domingo, 12 de outubro de 2014

Desejo de partir


O ardor com que desejei o paraíso não é maior que a urgencia com que desejo partir,
Partir dessa dor que esmaga o peito insistentemente, que me diz que não há solução,
Partir dessa rotina que nada mais me diz a não ser sobre o que não posso mais ser,
Partir dessa existência em que nada mais existe além da dor de não mais existir.

O simples ato de abrir os olhos toma-me toda a energia e tira-me toda a lucidez;
As conveniências das convenções nada fazem além de afirmarem sobre suas inutilidades,
A luta pela sobrevivencia apenas me mostra que nada desejo e nada me apraz,
Nada tem conserto ou sentido, nada é verdadeiro ou real e de nada sei.

O que era a minha verdade, na verdade, jamais existiu ou existirá,
No fim de tudo, nada tenho e nada nunca tive, nada existe como pensei existir,
Na verdade, pessoas, coisas, realidades, sentimentos, tudo é relativo e tudo interesseiro,
Na verdade, nada é puro ou verdadeiramente forte, nada está em sua essência.

Quando abrimos os olhos e enxergamos que na verdade não existem verdades,
Que tudo o que vivemos, desejamos, sonhamos, eram apenas delírios individuais,
Que deixamos nosso destino deitado em algo frágil e condicionamos a felicidade a esse algo,
Percebemos que construimos nossa existência dentro de um castelo de areia na beira da praia.

Quando nada mais resta, quando não há mais ilusões e a dor tritura-nos ao simples respirar,
Quando é hora de aceitar a dureza e o cinza da verdade, temos apenas duas escolhas a fazer:
Desistir de lutar e sucumbir à dor alucinante da decepção que tudo e todos nos causaram,
Ou procurar um novo caminho onde essa nova verdade faça sentido e nos traga alguma paz.

Eu nunca  antes desejei tanto partir de tudo e de todos,
Mas não partirei para outro mundo, não ainda,
Partirei para uma nova realidade
Onde a dor da mentira não mais exista.
Amém.





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