quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

Como organizar seu PC para 2012


Ligar o computador, abrir a pasta "meus documentos" e analisar os dados que ali se encontram. Selecionar todas as fotos e arquivos inúteis que foram se acumulando fora de pastas específicas e que nada representaram a não ser por alguns instantes, mandar tudo para a lixeira;

Abrir as pastas de músicas, videos, imagens e perceber o que faz sentido guardar ou não. ouvir algumas canções, rever alguns vídeos, fotos, sentir, sorrir, chorar, deletar o que não nos traz boas memórias ou o que nada mais diz.

Deixar bastante espaço livre para o que virá. Criar uma nova pasta e nomeá-la como "Coisas maravilhosas de 2012". Se possível, transferir todos os arquivos antigos para um cd e guardá-los  no fundo do baú. Deixar tudo limpo, esperando pelas novidades de um novo período. Se houver algo precioso, guardar em um lugar especial, criar atalhos para que se possa sempre acessar e se lembrar de que aquilo é para todos os anos.

Desligar o computador e abrir a porta; colocar os pés fora de casa e lembrar que para que algo aconteça, é preciso dar o primeiro passo. Um caminho longo é percorrido por pequenas passadas. Rezar, calçar tênis confortáveis e estar pronto para uma nova jornada que começa em 1º de janeiro.

terça-feira, 27 de dezembro de 2011

Coisas capazes de tirar qualquer um do sério

Especialmente eu.




1- Alguém marcar algum compromisso, não comparecer e nem ao menos dar um telefonema, mandar um e-mail, mensagem off line, recado, o diabo à quatro,
2- Alguém fingir que não ouviu a pergunta, mudar de assunto, fingir que não escutou chamar;
3- Aperto de mão frouxo, parece que a pessoa está com preguiça, má vontade, nojo, frescura;
4- Gente que conversa batendo, dando tapinhas, cutucando;
5- Gente que não tem a menor intimidade e chega beijando, abraçando, falando besteiras;
6- Gente sem desconfiômetro que fica fazendo papel de papagaio de pirata, bisbilhotando o que a gente está fazendo no computador;
7- Alguém ficar me chamando, gritando o meu nome e me obrigando a gritar para responder;
8- Pessoas que sempre querem receber de graça, mas tem escorpião dentro do bolso;
9- Quando o leite ferve e suja todo o fogão, assim como ter que lavar panela de pressão;
10- Ficar sem ideia pra escrever a décima coisa irritante...

sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

O que pode deixar uma pessoa louca?

Quando eu era criança ouvia a minha mãe e outras pessoas dizerem que estudar muito faz com que a pessoa fique louca, pirada, tantan, pinéu, maluca do Bagu. Eu, com o meu ceticismo sarcástico ria, trucava o 6  e concluía que essa ideologia só poderia mesmo vir de cabeças alienadas que já foram dominadas por idiotices do senso comum. Nada melhor que a experiência para nos mostrar o quanto podemos nós enganar quando pensamos ter certeza de alguma coisa.

O que é loucura? Eu não sou psicóloga, psiquiatra ou estudiosa do assunto, sou apenas uma blogueira observadora e pensante. Para mim, louco é aquele que se aliena, se perde em um mundo alternativo, estranho ao mundo real e palpável. Ser louco é não ter convenções, é não seguir regras externas, é ser livre dentro se seu "eu". O que poderia nos levar à este estado de loucura? Cheguei à conclusão de que muias coisas são capazes e de que alguns já  nascem pré-dispostos a viverem neste mundo, basta um "clique".

Pessoas que foram privadas da maldade e das regas do mundo, pessoas que foram muito expostas às maldades, pessoas que não receberam e não sabem sentir e oferecer carinho, pessoas que vivenciaram  traumas e que não internalizaram regras de convivência, pessoas que se isolaram e criaram uma realidade alternativa, essas pessoas parecem ter um caminho mais curto para o mundo da loucura. Quantas histórias já não ouvimos sobre alguém que, de repente, surtou e ficou pinéu? Inúmeras, com certeza.


Seguindo essa linha de pensamento, posso concluir que existem coisas que podem desencadear o surtamento ou a alienação das pessoas pre-dispostas à loucura que são:


PAIXÃO: A paixão é um sentimento que causa alterações psicológicas e químicas em nosso organismo, consome todas as nossas energias e pensamentos. Há paixões tão fortes e doentias que são capazes de tirar a pessoa do mundo real, se banhadas por ciúmes, podem privar o indivíduo de uma vez por todas de suas faculdades  mentais.



quarta-feira, 30 de novembro de 2011

Versos Íntimos



Vês! Ninguém assistiu ao formidável
Enterro de tua última quimera.
Somente a Ingratidão - esta pantera -
Foi tua companheira inseparável!
Acostuma-te à lama que te espera!
O Homem, que, nesta terra miserável,
Mora, entre feras, sente inevitável

Necessidade de também ser fera.
Toma um fósforo. Acende teu cigarro!
O beijo, amigo, é a véspera do escarro,
A mão que afaga é a mesma que apedreja.
Se a alguém causa inda pena a tua chaga,
Apedreja essa mão vil que te afaga,
Escarra nessa boca que te beija!

Augusto dos Anjos

terça-feira, 29 de novembro de 2011

Universidade Federal de Outro Planeta

Universidade, local onde as mentes se abrem para as reflexões e descobertas profundas, onde se realizam estudos sobre todas as ciências, onde se valorizam as relações humanas. Inúmeros jovens se unem a fim de redescobrir e de reinventar o mundo, mas... Existe a Universidade Federal de Outro Planeta!

Este nome carinhoso, segundo alguns, foi criado por um professor que adora contar relatos curiosíssimos sobre experiências vividas na UFOP, e foi aproveitado por um aluno de história que fazia charges incríveis sobre o ICHS. Não o conheci, mas pedirei à minha amiga, Maria Cláudia, que me ilumine e traga a graça do rapaz. 

O ICHS, juntamente com o IFAC, são alguns dos lugares mais "diferentes" da universidade, disso ninguém tem dúvida, começando pelo vestuário dos alunos: 

ALUNOS DE FILOSOFIA: rapazes sempre usam uma camisinha xadrez desbotada, barba por fazer, cabelos médios e desgrenhados, calças caindo e estão sempre com o ar de distraídos;

ALUNOS DE ARTES CÊNICAS: rapazes cabeludos, calças largas, xadrez, roupas sempre confortáveis e criativas; as garotas tem diversos estilos, algumas ripongas, outras patricinhas, depende da procedência e da intenção após a formatura;

ALUNOS DE HISTÓRIA: geralmente barbudos e cabeludos,  alguns usam óculos ou algum tipo de boné, outros se espelham em Che Guevara;

ALUNOS DE LETRAS: O estilo é parecido com todos os outros, as meninas são ripongas, brancas usando rastafari, black power, rapazes despenteados, vão para as aulas de bermudas e chinelos e não acham que o cultivo da vaidade seja algo útil.

