sexta-feira, 28 de dezembro de 2012

As Três senhoras


Três senhoras estavam conversando, contando os casos de suas vidas e lembrando sobre os seus falecidos maridos. Dona Alva, uma senhora altiva com o seus cabelos pintados de louro claro e seus óculos presos por uma cordinha disse:

_ Eu era completamente apaixonado pelo Joaquim... No começo ele dizia palavras bonitas, lindas declarações, trazia presentes, mas com o tempo, ele se acostumou e ficou meio quieto. A gente não conversava muito, mas eu acho que ele me amava. Vocês não acham que viver  a vida inteira ao lao de alguém não é amor?

Dona Marica coçou os cabelos encardidos e presos num coque mal feito e disse:

_ Eu acho que amar é só no começo mesmo. No começo, as pernas ficam bambas, a gente sente aquele calor, quer ficar perto o tempo todo. Depois, as coisas esfriam e vem mais o costume mesmo, a companhia.

_Ah, eu não acho, falou Dona Luzia. Eu acho que quando a gente ama, a gente quer ficar junto sempre. Meu José não me deixava ir nem na porta de casa sozinha, queria controlar tudo, saber de tudo. Ele era doido por mim, nossa! Mas também, não me dava sossego.

A neta da dona Marica ouvia a tudo e resolveu meter a colher no assunto:

_ Eu não acho que nada disso seja amor. Esse fogo todo, sem explicação e sem motivo, é paixão, não é amor. Essa coisa de querer ficar grudado, é posse, ciúmes, desconfiança, não é amor. Querer agradar com palavras vazias e presentes, é não ter mais nada a oferecer.

Dona Alva se virou com o seu ar de autoridade máxima e perguntou:

_ Ah, diga então, madame, o que é o amor?

Marisa se sentou mais próximo ás senhoras e disse:

_ Primeiro pergunte-se a si mesma: Se eu ganhasse na loteria e não precisasse de mais nada, eu ficaria com este homem? Se ele ficasse totalmente pobre e miserável, continuaria com ele?  Se ele ficasse gravemente doente, nunca mais pudesse fazer sexo, ou nem mesmo me reconhecesse, eu continuaria amando e cuidando dele? Se eu tivesse muita raiva dele, mesmo assim, não diria as coisas que mais o machucam, e mesmo assim, não me sentiria mal em confortá-lo, se precisasse? Eu realmente gostaria de viver com ele em qualquer condição, e sempre me sinto bem, respeitada e amada por ele? Sim a resposta for sim, então, isso é amor.

As senhorinhas se entreolharam, pensaram por alguns segundos e aplaudiram a jovem menina.


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