terça-feira, 23 de julho de 2013

Casais inesquecíveis


O casal do filme "Namorada de aluguel" se formou de uma forma não convencional, mas terminou "numa nice", como já era de se esperar. Historinha clássica do cinema americano na década de 80, mas vale a pena assistir.

Quem não se lembra do amor incondicional de "A Dama e o Vagabundo"? Ela uma dama e ele um pobretão, bem parecido com a história anterior, mas toca os corações.

Pobretão e Patricinha? Tema recorrente nas histórias de amor, coloca-se uma pitada de dança e, voilà!

 O Feitiço de Áquila, uma linda história de amor! Enfeitiçados, durante o dia ela é um falcão e à noite ele se transforma em lobo, só se vêm na forma humana por poucos segundos quando um dia é trocado pela noite e vice-versa. Lindo!

A lagoa azul! náufragos crescem sozinhos numa ilha deserta, descobrindo os encantos do amor verdadeiro.

O amor pode estar ao seu lado! amicíssimos, o rapaz não desconfia do amor enorme que a sua amiga nutre por ele, até que percebe que ela é o verdadeiro amor de sua vida.

A inocência do primeiro amor é contada neste filme, intitulado no Brasil de Meu primeiro amor. Pena o fim ser tão triste.

O que seria de Rocky Balboa se não fosse a sua "Adriaaaaaaaaaaaaaaaaa"? Simplesmente, não seria Rocky Balboa! 

Em Karatê Kid, o rapaz novato se apaixona pela namoradinho do brigão e se vê em apuros. Outra inesquecível história dos anos 80.

  O casal mais perfeito de todos os tempo! Se amaram por que se conheceram, se entenderam e se completaram.
 
 O amor além da vida, este é o amor mostrado em Ghost. Engraçado, tocante e inesquecível.


Quando os santos não batem


Quando o santo não bate, não há Cristo que dê jeito, não há solução que funcione. O ar fica irrespirável, a presença incomoda mais do que um caco de vidro no pé. Quando não bate, não bate. Pode o sertão virar mar, pode a vaca voar, mas a empatia não acontece nem por reza braba. A culpa é dos santos, que em não se baterem, se batem, se pegam, se odeiam, se desprezam até a morte.

Talvez o tempo amenize o desbatimento, mas é pouco provável. Não bateu, não valeu. Talvez seja o campo energético de cada um, talvez seja o olhar 43, vai saber! Mas quando não bate, não bate!

sexta-feira, 19 de julho de 2013

Tanto amor


Tanto amor assim inunda
De maneira que quase me afogo
E me perco
Nas loucas e agitadas correntes.

Não respiro dentro da areia funda,
E quando penso que não, logo
O mar é seco,
E o ar me penetra pelos dentes.

O tornado arrasta - me pelos continentes,
Joga-me, quebrando-me
Deixando - me extasiada.

Quando me cato, me vejo diferente,
Elevada por brâmanes
Contentando - me com o nada.

O amor despedaça tudo,
Mas os despedaçados
Tornam-se plenos em seus pedaços;

Por um instante nos deixa surdos,
Um tanto desesperados,
Nos redundando em pleonasmos.

Tanto amor assim  nos dá asas
Que podem nos levar ao longe,
Ou a lugar nenhum...

Afoga - nos,  nada disfarça
E nos lança para onde
Tudo significa um.

sexta-feira, 12 de julho de 2013

Do que o povo precisa?


Gostaria de saber qual dos deuses nomeou o presidente dos Estados Unidos como o seu representante na terra, e o mais importante, por que o resto do mundo aceita? Talvez por que o povo aceite, aja e reaja não conforme a sensatez de sua ética, mas de acordo com o que os maiores interessados na perpetuação deste poder "destinado por Deus" querem que o povo entenda, saiba e faça. A má notícia é que os maiores interessados, muitas vezes, não estão fora de suas nações, mas dentro. O individualismo vence todas as questões sociais e o poder transforma homens simples em vorazes urubus. O pouco que presenciei me fez desacreditar totalmente nesta raça humana, pois nada funciona, nenhum conceito é de verdade, a não ser a luta pelo poder e pelo dinheiro; são como hienas em cima da carniça. Os que, por ventura possuam boas intenções e sonhos ingênuos de construção de uma sociedade justa e igualitária, são devorados pela famigeração do sistema e transformados no pior que podem ser. 