Algo estranho acontece quando os alunos das áreas  de Ciências Humanas vêm para a UFOP; até mesmo os professores, que antes cultivavam belos penteados estilo cabelinho de playmobil, de repente se tornam cabeludos e barbados, a mudança é radical! Não é por acaso que chamam o ICHS de A Terra do Nunca.



Logicamente há muitas exceções, mas é assim que vemos a maioria por lá.

Uma mania que me irrita profundamente no ICHS é a que acontece no restaurante, conhecido como Bandejão. Mas antes de falar sobre isso, contarei um episódio que aconteceu no REMOP, restaurante da Escola de Minas.

O REMOP é reduto do povo das Ciências Exatas e Biológicas por que fica no Centro de Ouro preto, onde se situam a maioria das repúblicas (casas de estudantes) destes cursos; antigamente existia uma brincadeira de mau-gosto que era a de fazer o aluno que deixasse cair os talheres ou algo no chão viver a maior vergonha: o restaurante inteiro começava a bater as bandejas em algazarra, deixando o aluno super constrangido. Um dia eu fui almoçar neste restaurante e, como sou desastrada, deixei meus talheres caírem; fui andando normalmente e só depois percebi que era pra mim aquela algazarra. Que ridículos! Bem, o fato é que os alunos de Artes Cênicas também almoçavam lá, pois o curso também era no centro. Imaginem o distanciamento ideológico... As mesas do canto eram deles e , como era de se esperar, estes não participavam dos rituais de constrangimento público. Alguns deles fizeram uma intervenção na hora do almoço, uma se fez de cachorro, literalmente, levada por uma coleira na fila do restaurante e lá dentro,  uma bandeja com algodão foi colocada ao lado dos talheres para quem quisesse fazer uso; foi só alguma coisa cair e os artísticos tacaram as bolotas de algodão nos ouvidos em protesto. Depois de toda essa confusão, foi proibida esse tipo de reação barulhenta  no REMOP.

Voltando ao ICHS (eu também tive minha fase riponga), algo que detesto é quando entro na fila do almoço e de repente um bolo de estudantes aparece e vai conversar com os outros que já estavam na fila, se fazendo de inocentes; alguns colocam descaradamente as mochilas demarcando lugar na sua frente! Total falta de respeito! Como uma coisa dessas pode acontecer na universidade? Será que estou velha e rabugenta? Talvez.


É, universidade de Outro Planeta... 

Pra fechar esse capítulo sobre as peculiaridades da UFOP, um título que foi comemorado com muita cerveja: Os alunos da UFOP são os que mais consomem álcool dentre todas as Universidades Públicas.

Expansão, assistência estudantil, por tudo isso a UFOP realmente merece nota 10, mas  se tratando de algumas outras coisas, como o comportamento dos alunos dentro destas cidades que os acolhem, isso deveria ser revisto, urgentemente.


Obs.: Encontrei o termo "Universidade de Outro Planeta" na Deciclopédia, alguma pessoa com criatividade, tempo, gosto duvidoso e um pouco de preconceito escreveu o texto, quem quiser conferir, clique no link e tire suas próprias conclusões.

sábado, 19 de novembro de 2011

Considerações sobre o aprendizado de línguas

Aprender uma língua estrangeira é algo extremamente complicado, principalmente depois que passamos da infância.  Enquanto ainda estamos frescos, além de o cérebro e o corpo estarem mais abertos para receberem novos conhecimentos, ainda estão sendo formados os conceitos e as ligações que fazemos no processo de aquisição da linguagem, por isso se torna mais fácil aprender novas línguas. Isso não quer dizer que seja impossível aprender uma nova língua depois que saímos da puberdade; há pessoas que nascem com maior facilidade para aprender novas línguas, mas, mesmo para os "cabeça duras", esta não é uma tarefa impossível.



Quando aprendemos uma língua nova, temos que aprender, ao mesmo tempo, quatro coisas:

_ Vocabulário novo;
_ Gramática nova;
_ Pronúncia nova;
_  Dependendo da língua, caracteres novos.


O vocabulário, obviamente, vai ser totalmente desconhecido, a não ser por algumas palavras ou sentenças que podem estra disseminadas em nossa própria língua. Como não conhecemos nem mesmo todo o vocabulário de nossa língua materna, a dificuldade de se acumular um arsenal palavrórico que nos permita comunicar leva tempo e dedicação.


Uma das maiores dificuldades é o conhecimento da gramática. Em algumas línguas existem diferentes flexões e declinações, assim como a ordem estrutural é modificada, coisas que só podem ser apreendidas também através do tempo e da dedicação.


Além de sons que talvez nunca tenhamos ouvido e que dificilmente saberemos pronunciar como os falantes nativos, ainda temos que aprender qual som cada letra de nosso alfabeto vai assumir em cada língua. Como adivinhar, por exemplo, que o "J" em espanhol vai assumir o som de nosso "R" aspirado do início das palavras, e que o "H" vai ter o mesmo som em inglês e hindi? Como saber que o "R" sempre será pronunciado como o tepe de baRata em hindi, mesmo no início da palavra e que em inglés nem existe esse som? E por que diacho em francês Je parle (párle), Tu parles (párle), Il/Elle parle (párle), Vous parlez (parlê), Ils/Elles parlent (párle)  se escreve diferente mas a pronúncia é praticamente a mesma? 

Bem, imagine então que você vai aprender japonês, chinês, ou alguma outra língua que não seja alfabética e os símbolos são totalmente alienígenas pra você! Haja amor nesta empreitada! Sem falar que a ordem da leitura pode variar tornando tudo muito mais árduo.

São características particulares de cada língua que deveriam ser expostos e explicados desde o início da aprendizagem da língua; alguns métodos excluem da sala de aula o idioma  materno, o aluno tem que deduzir, sentir, osmosear o idioma novo, tornando tudo mais difícil e às vezes cometendo erros. Detalhes que não nos são familiares e facilmente deduzíveis devem ser claramente explicitados, isso economizaria tempo e neurônios.

Não disse tudo isso para desanimar os pretendes à corte das línguas, ao contrário! É um desafio maravilhoso e gratificante. Não, eu não sei falar outras línguas, sou apenas uma apaixonada pelas humanidades. Mas um dia, se Deus quiser, vencerei os desafios e estarei apta a me comunicar de uma maneira que nunca havia imaginado.



quinta-feira, 10 de novembro de 2011

Coisas estranhas e gostosas de se fazer



_  Pisar em um fandangos ou em uma pitanga;
_ Tirar plástico da capa de um livro ou caderno;
_ Apertar bolinhas de ar daqueles plásticos que servem para proteger os equipamentos;
_ Acabar de quebrar alguma coisa que está na lasca;
_ Morder qualquer coisa que não seja comestível, como ponta de escova de dentes  ou tampa de caneta;
_ Comer comida com banana e café, Danoninho com chocolate ou feijão com catchup;
_ Apertar barro até sair entre os dedos;
_ Fazer  bolinhas passando sabão na mão e fazendo aro com os dedos na hora do banho;
_ Jogar bolinhas de papel no cesto de lixo, à distância;
_ Tirar meleca seca do nariz, fazer uma bolota e jogar ao além.

terça-feira, 8 de novembro de 2011

Realizando sonhos


Não diga que gostaria de realizar um sonho, nunca diga que seria maravilhosos se algo acontecesse, não encare os seus sonhos como sonhos, ou estes nunca deixarão de sê-lo. Pare de sonhar e sinta os seus sonhos, não como desejos distantes, mas como acontecimentos reais que certamente virão. Não fixe em sua mente que algo é muito difícil, que o tempo é pouco, que as condições atuais nunca lhe proporcionarão o que deseja, não! Apenas caminhe olhando fixamente para o que irá conseguir, imagine o momento em que tocará os seus sonhos.

