sexta-feira, 25 de junho de 2010

Jogos do amor


Quando se fala em amor, paixão e sexo estamos falando em jogos. Sim! Incrível, mas dois competidores (no mínimo) entram em ação e começam a maquinar sobre suas táticas na arte da guerra, cujo prêmio final pode diferir muito na concepção de um e de outro.

O amor, para quem está enlaçado, soa como doce, suave, excitantes condimento e alimento, até que o tempo o descubra e deixe a mostra as suas agruras.

É algo terrível! Quando duas pessoas se apaixonam, começa alí em seus intelectos um jogo inconsciente visando enfraquecer e dominar o outro, domar e tomá-lo! O comportamento muda radicalmente! Se a pessoa era amiga anteriormente, não mais é vista ou tratada como tal, coisas não mais são ditas, Fatos são ocultados, jogos são tramados. Se não se conheciam, pior, campo aberto para maiores dissimulações!


Amar deveria siginficar companheirismo, amizade, respeito, carinho e bons momentos juntos, mas o que percebemos é o inverso. O parceiro, maléficamente procura as farpas mais ponteagudas e irregulares para enfiar nas feridas do amado, e gosta de sangue! Depois, como se nada tivesse feito para causar tal dilaceração, derrama o doce mel e, espantosamente, o ferido saboreia com a boca mais doce que nunca! Estranho sado-masoquismo!

A clareza não faz parte das conversações apaixonadas! São inúmeros paradoxos e ambiguidades, são palavras meio ditas, são sugestões, insinuações, por que lá estão o medo da perda e a vontade de que o outro consiga ler os pensamentos, ou a certeza de que isto seja possível, características que ajudam nessa enigmatização da comunicação.

Seria tão mais fácil se relacionar francamente! Os ciúmes seriam desnecessários, haveria maior conforto e confiança, mas para quê? A emoção se findaria! O que seria do amor sem as noites mal-dormidas, sem os infernos psicológicos, sem os dramalhões, sem as lágrimas? Sem a dor?

Dor! Dor! Algum ou muitos poetas rimaram essas palavras, elas são sinônimas! O amor estraçalha, arranha, dilacera, esmigalha o peito e a mente, o amor é dor! O amor é dor!

E por que a dor? Por que viver essa dor? Por que não deixar essa dor?Estranho sado-masoquismo...

Quem ganha, afinal? Quem sai perdedor? Ganha-se, afinal?

Ganha-se dor. Talvez, pra quem aprenda, um pouco de amor, no final.

terça-feira, 22 de junho de 2010

Ao mestre, com carinho

Ensinar é uma característica exclusivamente humana e é só por causa dela que hoje eu estou em frente a esse computador e sei que quando eu aperto alguma tecla, um caractere é transferido para a tela, e sei que cada caractere desse significa algo e representa um som, e que juntando esses caracteres com uma certa lógica convencional consigo formar palavras, e que essas palavras se relacionam e representam algum ser, objeto, ação, qualidade ou ideal.Se em minha vida eu não tivesse tido contato com os inúmeros professores oficiais e não-oficiais, eu não seria capaz de viver no mundo globalizado.

A profissão do professor é uma das mais antigas da humanidade e em diversas fases teve o seu glamour, o seu status de superioridade, mas os tempos mudam...

Depois que o ensino se tornou público, foi necessário que se criasse uma didática efetiva e que atendesse à diversidade de alunos. A opressão, a violência física e psicológica foram muito utilizados como instrumentos supostamente eficientes de ensino e controle dos alunos, mas esses métodos foram execrados e no lugar deles foram colocados os direitos das crianças e dos adolescentes. Como sempre, em toda transição acontece uma desordem e uma tendência a se negar tudo o que é velho e se criar algo totalmente novo, sem resquícios do obsoleto.Muitas vezes há um exagero que nem sempre é notado.

