terça-feira, 25 de março de 2014

Onde a mulher moderna vai parar?

Ser mulher é algo tão complexo que nem mesmo a própria mulher saberia definir-se ou ao seu grupo sem dúvidas e hesitações. Sofremos séculos de opressão, sendo tratadas como meros atrativos sexuais, ou seres inferiores como os animais ou as crianças também foram e ainda são tratados. O lugar da mulher foi previamente definido e demarcado, ela pertenceria ao ambiente doméstico, aos afazeres do lar, que por sinal também foram rebaixados quanto à sua importância dentro da sociedade. 

Depois de tantas revoluções e apesar da tecnologia que se desenvolve a uma velocidade cada vez maior e assustadora, o mundo e as relações humanas continuam exatamente como há milhares de anos, arcaicos, primitivos e instintivos. Enquanto nos iludimos com a modernidade e todas as possibilidades que a tecnologia nos traz, o mundo nos estapeia com a sua perversidade e retrocesso. O preconceito, a intolerância e o egoísmo nunca deixarão de existir, a humanidade nunca será perfeita e o mundo nunca terá a paz como a que desejamos em nossa realidade utópica. Embora toda essa tecnologia promova um conhecimento maior de toda a realidade em nosso planeta e favoreça a comunicação entre os mais distintos povos, essa igualdade ideal e o respeito pelas particularidades estão muito longe de existirem.

No nosso mundo moderno ainda existem leis que punem com pena de morte os homossexuais, que permitem que mulheres sejam apedrejadas se desobedecerem aos maridos, que as obrigam a se cobrirem até os pés com vestimentas negras. Em nosso mundo ainda existem pais que matam filhos, pessoas que fazem rituais macabros e sacrifícios, existem assassinos que matam por um relógio de pulso. Ainda existem maridos que pensam ser donos de suas mulheres, pessoas que se julgam pertencer a uma classe superior, pessoas que morrem de fome. O nosso mundo é governado por poucas cabeças que manipulam as massas apenas para terem cada vez mais dinheiro e poder, como sempre foi e sempre será. Esse é o nosso mundo moderno. Esse é o mundo em que vive a mulher.

A mulher em um certo momento quis deixar de ser a mulher que todos a fizeram ser e ela aceitou, para ser algo indefinido, algo como um homem super poderoso. Ela não quis mais os papeis que a relegaram, não quis mais ser a rainha do lar, o que sempre foi visto como algo inferior na importância e nos esforços. A mulher quis o direito de sair para trabalhar em outros locais e ganhar o seu dinheiro da mesma forma que seus maridos, a mulher quis ser independente e dividir as chatices com os seus homens. A mulher não quer mais que lhe puxem a cadeira, por que ela mesma tem mãos e a capacidade para puxar a sua própria cadeira, ela não é de papel para que não possa passar por uma poça de água sem que um homem estique o seu casaco, ela não quer flores no dia da mulher. A mulher quer o direito de ser... Sabe-se lá o quê!


Hoje, nas passeatas, elas mostram os seus peitos nus, gritando e exigindo respeito e o direito à liberdade de andar como quiserem sem que sejam assediadas. Mas ao mesmo tempo em que algumas usam burcas para se esconderem, se protegerem, ou por imposição de sua cultura, outras colocam silicone nos glúteos, seios, pernas, esticam peles, pintam cabelos, fazem cirurgias intimas, tomam anabolizantes para que os homens as desejem e para que sejam aceitas e admiradas. Para estas, não basta serem o que são, todas as virtudes que a humanidade ilusoriamente quer difundir não valem para valorar essa mulher, ela ainda precisa ser o objeto sexual que sempre fora. Escondendo-se por trás das burcas para se protegerem do assédio ou da punição dos homens, ou se submetendo à todos os tipos de técnicas para a modificação de seus corpos, todas continuam escravas da classificação e condição que sempre carregaram, a de serem brinquedos, seres inferiores que existem apenas para a satisfação dos homens.

Como o nosso mundo é enorme e as culturas são milhares e diversas, a mulher ainda não tem um papel definido no universo, e nem sei se um dia terá.  Mas a mulher ocidental está em profunda crise, o que leva o homem também a uma crise. Quem é o quê e o que deve ser o quê em nosso mundo? Quais são os papeis de cada um e o que devemos almejar durante a nossa existência?

Sabemos que a mulher ainda sofre muitas restrições e preconceitos, assim como qualquer pessoa que participe de grupos de muitas particularidades, mas a mulher não é a vítima e o homem o vilão. Toda a situação em que a mulher se encontra em diversas culturas tem a coparticiparão desta, tem  até mesmo o seu consentimento, principalmente por que ela foi quem ficou incumbida de formar os cidadãos; É hora de parar de reclamar e de culpar os homens e começar a construir uma nova sociedade, onde o papel da mulher, seja lá qual for, seja valorizado e respeitado como o papel de todos dentro de uma comunidade. 

O problema do mundo é o ato de julgar o outro. O problema do mundo é o desrespeito e a não aceitação das diferenças. O problema do mundo é se julgar melhor em suas diferenças. O problema do mundo é não aceitar que todos tenham os mesmo direitos e deveres que nós próprios.

Como resolver esse impasse e definir um lugar para essa nova mulher e esse novo homem? Tanto um quanto o outro estão perdidos, por que não reconhecem mais  seus papeis no mundo ocidental. Desejam a igualdade em todos os níveis, dentro e fora de casa, desejam que todos dividam todas as tarefas, que se responsabilizem pela educação dos filhos, que cuidem das contas, da casa; desejam uma sociedade igualitária onde nada é igual, tudo é contraditório e particular, principalmente homens e mulheres, mas estes homens e mulheres não sabem mais quem são. As mulheres ocidentais acharam que a felicidade estava em sair do ambiente doméstico e ir para a agressividade do mundo capitalista, subindo degraus em sua carreira, deixando a família sempre para mais tarde, vivendo independentes, solitárias e livres para todas as experiências com os seus corpos. Porém, o que vemos é que essas mulheres não estão mais felizes. Nem essas mulheres e nem esses homens. 

Eu não sei como deveria ser uma sociedade perfeita e como deveríamos viver para sermos felizes. Apenas penso que para sermos felizes, não precisamos culpar uns aos outros por nossas condições, mas lutar para que sejamos aceitos e respeitados da maneira como somos. Nós mulheres, se desejarmos ficar em casa, cuidando de nossas famílias, deveríamos ser respeitadas, assim como esse importantíssimo trabalho que é o de cuidar de gente e de coisas de gente. Deveríamos lutar por sermos tratados com amor e respeito, e também tratar com amor e respeito a quem amamos, aos homens. Talvez, puxar a cadeira seja a forma de  lhe dizer que a ama, não de lhe dizer que você seja inferior. Ele nunca pensará igual a você e nunca gostará das mesmas coisas que você, e você nunca será igual a ele. O que você deseja, viver brigando e tentando formatar o homem da maneira que você pensa ser a ideal, ou tentar viver em paz com ele, apenas exigindo que também respeite e valorize o que você é?

Apenas espero que o futuro próximo não esteja cheio de pessoas vazias, duras e solitárias...



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