A primeira coisa a se fazer é definir o seu objetivo. Quem não possui uma meta bem definida despende energias em coisas inúteis e corre o perigo de percorrer caminhos sem volta. Saiba quais os seus sonhos, saiba qual o seu maior desejo e vá em busca dele!

Uma vez definido o seu desejo, o caminho a seguir começará a ser definido. Se realmente deseja, precisa provar, sendo persistente e forte. Não vá por atalhos mais fáceis ou se contente com caminhos que não o levará ao seu objetivo. Não desperdice os seus preciosos momentos, um minuto a se percorrer parece distante, mas depois de percorrido se torna um segundo, se não, um ano perdido.

Sinta prazer na caminhada. Sinta prazer com o seu sonho. Sinta como se já o tivesse alcançado. Sinta como se já estivesse lá, mas saiba que ainda não está, até que realmente esteja, ou seja, planeje confiante, mas não dispenda delirante.

Acredite que Deus, universo, forças cósmicas, as energias de que tudo é feito e que nos liga a todos realmente vão lhe ajudar se você crer e confiar. Confie no que você quer. Confie que você é capaz de alcançar. Caminhe para isso que chegará. Lute, planeje, caminhe e tenha fé e verá que o sonho deixará de ser apenas sonho. 

quarta-feira, 2 de novembro de 2011

Veer Zaara - uma das mais lindas histórias de amor

Todos os meus amigos já sabem que sou apaixonada pela Índia, então não poderia deixar de postar aqui um clipe de um dos mais lindos filmes de amor que já assisti; para os cinéfilos da nossa cultura ocidental, acostumados aos filmes Hollywoodianos com muita ação e velocidade, e para os que não estão muito familiarizados com a cultura indiana, para estes, o filme poderá parecer cansativo, lento, mas eu garanto que quem se mantiver na cadeira vai se emocionar e chorar rios  com essa linda história de amor que venceu tempo e diferenças culturais.

A seguir, a cena mais linda: Veer e Zaara se encontram após longos anos, já na velhice, depois de terem aberto mão de suas próprias vidas um pelo outro.


Se você se interessou pelo filme, pode baixar aqui. Os créditos são da Comunidades do orkut Quero cinema Indiano no Brasil. Participe também da Comunidade Filmes indianos no Brasil, já!

Beijos e enjoy!

segunda-feira, 17 de outubro de 2011

Conto V - Doce ilusão

Este conto foi um pedido de minha amiga Andréia, ela gostaria de ler uma história sobre uma jovem sonhadora e um amor improvável vivido pela Internet.

Era tão menina quando se casou, com a sua barriguinha guardando um anjinho  e um sorriso doce nos lábios, imaginando viver um grande amor... Aos 15 anos, Márcia acreditava em contos de fadas e príncipes encantados, e em Marcelo encontrou a imagem do cavaleiro destemido, pronto para salvá-las do dragão da solidão. Os anos correram depressa e a verdade insistiu em ir destruindo lentamente todos aqueles ideais,seu príncipe se mostrou como sempre fora: um homem comum e medíocre. Marcelo não tinha nada de especial, não era engraçado, não gostava de conversar, suas distrações se resumiam em futebol, TV e cerveja com os amigos, mas para Márcia isso era tão pequeno, tão pouco, tão desprovido de  dignidade, que ela foi perdendo totalmente o interesse em viver ao lado daquela pasmaceira. 

A filha foi crescendo e a vida não encontrou muitas variações, apenas trabalho e melancolia, nenhuma emoção, nenhum romance. A Internet era o lugar onde ela podia se libertar, encontrar pessoas de mundos diferentes, saber de coisas que nunca imaginara, ver, viver. Foi lá que, numa noite de futebol, encontrou uma pessoa que mudaria o seu modo de sonhar, um egípcio lindo, jovem, com deliciosos olhos adornados por grossas sobrancelhas. Com poucas conversas ele já exigia dela atenção e carinho especiais, estava sempre a espera dela, sempre tinha lindas palavras para consolar-lhe na noite solitária, sempre tinha prazer em ouví-la. Ele a fazia sentir especial e fazia com que ela vislumbrasse outras vidas, outros lugares. Não demorou muito para que os dois se declarassem e jurassem amor eterno, mas se a vida fosse tão fácil, não seria tão emocionante! Ela era casada e ele era muçulmano.

O tempo foi passando e o casamento, as mentiras, se tornaram insuportáveis. Márcia chamou o marido para conversarem e disse que precisava de um tempo, afinal, havia se casado muito nova e não estava certa de que era mesmo aquilo o que queria. O marido sofreu, pediu, mas no final entendeu o lado da esposa, ou fez que entendeu. talvez também quisesse provar algo para si mesmo, ou experimentar um pouco do que que a esposa sugerira. O fato é que ele saiu de casa e deixou a mulher e sua filha de 5 anos.

Márcia estava totalmente apaixonada por Hytham, era o amor que tanto esperava, que tanto sonhara! Ele era totalmente romântico, atencioso, engraçado, lhe dava atenção e a fazia sentir especial, única. Ela era chamada de "minha vida" e sabia que aquele amor seria eterno.

No mês do dia dos namorados, Márcia quis fazer uma surpresa para Hytham, comprou uma aliança com o nome dela gravado, uma cueca vermelha para representar o amor dos dois e mandou para o endereço que ele havia lhe dado. O presente havia lhe custado os olhos da cara, mas o que era a visão comparada a um grande amor? 

Márcia sabia que ele era muçulmano e que seria muito difícil que a família dele a aceitassem, mas ele lhe dava tanta segurança que ela não duvidou por nenhum segundo de que tudo acabaria bem. Na noite em que enviou os presentes, não conseguiu se segurar e contou sobre a surpresa que havia enviado para a casa dele; ela falou pela tela do computador:

_Hytham, meu amor, no dia dos namorados você vai receber uma surpresa em sua casa.