O professor passou a ser visto como o "Bicho Papão" que bate com a palmatória e coloca os alunos de castigo ajoelhados em grãos de milho. Não podemos negar que essas formas de tortura foram utilizadas em outras épocas, mas não podemos generalizar e menosprezar toda uma classe por um passado de alguns.Quantas vezes, na porta da escola, eu ouvi as mães se referirem às professoras como "vagabundas"! Se o filho ouve isso da mãe, que respeito ele poderá dedicar a essa profissional, que esta ali ao seu lado diariamente, e muitas vezes por mais horas que os pais? Alguns não entendem o tamanho da complexidade de "ajudar" um aluno a desenvolver as suas potencialidades, julgam que atividades como teatro, música e outros eventos são "vagabundagem" dos professores. Para estes o ideal seria se passar o tempo todo dentro da sala de aula, quando a pratica nos mostra que a tática mais utilizada para "passar o tempo" quando não se preparou a aula é a de lotar o quadro negro de cópias do livro.

Antigamente a escola era para todos os alunos que queriam estudar, hoje ela é obrigatória para todos os menores de idade. Isso é bom? Depende...Com essa decisão que pune os pais irresponsáveis que não matriculam os seus filhos na escola e obriga os outros alunos a conviverem com esses que não quererem frequentar as aulas, uma situação difícil foi criada; nas salas de aula estão dividindo o mesmo espaço e as mesmas experiências os alunos que realmente querem estudar e os alunos que estão sendo obrigados a estudar, e entre eles estão também traficantes, assassinos e delinquentes em geral.Os alunos na faixa etária ideal convivem com alunos de idade avançada e são vitimas de abusos de todos os tipos. Essa é uma discussão difícil, pois o menor de idade não é legalmente responsável por seus atos no Brasil, teoricamente alguém tem que conduzí-lo pela vida.Mas devemos admitir que algumas pessoas realmente não querem estudar, isso gera um conflito e uma tensão sem solução dentro da escola, por que quando a pessoa tem a certeza de que não quer, nada mais importa e nada se resolve.

São muitos os fatores que contribuem para a má qualidade do ensino hoje em dia.Os preconceitos sofridos pelos professores é um dos fatores desmotivadores, assim como o crescimento da violência nas escolas. Hoje sempre falamos dos direitos das crianças e dos adolescentes, que sem duvida devem ser respeitados, mas o que acontece hoje em dia é que na maioria das vezes eles tem os direitos, mas desconhecem os deveres. Há uma frase antiga que dizia: "o meu direito termina onde começa o direito do outro"; hoje em dia, podemos dizer que a maioria das crianças e adolescentes agem como se os seus direitos se sobrepusessem aos direitos de todos os outros. Muitos desconhecem a palavra "respeito". Hoje, felizmente, não se usa mais a palmatoria, mas o que foi colocado em seu lugar? Nada...

Muitas escolas, em busca dos índices de aprovação exigidos pelos governos, "empurram" os alunos mesmo que estes estejam claramente incapacitados para prosseguirem. A certeza de aprovação é uma arma contra a escola, pois não importa o que se faça ou não se faça, o aluno receberá o bônus final. Há também os que não se importam se serão reprovados, eles estão na escola por serem obrigados e lá estão para atrapalhar. Como disciplinar turmas com tais características? Nem Deus é capaz...

Hoje se fala em qualificação do professor, variedade de meios didaticos e outras práticas. É desejável que o profissional tenha amor à sua profissão, seja criativo, alegre, respeitável, tenha pulso firme, qualidades teatrais e tempo para se aperfeiçoar. Porém, apesar de a maioria possuir um curso superior, o que já é obrigatório, o salário não acompanha aos demais profissionais que possuem o mesmo nível de escolaridade.