Se os governos realmente usassem todo o dinheiro público para o que é publico, as pessoas viveriam maravilhosamente bem, toda a infraestrutura seria impecável e todos os serviços seriam de primeira qualidade, mas sempre ganha o indivíduo, que desvia desde poucos reais a milhões para os seus bolsos, isso em todas as esferas do poder público, prefeituras, estado e governo federal. São uma corja maldita que me deixam enojada por habitar no mesmo local que eles, e eu não posso fazer nada contra isso. Quem poderia fazer são essas pessoas que furam a fila no bandeijão, que querem burlar leis com favores e jeitinhos, que não respeitam os direitos dos outros, mas vão protestar contra a corrupção, quando eles não são exemplo e, se tivessem a oportunidade, fariam do mesmo jeito que os que estão no poder fazem. Como exigir um governo decente se você é indecente? Isso é no mínimo irônico!

Alguns ainda sonham com o comunismo, vislumbram  que este seria a solução para essa desigualdade que existe no mundo. Não conheço profundamente as teorias comunistas, mas penso que o comunismo depende muito mais das pessoas do que de um governo ou sistema financeiro. Não sei se, no mundo em que vivemos, poderíamos nos livrar do capitalismo. No entanto, penso que as pessoas é que precisam se conscientizar sobre o capitalismo, sobre suas prioridades e seus direitos; elas precisam ter esclarecidos os papeis de cada um de seus representantes eleitos e exigir que sejam cumpridos de acordo; precisam cultivar a ética em seus lares e perceber que o bem comunitário é muito mais vantajoso que o individual, isso é que mudaria tudo, a consciência! Mas para que o povo adquira essa consciência, muitos esforços são necessários, visto que nem todos tem as mesmas oportunidades, condições e vontades de atingir um pensamento crítico e consciente sobre o mundo que os cerca, e, obviamente, quem poderia promover essa conscientização, não esta nem um pouco interessado que isso ocorra. 

O povo sempre foi manipulado, sempre odiou e sempre amou a quem os manipuladores quiseram. Amaram Tiradentes,  Pelé, Lula. Os poderosos esconderam os podres, fizeram heróis. O povo precisa de heróis. O povo acredita em suas fontes de informações, mas não para para pensar que as fontes não existem por elas mesmas, há intenções por trás de cada palavra escrita e de cada adjetivo utilizado ou substantivo subtraído. As notícias não vem do além, elas são interpretadas e muitas vezes manipuladas. Mas para o povo, na maioria das vezes, é a única verdade que conhecem. Quem estiver atento poderá notar, agora mais que nunca, que a imprensa também faz parte do esquema da podridão.

Informação! O povo precisa de informação clara e direta! Não deem para o povo editais e catálogos de leis, o povo precisa de cartilhas explicativas sobre seus direitos. Eles precisam de uma cartilha explicando que um vereador não existe para ajudar a cada um individualmente, fornecendo gás, pagando dívidas ou transportando para hospitais, mas para legislar e fiscalizar! Precisam de outra cartilha explicando como funciona a concessão dos serviços públicos e como são calculados os gastos e as tarifas! Só assim o povo iria perceber o roubo que acontece na conta de energia elétrica do estado de Minas Gerais e então protestar com razão e argumentos! É disso que o povo precisa, de informação sobre como funciona ou sobre como deveriam funcionar todos os serviços públicos e quais são os seus direitos. Deveria existir uma matéria sobre isso nas escolas, isso não é menos importante que Ensino Religioso. Aliás, o que é esse Ensino Religioso em nossos dias?