O egipicio não soube disfarçar a sua expressão de susto, pavor, ou seja lá que diacho era aquela expressão escabrosa, mas Márcia logo notou que o que fizera não tinha sido recebido de bom grado. O rosto dele fez com que milhões de sinos tocassem em sua cabeça e, de repente, ela conseguiu ver algo que não havia conseguido ver em 8 meses de convivência. Ele, finalmente disse:

_Você está louca? Como eu vou explicar isso pra minha família? Você sabe que eles não sabem de você, e se eles souberem da sua situação....

Márcia ficou sem mundo, ficou sem vida, sem futuro, perdeu tudo em um instante. Percebeu que tudo o que vivera até ali tinha sido construído em areia na beira do mar; seu castelo tombara e ela não tinha mais material para reconstruir. Ela queria morrer. Aquele homem nunca pensou nela dentro da vida real dele, nunca a escolheria para esposa, nunca a levaria para a sua família; para ele, Márcia não passava de um passa-tempo muito divertido, uma estrangeira com quem teria grandes historias para contar, ou para esconder.

A menina ficou deprimida por um mês, não saiu de casa, não trabalhou, definhou e quase morreu de verdade. O marido não sabia o que estava acontecendo com a esposa, pensou que tinha alguma doença desconhecida, algum mal, mas ficou ao seu lado até que ela voltasse a olhar para alguma direção que não para o além. Um dia ela saiu da letargia e decidiu que ia viver no mundo real e que a felicidade não é fantástica, que pode ser conseguida na simplicidade do dia-dia, com alguém que gosta de futebol e de cerveja. Ao menos tentou sentir tudo isso e aceitou que seu marido voltasse.

A vida estava caminhando e Márcia estava realmente se esforçando em fazer com que o seu casamento fosse tolerável, apesar da dificuldade que um sonhador encontra em viver na mediocridade. Um dia, a sogra foi até a sua casa para aconselhar-lhe e ver como andavam as coisas naquele casório. Márcia a recebeu muito bem,e as duas foram tomar café na varanda quando um carteiro chegou com um embrulho chamando por Márcia. Quando Márcia olhou aquele pacote nas mãos daquele  inoportuno trabalhador, sentiu as faces como em pimenta e sua mente mergulhou em viscosa confusão. Ela respondeu rapidamente:


_Sou eu, sou eu!

Assinou os papéis e saiu correndo com o pacote  para dentro de casa. A sogra tinha visto que era um pacote com dizeres estranhos e perguntou, mas Márcia despistou:

_Não, Dona Filipina, isso aqui é de uma amiga minha lá do Egito que pediu pra  entregar pro namorado dela, espera aí que vou guardar!

Márcia abriu o pacote dentro de casa, pegou aquela cueca vermelha e enfiou na lixeira da vizinha pela janela da cozinha. O anel, teve que jogar na privada e dar descarga, com muito pesar pelo dinheiro gasto. Aquela cueca tão linda, na lixeira da vizinha! Tomara que o marido dela não veja aquilo... E o anel, com o meu nome escrito, como fui ridícula e idiota! Márcia pensava tudo isso enquanto a água levava embora a prova de sua burrice e ingenuidade.

Se a sogra desconfiou, ela não sabia. O olhar daquela mulher era indecifrável, como o da Esfinge! O fato é que tudo o que ela havia mandado voltara. Ela não sabia se ele devolvera, se se mudara, se o endereço informado nunca existira, mas o vazio dentro de seu coração  se tornou maior. Como uma pessoa pode se enganar tanto? 

Hytham foi o seu príncipe, mas Marcelo era o seu marido. Dormia com Marcelo, mas sonhava com o seu príncipe. Dormia com seu príncipe e acordava com Marcelo. E assim suportou a mediocridade de sua vida.

sexta-feira, 7 de outubro de 2011

Protestinho

Eu fui na "onda" do Google Adsense e me inscrevi nessa tal monetização do blog e eis que todas as figuras que haviam, inclusive as minhas, foram transformadas em figuras pretas com um ponto de exclamação, até mesmo as minhas originais. Entendo que não posso monetizar com propriedade alheia, mas agora tenho que ficar editando as postagens antigas e retirando todas as figuras, resultado: O meu blog ficou pelado e seco.  Sem falar na dificuldade de editar um por um, por causa disto, os eventuais leitores não estranhem quando se depararem com este ponto de exclamação. Nem sei se quero monetizar com esse blog, e acho que quem cai aqui de para-quedas também não está a fim de clicar nestes anúncios, e o objetivo deste blog nada é além de ser um local de desague para o meu cérebro e coração. Falei.

Conto I_ As janelas do destino


É com muito prazer que venho dizer o meu primeiro conto da série "Um conto por meio conto"! Este foi a pedido de Cláudia Faria e a sua temática é sobre algo que vem acontecendo muito , aliás, sempre aconteceu desde que existe gente neste planeta, mas penso que vem sendo mais constante com o advento da internet:

"amor distante, mesmo perto, ao menos da alma; conflito amoroso, proibida e preconceituosa historia de amor "

Ele nunca imaginou que aquela noite inicialmente entediante, poderia mudar a sua vida... Muitas páginas foram visitadas na internet, sites de relacionamentos foram exaustivamente pesquisados  embora sempre que abertos mostrassem as mesmíssimas atualizações dos não diferentes amigos. Um anúncio lhe chamou a atenção e ele resolveu entrar em um novo site de bate-papo, tentar preencher o vazio que lhe destroçava o peito e a noite de sono.

Depois de tres conversas mais entediantes que a noite, resolveu que aquela seria a ultima tentativa e que depois daquela iria, finalmente para o seu leito. O apelido lhe chamou a atenção: "Feia mas doce". O papo começou como todos os outros: "Oi", "de onde tecla", "O que desejas", mas logo ele notou que havia algo de diferente na feia, ela realmente era doce. O papo foi tão divertido e agradável, girou em torno de comida, historias de tempos de escolas até filosofia sobre a existência; o dia já começava a dar os seus primeiros sinais, mas eles não queriam se deixar, não queriam dizer "adeus", não queriam se perder... A surpresa maior foi descobrir que eram da mesma cidade, então Adalberto pediu logo o e-mail e o telefone, para que nunca mais se perdessem...


Os dia foram se passando e a cada conversa os dois percebiam que havia algo a mais naquela relação, um entendimento, um sintonia, um prazer inquestionável. Ele poderiam passar horas conversando sem que se dessem conta de que a noite se fora e sem que houvesse algum minuto de tédio; as despedidas eram intermináveis. 


Cristine se sentia livre com Adalberto e ele podia ser ele mesmo, sem máscaras, ou quase. Apesar de toda aquela sintonia havia no ar um sentimento estranho, como quando sabemos que algo está debaixo do tapete, mas não queremos levantá-lo pra olhar; poderia ser poeira, mas poderia ser algum animal peçonhento, e as vezes é melhor fingir e sonhar que nada está lá para não levarmos uma picada conscientemente. Esse sentimento estava presente no ar, mas nenhum dos dois sabia ou queria saber, queriam apenas fingir que aquele era o mundo real, o único mundo.