É sabido que essa profissão é uma das mais estressantes do mundo, sendo comparada até com a profissão do policial, e que a maioria dos professores possui algum problema psicológico. Só quem convive em uma escola diariamente é que pode enxergar as dificuldades de tentar fazer o melhor trabalho possível, mesmo em turmas lotadas e com alunos violentos e indisciplinados, onde já não existem métodos para uma aula mais eficiente.Aguardemos que algum dia, o reconhecimento possa agraciar de alguma forma estes profissionais.

quinta-feira, 17 de junho de 2010

Cansei

Não quero mais enigmas,
adivinhações,
suposições,
Alienações,
Não!

Não quero ter que imaginar
Sonhar,
Conjecturar,
Analisar,
Oh, não!

Chega!

Quero sorrir sem medo,
Quero chorar,
Mesmo que cedo,
Quero saber do meu chão;

Quero as luzes acesas,
Quero as poucas certezas
E a paz no coração.

Não!

Não quero esses jogos,
Nem todos os falsos fogos,
Só quero enxergar!

Quero caminhar descalça,
Não quero sandálias falsas,
Que me escondam do elemetar.

segunda-feira, 14 de junho de 2010

Olhos fugitivos




 Trabalho apresentado ao curso de Literatura II, Professora Elzira-UFOP sobre o livro Dom Casmurro de Machado de Assis.


            Os “olhos de ressaca” de Capitu, ou “olhos de cigana oblíqua e dissimulada” serviram como argumentos persuasivos e evidenciais de toda uma suposta traição sofrida pelo autor/protagonista do famoso romance Dom Casmurro, tema bastante debatido tanto nos meios acadêmicos quanto em rodas de conversações informais. Sabendo-se que a história é narrada por seu protagonista, fica-nos óbvio o interesse em defender o seu ponto de vista e até mesmo os seus atos durante a sua trajetória, já que o acusador é parte totalmente interessada na condenação dos réus e na absolvição dos pecados do traído. Talvez, exatamente por ser parte interessada, Santiago ou Dom Casmurro é cuidadoso em suas falas, utilizando-se de sutileza, demonstrando indiretamente as qualidades das pessoas envolvidas.
            As qualidades de Capitu, como a capacidade de dissimular e controlar os seus sentimentos diante das mais tensas situações desde a mais tenra idade e sua facilidade em articular idéias, são os mais contundentes indícios de sua falha de caráter, o que justificaria os seus atos em relação ao casamento; mas há uma segunda parte envolvida nessa história e essa parte é denominada Ezequiel de Sousa Escobar. Ezequiel e Bentinho (como Santiago era chamado na adolescência) se conheceram no seminário e desde então se tornaram os melhores amigos e confidentes. Dom Casmurro assim descreve o jovem seminarista:

...Um rapaz de olhos claros, um pouco fugitivos, como as mãos, como os pés, como a fala, como tudo. Quem não estivesse acostumado com ele, podia acaso sentir-se mal, não sabendo por onde lhe pegasse. Não fitava de rosto, não falava claro nem seguido; as mãos não apertavam as outras, nem se deixavam apertar delas, por que os dedos, sendo delgados e curtos, quando a gente cuidava tê-los entre os seus, já não tinha nada.O mesmo digo dos pés, que tão depressa estavam aqui como lá....O sorriso era instantâneo, mas também ria folgado e largo.Uma coisa não seria tão fugitiva, como o restos, a reflexão;íamos dar com ele, muita vez, enfiado em si, cogitando.Respondia-nos sempre que cogitava algo espiritual, ou então que recordava a lição da véspera.Quando ele entrou na minha intimidade pedia-me frequentemente explicações e repetições miúdas, e tinhas memória para guardá-las todas, até as palavras.Talvez essa faculdade prejudicasse alguma outra.

