domingo, 9 de maio de 2010

Como se ama hoje?



Não tenham preguiça de ler!

Aprendi nas aulas de literatura que esse amor idealizador e sofrido que ainda existe no mundo ocidental, surgiu junto com os escritos de Dante; Para ele o amor é um sentimento, um ser que atemoriza inicialmente, mas que nos leva a nos aperfeiçoar como seres humanos. É quase o amor platônico, o ser amado é idealizado, toma as características de algo sagrado, distante, e para o amador é melhor até que o ser amado esteja morto, para que se consiga atingir a perfeição. Portanto, tudo isso a que chamamos de amor foi criado, essa maneira de enxergarmos a relação entre as pessoas, o jeito de vivenciar as emoções. Mas algumas questões me fazem refletir sobre essas considerações...

As pessoas são naturalmente mais possessivas ou não, sendo possivelmente notada essa característica desde a mais tenra idade. É certo também que o meio, a permissividade , também contribuem para o desenvlovimento de uma característica passional, mas os sentimentos são naturais no ser-humano. Cada um quer ser único, cada um quer ser especial. As regras de bom-senso nos impedem de demosntrar todo o nosso egoísmo e egocentrismo, mas a verdade e que gostaríamos de sermos vistos e estimados de maneira superior aos demais. Mas o que está em questão aqui, pra variar em minhas reflexões, é a maneira de amar no mundo.Como amamos hoje?

Hoje, o que é claramente observável no Brasil, é que o amor foi subestimado, ou até mesmo execrado. As pessoas iniciam sua vida afetivo-sexual muito cedo, e a permissividade é enorme em todos os meios. Os pré-adolescentes já são liberados para todos esses sentimentos e contatos, e isso é tão fácil e rotativo, que o tempo e a variedade vão deixando as pessoas cada vez mais rasas. Essa maneira de se relacionar não se deu do nada, num repente, mas de um longo processo histórico de relações humanas. Anteriormente, a sexualidade no Brasil era tabu, assim como no resto do mundo,  mas a hipocrisia era maior que os preconceitos; aos homens, tudo era permitido e até incentivado em matéria sexual, às mulheres, os medos e pavores de se tornarem escória, caso os prazeres mundanos as viessem mordiscar os ouvidos, eram apregoados. A pureza era amplamente  iaconselhada em livretos religiosos, conselhos de mães e parentas, em jornais e até revistas femininas. O valor da mulher consistia em ser uma excelente dona de casa e em sua pureza virginal, retratada pela mãe de Jesus. Já aos meninos, as portas das meretrizes eram abertas na infância, e quem os conduziam eram  muitas vezes os seus pais ou outro amigo mais velho, a fim de que  estes provassem ser homens. Duas visões totalmente opostas sobre o sexo e o amor. Para os homens, sexo era um direito, um dever, um divertimento natural, para as mulheres, um pecado monstruoso, o pior de todos, coisa que os homens sempre queriam delas e que depois de conseguir, abandonavam-nas e elas se tornarvam um lixo a qual nenhum outro com boas intençoes se atreveria a desejar.

Essa maneira de tratar a sexualidade encontrou muitos antipatizantes pelo tempo, e que foram só aumentando com estudos sobre a importancia do sexo para o ser humano. A "frigidez" da  mulher, tão em moda nas décadas anteriores pode ser melhor compreendida, e graças à Deus esse nome foi inutilizado, por que ele colocava todo o peso da insatisfaçao e dos problemas sexuais apenas na mulher, como se ela fosse um ET, mal-formada, uma não-mulher. Essas mesmas mulheres passaram a se informar mais sobre seus direitos sexuais, e passaram a exigir, junto com os direitos civis e trabalhistas, igualdade sexual, direito de sentir prazer! Nessa liberação geral, muita coisa se ganhou, mas muitas se perderam.
A nossa TV, os jornais, as revistas, todos endossam a sexualidade livre e sem preconceitos, na verdade, até estimulam.Quantas vezes ligamos a TV e nos deparamos com "pegadinhas" de mulheres semi-nuas em horário impróprio? Que papel tem a mídia na formação dos valores, na contribuição para o desenvolvimento intelectual dos cidadãos, para uma conscientização do que é importante em nossas vidas?

Essa nova maneira de ver as relaçoes em nosso século está nos levando a adquirir um estilo de vida muito diferente de nossos pais. Além dessa  revolução sexual e mental, ou juntamente com ela, podemos perceber o quanto o mundo se acelerou tecnologicamente nesse curto período. Hoje as pessoas estão mais dinâmicas, precisam ser mais dinâmicas, os seus cérebros não param um minuto sequer! Sempre trabalhando, sempre estudando, nunca há tempo para se dedicar ao lazer, ao ócio.Como ficam as famílias nessa correria?