Explode a notícia de que o governo americano estaria espionando os brasileiros e o que acontece? Milhares de piadinhas na internet, muito blablabla e ficou tudo por isso mesmo. Ninguém está se lembrando de que os "filhos de Deus" invadem qualquer país que represente ameaça ou que possua algo de interesse, como se a cultura, o povo, a historia deste fossem um lixo insignificante, impondo a sua maneira de ser e de viver, o seu capitalismo, e saindo como heróis por matar e roubar. O mundo aceita e teme, mas ninguém está livre destas interferências, como podemos perceber. Invasão da privacidade e espionagem são algo muito sério e precisam ser encarados com a mesma seriedade. Vislumbrando teorias conspiratórias, imaginem um Brasil de revoltas onde o povo está incontrolável e a polícia não cumpra o seu papel; imagine a riqueza natural, imagine o petróleo, imagine o povo ignorante e manipulável; agora imagine o caos e o Capitão América tendo que intervir mais uma vez para salvar o mundo e ensinar aos "selvagens" como viver corretamente, de acordo com os desígnios de "Deus". Imaginou? Espero que meu humilde blog não seja deletado depois dessa imaginação.

Já ia me esquecendo: asilo a Snowden Mark Weisbrot!

terça-feira, 9 de julho de 2013

Historinhas do baú - curiosidade sobre os animais


Todos nós guardamos memórias e entre elas sempre estão algumas curiosidades sobre os animais de estimação que marcaram nossas vidas.

Na época das vacas magras, morávamos todos na casa da minha avó, era uma multidão dentro de uma pequena casa de seis pequenos cômodos. Eu me lembro que a minha avó gostava de montar o presépio no natal e era uma maravilha! Procurávamos algumas pedras de esmeril, umas cheias de brilhinhos, a triturávamos e depois colávamos o pó brilhoso num papelão de açougue para fazer uma linda gruta que ficava perfeita! Com um caquinho de vidro fazíamos o laguinho e em volta dele colocávamos alguns musgos verdes. Posicionávamos os bonequinhos em direção à gruta para verem o menino Jesus, que só poderia ser colocado no dia 25 de dezembro. Lembro me que na época do natal alguém pisou na perna de um pintinho e a quebrou. Minha avó fez uma tala com esparadrapo e deixou o pintinho dentro de uma cestinha em casa até achar que já estaria curado. Quando tirou o esparadrapo, a perna dele ficou esticada e continuou assim para sempre. De tão acostumado, não queria sair de dentro de casa, aquele danadinho!


O meu tio adorava carne de todo o tipo, fazia armadilhas para gambá, comia coelho, rã, cabrito, tudo o que era "carnoso", ele comia. Uma vez, foi parar em cima das torres da igreja com um amigo exterminando as centenas de pombas que infestavam o local, usando espingardas de chumbinho. Um dia eles chegaram com um carregamento de dezenas de pombas mortas e estavam fazendo a  limpeza. No cantinho estava uma pequena pombinha encolhida, fiquei com muita pena dela e perguntei se eles a iriam devorar, disseram que eu poderia ficar com ela. Eu peguei o filhotinho e cuidei dele, colocava ele dentro da minha jaqueta e lhe alimentava com arroz. Um dia sai de casa e deixei a minha pombinha numa cestinha, quando voltei, percebi que ela estava toda estropiada; suspeitei, mas ninguém me disse nada. No dia seguinte a pomba bateu as botas, foi então que minha tia me disse que o Pupi, cachorro pequenez da minha avó, a tinha atacado. Fiquei com muito ódio dele.

Além de muita gente, na casa da minha avó, tinha muito bicho. Havia uma maritaca que falava "dona Luziaaaa", imitando os que chamavam por minha avó. Lá também existiam dois periquitos e dois cachorros, Susi e Pupi. Quando os olhos deles ficavam "purgando", a minha avó triturava umas folhas de couve e de salsa e colocava sobre os olhinhos deles. Os outros moradores não estavam muito satisfeitos com o tamanho da população, tanto que, misteriosamente, os cachorrinhos adoeceram e morreram. Existe muita gente ruim neste mundo.

Quando morávamos em Ipatinga, pescamos um monte de peixinhos e colocamos em um grande balde. De uma hora para outra, os peixinhos apareceram mortos, misteriosamente. Percebemos que a água estava meio ensaboada e suspeitamos que alguém teria jogado algo dentro. Para descobrir o danado que cometeu o delito, usamos da tática de enobrecer o feito, falando uns aos outros: "Nossa, que legal, quem será que jogou alguma coisa aqui? Legal demais, quem será que fez isso?" A bobinha da menina caiu direitinho e confessou o crime, havia jogado xampu contra piolhos no balde. O jeito que ela confessou foi tão inocente que nem a enxovalhamos.

