quarta-feira, 8 de janeiro de 2014

Cota para mulheres - por que não?

Em busca de sanar as desigualdades causadas por circunstâncias históricas e promover a maior justiça, o governo e ativistas lutam por leis que criem bolsas, cotas e programas para beneficiar determinadas minorias, ou maiorias, que se encontrem em uma situação desprivilegiada.

Propaganda altamente machista


 O debate sobre a cota para negros já é conhecido e desgastado, e a minha opinião ainda é oscilante sobre tal assunto, são muitas questões a serem consideradas. Penso que, como paliativo de urgência, essa medida seja válida, desde que não se torne um direito adquirido com o passar dos anos, criando-se um gueto discriminatório, mais uma vez, mas também não imagino quanto tempo levará para que as condições sociais de todos se igualem.

Já ouvi falar de cotas destinadas a outras categorias, como a dos homossexuais; assunto extremamente complexo, pois, na realidade, os homossexuais ainda sofrem preconceito e violência, o que os coloca em uma situação de desigualdade de condições, visto que, devido ao preconceito, ainda é difícil que consigam uma boa colocação no mercado de trabalho, a não ser que façam concursos públicos ou que tenham sorte de encontrar pela frente pessoas esclarecidas ou profissões que os aceitem naturalmente. Apesar dessas caracteristicas, não creio que seja uma desigualdade que mereça um tratamento mais privilegiado que tantas outras "categorias" existentes. Judeus, umbandistas, testemunhas de Jeová, ateus, pobres, negros, indígenas, ex-presidiários, filhos de presidiários, prostitutas, filhos de prostitutas, japoneses, chineses, peruanos, argentinos, todos estes que vivem no Brasil e muitos outros sofrem algum tipo de preconceito e são excluídos pela própria sociedade de muitos dos seus benefícios, também deveriam ter direitos a algum tipo de compensação. Isso, a desigualdade, é fato e não acontece só no Brasil. Porém, ninguém tem mais limitações e vive em maior desigualdade do que a mulher!


Desde sempre, a  mulher comeu a maçã, ofereceu a Adão e daí então é o mal do mundo. Não importa o que faça, ela sempre terá a culpa pela pestilência que acontece aos outros, à família, aos filhos, ao casamento e a ela mesma. Se não parece ter culpa, é dissimulada. É o brinquedo dos homens, é a escrava do lar, é a esposa briguenta que pega no pé, é a vagabundo que se separou do marido.

Apesar dessa condição que carrega desde o pecado original, causado por ela mesma,  ainda carrega nos ombros, mesmo hoje em dia, (olhe o mundo afora, ainda existem lugares em que a mulher não pode nem dirigir), a obrigação de cuidar de tudo, principalmente dos filhos. Em nossa sociedade, muitos já evoluíram seu pensamento, mas é uma tolice imaginar que as coisas mudaram . Ainda não. Casadas ou separadas, carregam os fardos nas costas. Trabalham fora e ainda são responsáveis pela maioria das decisões relacionadas à casa e aos filhos. Além de tudo isso, muitas ainda se aventuram a estudar!

Imagine um ser que já nasceu com a carranca de pecadora, puta e causadora da danação do universo; imagine se for separada e tenha que cuidar dos filhos; imagine que tenha que estudar; essa mulher tem as mesmas condições que o resto da humanidade? Tem o mesmo tempo e disposição? O mesmo dinheiro? Acesso às mesmas oportunidades? NÃO!


Muitos dirão: "A mulher é guerreira, ela está fazendo muito mais que os homens; a mulher hoje em dia manda e desmanda, ela dá conta de tudo; a mulher não precisa de ajuda, nasceu forte" e outras coisas do tipo. Bem, eu sou uma mulher, sou uma guerreira, mas eu posso afirmar, com todas as palavras, que não me sinto e não estou nas mesmas condições que todos os outros. Eu estudo, trabalho, e ainda cuido de filhos e tudo relacionado à casa. Outros poderão dizer: "Ah, mas você faz isso tudo por que você quer, está neste sufoco por que escolheu." Sim, eu escolhi. Eu escolhi tentar cuidar dos meus filhos, mesmo que sozinha; eu escolhi estudar e passar no concurso publico; eu escolhi continuar estudando para ter uma vida melhor e ter o direito de não apenas trabalhar. Eu escolhi. Talvez você pense que, por eu ser mulher, não tenha direito a escolhas e deva acatar o que a vida  me oferecer. Talvez você pense que só pessoas jovens e homens possam terminar a faculdade. Talvez você pense que a mulher deveria continuar a ser queimada na fogueira. É, talvez.

Cota para mulher seria um exagero. Mas todas essas particularidades deveriam ser analisadas e consideradas para que, sendo mulher e assumindo seus deveres, pudesse realizá-los com maior qualidade de vida e igualdade. Assim como um homem que cuidasse de tudo sozinho, também deveria ter sua situação analisada. Afinal, estamos falando de vidas, de educação de gerações, de gente. Estamos falando da humanidade, e não apenas da mulher. Estamos falando sobre o respeito às diferentes situações e o dever que o estado e todos tem de proporcionar oportunidades parecidas e justas à todos os cidadãos.

Para relaxar, vejam este vídeo e como a "língua" trata as mulheres:



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