terça-feira, 12 de agosto de 2014

Qual o sentido da vida?


De acordo com o que nos ensinam, os animais na face da terra parecem simplesmente viver, sem expectativas, sem desejos, sem planos, apenas buscando suprir as necessidades de seus corpos; eles não devem se perguntar sobre o motivo de sua existência, por que, segundo filósofos, eles nem sabem que existem, não têm a consciência de que estão vivos ou mortos. Porém, o que percebemos é que nada é tão claro e definido, não sabemos como realmente os outros seres percebem o universo e qual a relação deles com o todo que existe. O que sabemos é que cães sofrem por saudades de seus donos, sabemos que macacos apresentam comportamento parecido com o dos humanos, e sabemos que muitos animais realizam tarefas tão complexas que só conseguimos explica-las dando-lhes a justificativa de terem sido conduzidas pelos instintos, coisas que nem sabemos definir satisfatoriamente. As abelhas constroem colmeias incríveis, possuem uma comunidade organizadíssima e produzem mel, tudo creditado ao instinto animal. E nós, seres humanos, não temos mais nada de instintivo a não ser o amor materno e o desejo sexual? Será que somos os únicos que nos  perguntamos sobre o motivo de nossa existência?

Essa pergunta, como a maioria delas, ainda não encontrou nenhuma resposta satisfatória. Nenhuma das centenas de religiões existentes, nenhuma teoria científica, conseguiu explicar o sentido da vida. Na verdade, a maior parte dos pensamentos científicos dizem que a vida não tem sentido e nós apenas existimos, isso quando não levantam a duvida sobre o que é existir de fato. Cada religião traz a sua explicação e a sua orientação para vivermos bem na terra e em outro plano, depois que morrermos; algumas dizem que devemos ser bondosos e obedecer a regras rígidas para merecermos o paraíso, outras dizem que devemos evoluir para nos tornarmos seres superiores e acabarmos com o sofrimento, e por aí vai. O que nenhuma explica é a razão pela qual a humanidade não melhora, não evolui e vive em constante ciclos de autodestruição, nenhuma explica por que crianças e mulheres continuam sendo massacradas e sofrendo horrores, nada explica por que o homem não é capaz de evoluir.

Creio que todo  ser humano já se perguntou sobre o sentido da vida, sobre o porquê de estarmos aqui, já que tudo o que fazemos, um dia, não significará nada, pois não temos certezas sobre o pós-morte, sendo que tudo perece e acaba. Por que deveríamos nos esforçar para conseguir bens, para adquirir conhecimento, se tudo teria um fim?  É por isso que inventaram as religiões, para nos acalmar na hora em que nos questionarmos sobre a relevância de tudo o que fazemos.



Para os que encontraram as suas certezas, a vida pode vir a ser menos amarga e a existência adquirir sentido, mas para os que não tem certezas, é preciso criar o sentido para a vida, sob pena de poder cair em depressão profunda e não ser capaz de  se deliciar com todos os segundos nos quais temos a certeza de estarmos vivos, pois estes segundos significam que há possibilidades infinitas. Quando os olhos se fecharem, não poderemos afirmar que teremos alguma oportunidade de realizarmos mais alguma coisa. Nós não sabemos se recomeçaremos algum ciclo ou se iniciaremos uma jornada, não sabemos se seremos premiados ou se apenas continuaremos a caminhada, não sabemos se a nossa consciência continuará existindo ou se o fim é realmente o fim de nós como uma consciencia única no universo. Sabemos que estamos aqui, agora, mesmo que não tenhamos  certeza de que o que vemos e sentimos é realmente como vemos e sentimos, mas isso é assunto para a neurociência.  Apenas temos a sensação de que há um tempo e de que agimos neste tempo utilizando nossos corpos, o que nos traz prazeres e dores, assim como sabemos que nos relacionamos com outros seres, o que também nos traz prazeres e dores.  Sendo assim, cada um possui uma fonte diferente de prazeres e dores, moldada pela cultura e por questões ainda não totalmente claras, que são inerentes a cada individuo, tornando-o semelhante ao todo, mas genuinamente único. Cada um de nós tem o dever de identificar as fontes de prazeres e de dores, e escolher de onde quer beber. 


Se do que temos certeza é apenas de nossa curta existência, enquanto ainda existimos, seria imensa insanidade desperdiçar cada segundo de vida em atividades que não fossem prazerosas ou nos causasse mal estar e infelicidade. Embora algumas religiões pregam que devemos abraçar a pobreza, que devemos obedecer, ser humildes e não ter vontades, cada um deve decidir se essa maneira de viver pregada por algumas culturas lhe trará uma existência plena e satisfatória. Para cada ser, o prazer e a dor podem vir de fontes totalmente opostas, cada um precisa identificá-las e escolhê-las. Essa escolha de sentido para vida é totalmente pessoal e não pode sofrer influencias externas, por que a existência de um ser, embora possa influenciar na vida de muitos, é apenas de responsabilidade dele próprio. Os que se deixarem dominar e se guiar por qualquer fator externo a si mesmo estará fadado a uma vida medíocre, a uma prisão sufocante, estará destinado a uma existência plana e sem conquistas verdadeiras. Não há outro sentido para a existência que não venha de si próprio, este é o seu sentido, a sua razão para viver. Aquele que não é capaz de suportar a claridade que se irradia de seu próprio ser, o seu ser verdadeiro, a luz que vem de suas vontades e de seus desejos mais íntimos, aquele que fecha os olhos para si mesmo e corre para dentro da caverna segura, escura e fria, jamais encontrará o sentido de sua existência e dará a ela o sentido moldado por outros. 


Se um ser não tem a capacidade de fazer suas próprias escolhas e é obrigado a agir de forma imposta por razões externas a ele, este ser não construirá nada, não "evoluirá" a sua essência, não se conhecerá, não viverá verdadeiramente como a sua "alma" tem necessidade. Levar uma vida como essa seria o mesmo que não existir, seria o mesmo que se transformar em um animal que apenas satisfaz seus instintos básico, mas vive preso a uma coleira.  Aquele que não tem a capacidade de conhecer a si mesmo e de escolher as fontes de dores e prazeres para si mesmo, simplesmente, não existe.

O sentido da vida depende de cada um. Cada ser constrói o seu sentido, o seu objetivo, o motivo pelo qual deveria continuar vivo. O ser que não é capaz de se conhecer e de fazer escolhas, certamente, não encontrará sentido para a vida, e estará jogando fora a preciosidade das possibilidades infinitas disponibilizadas por cada segundo de sua existência.


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