Era amor! Amor de idéias, de almas, de ideais, não de corpos, ainda. E amor não vem mais de ideais que de realidade? Não sei. Mas os dois sabiam que se amavam e precisavam dizer o que lhes sufocavam, antes que a dor os consumissem.


Em uma noite fria e chuvosa os corações estavam agitados e as frases pontuadas por insistentes e longas reticencias. Sentiam que a hora era aquela e não queria adiar mais nada, assim como também temiam perder o tesouro que conquistaram naqueles meses. Cristine, finalmente, teve coragem e digitou a seguinte frase:


_Dada, eu tenho uma coisa pra te contar...


Esperou com o coração saltitante, até que embaixo da janela do conversador instantâneo  pudesse ver: Adalberto está digitando. Finalmente veio a resposta:


_  Eu também tenho....


Naquele momento os dois não sabiam se se sentiam aliviados ou enganados, os sentimentos eram confusos, mesclas de raiva, medo, ansiedade. Eles nunca suaram tão frio e o silêncio do teclado nunca parece tão longo... Adalberto disse:


_   Primeiro as damas.


Cristine pensou, Covarde! Mas não era mais hora de adiar mais nada,  de uma vez só disse:


_ Quando eu te conheci naquela sala de bate-papo eu não poderia imaginar que você seria essa pessoa tão especial que é hoje e sinto que daria a minha vida por você e que também não sei mais viver sem você... Em todos os meus sonhos nós nos encontramos, e é sempre o momento mais feliz de minha vida...Mas você precisa saber que esse sonho será muito difícil de ser realizado e não sei se você vai querer falar comigo depois de saber...Mas não posso mais esconder...Eu...Sou casada.


Silêncio devastador. Nenhuma palavra na tela. Cristine pensou que agora estava tudo acabado e que nunca mais ele teria confiança nela ou lhe daria o mesmo valor. Os seus olhos estavam embaçados de lágrimas, ela suava e não conseguia se conter na cadeira, até que finalmente ele disse:


_  Eu não posso andar.


_  O quê? como assim?


_  Eu sou deficiente físico, vivo numa cadeira de rodas e dependo de minha família...


Nunca houve tanta dor! O que pesava mais naquele momento, era difícil de se dizer. Cristine estava atordoada, não conseguia pensar, não conseguia aceitar. Parecia que tudo era uma brincadeira que ele estava inventando só para que ela se sentisse melhor, como sempre fazia, mas não era... O amor poderia suportar a tantas artimanhas? Algum dia eles estariam preparados para enfrentarem as conseqüências de um sentimento em tais circunstâncias? Cristine estaria preparada para dar a Adalberto o que ele precisava? Adalberto estaria disposto a enfrentar a familia e a sociedade? Será que o amor é mais forte que  tudo e os nossos próprios preconceitos?


Cristine disse que precisava pensar e que era para que ele pensasse também. Os dois disseram adeus, talvez pela última ou primeira vez no resto de suas vidas. Do lado de cada um, a vida real seguia.

Conto II - Ninguém perde por notar


Essa sugestão veio do meu amigo português Zé de Oliveira:


Um conto sobre alguem que tinha um potencial enorme, e que podia fazer toda a diferença
mas ninguém o levou a sério e todo o mundo perdeu com isso.

O pai estava sempre gritando com o menino, mas o tempo era curto, 12 horas no trabalho, mestrado e o escambal, como poderia sobrar tempo para ter paciência e prestar atenção ao filho? Era preciso saber mais, trabalhar mais para ter mais, para dar coisas ao filho e ensiná-lo como deveria ser um homem. Mas Julio não queria saber de gastar suas preciosas horas  em coisas tão enfadonhas como nas que o pai gastava, ele preferia inventar histórias e coisas, o que era muito mais proveitoso, divertido e dava mais sentido à uma vida pequenina.

Em uma noite igual a todas as outras, o pai chegou e em suas fuças estava escrito "Stress". Julio já estava acostumado àquelas letras e não deu importância, continuou montando a sua nave espacial de papelão e embalagens de produtos. Aquela invenção foi a mais legal que ele já tinha feito, era tudo bem calculado, bem cortado, bem montado, ele estava orgulhoso de si mesmo. Estava tão bom que o pai notaria, com certeza! Colocou a geringonça na mesa de centro da sala a espera do "Stress" e ficou sentadinho no sofá, aguardando os comentários. Ele sabia que o pai era seco e não tinha jeito com essas coisas de palavras agradáveis, mas teve esperança diante de um trabalho tão bem executado. O pai pensava que ele era meio doido, atrasado, por que vivia pensando em suas próprias coisas e se esquecia dos outros lá fora; também os colegas e o resto do mundo o apelidaram de burro, bobo, "Et' e coisas não muito animadoras, que cortavam seus brios...Mas agora ele ia mostrar que sabia fazer alguma coisa legal.

O pai chegou, jogou a pasta sobre um sofá e se recostou no outro. Pegou o controle remoto e foi saracoteando pelos canais da TV enquanto descansava o corpo para o próximo Round. Júlio ficou ansioso olhando para o pai, imóvel, só os pezinhos tremiam. Será que o pai não veria? O pai nem via que ele estava alí, sentado, nunca viu, isso não fazia mais diferença....Mas a nave ele tinha que ver, não era possível!


De repente, o pai se sentou no sofá e olhou para a mesa de centro, o coração do pequeno Júlio se acelerou e um pequeno sorriso se esboçou no canto de seus lábios. O pai passou a mão sobre a mesa e jogou todo o trabalho do menino para o chão, dizendo?

_Que bagunça, Júlio! Tire essa zona daqui que eu tenho que trabalhar!

Colocou o notebook na mesa e começou a digitar.

Aos 15 anos Júlio saiu de casa, foi morar com amigos. Não deixou bilhete, nem carta, nem e-mail, nem nada... Estava certo de que ninguém sentiria a sua falta, já que ele era um bobo inútil.

Aos 30 anos Júlio se tornou um importante empresário com várias invenções patenteadas. Seu pai não estava lá para ver, aliás, nunca mais vira o filho e se lamentou por não ter olhado para ele naqueles 15 anos. Mas aquelas letras estavam lá, e a maneira de viver do pai também, todos escritos na testa de quem aprendeu muito bem a lição.

Conto III - Tanto amor pode matar


Este tema foi sugerido por Kelly, ela gostaria de ver um conto sobre drogas. Pra você, amiga!

É difícil saber onde erramos na educação de um filho, onde amamos de mais ou de menos, onde o sal foi mais abundante que o açúcar e por que certas escolhas foram feitas, mas o mais difícil é enfrentar aquele momento onde o nosso querido e amado bebê se transforma em uma pessoa desconhecida, em um agressor capaz de tudo para satisfazer as suas insatisfações. Tantas perguntas e acusações foram trocados entre os pais de Nataniel mas nenhuma resposta era satisfatória ou poderia resolver o grande problemas que se instalou naquele lar há alguns meses.