            Nessa descrição inicial já podemos notar características que demonstram as qualidades que o autor deseja destacar em seu amigo; “olhos fugitivos” podem caracterizar tanto uma pessoa tímida como uma pessoa dissimulada, que não consegue mirar o seu interlocutor, que esconde algo atrás do olhar que não é capaz de sustentar. Assim como os olhos de Escobar, a sua maneira de falar obscura e as hesitações também demonstram o hábito de refletir muito ao se expor, outro indício de dissimulação. Outra característica destacada é a frouxidão do aperto de mão, o que simboliza também a fraqueza de caráter da personagem descrita. Tudo nele era fugitivo, de menos a reflexão; destaca ainda a curiosidade e a capacidade que Escobar tinha em guardar informações, e termina dizendo: ”talvez essa faculdade prejudicasse alguma outra.” Pode ser que aqui, Santiago quisesse insinuar que a grande capacidade de reflexão e memorização do amigo servisse para compensar algum defeito deste, deixando para o leitor mais uma pista. Todas essas qualidades destacadas, servem de certa forma, para preparar o terreno da suposta traição.
            Ao longo do romance o narrador vai destacando as qualidades de Escobar; nem mesmo a tia Justina, dama que sempre encontrava algum defeito em quem quer que fosse, conseguiu enxergar algo que desabonasse o belo amigo seminarista quando em visita à sua casa, ocasião em que este fora muito bem recebido e muito bem elogiado por todos da família de Bentinho. É natural que tamanha perfeição desperte em nós leitores alguma desconfiança, levando-nos a supor características obscuras e escondidas por trás de tanta beleza e docilidade.
            Mais tarde, em outras visitas à casa de Bentinho, Escobar também foi muito bem visto e elogiado, mas tia Justina encontrou, finalmente, uma qualidade para ele: “Olhos policiais a que não escapava nada”. O tio Cosme opinou dizendo que eram “olhos refletidos”. Mais uma vez os olhos aparecem como espelhos das almas e das intenções, as quais José Dias defendeu dizendo que uma coisa não impediria a outra, e que a reflexão casa-se muito bem à curiosidade natural. Reflexivos e curiosos, características já destacadas anteriormente e indicativos de um caráter digno de suspeitas, segundo os propósitos do protagonista.
            Com o passar do tempo, Santiago, já casado com Capitu, coleciona novos indícios que comprovam a teoria do narrador; pequenos segredos entre o melhor amigo e Capitu, como o dinheiro economizado por ela nas compras, e a presença do amigo em momentos em que Santiago não está em casa são alguns destes.
            Os dois casais, Capitu-Bentinho e Escobar-Sancha, estreitam cada vez mais a sua amizade, intensificando as atividades realizadas em conjunto. Bentinho e Capitu se lamentam por não terem filhos até que finalmente, Capitu engravida de seu primeiro e único filho, que se chamará Ezequiel em homenagem a Escobar. Todo esse clima deveria cultivar a confiança e o amor familiar, mas a suposta semelhança entre Escobar e Ezequiel desperta os ciúmes e as desconfianças de Santiago que só aumentam com o passar do tempo. Ao comentar sobre a semelhança entre a filha de Escobar e Ezequiel, Santiago justifica que Ezequiel imita os gestos dos outros, Escobar concorda e insinua que “algumas vezes as crianças que se frequentam muito acabam se parecendo umas com as outras”.
            Escobar aparece no romance como um homem de atitudes cautelosas, olhar fugitivo, pés inquietos e muito reflexivo. Suas habilidades mentais são exaltadas, como a capacidade de somar rapidamente números de vários algarismos, demonstrando um cérebro matemático e calculista; sempre gentil e amável, sabe conquistar elogios e arrebatar os corações gélidos. Dom Casmurro Vai pintando o retrato de Escobar de maneira em que possamos ver suas nuances contrastivas, sua personalidade calculista guardada por seu olhar fugitivo de maneira em que vejamos nele uma pessoa capaz de esconder um grande segredo friamente. Assim como Capitu, seus traços são delineados pelo narrador a fim de transmitirem a imagem que os olhos deste viram, ou que a sua mente elaborou, legitimando assim as suas suspeitas e seus atos perante o leitor e a si mesmo. Cuidadosamente as suas personagens são construídas sem que o leitor, muitas vezes, se dê conta de suas intenções, e assim, ao longo da trama, Dom Casmurro nos leva a crer em suas conjecturas; advogado que era, soube muito bem argumentar e nos dirigir para a direção que mais lhe foi conveniente, e sem que percebamos vemos algo estranho em Escobar, sentimos suas mãos frouxas, seus olhos fugitivos, desconfiamos de sua perfeição e até nos convencemos de que ele foi um dos culpados da tragédia que se abateu sobre Dom Casmurro.