A pressa nos tornou individualistas. Para os japoneses o valor estava na honra, quando se era apreciado matar ou morrer por ela; hoje, o nosso valor estar em ter. Não precisamos ser bons, não precisamos ter ética, precisamos ter poder e bens. Na Índia, O bem mais precioso é a família, a família aqui perdeu a formação e a valorização. Por que uma pessoa se interessaria em formar uma família, onde terá gastos, preocupações, limitações e árduo atarefamento, se hoje as mulheres  são livres e fazem sexo com querm queiram, sem compromisso, sem culpa, e ainda por cima ganham o seu pão com o próprio suor? Por que um homem gostaria de lutar para manter um relacionamento, se tem a certeza de que no mundo há milhares de mulheres à disposição? Por que uma mulher se contentaria com um homem que não supre suas necessidades sentimentais e sexuais se pode escolher entre tantos?

O casamento, como estamos acostumados a ouvir atualmente, é uma instituição falida. As pessoas não se interessam pelo sacrifício enorme e desgastante que é o de manter um casamento, e realmente é muito sacrificante! O relacionamento entre pessoas é sempre muito dificil, ainda mais com o nivel de comprometimento e de cobranças que são exigidos pelo casamento.

Nossa geração vive nesse mundo novo, superficial. O amor mudou de cara, mudou de importância. As paixões são como fogo em palha, fortes mas o tempo breve põe fim nelas. Há tantas opções, e tão fáceis, que o prazer do aprofundamento nas relações não é apreciado, os prazeres imediatos são mais intensos e dão menos trabalho.

É assim que o amor está sendo  vivido aqui em nosso país. É certo que não é regra, mas é uma maneira geral de se viver. Muitas mulheres ainda sonham com aquele amor romântico, com o seu príncipe, com o grande amor de suas vidas, mas com o tempo e as decepções vão se tornando incrédulas e frias. Algumas vão procurar seus príncipes em outras regiões do mundo, onde a família ainda é valorizada e o casamento é visto como o acontecimento mais importante na vida de seus habitantes.Algumas tem sucesso, mas muitas apenas encontram mais decepções...

O que me intriga é saber como serão as famílias, as pessoas daqui há uns 50 anos...Será que haverá um bando de velhos infelizes e vazios, solitários dentro de seus apartamentos, sem netos, sem bagunça no domingo, apenas o controle remoto e o computador, onde se fazem passar por outros a fim de conseguirem alguma esmola de atenção? Em seus corações e memórias sobrariam apenas resquícios dos prazeres intensos que viveram, sem que haja ninguém para compartilhar, ninguém que realmente se importe. Esses velhinhos não terão um pé para lhes esquentar no frio, nem com quem comentar sobre aquela noite engraçada, sobre uma bebedeira de um parente, sobre uma lembrança triste, pois todos os que passaram em suas vidas foram também como o fogo na palha, intensos  mas breves. Saudades, talvez não haverá essa palavra em seus vocabulários, pois o desejo será o de possuir novamente a  juventude e poder saber o que os levaram para aquele caminho, não o de reviver momentos, ou de estar novamente com pessoas de seu passado.

O que tem valor na vida? Por que nos preocupamos tanto com as coisas e a maneira como a nossas vidas caminham, se amanhã não estaremos mais aqui,  nem com as coisas, nem com a vida? Por que temos preguiça de conhecer e de lutar pelas pessoas? Por que sempre estamos em busca de algo perfeito, se sabemos que a perfeição humana não existe? Busca inútil, perda de tempo!

As mudanças são necessárias, principalmente quando dizem respeito à inteireza das pessoas, considerando seu lado sexual e sentimental, mas não devemos perder o sentido de que vivemos com seres humanos e que esses são importantes, cada um individualmente e em conjunto, e que só nos sentiremos completos se valorizarmos as pessoas que estão mais próximas, se criarmos laços, se pudermos dedicar nosso tempo a elas e a nós mesmos. Não deveríamos ver as pessoas como peças disponíveis para o prazer, deveríamos selecionar os prazeres que nos são valiosos para uma completude. 

O amor de hoje, no ocidente, é assim... Apenas um ítem a mais, que pode ser deletado a qualquer momento, sem maiores sofrimentos, sem idealizações, sem culpa. Concordo que o amor não deva ser sofrimento, como idealizou Dante, mas o amor não deveria também ser artigo de papelaria, não deveria ser jogado para debaixo do armário ,deixando em seu lugar os prazeres rasos e a solidão.



4 comentários:

  1. PERFEITO!

    E contrário a superficialidade que o amor lamentavelmente se tornou.

    PARABÉNS!