Quando ainda morávamos em Ipatinga, viemos visitar a família em Ouro Preto. Com eles fomos à Acaiaca, terra de minha avó. Lá, eles adoçavam o café com a rapadura e usavam a fossa(não gosto de lembrar). Eles adoravam presentear, e o que tinham para isso eram os animais. Alguém me deu um galinho garnisé e o levamos para casa. Não sei de quem foi a ideia de viajar 7 horas com um galo dentro de um carro. O pior foi que havia uma barreira policial no meio da estrada, e é proibida levar animas, principalmente daquela forma. Eu coloquei o galo no meu colo e a camisa do meu pai por cima, eles olharam lá dentro e nos deixaram passar. Foi algo terrível! O galo era super encarapitado, adorava correr atrás dos outros e a sua bicada machucava bastante. Um dia, de repente, meu galo sumiu. Depois fui saber que minha mãe o tinha dado para uma vizinha cozinhar. Minha mãe é maravilhosa, mas eu odiava essa mania que ela tinha de tomar as decisões por mim, sem me dizer nada... E assim, perdi mais um dos meus bichinhos.

domingo, 7 de julho de 2013

Hora do saudosismo- móveis, quadros e objetos que deixaram saudades

O que desejamos são o que os outros dizem que devemos desejar, não o que precisamos. Por este motivo, o desejo de consumismo puro e inconsciente, perdemos muitas coisas que já eram boas, mas por causa do modismo, passamos a considerá-las ultrapassadas, só por que nos disseram que eram. Por exemplo:

Penteadeira

Era um móvel onde colocávamos todos os nossos "objetos de tocador", como perfumes, maquiagem, escovas e pentes, e nos sentávamos para nos arrumar olhando para o espelho. Possuía também algumas gavetas, era prático e útil. Hoje é brega, não existem  mais no mercado, apenas espelhos avulsos, na porta de guarda-roupas ou em criados, temos que nos arrumar correndo e em pé. Estamos em uma época em que a velocidade faz parte de  nossas vidas, mas são essas pequenas coisas que estragam os pequenos momentos de prazer.

Móveis com pé



Eu não entendo por que todos os móveis de hoje não possuem pé. Não há como ficar movendo o guarda-roupas para limpar, assim como não é conveniente ficar empurrando armários, fogões e geladeiras, móveis  colocados diretamente sobre o chão foram o tipo de móvel mais horrível que inventaram. E viva o mofo! 

Estojo para guardar material escolar


Aquilo era sensacional, um estojinho de madeira ou plástico com pequenas repartições para todo o tipo de coisas. Ficava tudo organizado e fácil de achar. Mas disseram que aquelas bolsinha é que são fashion, fazer o quê?

Telefones com teclado 



Eu já falei sobre isso anteriormente e até hoje não sei por que as pessoas não enxergaram o óbvio: essa tela touch screen é terrível! o visor é muito pequeno, ruim para digitar, e não adianta aumentarem os aparelhos, fica menos prático e não resolve nada. Mandem essas telas para os video games e painéis de museus, onde é o lugar delas.
 
Merendeiras


A  minha era de plástico, a mais pobrezinha, mas existiam as mais caras e legais. Elas possuiam o lugarzinho para colocar o lanche e a garrafinha para colocar a bebida, que poderia ser suco, leite, e até mesmo café com leite. Hoje ainda existem algumas, mas a maioria dos alunos não usam mais.

