. O mapa foi a nossa salvação! Acordamos tarde e fomos ao jardim japonês.As entradas custaram 32 pesos, menores de 12 anos não pagam. O lugar é bonito, mas depois que se conhece Inhotim, é difícil se impressionar. Não tem muito o que se ver lá, imaginei que haveria mais coisas relacionadas ao Japão. De qualquer forma, vale a pena ver. Saímos e fomos aos parques das redondezas, andamos sem destino e encontramos um  lugar onde comemos o tal bife de chorizo, que não tem nada a ver com chouriço. Saímos e pegamos outro táxi para a Fragata Sarmiento.





Para mim, que gosto de história e antiguidades, esse foi o melhor dos lugares. Trata-se de um barco museu que esta ancorado em Porto Madeiro, uma fragata que já viajou pelo mundo inteiro. Pagamos apenas 5 pesos para entrar. Entramos em quase todos os locais do barco e vimos o traje dos marinheiros, capitão e até um cachorro empalhado que fazia companhia aos navegantes. Lá também fica a famosa Puente de la Mujer. Saimos de lá e fomos comprar água num local próximo, cobraram 50 pesos por duas águas!

Soy capitan!
Uniforme de marinheiro

Cachorro empalhado

Antiga roupa de mergulho
Decidi ir para a rua Flórida, pois li que havia comércio lá. Fomos a pé mesmo, trata-se de uma rua onde não há trânsito e há comerciantes e muitas pessoas oferecendo câmbio. Se você pensa em fazer compras na Argentina, tire o seu cavalo da chuva, por que os preços lá são iguais ou maiores que no Brasil. Além do mais, no comercio normal, não pude encontrar nada de interessante para trazer. Como vinha embora no domingo, não deu para conhecer a tal feira de San Telmo, então não sei dizer se encontraria coisas mais interessantes. As únicas coisas que comprei foram umas camisas de futebol Argentino (120 e 160 pesos) e uns bonequinhos de lembrança. Decidi trocar dinheiro com uma mulher que estava oferecendo câmbio, troquei 400 reais. Fui ao um pequeno mercado e comprei algumas coisas para comermos. A mulher era japonesa e a grosseria era evidente. Fomos ao hotel e dormimos pesadamente.

Terceiro dia em Buenos Aires


No McDonald's de mentirinha

Levantamos e decidimos tomar café num café que fica aberto 24 horas, ao lado do hotel, e que só vimos no segundo dia. O preço era bem em conta, e a comida ótima. As aulas de espanhol online me ajudaram, ao contrario, nunca saberia que desayuno significa café da manhã. Depois de comer, decidimos ir andando ate os museus dos ninos pela Avenida Corrientes, o que me fez arrepender amargamente. nesta avenida há varios sebos, onde comprei revistas do Superman e Batman, além do CD do Carlos Gardel. O sol estava quentíssimo, e o destino era distante. Tomamos sorvete, e continuamos. O Museu fica no Shopping Abasto, adultos pagam 70 e menores 90 pesos. Para mim, esse foi um dos piores lugares, mas como não sou criança, sou suspeita. Trata-se de uma mini cidade com vários ambientes simulando locais de trabalho, como lanchonete, correio, rádio, carros e etc. Muitas crianças estavam lá, gritando e correndo, disputando lugares. Talvez o meu cansaço me fez ficar impaciente. Ficamos um tempo lá e voltamos andando, mas paramos para comer. Os meninos pegaram uns panchos, que são um tipo de cachorro quente e eu peguei uma empanada, um tipo de pastel assado. Essa Avenida Corrientes a a rua dos comércios, há muitos ambulantes pelas ruas, muitos parecem ser haitianos. No caminho encontramos manifestantes, cidade viva!  Fomos para o hotel e a noite comemos no mesmo local que tomamos o café. Boa comida e bom preço, atendimento simpático.Fiquei com medo, pois o dinheiro estava acabando e ainda tinha que pagar o taxi para o aeroporto, guardei 300 pesos, exatamente o que o táxi cobrou.

Protestos

A volta foi demorada, atraso no voo, cheguei em casa meia noite. Mas apesar de tudo, valeu muito a pen, e cada vez que vou a algum lugar sinto que as portas se abrem mais para mim. Não vejo a hora de botar os meus pés na estrada novamente!

Para terminar, trilha sonora da viagem:

Abel Pintos - El Mar

 
 


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