Nataniel sempre teve tudo o que quis, os melhores brinquedos, as melhores roupas, a melhor educação, mas Marly e Renato nunca foram fortes o bastantes para dizer o que não queriam ver, nunca foram claros com as suas regras, nem mesmo as tinham delimitadas dentro de sua casa. Só queriam dar amor incondicional ao seu único filho, tanto amor que ele se sentiu poderoso, como o próprio príncipe Willian. As dúvidas só surgiram no primeiro embate com a mãe, dia triste e negro quando Nataniel entrou feito louco a procura de dinheiro, ameaçando Marly com uma estatueta de metal. A dor que aquela mãe sentiu naquele momento é incomparável a  outra dor ordinária, ela viu naqueles olhos um marginal, um monstro, um desconhecido que tinha ódio e seria capaz de matá-la; aquele não era Nataniel, aquele não era seu filho.

Muitas brigas se sucederam àquela primeira e muito dinheiro foi consumido, além das coisas que Nataniel pode carregar para acalmar os sustentadores de seu vício. Muito sofrimento e desejo de morte invadiram os anseios daqueles pais, que não tinham mais alegria ou esperança de que seu filho pudesse se recuperar. Quando pensaram que nada pior poderia acontecer, receberam a visita de alguns traficantes que queriam cobrar uma enorme dívida que Nataniel fez em nome da coca. Foram amarrados, ameaçados e avisados de que seu filho seria morto em breve se não conseguisse o dinheiro que lhes devia. Após muita tortura psicológica os bandidos deixaram o lugar  e se despediram usando o corpo de Marly e espancando o pobre e indefeso Renato, que não sentiu mais dor do que a que experimentou ao presenciar o abuso sofrido por sua mulher. Depois deste fato juntaram todo o dinheiro que tinham e compraram uma arma para quando aqueles marginais voltassem e tentassem surpreendê-los.

Após alguns dias Nataniel apareceu transtornado dizendo que seria  morto por "Kabeção" e que não teria mais um dia de vida, procurou pela casa algum bem que pudesse salvar a sua vida miserável, destruindo o pouco que ainda restava de dignidade naquele lar. Nada encontrou e ordenou ao pai que fizesse um empréstimo, pois naquela noite Kabeção viria cobrar a sua dívida. Renato não tinha mais nada a perder e decidiu ir até o banco fazer o tal empréstimo. Nataniel fez as "suas malas" enquanto o pai estava fora e se foi. À noite o pai e a mãe foram para o quarto e trancaram a porta, alertas quanto a uma possível visita. Os dois se abraçaram como  há muito não faziam e esperaram pela noite a dentro. Nada  mais importava, se a morte viesse e os levasse, se o mundo alí se acabasse, queriam apenas ter a paz de volta. 

Tarde da noite ouviram alguns ruídos, Renato se levantou ligeira e silenciosamente e pegou a arma que havia comprado, seguiu para a sala onde ficava o cofre. Não se importava com mais nada, queria acabar com aquilo, mesmo que isso significasse acabar consigo mesmo. Chegando na porta viu alguém tentanto abrir o cofre, tremendo apontou para o invasor e deu três tiros certeiros gritando: _Morre desgraçado, me deixa em paz, morre!!! O invasor tombou e o pai reconheceu na penumbra os olhos do antigo e indefeso Nataniel, que cospia sangue e deixava sua alma se esvair lentamente: _ Pai...

A dor daquele pai se acabou naquela hora, por que sabia que iria se encontrar com Nataniel em outro lugar, melhor que este. Foi ao encontro de seu filho e deixou viúva uma mãe que se refugiou na loucura de suas lembranças, amortecendo as suas dores em uma realidade buscada de outros tempos, onde os três formavam uma família feliz e com um futuro radiante.

Conto IV - Os bons morrem jovens


Este tema foi sugerido por meu amigo Gustavo, o Guga. Ele queria uma história sobre um político honesto. Aqui vai! 

Quando os amiguinhos brigavam por alguma questão, Gustavo sempre tentava pesar os dois lados, ponderando, dando razão a quem achava que devia, buscava sempre a verdade justiceira, tanto que às vezes era difícil decifrar de que lado ele estava. Na verdade não estava de lado nenhum, ou melhor, estava do lado de todos, dos rejeitados e desvalidos. Aos 25 anos colocou na cabeça que queria ser vereador, iria contribuir para acabar com a sujeira que havia no governo de sua cidade, criaria leis para que houvesse maior transparência nas contas públicas, ajudaria aos mais necessitados, faria tudo o que ele sabe que se é possível fazer, mas ninguém faz.

Venceu as eleições graças aos votos das eleitoras, pois, neste mundo, aparência conta até no momento em que estamos decidindo o futuro de uma cidade. Ele não quis acreditar que este fosse o motivo de sua vitória, mas sim os ideais de sua campanha. Realmente, o entusiasmo de seus discursos contribuíram um pouco, mas não foram os fatores decisivos.

Tomou posse com a maleta lotada de projetos maravilhosos, ideais nobilíssimos e muita vontade de mudar o mundo, mas o cenário que encontrou não fora um dos mais agradáveis... A sujeira estava tão entranhada ao cotidiano daquela gente, que qualquer um se covenceria de que errado seria não participar de tais práticas fétidas. Gustavo percebeu que o pior problema estava com o povo. Este povo não sabia sequer qual  era a função dos governantes que elegeram, suas mentes ainda viviam no tempo do coronelismo e se deixavam comprar por botijões de gás, transporte para realização de consultas em outras cidades, cestas básicas. Para eles, um vereador seria uma espécie de agente social, com a função de realizar tarefas pequenas e individuais, gastando parte das verbas públicas com tais ajudas pontuais. A maioria deles gastava a maior parte de seu tempo realizando essas tarefas, encaminhando pessoas necessitadas até os setores de assistência social e se beneficiando da ideia de que eles resolveram pequenos problemas. A população ficava agradecida e pensava que estes políticos eram "bonzinhos", por que se dispuseram a ajudá-la. Porém, os projetos, as leis, as ações que poderiam ser realizados para melhorar a vida da população como um todo e definitivamente nunca faziam parte de suas ocupações. Vez em quando, algum vereador roubava um projetinho dos noticiários da TV, que abordava algum problema em voga, para dizer que se preocupava com crianças na escola, com a merenda, com o bullying, e por aí vai.

Gustavo bem que tentou durante um ano e meio lançar seus projetos, mas nunca conseguia apoio dos outros vereadores e muito menos da população preguiçosa que achava tudo chato e perda de tempo. Ele teve raiva do governo que não inseria no programa educacional algum tipo de disciplina que ensinasse sobre os direitos, os deveres, sobre as funções dos políticos, mas teve mais raiva ainda do povo comodista que se contentava com um cobertor ralo no tempo do frio e gastava suas esmolas com bebidas e similares, enquanto seus filhos se prostituíam e se drogavam sem que isso causasse indignação a alguém, muito menos acarretasse alguma atitude do governo. Começou a achar que nem sempre , quem precisava merecia alguma ajuda e que a podridão nunca ia ter fim, nunca ia ter conserto, um círculo sem fim. Cansou-se de dar murros em ponta de faca e decidiu se juntar aos "bons".