Olhos fugitivos




 Trabalho apresentado ao curso de Literatura II, Professora Elzira-UFOP sobre o livro Dom Casmurro de Machado de Assis.


            Os “olhos de ressaca” de Capitu, ou “olhos de cigana oblíqua e dissimulada” serviram como argumentos persuasivos e evidenciais de toda uma suposta traição sofrida pelo autor/protagonista do famoso romance Dom Casmurro, tema bastante debatido tanto nos meios acadêmicos quanto em rodas de conversações informais. Sabendo-se que a história é narrada por seu protagonista, fica-nos óbvio o interesse em defender o seu ponto de vista e até mesmo os seus atos durante a sua trajetória, já que o acusador é parte totalmente interessada na condenação dos réus e na absolvição dos pecados do traído. Talvez, exatamente por ser parte interessada, Santiago ou Dom Casmurro é cuidadoso em suas falas, utilizando-se de sutileza, demonstrando indiretamente as qualidades das pessoas envolvidas.
            As qualidades de Capitu, como a capacidade de dissimular e controlar os seus sentimentos diante das mais tensas situações desde a mais tenra idade e sua facilidade em articular idéias, são os mais contundentes indícios de sua falha de caráter, o que justificaria os seus atos em relação ao casamento; mas há uma segunda parte envolvida nessa história e essa parte é denominada Ezequiel de Sousa Escobar. Ezequiel e Bentinho (como Santiago era chamado na adolescência) se conheceram no seminário e desde então se tornaram os melhores amigos e confidentes. Dom Casmurro assim descreve o jovem seminarista:

...Um rapaz de olhos claros, um pouco fugitivos, como as mãos, como os pés, como a fala, como tudo. Quem não estivesse acostumado com ele, podia acaso sentir-se mal, não sabendo por onde lhe pegasse. Não fitava de rosto, não falava claro nem seguido; as mãos não apertavam as outras, nem se deixavam apertar delas, por que os dedos, sendo delgados e curtos, quando a gente cuidava tê-los entre os seus, já não tinha nada.O mesmo digo dos pés, que tão depressa estavam aqui como lá....O sorriso era instantâneo, mas também ria folgado e largo.Uma coisa não seria tão fugitiva, como o restos, a reflexão;íamos dar com ele, muita vez, enfiado em si, cogitando.Respondia-nos sempre que cogitava algo espiritual, ou então que recordava a lição da véspera.Quando ele entrou na minha intimidade pedia-me frequentemente explicações e repetições miúdas, e tinhas memória para guardá-las todas, até as palavras.Talvez essa faculdade prejudicasse alguma outra.