Coisas sem lógica, inúteis e bregas que já inventaram

mesa com divisão  no meio para aumentar


Movel de MDF



Pinguim de geladeira 


Jarra em formato de abacaxi

Capa para tudo


Galo que muda de cor de acordo com o clima


Quadros em preto e branco retocados artificialmente


E por aí vai. Se você se lembra de algo, deixe  nos comentários.

sexta-feira, 5 de julho de 2013

Lei Maria da Penha - por que as mulheres suportam uma relação abusiva

É difícil compreender os motivos que levam  uma mulher do nosso século, vivendo em uma cultura ocidental e tendo lutado e conquistado tantos direitos dentro da sociedade, como a lei Maria da Penha, a suportar relações que, simplesmente, não trazem nada além de muita dor e trabalho sobressalente. A mulher que se diz independente, que trabalha, que se forma, que não tem mais vergonha de colocar a cara no meio da rua, ainda sofre de um grandisíssimo mal, muito bem explicado no livro "Complexo de Cinderela" da escritora Collete Dowling. Segundo a autora, "mesmo as mais esclarecidas (mulheres), mesmo aquelas que alcançavam sucesso profissional, continuavam acalentando o desejo secreto de ser arrebatadas por um "príncipe" ou, em outras palavras, de ver-se livres das responsabilidades que acompanham uma "autêntica vida adulta"" (Carlos Graieb). Mas o mais estranho nessa história toda é que muitas vezes estas mulheres é quem são o suporte da família, pois,  quando não contribuem com a maior parte da renda,  ou muitas vezes, como a única fonte de renda, ainda sim, são as administradoras e agentes de todos os procedimentos de que necessitamos para viver em sociedade.
 
Ao longo de minha vida presenciei inúmeros casamentos fracassados, mas que teimavam em continuar, mesmo que capengas, como se não houvesse mais solução ou outra salvação. Na maioria das vezes, a mulher era ativa, trabalhadora, era quem saía e resolvia todos os problemas relacionados aos filhos e à economia do lar, além de todas as tarefas domésticas rotineiras. Elas não tinham medo de lutar por suas necessidades, eram as verdadeiras donas do lar e da família, enquanto o homem era uma criança mal-desenvolvida, grossa e resmungona. Muitas destas mulheres suportaram a humilhação de saber que seus maridos tinham amantes, tiveram que deixar seus sonhos para cuidar dos outros (marido e filhos), se anulando dentro da sociedade para se tornarem a "mulher de fulano de tal". Algumas, depois que os filhos tomaram uma certa independência, saíram para o mercado de trabalho, fazendo o que era possível e acumulando tarefas. Outras, desde o início abraçaram a quíntupla jornada, trabalhando, estudando e cuidado de tudo, vivendo em eterna exaustão. Enquanto isso, seus maridos viviam suas vidas como bem entendiam, trabalhavam e pensavam que isso era mais do que a obrigação de um marido. Não abandonavam os lazeres da vida de solteiro, a bebedeira com os amigos, as farras, os fim de semanas, as mulheres. Nunca sentiram prazer na vida doméstica ou se interessaram pela vida dos filhos, considerando que isso era ocupação da escrava que adquirira e fazia o favor de manter e proteger. Essa é a cara da maioria dos casamentos, pelo menos ainda é, aqui entre os nativos de Ouro Preto, Mariana e regiões do interior de Minas.

Considerando que estes casamentos não trouxeram nenhum benefício a estas mulheres, por que diabos elas não largam os trastes e vão viver uma vida mais leve e pacífica? 

Infelizmente, quem vive no interior pode perceber que algumas coisas ainda pesam muito para uma mulher. Ser separada ainda implica em muitos estigmas e muitas provações a serem suportadas pela mulher, apesar de a sociedade dizer que não. Inicialmente, quando uma mulher se separa, a primeira idéia que as pessoas criam é de que a culpa foi dela, ela deve ter feito algo de errado, por que "o marido nunca deixou faltas nada em casa", embora ninguém saiba realmente se faltava, ou se as roupinhas das crianças continuavam bonitinhas por causa dos esforços desta mulher. Depois começam a fofocar e imaginar como será a vida da separada, que, com certeza, cairá na promiscuidade, terá vários relacionamentos, "cairá na vida". Os homens, que souberem da nova situação dela, não a respeitarão, e toda vez que ela passar pela rua, começarão a desfilar cantadas nojentas e abusivas, por que separadas não merecem respeito e devem estar "necessitadas". Os filhos terão vergonha de contar para os coleguinhas que a mãe é separada, e  ninguém mais vai convidar estas mulheres para suas festas, principalmente as ciumentas com seus namorados. Alguns olharão com pena para elas e outros até mesmo com repulsa. Eu digo isso por que eu sou uma SEPARADA.

