terça-feira, 29 de janeiro de 2013

Veneno


Essa coisa te consome, invade todos os teus espaços, transborda para fora de ti e deixa-te exausto de tanto delirar; este delírio é tão doce, como o cheiro da Dama da Noite que penetra em tuas narinas sem que tenhas permitido. Às vezes, o delirar é quente, como os desertos africanos, te queima, te faz tremer e querer tanto, que nem sabes o que, como e onde, só consegues saber que tem que ser de imediato. Quando acordas, percebes que ainda estas dormindo e ainda sentes o cheiro, o calor e as vontades, que nunca cessam. As vontades aumentam, mudam, tornam-se suaves, mas as vontades te seguem até o fim. Quando imaginas que vai livrar-te do tormento que tanto te aprazes, ele volta mais forte e mais indubitavelmente louco que nunca. E não adianta falarem, nem adianta tentares provar de outros venenos, pois estás eternamente e definitivamente dependente desta poção que te mata e que te faz renascer a cada segundo de teus dias.

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