            Nessa descrição inicial já podemos notar características que demonstram as qualidades que o autor deseja destacar em seu amigo; “olhos fugitivos” podem caracterizar tanto uma pessoa tímida como uma pessoa dissimulada, que não consegue mirar o seu interlocutor, que esconde algo atrás do olhar que não é capaz de sustentar. Assim como os olhos de Escobar, a sua maneira de falar obscura e as hesitações também demonstram o hábito de refletir muito ao se expor, outro indício de dissimulação. Outra característica destacada é a frouxidão do aperto de mão, o que simboliza também a fraqueza de caráter da personagem descrita. Tudo nele era fugitivo, de menos a reflexão; destaca ainda a curiosidade e a capacidade que Escobar tinha em guardar informações, e termina dizendo: ”talvez essa faculdade prejudicasse alguma outra.” Pode ser que aqui, Santiago quisesse insinuar que a grande capacidade de reflexão e memorização do amigo servisse para compensar algum defeito deste, deixando para o leitor mais uma pista. Todas essas qualidades destacadas, servem de certa forma, para preparar o terreno da suposta traição.
            Ao longo do romance o narrador vai destacando as qualidades de Escobar; nem mesmo a tia Justina, dama que sempre encontrava algum defeito em quem quer que fosse, conseguiu enxergar algo que desabonasse o belo amigo seminarista quando em visita à sua casa, ocasião em que este fora muito bem recebido e muito bem elogiado por todos da família de Bentinho. É natural que tamanha perfeição desperte em nós leitores alguma desconfiança, levando-nos a supor características obscuras e escondidas por trás de tanta beleza e docilidade.
            Mais tarde, em outras visitas à casa de Bentinho, Escobar também foi muito bem visto e elogiado, mas tia Justina encontrou, finalmente, uma qualidade para ele: “Olhos policiais a que não escapava nada”. O tio Cosme opinou dizendo que eram “olhos refletidos”. Mais uma vez os olhos aparecem como espelhos das almas e das intenções, as quais José Dias defendeu dizendo que uma coisa não impediria a outra, e que a reflexão casa-se muito bem à curiosidade natural. Reflexivos e curiosos, características já destacadas anteriormente e indicativos de um caráter digno de suspeitas, segundo os propósitos do protagonista.
            Com o passar do tempo, Santiago, já casado com Capitu, coleciona novos indícios que comprovam a teoria do narrador; pequenos segredos entre o melhor amigo e Capitu, como o dinheiro economizado por ela nas compras, e a presença do amigo em momentos em que Santiago não está em casa são alguns destes.
            Os dois casais, Capitu-Bentinho e Escobar-Sancha, estreitam cada vez mais a sua amizade, intensificando as atividades realizadas em conjunto. Bentinho e Capitu se lamentam por não terem filhos até que finalmente, Capitu engravida de seu primeiro e único filho, que se chamará Ezequiel em homenagem a Escobar. Todo esse clima deveria cultivar a confiança e o amor familiar, mas a suposta semelhança entre Escobar e Ezequiel desperta os ciúmes e as desconfianças de Santiago que só aumentam com o passar do tempo. Ao comentar sobre a semelhança entre a filha de Escobar e Ezequiel, Santiago justifica que Ezequiel imita os gestos dos outros, Escobar concorda e insinua que “algumas vezes as crianças que se frequentam muito acabam se parecendo umas com as outras”.
            Escobar aparece no romance como um homem de atitudes cautelosas, olhar fugitivo, pés inquietos e muito reflexivo. Suas habilidades mentais são exaltadas, como a capacidade de somar rapidamente números de vários algarismos, demonstrando um cérebro matemático e calculista; sempre gentil e amável, sabe conquistar elogios e arrebatar os corações gélidos. Dom Casmurro Vai pintando o retrato de Escobar de maneira em que possamos ver suas nuances contrastivas, sua personalidade calculista guardada por seu olhar fugitivo de maneira em que vejamos nele uma pessoa capaz de esconder um grande segredo friamente. Assim como Capitu, seus traços são delineados pelo narrador a fim de transmitirem a imagem que os olhos deste viram, ou que a sua mente elaborou, legitimando assim as suas suspeitas e seus atos perante o leitor e a si mesmo. Cuidadosamente as suas personagens são construídas sem que o leitor, muitas vezes, se dê conta de suas intenções, e assim, ao longo da trama, Dom Casmurro nos leva a crer em suas conjecturas; advogado que era, soube muito bem argumentar e nos dirigir para a direção que mais lhe foi conveniente, e sem que percebamos vemos algo estranho em Escobar, sentimos suas mãos frouxas, seus olhos fugitivos, desconfiamos de sua perfeição e até nos convencemos de que ele foi um dos culpados da tragédia que se abateu sobre Dom Casmurro.

