terça-feira, 21 de janeiro de 2014

Libertando a selvagem

Nada que eu faça mudará o que esperam de mim,
Nada que eu faça, os fará calar,
Nada que eu faça os forçará a dizer sim,
Nada que eu faça me absolverá.

Cansei de mendigar amores,
De implorar por favores,
De enviar flores.

Serei o que esperam de mim,
Esquecerei do perfume do jasmim,
Libertarei a selvagem que restou,
E que se dane o mundo, aqui vou!

sexta-feira, 17 de janeiro de 2014

Para que servem o financiamento da CAIXA e o programa Minha Casa Minha Vida, afinal?

Carta à presidenta
Colega, excelentíssima Dilma Rousseff,

Eu não sou ninguém importante, sou apenas mais uma brasileira como milhares de outras. Sou uma mãe de dois filhos, separada e que luta para ter dignidade na vida, luta por proporcionar uma boa educação e um bom futuro para os filhos. Uma mulher que luta.

Eu vim de família humilde e passei por diversas situações difíceis, moramos em casa de parentes, passamos necessidades, faltou luz, faltou comida; eu me casei muito cedo, apenas com 19 anos, mas o casamento não deu certo e fiquei com meus dois filhos.Voltei a estudar e com muito sacrifício ingressei na universidade, a qual tive que abandonar por que não tinha condições de estudar e cuidar dos filhos pequenos sozinha. Depois de alguns anos, prestei novo vestibular e ainda estou cursando Letras, com muita dificuldade. Foi com muita insistência também que estudei e passei em primeiro lugar no concurso federal para auxiliar de biblioteca. Hoje acordo às 5:30, vou para a universidade, saio às 11:00 e vou para o trabalho, onde fico até lá pelas 20:30. Chego em casa e ainda tenho os filhos, a casa e a comida para dar conta.
Para um imóvel no valor de R$ 100.000, quase impossível de se encontrar em Ouro Preto, teria que pagar parcelas de no mínimo R$1063,00, com um salário de R$1560,00

Senhora presidenta, eu não sou especial. Sou uma brasileira. Vivo em uma casa que quase desmoronou-se sobre nossas cabeças e onde há denúncias de crimes todos os dias. O meu grande sonho, desde sempre, foi ter uma moradia digna, mas apesar de todos os meus esforços, não consegui.

Depois de passar no concurso publico, alimentei esperanças de conseguir um financiamento para um imóvel pela CAIXA, ou até mesma fazer parte do programa Minha Casa Minha Vida, mas, para a minha surpresa, eu não tenho renda suficiente nem requisitos para qualquer tipo de financiamento. É engraçado que, quem mais precisa, nunca receberá o que merece. 

Para financiamento do mesmo valor (praticamente impossível) teria que dar uma entrada de
Reconheço o trabalho das autoridades em relação aos programas sociais e a luta pelas minorias oprimidas, mas pela história, ninguém foi mais oprimido e sofreu mais que a mulher; ninguém tem a maior carga de responsabilidades e a  condição mais desfavorável. Como disse, eu sou apenas mais uma delas, mais uma no meio de tantas que lutam incansavelmente e em condições extremamente desfavoráveis, sem tempo para se dedicar melhor a todas as coisas necessárias; sou mãe, sou estudante, sou trabalhadora, mas sou também uma grande sonhadora. Gostaria de viajar pelo Ciências sem Fronteiras, mas nunca conseguirei média suficiente; gostaria de comprar uma casa, mas meu salário não é suficiente. Parece que quanto mais eu faça, nada será suficiente.

Preço médio de imóveis em Ouro Preto


Senhora presidenta,

A senhora já passou por situações terríveis e sabe o fardo que carregamos. Olhe mais para nós mulheres, mães, trabalhadores, estudantes, nós que ainda somos as principais formadoras da sociedade; nós que carregamos a responsabilidade de educar os brasileiros. Queremos dignidade, queremos igualdade de condições, queremos que nossa condição desfavorável seja levada em consideração.

Sinto-me extremamente desmotivada, às vezes até desesperada, mas ainda não desisti de ter minha casa. Espero que algum dia, tudo o que fiz e faço seja suficiente.

Luciana Ferreira


quarta-feira, 8 de janeiro de 2014

Cota para mulheres - por que não?

Em busca de sanar as desigualdades causadas por circunstâncias históricas e promover a maior justiça, o governo e ativistas lutam por leis que criem bolsas, cotas e programas para beneficiar determinadas minorias, ou maiorias, que se encontrem em uma situação desprivilegiada.

Propaganda altamente machista


 O debate sobre a cota para negros já é conhecido e desgastado, e a minha opinião ainda é oscilante sobre tal assunto, são muitas questões a serem consideradas. Penso que, como paliativo de urgência, essa medida seja válida, desde que não se torne um direito adquirido com o passar dos anos, criando-se um gueto discriminatório, mais uma vez, mas também não imagino quanto tempo levará para que as condições sociais de todos se igualem.