Sem mais ideais e esperanças, subiu na carreira política e viajou para o Egito, o seu grande sonho. Enriqueceu e achou que merecia, por que via o que o povo não via, e que se danasse o povo! Deus quis assim e os homens querem assim, então, por que não aproveitar os louros de sua vitória?

Aprendeu a agradar uns e outros e a subir cada vez mais. Algumas vezes parava e ria-se de seus antigos ideais, mas no fim de seu sorriso sarcástico, uma gota de melancolia queria pular e se expor para o mundo cruel.

sexta-feira, 9 de setembro de 2011

Serei feliz


Serei feliz
Quando a felicidade e a dor se forem,
Quando restar mais nada,
Quando adormecer.

Serei feliz
Quando não mais a urgencia das dores,
E ambos tornarem-se cada,
Quando não mais crer.

Serei feliz
Quando não existirem amores,
Quando a terra for arrasada 
E a última flor morrer.

Serei feliz
Só quando feliz, tu fores
E eu, com a alma penada,
Voltarei a viver.

segunda-feira, 5 de setembro de 2011

Motivo


Não, pelos oceanos
Que a  imensidão desconhecida
Desconsola e consola,
Não é por causa do mar;

Não por dormires enquanto sonho,
Ou por andares enquanto adormeço
E dormindo acordo
Sonhando ao despertar;

Não pelo seu dizer peculiar,
Seu universo de palavras
Paralelo ao meu,
Mas se encontrando em um só lugar;

Não por teus Deuses diversos,
Quando Deuses não tenho,
E assim mesmo, juntos, quedamos
Levantando o mesmo olhar;

Não por que vimos mundos distintos,
E quando engatinhavas eu caminhava,
Ou por que termino e tu começas
Não por que hei de passar...

Não!

É por que dos meus sonhos, não compartilhais,
Pelo que espero, não esperais,
É por que te resignas,
Por que não és capaz de lutar.

quinta-feira, 25 de agosto de 2011

Ouro Preto: Campeã da bebedeira e da linguiça!


Há alguns anos atrás o Globo Repórter mostrou uma reportagem sobre os hábitos alimentares no Brasil e Ouro Preto se destacou na época pela alimentação oferecida pelas escolas municipais aos seus alunos. Muita coisa mudou desde então, mas ainda me recordo de um dado interessantíssimo que falava sobre o consumo da linguiça: Os ouropretanos são os maiores consumidores do produto, se me lembro bem, em relação a todo o Brasil! Hábito não muito saudável, pois todos sabemos do alto teor de gordura do produto. Lembrei-me também de uma pesquisa da qual fui selecionada para participar num período de dez anos ou mais, "Corações de Ouro Preto"; fiz exames de sangue pela universidade e nunca mais entraram em contato, não sei que fim levou tal pesquisa.

Outro título que recebemos recentemente foi o de possuir a universidade federal onde mais se consome alcool e tabaco. A fama de farrista de nossa cidade é conhecida de longa data, assim como inúmeros casos desagradáveis envolvendo drogas lícitas e ilícitas, com finais trágicos. O mais recente caso é o da Aline, que foi assassinada numa "Festa do doze", tradicional festa que acontece em 12 de Outubro em celebração ao aniversário da Escola de Minas. Bem, também é de conhecimento de muitos os trotes que aconteciam  em repúblicas estudantis, quando calouros eram obrigados a ingerir enormes quantidades de álcool até perderem os sentidos; essas práticas e muitas outras, algumas vezes, não tiveram um desfecho feliz.

Ouro Preto é uma cidade mineira, e como a maioria das cidades mineiras, é cercada por montanhas que limitam a nossa visão e nos deixam um certo sentimento de reclusão. O que a maioria alega é que faltam opção de lazer e citam a falta de praias, como se praia fosse sinônimo de opção de lazer que tira as pessoas do hábito de usar álcool. Se em Minas tivesse mar, tenho certeza de que os mineiros ficariam na praia regados à cerveja. É uma questão cultural que está enraizada em nossa gente. Quantos lares ouropretanos foram destruídos pelo álcool? Quantas pessoas sofreram traumas irreversíveis trazidos por este hábito cultivado como normal e necessário para que haja divertimento? Sem álcool, não existe diversão.

É triste ver que alguns alunos ainda festejaram o título recebido pela universidade, é triste ver como as pessoas banalizam as relações e as prioridades, e quais os parâmetros são usados para se medir a diversão, felicidade... É triste ver que para que as pessoas se sintam bem, elas precisam estar se embebedando o tempo todo... É triste ganhar este título, mas o mais triste é que as pessoas não vêem a importância do que se foi dito.

É, ao menos a linguiça prejudica diretamente apenas a quem a ingere... Viva a linguiça!

Solidão - Mal do século XXI


Nos livros de histórias aprendi sobre os males que a revolução industrial trouxe para as nossas vidas, como o fato de que a maioria das pessoas realizavam trabalhos duríssimos de até 18 horas diárias, restando tempo apenas para as refeições precárias e o sono escasso. Até mesmo as crianças levavam essa vida penosa e a existência se resumia em produzir algo para que se pudessem alimentar a si mesmos e aos seus dependentes.  Lembro-me também da "Idade das Trevas", quando as pessoas viviam de uma maneira não muito diferente, trabalhando, servindo, usando os seus corpos e deixando suas mentes aniquiladas,  relegadas ao limbo.  Penso na história que conheço, e que é tão pouco ainda para que eu possa compreender minimamente o funcionamento do cérebro humano, para que eu possa entender sobre essa busca sem fim, e vejo um círculo.Círculo feito sem compasso, às vezes com quinas, mas que sempre volta ao seu ponto original, sem que saibamos o objetivo de tudo isso, de todo esse pandemônio. Que diacho é isso tudo?

Que maravilha! Quem diria que no século XXI, tanta modernidade traria também um novo tipo de escravidão? Somos escravos. Somos solitários, egocêntricos e egoístas. Não temos tempo, não sentimos o tempo, queremos comprar o tempo,queremos fazer tudo ao mesmo tempo, queremos ser e ter tudo. Há como? Não.  Qual o resultado dessa busca? A solidão.
Charlie Chaplin, meu amigo, tu tinhas razão! "Não somos máquinas, homens é que somos", somos pessoas, somos vivos, funcionamos a base de hormonios, pensamentos, sentimentos, precisamos de muito mais que coisas. Porém, tudo se "coisificou", os nossos sonhos, desejos, aspirações se tornaram coisas. Um celular, um carro, uma casa, um notebook, coisas nos definem, nos relacionamos através delas, com elas e por elas. O outro não nos importa, suas dores, seus problemas não nos pertencem, não temos tempos para tais chateações, e há muitos outros no mundo que precisam de nossa atenção, como aqueles com os quais nunca conversaremos ao vivo, nunca olharemos nos olhos. Temos que estudar sempre, temos que trabalhar mais e mais, temos que nos qualificar, viajar, saber mais e mais, ter relações relâmpagos para desestressar e continuar a vida até o fim, sem parar, até que...Ate que nos tornemos coisas para os outros.

