segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

Prova de Português


Quando decidi fazer Letras, há muito tempo atrás, imaginei coisas totalmente diferentes sobre o curso, pensei que sairia da universidade sabendo a gramática de cor e salteado e que seria capaz de responder a qualquer pergunta morfossintática, que equívoco... Não que eu entenda que o curriculo do curso esteja errado, o que percebi é que o curso é mais voltado para as pesquisas linguisticas. Confesso que o curso deu uma boa reorganizada e que está mil vezes melhor do que na primeira vez em que entrei (longa história que depois conto), mas a questão aqui nem é sobre o curso de Letras, mas sim, sobre o conceito que estamos formando sobre os conhecimentos necessários na formação das pessoas. Antigamente cobravam-nos em concursos e nas escolas o conhecimento das regras gramaticais, agora nos cobram " Interpretação de textos, considerando as relações morfossintáticas e semânticas que se constituem" (programa da prova de português do concurso público da UFOP para Técnico Administrativo). Que diacho é isso? Vejam o texto que caiu na prova:

Bonito, gostoso e prático 

RIO DE JANEIRO – Um dos temas mais momentosos da Bienal do Livro, em cartaz no 
Riocentro, é se o livro impresso, de papel, corre o risco de desaparecer, fulminado pelas 
novas tecnologias. Eu próprio, zanzando entre os stands no último domingo, fui 
perguntado várias vezes sobre isso.  
Curiosamente, quem olhasse ao redor diria que a pergunta não fazia sentido e que a 
indústria do livro nunca esteve tão robusta neste país. Era um domingo de escandaloso 
azul, com as praias, os passeios e todas as formas de lazer grátis no Rio convidando o 
povo a estar em qualquer lugar, menos ali, num conjunto de pavilhões em Jacarepaguá, a 
mais de uma hora de Ipanema, e tendo de comprar ingresso para entrar. 
Pois essa pergunta estava sendo feita em meio a montanhas de livros expostos e 125 mil 
pessoas, número de visitantes que, segundo a Bienal, compareceu no fim da semana. 
Gente que não pagou para ver malabaristas, engolidores de fogo ou artistas globais, mas 
romancistas, biógrafos, poetas ou autores de livros para crianças. 
Respondi que, como formato, o livro é difícil de ser superado – porque já nasceu perfeito, 
e não é de hoje. Ele é bonito, gostoso e prático. E também portátil: pode ser levado na 
mão, na mochila ou na bolsa, e lido no sofá, na cama, no banheiro, na mesa de jantar, no 
bonde, no ônibus, no jardim, na praia, na banheira, onde você quiser. E também barato: 
quem não tiver dinheiro para livros novos, encontrará farta escolha nos sebos e até nas 
calçadas da rua. 
Um livro pode nos alimentar por uma semana, um mês ou o resto da vida. E, ao contrário 
do CD e do DVD, não precisa de máquina para tocar. Basta ser aberto para poder ser 
lido. Na verdade, o livro só precisa de nós. 
Neste momento, mais do que nunca, talvez. 

(Ruy Castro, Folha de São Paulo A2 Opinião, 16/9/09)  



O texto é interessante, atual, legal... Mas a questão número quatro me matou:

A maneira de considerar a permanência do livro de papel, de acordo com a 
argumentação de Ruy Castro, pode ser reforçada com este fragmento de outro texto: 

A minha resposta, depois de achar que nada fazia sentido, foi esta:

Coexistência é a expressão mais utilizada pelos autores que participam da Festa 
Literária Internacional de Paraty (Flip), no Rio, ao comentar o futuro do livro em 
papel e das novas plataformas digitais.”

Porém, a resposta correta era esta:

(...) um personagem que daria um roteiro ainda mais interessante do que o que 
se via na tela: um ex-traficante, Anderson Agostinho (apelidado de Buiú), de 29 
anos, que se apaixonou por livros: ‘Vi que também podia fazer com que as 
crianças gostassem de ler.’, conta Buiú.” 
(Folha de São Paulo de 8/12/10 C2 e www.inovacaotecnologica.com.br, acesso em 
8/12/10.)


Deus! O que o autor desta questão quis dizer com "maneira de considerar a permanência do livro de papel"? Não podemos, de acordo com o texto, considerar a permanência do livro de papel, já que a coexistência é a expressão mais utilizadas lá, por aqueles autores, referindo-se aos livros digitais e de papel? E o que este fragmento de noticia falando sobre um ex-traficante que se apaixonou por livros corrobora com a permanênica do livro de papel, aqui não se fala especificamente de livro de papel. diacho!

A quinta questão no pergunta:

Pelo texto, pode-se dizer que a Bienal do Livro é um evento

Eu respondi:

 cuja realização mostra que há mais interesse em conhecer autores famosos do 
que artistas de circo

Mas o correto seria:

 ao qual a cobrança de ingresso não traz redução expressiva de público

Eu fiquei em dúvida entre essas duas... Isso aparece no trecho:


Gente que não pagou para ver malabaristas, engolidores de fogo ou artistas globais, mas 
romancistas, biógrafos, poetas ou autores de livros para crianças. 

Eu poderia entender isso de duas formas, como "gente que não quis pagar pra ver malabaristas e tal, num fim de semana, mas quis pagar para ver livros, ou, gente que não pagou pra ver malabaristas e sim para ver  livros...

Bem, as outras questões são tão ambíguas quanto estas, ao meu ver. Não vou falar mais por que o meu post já está grande e eu estou com preguiça (confesso), mas se alguém quiser conferir a prova é só clicar aqui.

O que eu quero dizer com isso tudo, além de que estou com raiva dessa prova, é que eu não sei mais o que estudar, o que pensar e o que deveria ser cobrado nas provas ditas de português...Eu odiava quando se cobrava a gramática, mas ao menos eu sabia por que eu tinha errado. E olha que eu faço Letras!

2 comentários:

  1. Olá Luciana!!!

    Concordo plenamente com vc, a maioria das questões de português eram ambíguas, isso fez com que várias pessoas errassem as questões (me incluo). Outra questão que não concordo com a resposta é a de nº09, pois entendo que o autor utilizou o recurso da praia para destacar uma característica do Rio de Janeiro muito conhecida, o que mais se vê em noticiários e em publicidades do Rio em geral, é a adoração deles pela praia.
    Como vc disse, poderia postar outras questões de português com respostas incorretas, a 2, a 4, a 9... (segundo o gabarito divulgado, até o momento), mas tb estou com preguiça...

    Junior

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