segunda-feira, 2 de setembro de 2013

Um lugar que não existe mais


Eu vim de um lugar onde as pessoas viravam o disco para ouvir o lado B; 
Sou de um lugar onde as pessoas discavam 104 do orelhão para fazer amizades;
De onde eu vim, comprava-se baguetes quentinhas para comer com manteiga derretendo.
Onde eu morei, brincávamos todos juntos pela rua. Ainda existiam as brincadeiras de roda e o "caí no poço".
Lá, o povo ficava na beirada da rua puxando a cobrinha de meia para assustar os desavisados.
As meninas e os meninos brincavam de casinha e cozinhadinha.
Lá de onde eu vim, eu gostava de ficar sentada no meio do mato para imaginar o futuro.
No meu lugar, ligávamos para as rádios e pedíamos a música que queríamos ouvir. Brincávamos de faz de conta e fazíamos festinhas sem comes e bebes.
Naquele lugar distante, fazia - se serestas à noite, ensaiava-se quadrilhas, olhava-se estrelas deitando nas calçadas.
Eu vim de longe, vim de um lugar onde as pessoas acreditavam umas nas outras, e onde tudo era possível. 
Estou longe do meu lugar...

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