domingo, 13 de junho de 2010

Lição de vida segundo Shakespeare



"Depois de algum tempo aprendes a diferença, a subtil diferença, entre dar a mão e acorrentar uma alma. E aprendes que amar não significa apoiar-se, e que companhia nem sempre significa segurança. E começas a aprender que beijos não são contratos e presentes não são promessas.
Acabas por aceitar as derrotas com a cabeça erguida e olhos adiante, com a graça de um adulto e não com a tristeza de uma criança. E aprendes a construir todas as tuas estradas de hoje, porque o terreno do amanhã é incerto demais para os planos, e o futuro tem o costume de cair em meio ao vão.

Depois de algum tempo aprendes que o sol queima se te expuseres a ele por muito tempo. Aprendes que não importa o quanto tu te importas, simplesmente porque algumas pessoas não se importam... E aceitas que apesar da bondade que reside numa pessoa, ela poderá ferir-te de vez em quando e precisas perdoá-la por isso. Aprendes que falar pode aliviar dores emocionais.
Descobres que se leva anos para se construir a confiança e apenas segundos para destruí-la, e que poderás fazer coisas das quais te arrependerás para o resto da vida. Aprendes que verdadeiras amizades continuam a crescer mesmo a longas distâncias. E o que importa não é o que tens na vida, mas quem tens na vida. E que bons amigos são a família que nos permitiram escolher. Aprendes que não temos que mudar de amigos se compreendemos que os amigos mudam, percebes que o teu melhor amigo e tu podem fazer qualquer coisa, ou nada, e terem bons momentos juntos. Descobres que as pessoas com quem tu mais te importas são tiradas da tua vida muito depressa, por isso devemos sempre despedir-nos das pessoas que amamos com palavras amorosas, pode ser a última vez que as vejamos.
Aprendes que as circunstâncias e os ambientes têm influência sobre nós, mas nós somos responsáveis por nós mesmos. Começas a aprender que não te deves comparar com os outros, mas com o melhor que podes ser.
Descobres que se leva muito tempo para se tornar a pessoa que se quer ser, e que o tempo é curto. Aprendes que, ou controlas os teus actos ou eles te controlarão e que ser flexível nem sempre significa ser fraco ou não ter personalidade, pois não importa quão delicada e frágil seja uma situação, existem sempre os dois lados. Aprendes que heróis são pessoas que fizeram o que era necessário fazer enfrentando as consequências. Aprendes que paciência requer muita prática.
Descobres que algumas vezes a pessoa que esperas que te empurre, quando cais, é uma das poucas que te ajuda a levantar. Aprendes que maturidade tem mais a ver com os tipos de experiência que tiveste e o que aprendeste com elas do que com quantos aniversários já comemoraste. Aprendes que há mais dos teus pais em ti do que supunhas. Aprendes que nunca se deve dizer a uma criança que sonhos são disparates, poucas coisas são tão humilhantes e seria uma tragédia se ela acreditasse nisso. Aprendes que quando estás com raiva tens o direito de estar com raiva, mas isso não te dá o direito de ser cruel.
Descobres que só porque alguém não te ama da forma que desejas, não significa que esse alguém não te ama com tudo o que pode, pois existem pessoas que nos amam, mas simplesmente não sabem como demonstrar ou viver isso.
Aprendes que nem sempre é suficiente ser perdoado por alguém, algumas vezes tens que aprender a perdoar-te a ti mesmo. Aprendes que com a mesma severidade com que julgas, poderás ser em algum momento condenado.
Aprendes que não importa em quantos pedaços o teu coração foi partido, o mundo não pára para que tu o consertes. Aprendes que o tempo não é algo que possa voltar para trás.
Portanto, planta o teu jardim e decora a tua alma, ao invés de esperares que alguém te traga flores. E aprendes que realmente podes suportar mais... que és realmente forte, e que podes ir muito mais longe depois de pensar que não se pode mais. E que realmente a vida tem valor e que tu tens valor perante a vida!
As nossas dádivas são traidoras e fazem-nos perder o bem que poderíamos conquistar, se não fosse o medo de tentar."