 Quando Tomei a decisão de me separar, eu tinha apenas a certeza de que não queria mais continuar a levar uma vida na qual não me sentia feliz ou livre para ser eu mesma, e qualquer coisa depois daquilo seria melhor para mim. Eu fiquei impressionada com as doses de machismo que fui obrigada a engolir! Um me contou a história de uma mulher que, depois de flagrar o marido com a outra na cama, se separou e foi obrigada a vender pano de prato para sobreviver. Eu quase não entendi a moral da história, mas na cabeça daquela pessoa, uma mulher deveria suportar qualquer humilhação e dor, por que ela não seria capaz de se sustentar sozinha, e que nada seria motivo para deixar o marido. Lógicamente, esta história me incentivou ainda mais, por que vender pano de prato pode ter sido a coisa mais mais digna que essa mulher já fez na vida, dependendo apenas de seu trabalho para viver como quisesse e tomando suas próprias decisões.

Por toda essa pressão e preconceito, é compreensível que a mulher prefira manter o casamento, mas será que vale a pena?

Outra pressão que sofrem as mulheres em nossa sociedade se dá no campo religioso. Se separar é um pecado terrível por que "o que Deus uniu, que o homem não separe". A mulher, sendo causadora de todo o pecado do mundo (Eva maldita), precisando ser submissa como diz a bíblia, não pode e não tem o direito de querer se livrar de um traste, por que,  como diria a minha avó, "comeu a carne, agora tem que roer os ossos". Porém, quem juntou estes marido e mulher, quem os escolheu, não foi Deus, mas eles mesmos. Deus também não lhes deu o livre-arbítrio, por que agora diz que não podem se separar se quiserem? Por que Deus tem que ser tão contraditório? Assim não dá pra entender, Ó, Deus! O mal das pessoas é não questionar, e é isso o que as religiões nos ensina.

Saindo da esfera dos casamentos, por que algumas mulheres, sejam elas solteiras, viúvas ou separadas,  aceitam continuar em um relacionamento que lhes traz apenas sofrimento?

Eu penso que nessa hora, o complexo de Cinderela está mais presente do que nos casamentos. As coisas estão mudando bastante, as mulheres estão cultivando um comportamento antes caraterizado como sendo tipicamente masculino, ou seja, saem, não procuram por relacionamentos duradouros, apenas desejam curtir os prazeres efêmeros e com a maior quantidade de exemplares masculinos possíveis. Sendo assim, obter sexo e satisfação física é cada vez mais fácil em nossa sociedade, o que deixa a todos com uma certa "preguiça" de investir ou insistir em qualquer relação que comece a incomodar. Os relacionamentos estão cada vez mais superficiais e as pessoas descartáveis. Porém, ainda somos seres humanos e haverá um momento em que sentiremos a necessidade de sermos especiais, únicos e indispensáveis para alguém, por que isso é do ser humano, esperar tal reconhecimento de valor. Ainda há o mito do amor romântico, do conto de fadas, do príncipe que nos tirará de toda a podridão da vida de gata borralheira e nos cobrirá de amor até o fim, que será diferente de todos os outros que só querem sexo.

Quando a mulher encontra alguém que, supostamente, compartilhe algo com ela de maneira que nenhum outro fez e que ela acredite fielmente que este seja a sua alma gêmea, é difícil para ela aceitar que isso possa não ser a verdade absoluta.  Ela já teve experiências, ela sabe como as relações são superficiais, ela não quer perder essa coisa tão especial que ela pensa ter encontrado e acha que nunca mais encontrará.

Outro problema é que a mulher não tem pré-definidos os conceitos do que seria um parceiro ideal para a sua vida e fica delirando sem pensar nas implicações práticas do relacionamento com o tal parceiro. Ao invés de ser criteriosa, ela se agarra em "qualidades" e se esquece da realidade, de enxergar o seu amor e a vida como eles realmente são. Ela ama demais e não sabe, não quer e não consegue abrir mão do que pensa ser  o único e verdadeiro amor, quando na verdade, ela ainda nem sabe o que é amar. E nesse desespero de perder algo que talvez nem possua e nunca vá possuir, ela se destrói, se humilha e se abandona, fechando a porta para possíveis e reais possibilidades.

