segunda-feira, 30 de agosto de 2010

Rosa vermelha


Gostaria de ter asas 
Para bem longe ir parar,
E sem medos ou receios,
Admirando o novo ar,
Em terra nova iria pousar.
.
A rosa vermelha,
Tão longe nascida,
Bela, floreceu.
O seu doce perfume,
Sinto-o ainda
Como se já fosse o meu.

Nunca toquei suas pétalas
Nem a vi respirar,
Mas sinto-a presente
E a ouço falar.

O vermelho não deixa meus olhos
Mesmo que queira me libertar!
Viajo voando nos sonhos
E deixo  a vida me levar.

sábado, 28 de agosto de 2010

Calar, jamais!


Morrer guardando as palavras,
Não quero
Jamais!
Melhor que me estapeiem o rosto
Ou cortem-me a língua
Que não ter paz.
Pobre é o que o ônibus perdeu
E sem guarda-chuvas, 
Andou para o lar!
Pobre daquele mendigo
Morto de fome
Por não querer falar!
Amassar no peito
Coisas mal-dormidas
Só nos faz sufocar!
Mil vezes ter a cara cuspida,
A honra ruída,
Que a dor de não me expressar!

sábado, 21 de agosto de 2010

quinta-feira, 19 de agosto de 2010

Saudade

Outro alguém tocarar-te,
Alguém olharar-te,
Mas nunca serão toques tão quentes
E olhares tão doces
Como os que agora tens...
Nunca ninguém terá essa voz que canta,
Nem a risada na hora mansa,
Nunca ninguém vai chorar
A lágrima que vai e vem.
Nunca mais ouvirás os mesmos sons,
Nunca mais a mesma ternura
Incansável, dia após dia...
E quando se levantar
e os olhos abrir pesarosos, entre rugas,
Um dia, talvez,
Sentirás que o que perdido havias
Estará ainda tão próximo,
Escondido entre as ferrugens
Do dia que se encardia...
Pode ser que naquele instante,
Algo mude em seu semblante
Esquivando-se da verdade.
A dor de toda uma existência
Perdida entre caminhos 
Que levaram a lugar nenhum,
Crescerá desmedidamente
Quando os teus olhinhos velhos
Implorarem por clemência.
A lembrança de uma vida vazia
E da ferida provocada
Só não serão maiores no peito velho,
Que a dor da 
saudade.

Devaneios noturnos

O sono rouba-me o senso e a realidade, aqui vão alguns devaneios noturnos de uma vampira incorrigível:

 Por que a voz doce não traz credibilidade? Será por que se aproxima à voz infantil? Será que, por esse motivo, sempre foi mais difícil ver mulheres em cargos de chefia?

Quem inventou que homem e mulher tem que viver juntos?

 Por que paramos de olhar para o céu quando crescemos, e nos esquecemos que algumas palavras marcam como ferro quente quando pequenos?

Por que sempre que acontece algo, vemos sempre por uma perspectiva egocêntrica, como se o mundo girasse em torno de nós e tudo se resumisse a um complô para nos tornar mais felizes, mais tristes, ou  nos surpreender dali há algum tempo?

Por que os pais amam os filhos mais do que os filhos amam os pais?

Por que adolescente é tão chato?

Por que, mesmo não tendo nada pra dizer, eu estou aqui, me esforçando pra encontrar algumas bobagens pra falar?

Parei por aqui.

terça-feira, 10 de agosto de 2010

Dust in the wind


O Tempo...

O menino parou pra olhar o Tempo e o tempo parou pra olhar o menino. O menino deu um passo, e o Tempo voou! Voou tão longe que o menino se cansou de andar. As pernas do menino se entortaram, suas costas se curvaram os sonhos morreram todos, e o pior, o menino não conseguiu alcançá-lo, o inefável Tempo.

Quando o Tempo estava próximo, íntimo, ele gostava de andar ao lado do menino, mas o menino  que pensou saber demais sobre o Tempo e que sempre teria a sua companhia,  se iludiu. O Tempo não espera que os meninos se abaixem para escolher as melhores pedras, o Tempo simplesmente segue o seu caminho, e caso o menino escolha o cascalho aos diamantes, o Tempo não lhes dará outra chance de encontrar tesouros. Talvez, adiante, econtre uma ametista, uma água-marinha, dificilmente o Tempo voltará e dará novas oportunidades.

Os meninos sempre pensam que sabem onde o Tempo leva, o que ele quer e até quando ficará ao lado deles; os meninos pensam que conhecem tudo, mas só conhecerão o Tempo quando este estiver muito longe e os fizer refletir sobre a sua brevidade e austeridade. Só será possível que se valorize o tempo quando estiverem prestes a perdê-lo, ou quando este se arrastar, tornando-se tormento.

Os meninos não sabem que o Tempo morre pra cada um, a cada dia...Ou fingem não ser como todos, ou até pensam que realmente não o são, mas o Tempo lhes mostra a crua verdade.

O Tempo...

Ele sempre nos foge quando mais precisamos dele, e sempre nos atormenta, quando queremos que logo se vá. Mas ele é sábio. Só os que não aprendem com ele é que sofrem com ele.Quem não respeita o Tempo, sente-se lesado por ele.

Tempo...O menino queria mais do Tempo. Por quê não pôde aproveitar quando ele estava lá? Porque era menino, e meninos não conhecem o tempo. Os meninos não sabem o que o tempo faz com eles e esperam demais. Esperam até que não tenham nem mais um resquício do  destemido Tempo.

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

E lá vem os macacos!


