domingo, 2 de junho de 2013

Marcha das Vadias: Ser ou não ser?

Este assunto é um pouco delicado para mim, pois ainda não tenho bem formada a  minha opinião, mas todos os que me conhecem sabem que sempre procuro a justiça e a igualdade, condenando qualquer tipo de discriminação, embora suponha que seja quase impossível não cultivarmos algum tipo de segregação em nosso íntimo. Não sei se poderia chamar essas segregações de preconceitos ou de apenas conceitos e preferências, de nos aproximar do que temos afinidades. Isso, no entanto, não quer dizer que vamos desrespeitar as outras realidades, pois elas tem o mesmo direito de existir e de coexistir, e cuidar desses direitos  é exercer um papel humanitário em nossa existência.


John Lennon disse que a mulher é o negro do mundo , eu não tinha entendido o significado naquele primeiro momento em que vi esta frase; mas a verdade é que na historia  mais recente, o  negro pode ser considerado como quem mais sofreu discriminação, e comparando a situação em que viveram e ainda vivem, temos a mulher no mundo, em toda história da humanidade, sofrendo e sendo subjugada da mesma forma.

Os homens, em sua maioria, quando olham para uma mulher, vêm nela apenas um objeto com que vai satisfazer seus desejos. As culturas, de uma maneira geral, sempre as coloram no pior dos lugares, tratando-nas, sim, como objetos e como os escravos, que existem apenas para servir. É esta imagem que se perpetua até os dias de hoje, esta é a justificativa quando um homem pensa que tem o direito de estuprar uma moça por que ela se vestiu de maneira provocante. Os homens se sentem com todos os direitos, desde sempre nos ensinam que eles não podem controlar seus impulsos sexuais e isso serve de halibi para tudo o que ele possa vir a cometer. É a mesma coisa que sentem os rapazes menores de idade ao cometerem crimes, têm a certeza de sua impunidade, mas isso é uma longa discussão para outro momento. Os homens são deuses na terra, e quem lhes deu essa divindade foram os próprios deuses de todas as religiões, desde o deus que castigou o homem pelo pecado de Eva, quanto o Deus que o premia com virgens no paraíso.

As mulheres são diferentes, são mais fracas fisicamente, priorizam coisas que os homens não priorizam, mas assim como a infinidade de seres humanos e suas peculiaridades, estas mulheres não são inferiores, piores ou tem menos direitos que todos os outros. Não é dever da mulher controlar o instinto animalesco que o homem diz possuir, ela não tem que andar com 30 reais no bolso para não irritar o ladrão!

Para protestar contra estes abusos surgiu no Canadá a Marcha das Vadias, onde as mulheres protestam contra a premissa de que as vítimas de estupro pediram para ser estupradas quando usaram roupas provocantes. As manifestantes saem com roupas sensuais e muitas vezes seminuas, como um forma de chocar e chamar a atenção para sua causa.

Este assunto é muito complexo. Eu penso que qualquer um neste mundo deve ter o direito de andar como quiser sem ser atacado ou agredido, e se quiser fazer putaria com outro ou outros, desde que de livre e espontânea vontade, que faça! O que eu não concordo é que nenhum grupo queira impor nenhum de seus argumentos e prejudique o outro. Um casamento gay, por exemplo, não irá prejudicar a nenhum dos heterossexuais, por este motivo eu não consigo entender por que tamanho alvoroço! Mas isso também é outro assunto. O que importa é que as mulheres devem ter o direito de andar como desejarem, de acordo com o local em que vivem, sem serem atacadas ou julgadas. Porém, nada é tão simples... Quando elas andam seminuas estão chocando a maioria das pessoas, por que em nenhum lugar do mundo, a não ser em praias de nudismos, é visto como normal uma pessoa andando nua pela rua. Se você  quiser ter a sua liberdade de andar nua na Arábia Saudita, você não dará dois passos, por que assim como os homens, as mulheres também acharão que você merece morrer apedrejada.

Como exigir respeito sem chocar conceitos e hábitos milenares? Como mudar estes hábitos milenares? Eu não sei... Apenas acho que a pessoa deveria ter a liberdade de usar o que desejasse, seja o hijab, que foi proibido em alguns países, assim como o biquíni, com o qual as pessoas passeiam naturalmente em cidades praianas. Nem as mulheres que usam o hijab e cobrem o seu corpo por se sentirem mais a vontade, nem as que gostam de pouca roupa, deveriam ser tratadas como alvo de discriminação, nem serem culpadas pelo que os homens venham a fazer com elas.


Não, eu não gosto de bailes funk, eu não gosto de nossa cultura que ajuda a perpetuar a idealização de uma vida baseada na sexualidade, e no valor da mulher por estes meios, eu não concordo com mulheres se expondo na rua, mostrando seus corpos, mas isso é pessoal; em tempo algum concordarei com a violência contra qualquer pessoa, principalmente da mulher, apenas por ela ser mulher. Talvez essa seja uma forma válida de se protestar, uma vez que chamará mais atenção. Tomara que ajude a mudar alguma coisa... Mas não sei se essa é a forma mais adequada, já que a massa ainda vê na mulher apenas o corpo e a sua eterna culpa por todos os males do universo.

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