Posso concluir então que a mulher ainda suporta relações abusivas por quatro motivos:

_ Medo do que possa vir a sofrer carregando o estigma de mulher separada;
_ Medo de não conseguir ser capaz de se sustentar e de viver só;
_ Medo de que os filhos sofram;
_ Medo de não conseguir encontrar outro amor, ou de perder o único e verdadeiro amor.

Estes pontos podem ser resumidos pelas palavras INSEGURANÇA e MEDO.

Esta mulher precisa entender que nada é mais importante que se sentir em paz e bem consigo mesma, pois suportando relações abusivas, ela nunca estará feliz. Pedir, não é vergonha, trabalhar não é vergonha, estar só não é vergonha. O que é vergonhoso é ter que se humilhar todos os dias por um prato de comida, o que adoece é  ser tratada como um lixo da humanidade, o que mata é não ser reconhecida como um ser humano capaz de viver por si mesmo. A mulher precisa saber o que quer e o que não quer em sua vida, e a partir disto, assumir as responsabilidades para conseguir. Se ela quer alguém que lhe respeite e lhe trate como prioridade, então não escolha alguém que não faça isso. Não aceite menos. A mulher precisa saber que ela merece o melhor, não o pior. A mulher precisa, de uma vez por todas, aprender a dizer NÃO para a sociedade e SIM para si mesma.

BAIXE A LEI MARIA DA PENHA

terça-feira, 2 de julho de 2013

A descoberta da podridão


Chega o ponto em que todas as histórias já foram ouvidas, todos os filmes vistos e todas as frases escutadas. Em algum momento, ficaremos cansados de assistir sempre aos mesmos diálogos proferidos pelos mesmos tipos de pessoas, na mesma ordem, prosódia e teor. Todos os discursos já foram ouvidos, todas as reações, conhecidas.  Virá, para alguns, aquele momento em que o encanto se quebrará e a verdade virá tão forte e desagradável, que muitos, não suportarão. Para estes, é difícil constatar  que a verdade, a honra, a lealdade, são palavras vazias e apenas idealizadas pelos seres humanos, mas que nenhum deles é capaz de segui-las. De repente, nada faz sentido e o sistema se revela como realmente é: podre, fétido, grudento e real. É este mundo que temos, não aquele colorido e cheio de virtudes que imaginamos existir em nossos sonhos infantis e na alienação da ignorância.

O mundo é podre e as pessoas não querem  nada além de levar vantagem. Poucos tem o poder e manipulam descaradamente as mentes, a massa repetidora de slogans, que destrói o que ela não conhece, mas precisa odiar. Estes poucos nos dizem o que devemos pensar, consumir, desejar. Estes poderosos escrevem livros, fazem leis, elaboram propagandas de seus produtos e nos convencem sem que precisemos refletir sobre a veracidade das fontes. Estes nos fazem correr até as guerras e matar crianças dos inimigos, apenas para que continuem no poder. Por que o mundo é podre.

E quando percebemos que tudo, a religião, os heróis, a história, as virtudes, os sonhos, tudo isso não passa de uma grande e deslavada mentira, o que nos resta? O que fazer com uma existência que se resumiu ao nada, como viver em uma sociedade onde os valores são inexistentes ou distorcidos, onde as pessoas valorizam todas as coisas antes da vida? O que é valorizar a vida?

Valorizar a vida é ter a ciência de que você está vivo naquele momento, e não sabe de nada mais além daquilo, embora as religiões e a ciência possam lhe fornecer alternativas improváveis. Ter conhecimento de que estamos aqui, de pé, embora existam teorias de que estaríamos vivendo em um mundo virtual; deveríamos valorizar tudo o que temos neste momento, tudo o que nos faz bem, tudo o que nos permite esboçar um sorriso, principalmente os laços que conseguimos construir ao longo da vida. Por quê destruir o outro, magoar, humilhar? Ninguém tem mais que o dia de hoje e os que estão conosco.

Como ter esperanças? Como ter prazer? Como ser feliz quando nada mais lhe deslumbra ou surpreende? Quando os seus ideais se desmoronaram e sobraram apenas poeira e dor?

Ainda não sei.



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