Não há mais criadores, gênios, pensadores, não há mais nada além do pessimismo, do tédio e da depressão. Não há o tempo para que a criação e a reflexão aconteça, precisamos produzir. Não há tempo para se perder sendo gente, não há tempo para se perder ficando consigo mesmo ou com quem deveríamos amar, não há tempo!  Quando tivermos tempo, não estaremos prontos, estaremos segurando coisas mas com as mãos vazias, e não teremos mais tempo para amar ou para escrever lindas histórias de vida...




quinta-feira, 18 de agosto de 2011

Medo de ser ridículo,
Medo de parecer fraco,
Indefeso,
Desarmado.
Medo de cair do cavalo,
Medo deser marmota,
de se rasteijar,
Ser motivo de xacota.
Medo de se tornar perdedor
Medo de ser sonhador,
De errar

quinta-feira, 21 de julho de 2011

Amor virtual - cuidados


O mundo evoluiu, seja lá o que se possa entender por "evolução", mas a verdade é que a "modernidade" trouxe algumas consequencias comportamentais algumas delas são o isolamento e o afastamento do convívio social. Precisamos ter pressa, trabalhar, estudar e cuidar da família, o que nos deixa com pouco tempo e paciência para devotar aos relacionamentos, mas o fato é que o ser humano pode nascer só (excluindo os gêmeos), mas para ele é muito difícil viver só. Precisamos de carinho, de atenção, de nos sentirmos importantes e únicos para alguém que consideremos especial, essa foi a mágica que Deus colocou nos seres  humanos. Como suprir nossas necessidades com tão pouco tempo e disposição? Internet!

Internet é o universo dentro de uma tela! Tudo o que se imaginar, todas as informações, conhecimento, se você for um bom pesquisador, podem ser encontrados na rede. Isso é maravilhoso, mas não é o que as pessoas passam mais tempo procurando. Aqui na internet, como em qualquer outro lugar, as pessoas querem sentir e se sentirem.

De repente, em um site de relacionamento ou sala de bate-papo qualquer, uma alma lhe chama a atenção e você passa a dedicar boa parte de sua vida neste convívio virtual, e quando percebe, aquela pessoa já está mais entranhada em sua vida que qualquer outra da sua realidade. Aquela pessoa lhe dá atenção, carinho, lhe ouve, tem o senso de humor parecido e gosta de lhe fazer surpresas virtuais. Você passa o dia todo esperando o momento de falar com ela, se pega pensando nela o tempo todo, imaginando, sonhando... E isso não é amor? Sentir sem ao menos ter que tocar, isso torna tudo mais perfeito. Mas como nada é perfeito, é importante se fazer algumas perguntas quando a loucura começar a tomar conta de seu ser:


1- O que eu quero desse amor virtual?

Imagine que você conheça uma pessoa perfeita, mas venha a descobrir que ela é casada ou algo que impeça o relacionamento; você quer apenas curtir bons momentos virtuais ou deseja que o relacionamento se torne real algum dia? Desça das nuvens, não fique idealizando e esperando algo que você já sabe que nunca acontecerá.

2- A  pessoa sente  o mesmo?

Esta é uma difícil questão, porque  ter certeza dos sentimentos alheios não é tarefa fácil, nem mesmo dos nossos . Pense se a pessoa faz os mesmos sacrifícios, lhe dá o seu tempo e atenção, converse, pergunte, não fique no "achismo", com medo ou vergonha de perguntar sobre os sentimentos e intenções, melhor saber logo a verdade que perder tempo em uma canoa furada.

3-A pessoa é confiável?

Esta é, também, uma outra questão difícil. Mas há sempre alguns sinais perceptíveis aos quais você deve ficar atento. Se alguém fala logo no início que ama e que sente a sua falta, isso é sinal de que fala isso para mais quatrocentas pessoas. Geralmente, estes homens estão apenas procurando por mulheres carentes que possam cair em suas lábias e lhes dar um pouco de prazer virtual, pois embora também existam muitas mulheres que querem apenas sexo virtual, eles se sentem mais realizados quando conseguem envolver uma pobre presa. Quando nos apaixonamos hoje em dia, pesquisamos sobre o cara no Google, fuçamos suas redes sociais, e isso também nos traz bons indícios de como ele costuma se relacionar. Se o perfil dele for muito "floreado" e bombardeado por recadinhos melosos, desconfie. Mas, enfim, use sempre o seu bom-senso. Quando sentimos que há algo errado, é melhor pensar bem.


Outra coisinha importante no quesito confiança, é quando vocês pensam em avançar com as web cams. Tome muito cuidado na hora de demonstrar o seu amor, coisa mais fácil é encontrar na Internet vídeos de mocinhas que confiaram em seus amores e acabaram virando estrelas de sites pornôs.

4- O relacionamento está me fazendo bem?

Pense bem, se você sempre tem mais sentimentos negativos do que bons, alguma coisa está errada. Analise a situação com distância, dê um tempo do mundo virtual, vá conhecer novas pessoas e mexer o esqueleto, não acabe os seus dias diante de uma tela.


5- O relacionamento está interferindo na minha vida real?

Se você deixa de fazer as coisas que realmente gostava de fazer e pensa em estar on line com aquela pessoa 24 horas, se você não consegue raciocinar normalmente, procure a tecla "help" por que as coisas não vão bem. Um bom relacionamento, seja ele real ou virtual, não deve lhe tirar de sua vida , não pode lhe tirar de você mesmo. 
 

6 - Existem reais possibilidades para o meu amor virtual se tornar real?

Raciocine:
A pessoa sente o mesmo que você?
A pessoa quer o mesmo que você?
Há possibilidade de ficarem realmente juntos?
Você está perdendo o seu tempo?
É difícil, mas temos que ser realistas. Há muitos amores que parecem impossíveis e dão certo, mas a maioria não dá. Conheço uma história de uma brasileira que conheceu um indiano pela Internet, ela teve a coragem de deixar tudo e ir para a Índia, assim como muitas que se apaixonaram por indianos, paquistaneses e arábes e sofreram terrivelmente, pois mesmo não havendo reais possibilidades de que o relacionamento desse certo, insistiram em cultivar o amor ideal. 


É, amigos, dor de amor é a mesma de qualquer jeito. O que podemos fazer é nos resguardar e tomar todos os cuidados antes de nos deixar levar por uma louca paixão, e principalmente, nunca deixar de viver os momentos reais com quem está perto de nós, pois estes sim, sabemos que estão lá.

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