William Shakespeare

sábado, 12 de junho de 2010

Dia dos namorados


Gostaria de escrever coisas belas e inspiradoras, mas os que me conhecem sabem que nem sempre tenho essas palavras para enfeitar o meu singelo blog... Não pensem tambem que vou  tecer argumentos contra este dia, ah, não!

Como todos sabemos esta data foi criada com fins comerciais, como a maioria delas, mas o que vale mesmo são os rituais, pois  é por eles que nos mostramos vivos, que marcamos as épocas de nossas vidas, que criamos momentos especiais, e sob esse ponto de vista, essa data é muito válida! Um bouquet de rosas vermelhas do primeiro namorado, um ursinho de pelúcia, uma colônia, um jantar romântico, memórias doces e inesquecíveis, mas...

Uma colega me disse uma frase ouvida de uma terceira: "_Hoje em dia não existe namoro, existe é sexo garantido." _Muitas coisas se encerram nesta frase. A verdade é, como já disse em posts anteriores, que o namoro está, definitivamente, saido da moda! É brega falar que se namora, que se ama, que se está apaixonado, casar então, Jesus, loucura total! Individualidade, superficialidade, egoismo, egocentrismo, são as palavras do século, herdadas com o dinamismo evolutivo. Que saudades daquele tempo, onde eu não vivi, em que as pessoas tinham disponibilidade para se dar, para conversar, para se sentirem, quando se faziam merendas e convidavam os amigos para prosearem, quando as horas pareciam caminhar descalças! Neste tempo o amor era a vida e as pessoas o maior tesouro. Claro, há um romantismo exagerado aqui, pois o mundo já conheceu tempos áridos, secos e lugares onde  diversos e diferenciados eram os valores, mas digo sobre o nosso lugar e o lugar de nossos avós. Também sabemos da hipocrisia, mas deixemos essas coisas de lado e nos concentremos apenas no que nos falta, do que nos é saudoso, mesmo sem ter nos pertencido em sua totalidade, falemos sobre o amor, a doação, a valorização do outro e desse sentimento!

Não é fácil amar hoje em dia! Em outros tempos idealizávamos um vizinho, um primo, as pessoas que estavam em nossa área de alcance, hoje em dia, milhares de cabeças estão a nossa disposição nas prateleiras do mundo, nos setores da internet, viagens, trabalho, escola e outros, todas aguardando para serem usadas e destcartadas. O que vamos valorizar nisso tudo? Pra que iremos querer conhecer o interior de uma só cabeça? Hoje o mundo quer a velocidade, não quer a reflexão, não quer a "perda de tempo".

Para finalizar, será possível que ainda existam namoros verdadeiros, construídos com respeito, admiração, dedicação e tempo? Mereceriam, esses namoros, um "Dia dos Namorados"?

Espero que sim.

sexta-feira, 11 de junho de 2010

Poeira

Deixo que a poeira me leve
No meio do seu vendaval.
Se a poeira tem o seu vento
deve ter o seu temporal
Com trovões pavorosos, raios
E muita chuva no final...

A poeira se acomoda,
suja, esconde;
O vento liberta, varre,
mostra, expande.

Poeira me leve no seu vento
Mas fique pelo chão,
Deixando que me concentre
No que tenho em minhas mãos!

quinta-feira, 3 de junho de 2010

O que era doce

Onde é a linha
Que vai dizer afinal
Que o final
Finalmente chegou? 
Como ler nas entrelinhas, 
Sempre juntinhas
Que o que era doce
Se acabou?
Como ver na neblina
Ou entre a relva da campina
Que as luz se apagou?
Como calar a campanhia
Que teima em gritar,
Sempre fria:
"Acorda, sonhador!"




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