terça-feira, 9 de julho de 2013

Historinhas do baú - curiosidade sobre os animais


Todos nós guardamos memórias e entre elas sempre estão algumas curiosidades sobre os animais de estimação que marcaram nossas vidas.

Na época das vacas magras, morávamos todos na casa da minha avó, era uma multidão dentro de uma pequena casa de seis pequenos cômodos. Eu me lembro que a minha avó gostava de montar o presépio no natal e era uma maravilha! Procurávamos algumas pedras de esmeril, umas cheias de brilhinhos, a triturávamos e depois colávamos o pó brilhoso num papelão de açougue para fazer uma linda gruta que ficava perfeita! Com um caquinho de vidro fazíamos o laguinho e em volta dele colocávamos alguns musgos verdes. Posicionávamos os bonequinhos em direção à gruta para verem o menino Jesus, que só poderia ser colocado no dia 25 de dezembro. Lembro me que na época do natal alguém pisou na perna de um pintinho e a quebrou. Minha avó fez uma tala com esparadrapo e deixou o pintinho dentro de uma cestinha em casa até achar que já estaria curado. Quando tirou o esparadrapo, a perna dele ficou esticada e continuou assim para sempre. De tão acostumado, não queria sair de dentro de casa, aquele danadinho!


O meu tio adorava carne de todo o tipo, fazia armadilhas para gambá, comia coelho, rã, cabrito, tudo o que era "carnoso", ele comia. Uma vez, foi parar em cima das torres da igreja com um amigo exterminando as centenas de pombas que infestavam o local, usando espingardas de chumbinho. Um dia eles chegaram com um carregamento de dezenas de pombas mortas e estavam fazendo a  limpeza. No cantinho estava uma pequena pombinha encolhida, fiquei com muita pena dela e perguntei se eles a iriam devorar, disseram que eu poderia ficar com ela. Eu peguei o filhotinho e cuidei dele, colocava ele dentro da minha jaqueta e lhe alimentava com arroz. Um dia sai de casa e deixei a minha pombinha numa cestinha, quando voltei, percebi que ela estava toda estropiada; suspeitei, mas ninguém me disse nada. No dia seguinte a pomba bateu as botas, foi então que minha tia me disse que o Pupi, cachorro pequenez da minha avó, a tinha atacado. Fiquei com muito ódio dele.

Além de muita gente, na casa da minha avó, tinha muito bicho. Havia uma maritaca que falava "dona Luziaaaa", imitando os que chamavam por minha avó. Lá também existiam dois periquitos e dois cachorros, Susi e Pupi. Quando os olhos deles ficavam "purgando", a minha avó triturava umas folhas de couve e de salsa e colocava sobre os olhinhos deles. Os outros moradores não estavam muito satisfeitos com o tamanho da população, tanto que, misteriosamente, os cachorrinhos adoeceram e morreram. Existe muita gente ruim neste mundo.

Quando morávamos em Ipatinga, pescamos um monte de peixinhos e colocamos em um grande balde. De uma hora para outra, os peixinhos apareceram mortos, misteriosamente. Percebemos que a água estava meio ensaboada e suspeitamos que alguém teria jogado algo dentro. Para descobrir o danado que cometeu o delito, usamos da tática de enobrecer o feito, falando uns aos outros: "Nossa, que legal, quem será que jogou alguma coisa aqui? Legal demais, quem será que fez isso?" A bobinha da menina caiu direitinho e confessou o crime, havia jogado xampu contra piolhos no balde. O jeito que ela confessou foi tão inocente que nem a enxovalhamos.

Quando ainda morávamos em Ipatinga, viemos visitar a família em Ouro Preto. Com eles fomos à Acaiaca, terra de minha avó. Lá, eles adoçavam o café com a rapadura e usavam a fossa(não gosto de lembrar). Eles adoravam presentear, e o que tinham para isso eram os animais. Alguém me deu um galinho garnisé e o levamos para casa. Não sei de quem foi a ideia de viajar 7 horas com um galo dentro de um carro. O pior foi que havia uma barreira policial no meio da estrada, e é proibida levar animas, principalmente daquela forma. Eu coloquei o galo no meu colo e a camisa do meu pai por cima, eles olharam lá dentro e nos deixaram passar. Foi algo terrível! O galo era super encarapitado, adorava correr atrás dos outros e a sua bicada machucava bastante. Um dia, de repente, meu galo sumiu. Depois fui saber que minha mãe o tinha dado para uma vizinha cozinhar. Minha mãe é maravilhosa, mas eu odiava essa mania que ela tinha de tomar as decisões por mim, sem me dizer nada... E assim, perdi mais um dos meus bichinhos.

Um comentário:

  1. que legal o texto... nada mais triste que as perdas dos bichinhos de estimação em nossa infância...
    Adorei a parte que a menina matou os peixinhos jogado xampu contra piolhos no balde. e a de viajar 7 horas com um galo dentro de um carro..(ri d+ rsrsrs..).
    e essa mania que nossas mães "tinham" de tomar as decisões por nos, só pode ser de família viu!!! afff

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