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  2. Ola =D
    Decidi seguir o conselho e ler este post…devo dizer que o adorei..
    “…mas os sentimentos são naturais no ser humano. Cada um quer ser único, cada um quer ser especial. As regras de bom senso nos impedem de demonstrar todo o nosso egoísmo e egocentrismo, mas a verdade e que gostaríamos de sermos vistos e estimados de maneira superior aos demais.” Aqui está uma grande verdade e admito, com muita vergonha, que me encaixo no perfil :S…
    As mulheres sempre foram menosprezadas na sociedade, coisa que sempre me irritou…ontem fui ao supermercado e vi um homem com três mulheres numa caixa de pagamento, e cerca de dez pessoas em redor com muita admiração…vim depois a saber que eram romenos, e o homem é casado com as 3 e tem 30 filhos…fiquei chocado! Provavelmente é visto como um grande homem, mas se fosse uma mulher casada com 3 homens já seria um escândalo…isto é muito injusto…fico feliz por as mulheres já estarem a conquistar os direitos e liberdades que merecem….fico feliz por cada vez vermos mais grandes empresárias, cientistas, mulheres de sucesso =D…
    Outro ponto um tanto ou quanto desconcertante é o facto, aqui muito bem referido, que a maioria dos homens à algum tempo atrás perdia a virgindade com mulheres da vida…isto é um bocado assustador =S
    Outro aspecto que já me fez reflectir bastante, é o facto aqui referido de haver milhares de mulheres à disposição…eu não suporto falhar quando a felicidade de outra pessoa está em jogo…vamos imaginar que me entregava a alguém, e que acabava por falhar justamente por causa deste aspecto =O…eu nunca me ia perdoar a mim próprio, mas isso não ia resolver as coisas…talvez este medo exista porque não apareceu a mulher que me faça pensar: “OH god, é contigo que quero viver o resto da minha vida :O”….espero vir a encontrá-la…
    Hoje em dia, é crescente o número de filmes, telenovelas e artigos que insistem em ilustrar esta fase decadentista da sociedade…depois, as pessoas sentem-se imersas nessa confusão de podres e defeitos, e acreditam piamente que nem vale a pena tentas o método “old school”…
    Nunca tinha pensado nos efeitos a longo prazo deste “distúrbio”, mas concordo com o que foi aqui expresso..vamos todos ser sugados pelo buraco negro chamado “solidão”, vamos ser todos frios, sem espaço para sorrisos….nem felicidade =S
    Outro aspecto que não se falou cá mas que vejo cada vez mais, e irrita-me profundamente, é o facto de estar a crescer o número de uniões que surgem por uma gravidez indesejada…vejo cada vez mais casalinhos em que a rapariga ronda os 15/16 anos e o rapaz nem barba tem, a empurrar um carro de bebé….o amor ali, não existe, acabam por ficar amarrados um ao outro por “obrigação”, vêem o progenitor como algo que nunca devia ter acontecido, e o resultado são famílias desequilibradas e crianças que sofrem imenso….e não suporto este tipo de coisas :S
    Devo dizer que este blog faz-me bem, não se encontram muitas pessoas a terem a coragem de encarar este problema com frontalidade, apesar de todos sabermos que é um problema, andamos com o espírito do “deixa ver onde isto vai dar”….Agradeço a coragem, e espero que continue o bom trabalho que tem feito..

    Cumprimentos*

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  3. já agora, vou postar no meu blog um texto de Shakespeare que é fenomenal...é mesmo forte, e mágico...e acho que todos o deveríamos ler pelo menos uma vez na vida...
    eu leio-o (quase) todos os dias...e mudou a minha vida..

    se calhar já o conhece, mas aconselho a passagem pelo blog só para confirmar :P...caso nao conheça, terá contacto com um grande tesouro ;)
    **

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  4. Pois é, meu caro, eu também, quando me deparo com um jovem casal, já com filho nos braços me vem uma tristeza profunda e um sentimento de desastre que não sei explicar...Mas é verdadde também que existem milhares de meninas que vão tendo os seus filhos e deixando-os aos cuidados das avós, continuando a sua vida de solterisse, como se nada tivesse mudado...Quanto o caso do homem com as tres mulhers, tenho pensado também sobre isso, tudo isso, toda essa nossa concepção de amor e de fidelidade, às vezes, me parece nao se passar de invencionisse, e que a forma como essas pessoas encaram a vida pode ser saudável e fazer bem à elas.Mas não concordo que os privilégios sejam desiguais, baseados no sexo...Apesar de achar que a nossa maneira de encarar o amor e a fielidade seja invencionisse nossa, eu não consigo me ver em um outro tipo de relacionamento, por que sempre sou inteira, não tenho espaço para divisões. Valeu pelo comentário!

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