quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

Ternos braços


No ponto de ônibus, a moça parecia desolada, seus braços não se moviam, estavam parados, esticados entre as pernas, apenas em sua mente pareciam estar os movimentos de algo desolador. O rapaz estava visivelmente preocupado e a abraçava com grande carinho, acariciava o seu rosto na tentativa de transmitir-lhe segurança e paz. O homem era tão delicado e cuidadoso, tão terno e quente, que fez com que eu me sentisse abandonada... Desejei que eu pudesse ter um abraço como aquele quando os meus olhos chorassem, desejei que alguém se importasse comigo se eu ficasse triste. Lembrei-me que, das últimas vezes que eu chorei, não encontrei braços, apenas bocas que gargalhavam em cima de meu sofrimento. Quis chorar. Não chorei, só quis. Guardei a minha mágoa e os meus desejos dentro daquele lugar onde estão a esperança e a paciência. Sei que mereço um abraço, e um dia  ele vai curar as minhas lágrimas, ao menos por alguns doces momentos.

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