segunda-feira, 4 de junho de 2012

A decadência da educação no Brasil: existem soluções?

A minha história com a escola é um pouco traumatizante, tanto que quando vou até um ambiente escolar chego a me sentir mal. Nunca aconteceram eventos além dos que ocorrem nas escolas todos os dias, talvez eu sempre tenha sido muito sensível e estranha, uma alienígena. Mas o fato é que o ambiente escolar é realmente traumatizante para muitas pessoas, e dependendo das vivências que um aluno ou professor tenha, talvez vejam as suas vidas transformadas para sempre.


O motivo pelo qual estou expondo a minha relação com a escola, é para servir de exemplo dos motivos pelos quais a escola está em decadência no Brasil. Tantas mudanças ocorreram nessas ultimas décadas e é gritante a necessidade de uma reforma geral em todos os métodos de ensino, convívio e principalmente, no esclarecimento dos papéis de cada um dentro desta instituição. A meu ver. Alguns fatores são os responsáveis pela escola ter se transformado neste local repulsivo e incontrolável, uma bomba prestes a explodir:

DESVALORIZAÇÃO E INFERIORIZAÇÃO DO PROFESSOR

Antigamente o professor era sinônimo de sabedoria e merecia respeito, era um dos mais importantes profissionais, pois através dele, as portas do conhecimento e do trabalho se abririam. Lentamente, essa imagem foi sendo transformada e ao invés de serem vistos com respeito máximo, os professores hoje em dia são chamados de "vagabundos", "folgados", "sem o que fazer", como ouvi inúmeras vezes mães falarem nas portas das escolas. Os pais queixam-se de que eles trabalham meio horário, que têm duas férias por ano, e que não fazem o papel deles que é o de educar os filhos dos outros. Esses pais foram influenciados pelas propagandas negativas dos governos que foram se sucedendo, gerando essa imagem que vem sido perpetuada. Se uma criança ouve do pai estas palavras, como poderá respeitar aquele que lhe ensina? Que valor dará ao seu professor?

A questão do tempo é totalmente distorcida, pois o professor vive sufocado com turmas numerosas, dezenas de provas, trabalhos para corrigir e elaborar, planejamento de aula e aperfeiçoamento. Se um professor quer ser um bom profissional, ele deve planejar e continuar estudando, e, com certeza, o tempo nunca será o suficiente.

Enquanto a sociedade mantiver esse estereótipo do professor, será difícil que as coisas mudem dentro da escola.

DESVALORIZAÇÃO DA PROFISSÃO

É difícil entender por que todos os profissionais que possuem nível superior possuem salário muito maior que do professor, se a ele é exigido o mesmo nível. Quanto à importância da profissão, embora eu seja contra classificar trabalho por importância, o que será mais importante que formar cidadão? Quanto aos professores do Ensino Fundamental, estes deveriam ser os mais valorizados, pois tem a tarefa mais difícil que é a de ajudar a construir os conceitos e as bases éticas de uma pessoa. São coisas óbvias, mas que a sociedade se recusa a ver, pois para o governo, com certeza, não é interessante que a maioria das pessoas tenha um pensamento crítico e consiga ver as coisas com mais clareza.

AS INTERPRETAÇÕES DO ESTATUTO DA CRIANÇA E DO ADOLESCENTE

Não critico os direitos das crianças e dos adolescentes, mas as interpretações e o que veio depois dele. Hoje em dia, um aluno não pode ser expulso da escola, mesmo que ele atire fogo ao professor. Inventaram o slogan de que "lugar de criança é na escola" e a interpretação que fizeram disso foi: as crianças e os adolescentes tem que ficar dentro da escola até os dezoito anos, mesmo que sejam marginais, traficantes, estupradores e assassinos. Para o governo e a sociedade é melhor e mais fácil que a criança fique dentro da escola do que nas ruas; a escola se tornou não um lugar de sabedoria e instrução, mas um lugar para guardar as crianças. O professor agora tem que ser psicólogo, policial, ator e palhaço, o papel que mais é obrigado a fazer. Nada nem ninguém está lá para ajudá-lo.

As crianças que querem estudar são obrigadas a conviver com marginais de todos os tipos, que estão na escola por serem forçados a estar, e nada, nem ninguém, irá convencê-los a se comportarem ou a se interessarem seja lá pelo que for. Obviamente, o professor não terá nada a fazer, por que ele é apenas um professor, não o salvador da pátria.

O BURACO NOS LARES

De alma feminista, uma vez me indignei com um professor que disse que a causa dos males foi a mulher ter saído para o mercado de trabalho. Depois analisei bem a fala dele e concluí que, de certa forma, ele tem razão. Não há nada mais difícil no mundo do que educar um outro ser, isso requer tempo, amor, disposição, disponibilidade, laços e muita paciência. A mulher conquistou o seu lugar no mercado de trabalho, mas o que ficou no lugar dela? Antes elas viviam para as suas famílias, educando os seus filhos, acompanhando, conhecendo os seus filhos; hoje não há ninguém fazendo esse trabalho, mas uma vez, sobrou para as instituições. Não que seja o papel da mulher, esse papel é da família. O pai, a mãe, algum outro familiar precisaria estar assumindo este papel de educação e de amor para com os seus filhos. Não é a escola que tem que educar, a escola é um local de instrução, de conhecimento, e isso deveria estar bem esclarecido.

DISTORÇÃO DOS DIREITOS E DOS DEVERES

Hoje as crianças e adolescentes sabem dos seus direitos e lutam por eles, mas não sabem dos seus deveres. Sabem que nada lhes acontecerá se cometerem algum delito, que não serão punidos, que a vida continuará como sempre fora. Estamos criando monstros insensíveis e que não conhecem os valores básicos de convivência, como o respeito aos mais velhos, às normas sociais, às hierarquias. Respeito não quer dizer silencio ou não questionamento, mas tratar o outro como se quer ser tratado, obedecendo às regras de convivência. Infelizmente, sem as noções básicas que deveriam ter recebido da família, de como conviver, tratar, e obedecer às regras sociais, o que temos hoje são crianças e adolescentes incontroláveis, pensando que conhecem toda a razão do mundo e possuem todos os direitos, sem precisar respeitar nada.

INSTITUIÇÃO CAPENGA

A escola como é hoje está em ruínas. É um ambiente sombrio, repressor, quase um presídio. Muitos profissionais parecem ter saído de um filme de terror sobre quartéis generais, gritam como loucos, e travam uma luta fria de poder com os próprios colegas de trabalho. Em muitas escolas o professor não tem a liberdade de criar e de propor novos projetos, trabalham como há décadas passadas. Porém, para uma renovação da escola, deveria haver uma renovação da sociedade, pois de nada adianta um ambiente renovador para uma sociedade que não está pronta para usufruir deste.

Logicamente este assunto é muito complexo e há muitos pontos além destes, mas penso que se faz urgente uma mudança nas estruturas de nossa sociedade, sobretudo no significado da palavra "educar", redirecionando os deveres e os direitos a quem é devido.

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