Mais uma idéia sobre o Brasil é derramada pela mídia, através dos lábios de um lutador americano:

"Antes do combate, entre muitas ofensas a Silva, Sonnen criticou também o Brasil: ““Ele vem sempre com aquela m... de se curvar para cumprimentar (à moda oriental). Mas isso não é parte da cultura do Brasil. Se você abaixar a cabeça lá, sua carteira é roubada, e o ladrão ainda foge rindo da sua cara”.  

(Ver completo aqui.)

Também não estou com vontade de comentar sobre isso.

quinta-feira, 5 de agosto de 2010

Segredos


Segredos não tão segredáveis, abro mais uma página do meu livro. Dialogando com outras leituras recentes, lá vou eu.

1- Odeio dormir cedo e odeio mais ainda acordar cedo, por isso durmo poucas horas e sempre estou com sono;

2- Descobri recentemente que possivelmente eu tenho DDA- Distúrbio de Déficit de Atenção;

3- Esse tal de DDA explica muita coisa, tal como fazer milhares de planos e quase nunca terminá-los;

4- Grande criatividade e pouca organização;

5- Grande impaciência com tarefas rotineiras;

6- Muitos devaneios em salas de aulas, mas sempre obtendo bons resultados;

7- Não tenho memória geográfico-espacial, sempre me esqueço onde ficam as coisas e mesmo depois de voltar ao mesmo lugar três vezes ainda fico insegura quanto ao caminho;

8- Para mim, é impossível a leitura de qualquer mapa;

9- Sempre faço caricaturas dos colegas de aula e do trabalho, a maioria adora;

10- Já sonhei em ser atriz, pintora, fotógrafa, desenhista, cantora, e escritora;

11- A falta de focalização e multiplicidade de afinidades fazem com que eu disperse minhas energias e não escolha uma atividade a qual me dedicar;

12- Muitas vezes sou melancólica, mas as pessoas sempre se divertem;

13- Tenho crises de negatividade;

14- Sinto-me uma alienígena e que não pertenço a lugar nenhum;

15- Não gosto de estar com os poderosos;

16- Ficava horas olhando as estrelas quando era criança e pensando sobre os segredos do universo e da existência;

17- Não gosto de futebol e de carnaval, embora eu seja brasileira;

18- Odeio pessoas que parecem perfeitas;

19- Odeio joguinhos, "mentirinhas", artimanhas, engodos;

20- Não tenho paciência para inventar sentimentos ou qualquer coisa que seja;

21- Sonho em conhecer o mundo inteiro;

22- Queria ficar horas a fio, deitada, pensando, sem nada a me atrapalhar;

23- Queria sentir amor como eu sentia antes de ter um relacionamento;

24- Queria ter mais tempo  pra fazer tudo o que eu não fiz;

25- Odeio falar ao telefone;

26- Ligo menos para os meus amigos do que eles me ligam, mas isso não quer dizer que eu nao pense neles e que não são importantes;

27- Mesmo decepcionando-me um milhão, quatrocentos e setenta e sete vezes, eu ainda continuo acreditando em amor e me odeio por isso;

28- Quando imagino uma cueca marrom com buracos no meio da rua, sempre dou risadas;

29- Até os meus amigos mais loucos me chamam de doida, e eu realmente não sei o porquê;

30- Apesar de parecer eu doida, sou careta e cultivo os velhos valores.

Acho que trinta segredos nada segredáveis são o suficiente por hoje.

terça-feira, 3 de agosto de 2010

Poema

Estava com vontade de escrever, mas a inspiração não me veio. Folheando um antigo livro de poesias de Castro Alves, me deparei com este poema e resolvi postá-lo.

FATALIDADE

DAMA NEGRA

Que fatalidade, meu pai!
ÁLVARES DE AZEVEDO.


ADEUS! ADEUS! ó meu extremo abrigo!
Adeus! eu digo-te a chorar de dor!
É o derradeiro suspirar das crenças,
Que se despedem das visões do amor...

Pálido e triste atravessei a vida
Sempre orgulhoso, concentrado e só...
É que eu sentia que um fadário estranho
Meus sonhos todos reduzia a pó.

Mas tu vieste... E acreditei na vida...
Abri os braços... caminhei p'ra luz...
E a borboleta da fatal crisálida
Soltou as asas pelos céus azuis.

O tronco morto - refloriu de novo
Ergue-se vivo, perfumado, em flor,
Abençoando a primavera amiga...
Ai! primavera de meu santo amor!

Porém que importa, se há fadários negros...
Frontes - voltadas do sepulcro ao chão...
Pedras coladas de um abismo à beira...
Astros sem norte, de um cruel clarão!

Quem mostra o trilho ao viajor das sombras?
Quem ergue o morto que esfriou o pó?
Quem diz à pedra que não desça ao pego?
Quem segue a estrela desgraçada e só?

Ninguém!... Na terra tudo vai... gravita
Lá para o ponto que lhe marca Deus.
Os raios tombam - as estrelas sobem!...
Lutar co'a sorte - é combater os céus!

"Vai! pois, ó rosa, que em meu seio, outr'ora
Acalentava a suspirar e a rir...
Deixas minha alma como um chão deserto,
Vai! Flor virente! mais além florir...

"Vai! flor virente! no rumor das festas,
Entre esplendores, como o sol, viver
Enquanto eu subo tropeçando incerto
Pelo patib'lo - que se diz sofrer!...

Que resta ao triste, sem amor, sem crenças?
- Seguir a sina... se ocultar no chão...
...Mas, quando, estrela!... pelo céu voares,
Banha-me a lousa de feral clarão!...

Recife, outubro de 1866.

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