quinta-feira, 25 de agosto de 2011

Solidão - Mal do século XXI


Nos livros de histórias aprendi sobre os males que a revolução industrial trouxe para as nossas vidas, como o fato de que a maioria das pessoas realizavam trabalhos duríssimos de até 18 horas diárias, restando tempo apenas para as refeições precárias e o sono escasso. Até mesmo as crianças levavam essa vida penosa e a existência se resumia em produzir algo para que se pudessem alimentar a si mesmos e aos seus dependentes.  Lembro-me também da "Idade das Trevas", quando as pessoas viviam de uma maneira não muito diferente, trabalhando, servindo, usando os seus corpos e deixando suas mentes aniquiladas,  relegadas ao limbo.  Penso na história que conheço, e que é tão pouco ainda para que eu possa compreender minimamente o funcionamento do cérebro humano, para que eu possa entender sobre essa busca sem fim, e vejo um círculo.Círculo feito sem compasso, às vezes com quinas, mas que sempre volta ao seu ponto original, sem que saibamos o objetivo de tudo isso, de todo esse pandemônio. Que diacho é isso tudo?

Que maravilha! Quem diria que no século XXI, tanta modernidade traria também um novo tipo de escravidão? Somos escravos. Somos solitários, egocêntricos e egoístas. Não temos tempo, não sentimos o tempo, queremos comprar o tempo,queremos fazer tudo ao mesmo tempo, queremos ser e ter tudo. Há como? Não.  Qual o resultado dessa busca? A solidão.
Charlie Chaplin, meu amigo, tu tinhas razão! "Não somos máquinas, homens é que somos", somos pessoas, somos vivos, funcionamos a base de hormonios, pensamentos, sentimentos, precisamos de muito mais que coisas. Porém, tudo se "coisificou", os nossos sonhos, desejos, aspirações se tornaram coisas. Um celular, um carro, uma casa, um notebook, coisas nos definem, nos relacionamos através delas, com elas e por elas. O outro não nos importa, suas dores, seus problemas não nos pertencem, não temos tempos para tais chateações, e há muitos outros no mundo que precisam de nossa atenção, como aqueles com os quais nunca conversaremos ao vivo, nunca olharemos nos olhos. Temos que estudar sempre, temos que trabalhar mais e mais, temos que nos qualificar, viajar, saber mais e mais, ter relações relâmpagos para desestressar e continuar a vida até o fim, sem parar, até que...Ate que nos tornemos coisas para os outros.

Não há mais criadores, gênios, pensadores, não há mais nada além do pessimismo, do tédio e da depressão. Não há o tempo para que a criação e a reflexão aconteça, precisamos produzir. Não há tempo para se perder sendo gente, não há tempo para se perder ficando consigo mesmo ou com quem deveríamos amar, não há tempo!  Quando tivermos tempo, não estaremos prontos, estaremos segurando coisas mas com as mãos vazias, e não teremos mais tempo para amar ou para escrever lindas histórias de vida...




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