Já ouvi falar de cotas destinadas a outras categorias, como a dos homossexuais; assunto extremamente complexo, pois, na realidade, os homossexuais ainda sofrem preconceito e violência, o que os coloca em uma situação de desigualdade de condições, visto que, devido ao preconceito, ainda é difícil que consigam uma boa colocação no mercado de trabalho, a não ser que façam concursos públicos ou que tenham sorte de encontrar pela frente pessoas esclarecidas ou profissões que os aceitem naturalmente. Apesar dessas caracteristicas, não creio que seja uma desigualdade que mereça um tratamento mais privilegiado que tantas outras "categorias" existentes. Judeus, umbandistas, testemunhas de Jeová, ateus, pobres, negros, indígenas, ex-presidiários, filhos de presidiários, prostitutas, filhos de prostitutas, japoneses, chineses, peruanos, argentinos, todos estes que vivem no Brasil e muitos outros sofrem algum tipo de preconceito e são excluídos pela própria sociedade de muitos dos seus benefícios, também deveriam ter direitos a algum tipo de compensação. Isso, a desigualdade, é fato e não acontece só no Brasil. Porém, ninguém tem mais limitações e vive em maior desigualdade do que a mulher!


Desde sempre, a  mulher comeu a maçã, ofereceu a Adão e daí então é o mal do mundo. Não importa o que faça, ela sempre terá a culpa pela pestilência que acontece aos outros, à família, aos filhos, ao casamento e a ela mesma. Se não parece ter culpa, é dissimulada. É o brinquedo dos homens, é a escrava do lar, é a esposa briguenta que pega no pé, é a vagabundo que se separou do marido.

Apesar dessa condição que carrega desde o pecado original, causado por ela mesma,  ainda carrega nos ombros, mesmo hoje em dia, (olhe o mundo afora, ainda existem lugares em que a mulher não pode nem dirigir), a obrigação de cuidar de tudo, principalmente dos filhos. Em nossa sociedade, muitos já evoluíram seu pensamento, mas é uma tolice imaginar que as coisas mudaram . Ainda não. Casadas ou separadas, carregam os fardos nas costas. Trabalham fora e ainda são responsáveis pela maioria das decisões relacionadas à casa e aos filhos. Além de tudo isso, muitas ainda se aventuram a estudar!

Imagine um ser que já nasceu com a carranca de pecadora, puta e causadora da danação do universo; imagine se for separada e tenha que cuidar dos filhos; imagine que tenha que estudar; essa mulher tem as mesmas condições que o resto da humanidade? Tem o mesmo tempo e disposição? O mesmo dinheiro? Acesso às mesmas oportunidades? NÃO!


Muitos dirão: "A mulher é guerreira, ela está fazendo muito mais que os homens; a mulher hoje em dia manda e desmanda, ela dá conta de tudo; a mulher não precisa de ajuda, nasceu forte" e outras coisas do tipo. Bem, eu sou uma mulher, sou uma guerreira, mas eu posso afirmar, com todas as palavras, que não me sinto e não estou nas mesmas condições que todos os outros. Eu estudo, trabalho, e ainda cuido de filhos e tudo relacionado à casa. Outros poderão dizer: "Ah, mas você faz isso tudo por que você quer, está neste sufoco por que escolheu." Sim, eu escolhi. Eu escolhi tentar cuidar dos meus filhos, mesmo que sozinha; eu escolhi estudar e passar no concurso publico; eu escolhi continuar estudando para ter uma vida melhor e ter o direito de não apenas trabalhar. Eu escolhi. Talvez você pense que, por eu ser mulher, não tenha direito a escolhas e deva acatar o que a vida  me oferecer. Talvez você pense que só pessoas jovens e homens possam terminar a faculdade. Talvez você pense que a mulher deveria continuar a ser queimada na fogueira. É, talvez.

Cota para mulher seria um exagero. Mas todas essas particularidades deveriam ser analisadas e consideradas para que, sendo mulher e assumindo seus deveres, pudesse realizá-los com maior qualidade de vida e igualdade. Assim como um homem que cuidasse de tudo sozinho, também deveria ter sua situação analisada. Afinal, estamos falando de vidas, de educação de gerações, de gente. Estamos falando da humanidade, e não apenas da mulher. Estamos falando sobre o respeito às diferentes situações e o dever que o estado e todos tem de proporcionar oportunidades parecidas e justas à todos os cidadãos.

Para relaxar, vejam este vídeo e como a "língua" trata as mulheres:



terça-feira, 7 de janeiro de 2014

A decoração de natal em Mariana, depois do natal

A decoração do Natal de Luz em Mariana foi o maior sucesso, mas depois do natal, parece que o Papai Noel ficou de ressaca e foi pedir esmolas na praça, coitado. A chuva, o sol e alguns delinquentes contribuíram para o estado lastimável dos bonecos.
Natal de Luz antes


Natal de Luz depois

Papai Noel (?) e eu
                                      



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